NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA - 24 DE JUNHO

sexta-feira, 24 de junho de 2011

"Ele será grande diante do Senhor; estará cheio do Espírito Santo desde o seio materno, e muitos se alegrarão com seu nascimento".(Lc 1, 15.14)

"Houve um homem enviado por Deus: o seu nome era João. Veio dar testemunho da luz e preparar para o Senhor um povo bem disposto a recebê-lo".(Jo 1, 6-7; Lc 1, 17)

Além de Nossa Senhora, são João Batista é o único santo cujo nascimento é festejado, porque a Igreja vê nele a preanunciação do Natal do Senhor. João Batista é apresentado pelos evangelistas como o precursor do Messias, e seu nascimento e missão foram anunciados pelo Anjo Gabriel ao pai Zacarias
 (Lc 1, 5-25).

Seu nascimento anuncia a chegada dos tempos messiânicos, nos quais a esterilidade se tornará fecundidade e o mutismo, exuberância profética.
Na circuncisão recebeu o nome de João, por inspiração
 divina. 
Seis meses mais velho que Jesus, viveu nos desertos vestindo-se de peles de animais e alimentando-se de mel silvestre e gafanhoto(vagem de uma árvore nativa da região), conforme o evangelista Lucas (Lc 1,80) e, alguns autores dizem que esteve entre os essênios, um tipo de monges rigoristas, que viviam de forma comunitária entregues à oração e penitência à beira do rio Jordão ou do Mar Morto. Ele é lembrado como homem de grande mortificação, disciplina talvez iniciada nas comunidades do deserto.
Começou sua pregação pública às margens do rio Jordão, alguns anos antes de Jesus iniciar sua missão. Pregava a necessidade de conversão e do batismo de penitência. O evangelho lhe dá o cognome de "Batista", porque ele anuncia um novo rito de ablução (Mt 3,13-17), na qual o batizado recebe a água lustral das mãos de ministro, pretendendo assim mostrar que o homem não se pode purificar sozinho, mas que toda santidade vem de Deus. 

A tradição lembrou sobretudo seu caráter profético; ele é profeta por duplo título. 
É profeta no sentido em que a palavra era entendida no Antigo Testamento. João Batista é o maior dos profetas de Israel, porque pode apontar o objeto de suas profecias (Mt 11,7-15; Jo 1,19-28).
É profeta no sentido de que não é apenas o anunciador do futuro messiânico, mas é essencialmente o portador da palavra de Deus e a testemunha da presença dessa Palavra criadora no mundo novo.

Em cada missa, o anúncio da palavra de Deus repete o tema que o Batista fazia ressoar às margens do Jordão: "Convertei-vos!". A narrativa da Ceia do Senhor, no centro da Oração eucarística, é um trecho daquele evangelho que nos deve levar também a perguntar com  fé à Igreja que no-lo propõe: "Que devemos fazer?" (At 2,37). A resposta de Cristo, corpo-dado e sangue-derramado, é: "Fazei isto em memória de mim!".
A vida e o martírio do Batista são uma das inúmeras respostas-memorial que sempre sobem ao Pai por Cristo, com Cristo e em Cristo.
fonte: Missal cotidiano

ORAÇÃO
Ó Deus, que suscitastes são João Batista, a fim de preparar para o Senhor um povo perfeito, concedei à vossa Igreja as alegrias espirituais e dirigi nossos passos no caminho da salvação e da paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

LEITURAS
Is 49, 1-6    Eu te farei luz das nações.
Sl 138 (139)   Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes!
At 13, 22-26   Antes que Jesus chegasse, João pregou um batismo de conversão.
EVANGELHO
Serás chamado, ó menino, o profeta do Altíssimo: irás diante do Senhor, preparando-lhe os caminhos.
Lc 1, 57-66.80      João é o seu nome

O Ofício das Leituras nos propõe as seguintes leituras abaixo. Vamos meditar sobre elas.

Primeira leitura
Do Livro do Profeta Jeremias 1,4-10.17-19

A vocação do profeta
4Foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo:
5“Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci;
antes de saíres do seio de tua mãe,
eu te consagrei e te fiz profeta das nações”.
6Disse eu: “Ah! Senhor Deus,
eu não sei falar, sou muito novo”.
7Disse-me o Senhor:
“Não digas que és muito novo;
a todos a quem eu te enviar, irás,
e tudo que eu te mandar dizer, dirás.
8Não tenhas medo deles,
pois estou contigo para defender-te”,
diz o Senhor.
9O Senhor estendeu a mão, tocou-me a boca e disse-me:
“Eis que ponho minhas palavras em tua boca.
10Eu te constituí hoje sobre povos e reinos
com poder para extirpar e destruir,
devastar e derrubar,
construir e plantar.
17Vamos, põe a roupa e o cinto,
levanta-te e comunica-lhes
tudo que eu te mandar dizer:
não tenhas medo,
senão, eu te farei tremer na presença deles.
18Com efeito, eu te transformarei hoje
numa cidade fortificada,
numa coluna de fero,
num muro de bronze
contra todo o mundo,
frente aos reis de Judá e seus príncipes,
aos sacerdotes e ao povo da terra;
19eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão,
porque eu estou contigo
para defender-te”, diz o Senhor.

Responsório Jr 1,5.9b.10a

R. Antes que eu te formasse, no ventre materno,
eu te conheci e antes que tu
saísses do seio, eu te consagrei.
* E te constituí profeta às nações.
V. Eis que ponho em tua boca as minhas palavras,
constituo-te hoje sobre povos e reinos.
* E te constituí profeta às nações.

Segunda leitura
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo

(Sermo 293,1-3: PL 38,1327-1328)
(Séc.V)

Voz do que clama no deserto
A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os
nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente.
Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo: tal fato tem, sem dúvida, uma
explicação. E se não a soubermos dar tão bem, como exige a importância desta
solenidade, pelo menos meditemos nela mais frutuosa e profundamente. João nasce de
uma anciã estéril; Cristo nasce de uma jovem virgem.

O pai de João não acredita que ele possa nascer e fica mudo; Maria acredita, e Cristo é
concebido pela fé. Eis o assunto que quisemos meditar e prometemos tratar. E se não
formos capazes de perscrutar toda a profundeza de tão grande mistério, por falta de
aptidão ou de tempo, aquele que fala dentro de vós, mesmo em nossa ausência, vos
ensinará melhor. Nele pensais com amor filial,a ele recebestes no coração, dele vos
tornastes templos.

João apareceu, pois, como ponto de encontro entre os dois Testamentos, o antigo e o
novo. O próprio Senhor o chama de limite quando diz: A lei e os profetas até João
Batista (Lc 16,16). Ele representa o antigo e anuncia o novo. Porque representa o
Antigo Testamento, nasce de pais idosos; porque anuncia o Novo Testamento, é
declarado profeta ainda estando nas entranhas da mãe. Na verdade, antes mesmo de
nascer, exultou de alegria no ventre materno, à chegada de Maria. Antes de nascer, já é
designado; revela-se de quem seria o precursor, antes de ser visto por ele. Tudo isto são
coisas divinas, que ultrapassam a limitação humana. Por fim, nasce. Recebe o nome e
solta-se a língua do pai. Relacionemos o acontecido com o simbolismo de todos estes
fatos.

Zacarias emudece e perde a voz até o nascimento de João, o precursor do Senhor; só
então recupera a voz. Que significa o silêncio de Zacarias? Não seria o sentido da
profecia que, antes da pregação de Cristo, estava, de certo modo, velado, oculto,
fechado? Mas com a vinda daquele a quem elas se referiam, tudo se abre e torna-se
claro. O fato de Zacarias recuperar a voz no nascimento de João tem o mesmo
significado que o rasgar-se o véu do templo, quando Cristo morreu na cruz. Se João se
anunciasse a si mesmo, Zacarias não abriria a boca. Solta-se a língua, porque nasce
aquele que é a voz. Com efeito, quando João já anunciava o Senhor, perguntaram-lhe:
Quem és tu? (Jo 1,19). E ele respondeu: Eu sou a voz do que clama no deserto (Jo 1,23).
João é a voz; o Senhor, porém,no princípio era a Palavra (Jo 1,1). João é a voz no
tempo; Cristo é, desde o princípio, a Palavra eterna.

Responsório Lc 1,76-77

R. Serás profeta do Altíssimo, ó menino,
* Pois irás andando à frente do Senhor
para aplainar e preparar os seus caminhos.
V. Anunciando a seu povo a salvação
que está na remissão dos seus pecados.
* Pois irás.

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