BEATO JOÃO BATISTA SCALABRINI, BISPO, FUNDADOR - 1º DE JUNHO

segunda-feira, 6 de junho de 2011



                                        "Pai dos Migrantes" (1839-1905) 

João Batista Scalabrini, nasceu perto de Como, Itália, em 8 de julho de 1839. A sua família era humilde, honesta e cristã. Ele desejou tornar-se padre e entrou no seminário diocesano, no qual se distinguiu pela inteligência e perseverança. Foi ordenado sacerdote em 1863. Iniciou o apostolado como professor do seminário e colaborador em paróquias da região. Possuía alma de missionário, mas não conseguiu realizar sua vontade de ser um deles na Índia.

Scalabrini foi designado pároco da paróquia urbana de São Bartolomeu em 1871. Seu ministério foi marcante e priorizou a catequese da infância e da juventude. Atento aos inúmeros problemas sociais do seu tempo, escreveu vários livros e publicou até um catecismo.

Logo no começo de seu episcopado, sua maior preocupação era restaurar e aprofundar o ensino da doutrina cristã em seu meio, instituindo escolas de catecismo em cada comunidade paroquial.Acreditava que uma mudança só iria acontecer se todos se tornassem mais íntimos de cristo. Sua visão ampla de catequese, levou-o a estudar amplamente a problemática catequética na igreja.
Apoiou a Comissão Diocesana de Catequese, visando a renovação espiritual do povo, e a valorização do catecismo,  tanto por parte dos jovens como dos adultos. Promoveu a realização de um Congresso Catequético Nacional.
 A criação da revista O Catequista Católico, excelente manual de formação, tanto pedagógico e didático, como na sua atualidade, foi de muita ajuda e teve grande aceitação. Foi a primeira revista catequética da Itália e a segunda do mundo, passando de diocesana a nacional, e circulou até 1940.

Scalabrini era sempre lembrado nos encontros de catequese pelas suas belas e profundas reflexões como: “A catequese é precisamente a base onde se deve fomentar toda pregação e toda ação pastoral. Salvamos a sociedade mediante uma boa catequese! Mais do que de bons catecismos, precisamos de bons catequistas”.

Exortava as pessoas ao desapego das estruturas catequéticas, que só atrasavam a evolução religiosa de muitos cristãos e dizia sem medo: "nos anos de infância muita prática e pouca instrução; na juventude muita instrução e pouca prática. Falta fundamentação firme, profunda e estável. Os anos avançam. Idades diferentes, cuidados diferentes: prazeres, afazeres, interesses (...) Assim a catequese precisa se modernizar para poder entrar neste meio"
Defendia a catequese voltada para a família, para que a instrução religiosa da infância despertada por Deus na família epudesse renascer em sua amplitude, lembrando sempre o papel imprescindível da família na educação cristã: “vós, pois, sois os primeiros e os mestres do catecismo; com o vinculo conjugal assumistes a obrigação muito grave: sois pais na carne, para serdes pais no espírito”.Conservava esses princípios em todos seus escritos sobre catequese: ”todos precisam educar-se e todos devem educar; é preciso educar e não apenas instruir a criança, a catequese só alcança seus objetivos se consegue renovar o homem e as estruturas sociais”.


João Batista Scalabrini foi lembrado muitas vezes pelos escritores religiosos como Doutor da catequese, e hoje é considerado na história da catequese na Itália, e na Igreja com o título de Pioneiro das melhores propostas catequético atuais.


Ele via a catequese como um todo, pensava carinhosamente nas crianças nos jovens e adultos. Porém sua sensibilidade foi muito forte em relação aos jovens: ”Aflige-me o coração ver tantos jovens estudantes que se perdem, enquanto muito facilmente nós poderíamos salva-los”..."Sejam para eles, ó irmãos, os cuidados mais solícitos e afetuosos.Salvemos esta pobre juventude e com ela teremos salvado tudo". Tinha um grande zeloso afeto pela juventude, pois para ele, "era para nunca perder de vistas aquelas crianças que haviam passado pela catequese inicial".
E dizia: "Se amamos as crianças devemos continuar o amor com os jovens, embora jovem a alma quando bem instruída no catecismo experimenta em si mesma Deus e atira-se a ele com ardor, ama-o, adora-o através das luzes que adornam esse universo."  Ou seja , as sementes que foram plantadas, precisam ir sendo cultivadas na juventude.
Ele acreditava no poder  que os jovens têm de desenvolver a fé: "Educai religiosamente um jovem, e vê-lo-eis ainda novo proferir em respeito o nome de Deus e, sem que perceba tornará as máximas da fé como primeira lei.
A  catequese é o alicerce de toda ação apostólica na espiritualidade scalabriniana, pois o ensinamento da Palavra tem em vista o migrante e sua salvação pela fé. (Ir.Valdiza Carvalho, mscs)



Foi nomeado bispo de Piacenza, aos trinta e seis anos e lá permaneceu quase trinta como pastor sábio, prudente e zeloso. Reorganizou os seminários, cuidando da reforma dos estudos eclesiásticos. Foi incansável na pregação, administração dos sacramentos e na formação do povo.

Scalabrini, como excelente observador da realidade de sua época, fundou um instituto para surdos-mudos e uma organização assistencial para mulheres abandonadas das zonas rurais, pertencentes à sua diocese. Mas o trabalho que mais o instigou e para o qual não media esforços foi o que desenvolveu com os migrantes. Entre os anos de 1850 e 1900, foram milhões de europeus que deixaram seus lares e pátria em busca da sobrevivência. Para eles o bispo Scalabrini criou a Casa dos Migrantes.

Um dia, ele estava na estação ferroviária e viu centenas de migrantes esperando, com suas trouxas, o trem que os levaria ao porto de embarque. A situação de pobreza e abandono desses irmãos infelizes marcaram para sempre seu coração. Em seguida, Scalabrini recebeu uma carta de um emigrante da América do Sul, suplicando que um padre fosse para aquele continente, porque, como dizia, "aqui se vive e se morre como os animais".

A partir daquele momento, Scalabrini foi o apóstolo dos italianos que abandonaram a própria pátria. Em 1887, fundou a Congregação dos Missionários de São Carlos Borromeu, conhecidos atualmente como padres scalabrinianos, para a assistência religiosa, moral e social aos emigrantes em todo o mundo, e criou a Sociedade São Rafael, um movimento leigo a serviço dos migrantes.

Ele próprio planejou e realizou viagens para visitar os missionários na América Latina, pois queria que estivessem estimulados e encorajados a dar a assistência religiosa e social aos emigrantes. Percebendo que sua obra não estava completa, em 1895 fundou a Congregação das Missionárias de São Carlos Borromeu, hoje das irmãs scalabrinianas, e concedeu reconhecimento diocesano às Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração, enviando-as para o trabalho com os emigrantes italianos do Brasil em 1900. Apesar de todo esse trabalho, jamais descuidou de sua diocese.

Scalabrini dizia que sua inspiração tinha origem na ilimitada fé em Jesus Cristo presente na eucaristia e na oferta dele na cruz. Morreu no dia 1º de junho de 1905, na cidade de Piacenza, Itália, deixando esta mensagem aos seus filhos e filhas: "Levai onde quer que esteja um migrante o conforto da fé e o sorriso de sua pátria. Devemos sair do templo, se quisermos exercer uma ação salutar dentro do templo". O papa João Paulo II beatificou-o com o título de "Pai dos Migrantes" em 1997. 

Fontes: www.paulinas.org.br, /arquidiocesedecampogrande.org.br

0 comentários:

Postar um comentário

 
São Francisco da Penitência OFS Cabo Frio | by TNB ©2010