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Experiência de fé

             
A fé consegue fermentar a esperança, e faz com que a pessoa realize a prática da caridade.
Dentro da pedagogia litúrgica da Igreja, no terceiro domingo de agosto, celebra-se a vocação à vida religiosa. Pertencer a uma congregação religiosa não deixa de ser uma experiência de fé, tendo como ícone, a Mãe de Deus, Maria, a primeira a experimentar a fé, servindo a Jesus Cristo. A assunção de Maria reflete as consequências de quem coloca a vida como serviço desinteressado pelo irmão.
“Feliz aquele que teme o Senhor!” (Eclo 34,17). Não só Maria, a Mãe de Jesus, mas muitos vivenciaram a fé em Deus de forma incondicional. Essa prática continua hoje, mesmo que seja com formas das mais diversas possíveis. O importante é a consciência da entrega, da responsabilidade e da doação. Chegamos até a existência dos mártires da época moderna, os que não abrem mão da verdade.
A fé consegue fermentar a esperança, e faz com que a vida da pessoa realize a prática da caridade. O bem feito ao outro sai do nível da filantropia e entra na dimensão sobrenatural. É a caridade feita com fé e com esperança. São três virtudes fundamentais, porque elas elevam o ser humano a uma dignidade capaz de ultrapassar os níveis do tempo e dos condicionamentos finitos.
A grandeza e a objetividade da fé só são realmente perceptivas na generosidade do coração humano. Em outros termos, a fé é dom amoroso de Deus. Ela está presente na sensibilidade da vida, que vem da própria natureza das coisas, ou da possibilidade de divinização da criação humana e da capacidade que a pessoa tem de fazer um encontro pessoal com Jesus Cristo.
As grandes obras de Deus, que manifestam a essência da fé, se realizam na vida das pessoas mais simples. O orgulho e a vaidade sufocam sua simplicidade, porque Deus é simples a ponto de nem ter visibilidade. Aí está o mistério da fé, fazendo com que muitas pessoas não admitam a existência de Deus. Na verdade, não conseguem vê-Lo presente na beleza da criação.
Triunfo e humildade não combinam, a não ser quando nos esvaziamos de toda glória pessoal e colocamos tudo nas mãos de Deus. Fazer isso significa deixar Deus ser grande em nossa vida e experimentar a fé na prática. Realidade impossível de acontecer na arrogância injusta do poder, onde o deus-dinheiro é adorado e tomado como único caminho de felicidade humana.

CNBB 15-08-2016
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A ligação do atual pontificado com a espiritualidade franciscana

Cidade do Vaticano, 14 ago (sirnoticias@hotmail.com) –  Quer a recente visita do Papa Francisco à Porciúncula, como a sua oração silenciosa na cela de São Maximiliano Kolbe em Auschwitz - durante a visita à Polônia por ocasião da JMJ - confirmam ulteriormente a ligação do atual pontificado com a espiritualidade franciscana.
Esta é a impressão manifestada ao L’Osservatore Romano pelo Ministro Geral dos Frades Menores Conventuais, Padre Marco Tasca, que acompanhou Francisco em ambos os eventos.
“Exatamente. Na primeira “Regra” – explicou - o Pobre de Assis escreveu, no Capítulo 16, como os frades devem ir em missão. E introduziu um conceito simples: devem testemunhar que vocês se querem bem. In suma, também aqui, no centro, há a vida. Agora, oito séculos depois, também Francisco insiste nisto: o testemunho da beleza do viver como irmãos, a beleza da comunhão”.
“Eu vejo uma grande conexão entre a espiritualidade franciscana e o método missionário da Evangeliigaudium que o Papa Francisco está levando em frente”, acrescenta o frei Tasca.
“Um segundo aspecto, por outro lado, evoca o Ano Santo da Misericórdia. O Pobre de Assis pediu a Indulgência da Porciúncula, porque tinha um programa: “Quero mandar todos para o Paraíso”. “Parece-me que este seja o mesmo sonho do Papa: que todos possam encontrar o Evangelho de Deus bom e misericordioso, do Deus acolhedor e que vem ao encontro dos homens”.
Em relação à visita à Basílica Santa Maria dos Anjos, em 4 de agosto, “o Papa se fez peregrino entre os peregrinos para rezar na Porciúncula  – explicou o Ministro Geral dos Frades Menores. Esta realidade que há 800 anos concede graças, misericórdia e paz. Um gesto, o seu, de grande significado. Por meio do qual o Papa diz que rezar na Porciúncula é um caminho a ser percorrido para chegar à paz, à reconciliação, à misericórdia”.

SIR
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Igreja tem necessidade de missionários apaixonados, não de burocratas

Cidade do Vaticano, 14 ago (sirnoticias@hotmail.com) – Neste XX Domingo do Tempo Comum o Papa encontrou-se com milhares de fieis de todo o mundo na Praça São Pedro, para a tradicional Oração mariana do Ângelus. Francisco dedicou sua alocução ao fogo do Espírito Santo, inspirado na passagem de Lucas “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso”.
“O Evangelho deste domingo faz parte dos ensinamentos de Jesus dirigidos aos discípulos durante a sua subida à Jerusalém, onde lhe espera a morte de cruz. Para indicar o objetivo de sua missão, Ele se serve de três imagens: o fogo, o batismo e a divisão. Hoje quero falar da primeira imagem, a do fogo.
Jesus a expressa com estas palavras: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso”. O fogo do qual Jesus fala é o fogo do Espírito Santo, presença viva e atuante em nós desde o dia do Batismo. Ele é uma força criadora que purifica e renova, queima toda humana miséria, todo egoísmo, todo pecado, nos transforma a partir de dentro, nos regenera e nos torna capazes de amar. Jesus deseja que o Espírito Santo irrompa como fogo no nosso coração, porque somente partindo do coração que o incêndio do amor divino poderá propagar-se e fazer progredir o Reino de Deus. Se nos abrirmos completamente à ação do Espírito Santo, Ele nos dará a audácia e o fervor para anunciar a todos Jesus e a sua consoladora mensagem de misericórdia e de salvação, navegando em mar aberto.
No cumprimento de sua missão no mundo, a Igreja tem necessidade de ajuda do Espírito Santo para não deixar-se frear pelo medo e pelo cálculo, para não habituar-se a caminhar dentro de fronteiras seguras. A coragem apostólica que o Espírito Santo acende em nós como um fogo nos ajuda a superar os muros e as barreiras, nos faz criativos e nos impele a colocarmo-nos em movimento para caminhar também por caminhos inexplorados ou desconfortáveis, oferecendo esperança a quantos encontramos. Somos chamados a nos tornar sempre mais comunidade de pessoas guiadas e transformadas pelo Espírito Santo, repletas de compreensão, de coração dilatado e de rosto alegre. Mais do que nunca, existe a necessidade de sacerdotes, de consagrados e de fieis leigos, com o olhar atento do apostolado, para mover-se e parar diante das dificuldades e das pobrezas materiais e espirituais, caracterizando assim o caminho da evangelização e da missão com o ritmo curador da proximidade.
Neste momento, penso com admiração, sobretudo, aos numerosos sacerdotes e religiosos que, em todo o mundo, se dedicam ao anúncio do Evangelho com grande amor e fidelidade, não raro a custo da própria vida. O exemplar testemunho deles nos recorda que a Igreja não tem necessidade de burocratas e de diligentes funcionários, mas de missionários apaixonados, imbuídos pelo ardor de levar a todos a consoladora palavra de Jesus e a sua graça regeneradora.
Peçamos a Virgem Maria para rezar conosco e por nós ao Pai celeste, para que derrame sobre todos os fieis o Espírito Santo, fogo divino que aquece os corações e nos ajude a ser solidários com as alegrias e os sofrimentos dos nossos irmãos. Nos sustente no nosso caminho o exemplo de São Maximiliano Kolbe, mártir da caridade, cuja festa recorre hoje: que ele nos ensine a viver o fogo do amor por Deus e pelo próximo”.

SIR

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Fogo sobre a terra

Por Dom Caetano Ferrari*
Jesus diz no Evangelho da Missa de hoje - Lc 12,49-53 - “Eu vim para lançar fogo sobre a terra e como gostaria que já estivesse aceso!”. É simbólico esse fogo. Mas não significa o fogo do inferno, do castigo. Simboliza o fogo do Espírito Santo, o fogo do amor a Deus e da misericórdia divina pelos feridos do mundo. Mas esse não é tampouco o fogo de uma paixão prazerosa, agradável, idílica. Significa o fogo do sofrimento resultante de uma prova dolorosa. Por esse sofrimento Jesus ficou conhecido como o Homem das dores. O contexto que explica essa fala de Jesus é o da sua viagem rumo à cidade santa, palco da sua paixão e morte. Lá, diz Ele: “Devo receber um batismo e como estou ansioso até que isso se cumpra!”. A ansiedade é um misto de angústia e de pressa para que tudo isso se realize logo, a fim de que seja cumprida a vontade do Pai e realizada a libertação e salvação da humanidade pecadora.
Jesus alerta, porém, que o tempo da salvação não será tempo de paz e tranquilidade. Ele pergunta: “Vós pensais que Eu vim trazer a paz sobre a terra?” E responde: “Pelo contrário, Eu vos digo, vim trazer a divisão”. Ele explicita que a divisão começará na própria família: Os pais contra os filhos, os filhos contra o pai ou a mãe, os filhos entre si, a sogra contra a nora e o genro contra o sogro. Depois perpassará as comunidades e as sociedades, tudo por causa do seu nome e de seu Evangelho. Assim sendo, Jesus se afirma como sinal de contradição no mundo. Aliás, para recordar que desde criança Ele foi visto como sinal de contradição lembremos que o velho Simeão, quando da apresentação de Jesus ao Templo por Maria e José, profetizou, dizendo: “Eis que este menino foi colocado para a queda e para o soerguimento de muitos em Israel, e como um sinal de contradição” (Lc 2,34). Inclusive os discípulos estão postos nesse nosso mundo como sinais de contradição.  Conforme Jesus disse que os discípulos não estão acima do Mestre, que eles também se preparem porque serão incompreendidos por muitos e deverão enfrentar os conflitos da vida cristã. Porquanto, seguir Jesus e seu Evangelho é pôr-se na contramão dos valores do mundo. Assim como diante de Jesus as pessoas e as sociedades se dividem em pró ou contra, elas se dividirão igualmente diante dos cristãos. Não obstante a rejeição e a cruz, importa que os cristãos perseverem até o fim, seguindo firmemente o Senhor. E seguindo-O bem de perto para que as chamas do fogo do Espírito Santo que saem de seu coração incendeiem os seus corações e os sustentem no bom combate pelo reino. 
Hoje é dia dos pais para ser celebrado com festa e com sentimentos de gratidão e carinho para com todos os pais, sem que nos esqueçamos das mães que tiveram o seu dia em maio. O foco de hoje é a paternidade, mas a festa leva-nos a ter presente a maternidade e, por consequência, a família. Na família há o pai e a mãe, as crianças, os jovens, os avós. A vida humana nasce de um homem e uma mulher que se amam e se unem gerando os filhos, criando-os, educando-os e encaminhando-os para que constituam depois a sua própria família. Sobre a base da família humana, conforme o plano do Criador, assim caminha a humanidade, construindo o reino rumo à vida eterna, plena e feliz. Por isso, nós cristãos, defendemos e promovemos a família. Ela é antes de tudo um projeto de Deus, não uma construção humana. Lembremo-nos como Deus criou do nada Adão e Eva e os fez de tal forma estruturados biológica, psicológica e espiritualmente e ordenados vocacionalmente para se tornarem os progenitores da humanidade; deles, portanto, descendem todos os povos. Numa outra oportunidade, Jesus recordou aos fariseus, que para pô-Lo à prova lhe perguntaram se é lícito repudiar a própria mulher, que desde o princípio, segundo o desígnio do Criador, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne: “De modo que já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu o homem não deve separar” (Mt 19, 4-6). Com base no ensinamento divino sobre a família, a Igreja elaborou uma sólida doutrina sobre o matrimônio cristão e revestiu a união conjugal com a dignidade de sacramento nupcial, mediante o qual os cônjuges recebem a graça especial que os abençoa e fortalece e os acompanha por toda a vida. É um dos dez mandamentos “Honrar o pai e a mãe”. São João Paulo II, refletindo sobre o sonho da civilização do amor e o dever de construí-la, afirmou que “O futuro da humanidade passa pela família”. Ora, não há nem haverá civilização do amor sem a família humana.    
Nesta data tem início a Semana Nacional da Família, uma promoção da Igreja no Brasil impulsionada pela CNBB. Na nossa Diocese, começa também a Semana Diocesana da Família. O Setor Família da Diocese, movimentando especialmente a Pastoral Familiar, a Pastoral Vocacional, o Setor Juventude, o ECC, as Equipes de Nossa Senhora e demais movimentos em prol da família, engaja-se com nossas Paróquias e Comunidades para apoiar e promover ações, sobretudo de oração, reflexão e serviço de caridade às famílias em geral e em particular às famílias “feridas” carentes de misericórdia. O lema desta Semana Diocesana da Família é: “A misericórdia na família é dom e missão”. A oração de base é: “Restaura nossa casa, Senhor!”. No próximo domingo, haverá pelas ruas da cidade a grande Caminhada da Família, um evento tradicional em Bauru que comemora também o segundo ano do Dia Municipal da Família. Venha com a sua família participar.
Ó Deus, nosso Pai, abençoai os que são pais e as nossas famílias. Concedei a todos nós um coração de filhos para que possamos viver e rezar com fé a oração que Jesus nos ensinou: “Pai nosso...” 

CNBB 11-08-2016
*Dom Caetano Ferrari: Diocese de Bauru.

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800 anos do Perdão de Assis

Por Cardeal Orani João Tempesta*
Iniciamos o mês vocacional – Agosto – com o eco da grande JMJ da misericórdia de Cracóvia e com a comemoração do oitavo centenário do perdão de Assis, a assim chamada indulgência da Porciúncula que contará com a visita do Papa Francisco nesta semana. 
Uma feliz providência: um centenário de concessão da misericórdia no ano do jubileu extraordinário da misericórdia com dois homens que levam o nome de Francisco. Com textos consultados na rede mundial de computadores e de domínio público reflitamos sobre este importante momento.
Francisco nasceu em Assis, na Úmbria (Itália) em 1182. Jovem orgulhoso, vaidoso e rico, que se tornou o mais italiano dos santos e o mais santo dos italianos. Com 24 anos, renunciou a toda riqueza para desposar a “Senhora Pobreza”. Levará consigo para sempre essa missão evangelizadora e entusiasmada de servir a Cristo nos irmãos, em especial nos mais pobres.
Aconteceu que Francisco foi para a guerra como cavaleiro, mas doente ouviu e obedeceu a voz do Patrão que lhe dizia: “Francisco, a quem é melhor servir, ao amo ou ao criado?”. Ele respondeu que ao amo. “Porque, então, transformas o amo em criado?”, replicou a voz. No início de sua conversão viveu como eremita e na solidão, quando recebeu a ordem do Senhor na igrejinha de São Damião: “Vai restaurar minha igreja, que está em ruínas”. Partindo em missão de paz e bem, seguiu com perfeita alegria o Cristo pobre, casto e obediente. 
Nessa época campo de Assis havia também uma antiga ermida abandonada dedicada a de Nossa Senhora no local chamado Porciúncula (de pequena porção). Este foi um dos lugares prediletos de Francisco e dos seus companheiros. Sim, companheiros, pois na Primavera do ano de 1200 já não estava só; tinham-se unido a ele alguns jovens que pediam também esmola, trabalhavam no campo, pregavam, visitavam e consolavam os doentes. A partir daí, Francisco dedica-se a viagens missionárias: Roma, Chipre, Egito, Síria… Peregrinando até aos Lugares Santos dentro da expansão da Ordem. O trabalho na terra santa dos freis franciscanos até hoje é um belo sinal de dedicação às terras e locais por onde Jesus passou. 
Em 1223, foi a Roma e obteve a aprovação mais solene da Regra, como ato culminante da sua vida. Na última etapa de sua vida, recebeu no Monte Alverne os estigmas de Cristo, em 1224. Já enfraquecido por tanta penitência e cego por chorar pelo “amor que não é amado”, São Francisco de Assis, na igreja de São Damião, encontra-se rodeado pelos seus filhos espirituais e assim, recita ao mundo o cântico das criaturas. São Francisco de Assis, retira-se então para a Porciúncula, onde morre deitado nas humildes cinzas a 3 de outubro de 1226. Passados dois anos incompletos, a 16 de julho de 1228, o Pobrezinho de Assis era canonizado por Gregório IX.
A hodierna e majestosa Basílica de Santa Maria dos Anjos abriga no seu interior a pequena Capela da Porciúncula, local onde Francisco confirmou a sua vocação numa noite do ano 1216. O nome de Santa Maria dos Anjos provém da tradição de que, naquela pequena Capela, que foi construída por quatro peregrinos que retornavam da Terra Santa, era venerado um fragmento do túmulo da Virgem Maria, e que sempre se ouvia no local o canto dos anjos. Foi também nesta pequena Capela, que recebeu o nome de Porciúncula, isto é, pequena porção, que São Francisco recebeu a indulgência do “Perdão de Assis”. Conta-se a história desse momento místico da vida de São Francisco: estava certa noite em sua cela, rezando pela conversão dos pecadores, quando um anjo convidou a dirigir-se à Capela da Porciúncula. Lá chegando, encontrou-a toda iluminada e no meio de um coro de anjos estava a Virgem Maria ao lado de seu Divino Jesus.
Jesus, dirigindo-se a Francisco, disse-lhe: “Em recompensa ao teu zelo pela conversão dos pecadores, pede-me o que quiseres”. Francisco pediu-lhe então a indulgência Plenária para todos aqueles que tendo confessado e comungado, visitassem aquela pequena igrejinha. São Francisco, meio que assustado com seu atrevimento, suplicou a intercessão da Virgem Maria. O pedido teria que ser aprovado pelo Papa, Francisco com a face no chão. Adorou o seu Senhor. No dia seguinte, Francisco foi ao encontro do Santo Padre; este, porém, lhe concedeu a graça apenas um dia no ano, ou seja a cada 02 de Agosto. Nesta data, denominada “Perdão de Assis”, é enorme a afluência de fiéis à Basílica da Porciúncula e a Igreja celebra a Festa de Nossa Senhora dos Anjos.
Esta festa é uma das mais importantes, ainda hoje, da família franciscana, pois foi estendida, mais tarde, pelo Papa Sisto IV, a todas as igrejas do orbe.  Então, somos todos beneficiados pelo “Perdão de Assis” ou “Dia do Perdão”, para tanto, devemos fazer uma boa confissão, participar da Eucaristia, e, entrando na igreja franciscana, rezar pelo Santo Padre, o Papa. Louvemos ao Senhor que fez nascer São Francisco, que revolucionou, com sua ordem, a Igreja, sem precisar abandoná-la ou fundar outra. No mês das vocações, vamos lembrar o despojamento, a coragem, a simplicidade, o amor e a pobreza do Santo de Assis.
Encerramos este artigo rezando a oração de Nossa Senhora dos Anjos: “Augusta Rinha dos céus e soberana Senhora dos Anjos, Que recebeste de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, Nós vos pedimos humildemente: Enviai as legiões celestes para que, sob Vossas ordens persigam os demônios; Combatam-nos em toda a parte, reprimam a sua audácia e os precipitem no abismo. Quem é como Deus? Santos, anjos e arcanjos protegei-nos, defendei-nos! Ó boa e terna Mãe, vós sereis sempre O nosso amor e a nossa esperança! Ó divina mãe, enviai os vossos anjos, Para que nos defendam e afastem de nós O cruel inimigo! Assim seja!” (Papa Leão XIII).

CNBB 02-08-2016.
*Cardeal Orani João Tempesta: Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ).
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Jesus abriu a inteligência dos discípulos

O Evangelho de Lucas nos ajuda a perceber a importância do gesto de abrir o Livro
Por Felipe Magalhães Francisco*
Para as tradições judaica e cristã, o gesto de abrir o Livro das Sagradas Escrituras é carregado de simbolismo. Remete-nos à própria Revelação de Deus. Tanto as liturgias judaicas quanto as cristãs insistem nesse gesto. Para a compreensão cristã, essa Revelação é percebida de uma maneira mais profunda, pois relaciona a Palavra de Deus ao próprio Filho, encarnado em meio à humanidade. Se Deus se revela, é porque quer que nos apropriemos, existencialmente, dessa Revelação, a fim de que estreitemos nossa relação com ele. Afinal, a sabedoria popular insiste na ideia de que só amamos aquilo que conhecemos.
O Evangelho de Lucas nos ajuda a perceber a importância do gesto de abrir o Livro. Na narrativa lucana, o início da missão de Jesus se dá numa sinagoga de Nazaré, na Galileia. Entregam-lhe o Livro; ele abre e proclama o texto de Isaías; depois, fecha o Livro e faz a hermenêutica (cf. Lc 4,14-21). Jesus assume o conteúdo do texto de Isaías como programa de seu ministério: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me ungiu, para anunciar a Boa-Nova aos pobres: enviou-me para proclamar a libertação aos presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos e proclamar um ano aceito da parte do Senhor” (vv. 18-19). Esses sinais do Reino são possíveis porque, em Jesus, o hoje do cumprimento se realiza (cf. v. 21).
Os discípulos e discípulas de Jesus precisaram estar sempre muito atentos a essa dinâmica do hoje salvífico. E foi só depois da Ressurreição que a compreensão desses discípulos e discípulas se deu de maneira profunda. A maturidade da fé se alcança com a experiência da Ressurreição de Jesus que diz respeito a todos os seus seguidores e seguidoras. É justamente por isso que, depois de ressuscitado, Jesus precisa explicar as Escrituras a seus discípulos e discípulas (cf. Lc 24,27.45),abrindo-lhes a inteligência. Nós, dois mil anos depois, continuamos não estando prontos: é preciso continuar na escola do discipulado, aprendendo com o Mestre Jesus, a nos sensibilizarmos com sua mensagem e com o Reino do Pai.
O que acontece, no entanto, é que estamos perdendo a capacidade de nos abrirmos a um processo de educação, com o qual aprendemos com o próprio Jesus. Vivemos em um tempo de absolutos e isso nos impede de perceber que a maturação da fé se dá num processo de aprofundamento da experiência com o Deus de Jesus e com os irmãos e irmãs. Nesse tempo de absolutos, percebemos a volta de uma atitude apologética, com nova roupagem, por parte dos cristãos e cristãs: a defesa da fé, a todo custo, como imposição de uma verdade sequer elaborada pelos defensores. Na era da internet, então, o diálogo não encontra lugar. Toma-se partido, defende-se sua verdade, apenas a partir dos títulos das publicações: não se leem os textos, para saber o que o outro tem a dizer. A condenação ao inferno é sumária.
É preciso, urgentemente, romper com essa dinâmica. Se não voltarmos às práticas de Jesus, na consciência de que a fé precisa ser educada, num processo contínuo e de constante volta ao Evangelho, as religiões cristãs tendem a ficar sempre no lugar da defesa, fechadas em si mesmas. A postura rígida da permanente defesa da fé, por parte tanto dos clérigos quanto dos fiéis, é sintomática, pois revela uma fé infantilizada, pautada no medo de qualquer possibilidade de levantar questões que abalem as estruturas dogmáticas. É próprio da fé o questionar-se. Uma fé que não encontra crises, não encontra sentido para o concreto da vida, em atenção aos sinais dos tempos e a atuação de Deus na história. Jesus bem sabia disso e, na liberdade, fazia constante opção de fé em seu Pai. Crescendo na fé, pois crescia em estatura, sabedoria e graça (cf. Lc 2,52), Jesus pôde sempre ajudar aos seus discípulos e discípulas, a amadurecerem na inteligência da fé. Nós, hoje, devemos sempre nos lembrar disso, voltando a Jesus, para que nossa inteligência se abra e nossa verdadeira missão, de anunciar um Reino de vida, liberdade e justiça, aconteça.
*Felipe Magalhães Francisco é mestre em Teologia, pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia. Coordena a Comissão Arquidiocesana de Publicações, da Arquidiocese de Belo Horizonte. Coordena, ainda, a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). Escreve às segundas-feiras.
18/07/2016 | domtotal.com
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Necessário e urgente

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho segundo Lucas 10,38-42
Por José Antonio Pagola*
Enquanto o grupo de discípulos segue o seu caminho, Jesus entra sozinho numa aldeia e dirige-se a uma casa onde encontra duas irmãs a quem aprecia muito. A presença de Jesus, seu amigo, provoca nas mulheres duas reações muito diferentes.
Maria, seguramente a irmã mais jovem, deixa tudo e fica "sentada aos pés do Senhor". A sua única preocupação é escutá-lo. O evangelista descreve-a com os traços que caracterizam o verdadeiro discípulo: aos pés do Mestre, atenta à sua voz, acolhendo a sua Palavra e alimentando-se dos seus ensinamentos.
A reação de Marta é diferente. Desde que chegou Jesus, não faz mais do que esforçar-se em acolhê-lo e atendê-lo devidamente. Lucas descreve-a preocupada por múltiplas ocupações. Sobrecarregada pela situação e magoada com a sua irmã, expõe as suas queixas a Jesus: “Senhor, não te importa que a minha irmã me tenha deixado sozinha com o serviço? Diz-lhe que me ajude”.
Jesus não perde a paz. Responde à Marta com um grande carinho, repetindo pausadamente seu nome; logo, faz-lhe ver que também a Ele o preocupa a sua aflição, mas que deve saber que escutá-lo é tão essencial e necessário que nenhum discípulo pode ficar sem a sua Palavra. “Marta, Marta, andas inquieta e nervosa com tantas coisas; só uma é necessária”. “Maria escolheu a parte melhor e não lhe será tirada”.
Jesus não critica o serviço de Marta. Como o poderia fazer se Ele mesmo está a ensinar a todos com o Seu exemplo de viver acolhendo, servindo e ajudando os demais? O que critica é o seu modo de trabalhar de forma nervosa, debaixo da pressão de demasiadas ocupações.
Jesus não contrapõe a vida ativa e a contemplativa, nem a escuta fiel da sua Palavra e o compromisso de viver na prática o Seu estilo de entrega aos demais. Alerta sim, para o perigo de viver absorvidos por um excesso de atividade, em agitação interior permanente, apagando em nós o Espírito, contagiando o nervosismo e a aflição mais do que a paz e o amor.
Pressionados pela diminuição das forças, estamos a habituar-nos a pedir aos cristãos mais generosos todo o tipo de compromissos dentro e fora da Igreja. Se, ao mesmo tempo, não lhes oferecemos espaços e momentos para conhecer Jesus, escutar sua Palavra e alimentar-se do seu Evangelho, corremos o risco de fazer crescer na Igreja a agitação e o nervosismo, mas não o seu Espírito e a Sua paz. Poderemos vir a encontrar-nos com comunidades animadas por funcionários afligidos, mas não por testemunhas que irradiam o alento e a vida do seu Mestre.

Instituto Humanitas Unisinos
*José Antonio Pagola: teólogo espanhol.
16/07/2016 | domtotal.com
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Eles o reconheceram no partir do pão

           
A fração do pão, expressa seu amor incondicional, seu serviço, seu viver para os outros
Por Dom Alberto Taveira Côrrea*
O Senhor antecipou sacramentalmente sua entrega na última Ceia. Após a Ressurreição, ele se manifestou a seus discípulos. Como somos peregrinos na história, queremos pedir ajuda aos discípulos de Emaús, para aprender a reconhecê-lo no partir do Pão. Nosso desejo sincero é que todos os participantes do XVII Congresso Eucarístico Nacional reconheçam sua presença e se tornem missionários e missionárias, levando consigo a riqueza do que viveremos juntos, ajudados pela reflexão oferecida pelo Padre Giovanni Martoccia SX, cujos pontos principais oferecemos a todos (Cf. Texto-base do XVII Congresso Eucarístico Nacional, Edição da Arquidiocese de Belém).
O dia estava cinzento como o coração de todos os discípulos, cheios de medo, dúvida e tristeza. As esperanças messiânicas alimentadas por Jesus dissiparam-se no vento da repressão romana; e, junto com elas, também o sonhos de um Reino de Deus, por tanto tempo acalentado, se espatifou no iníquo patíbulo que recebeu a condenação do Justo. O testemunho das mulheres de que o corpo de Jesus não estava no túmulo não foi suficiente para convencer os apóstolos de que algo extraordinário havia acontecido. Ninguém do grupo quis acreditar. Mas quantas vezes lhes confirmara que iria ressuscitar! Entesourar a memória de sua palavra era pré-requisito indispensável para não naufragar no meio da tragédia. Sua palavra, meditada no coração, é âncora segura da fé, fonte de esperança e força propulsora do anúncio da Boa Nova.
Dois discípulos, tendo deixado a cidade de Jerusalém, teatro dos tristes acontecimentos da prisão e execução do Mestre, dirigiram-se a Emaús, aldeia a duas horas de boa caminhada. Parecem querer voltar a seu passado e esquecer tudo o que havia acontecido, enterrando a última lembrança de suas esperanças frustradas. Mas era justamente esse pavio fumegante que os impelia a conversar sobre aqueles mesmos eventos inesquecíveis. O caminho pedregoso e acidentado ritmava os inconstantes e ríspidos pensamentos de seus corações. Os olhos de sua memória parecem fechados, completamente vedados, a ponto de não reconhecer nem mesmo o próprio Jesus que, aproximando-se, pôs-se a caminhar com eles.
Estavam tão concentrados que não deram nenhuma atenção ao desconhecido, que toma a iniciativa e puxa conversa, perguntando sobre o assunto que os preocupava e que parecia tão sério: “Que é que vocês vão discutindo pelo caminho?” Estavam tristes e abatidos pela morte de seu Mestre, decepcionados porque pensavam que ele fosse o Messias, e agora acham que se enganaram. Finalmente, eles param. Uma parada, nessa caminhada, símbolo da nossa caminhada de vida, é o primeiro passo para compreender como nos afastamos dele, a ponto de nem o reconhecermos mais, e quanta tristeza sua falta trouxe em nossa vida. Ele nos visita, mas muitas vezes não percebemos sua presença porque ficamos amarrados ao nosso velho modo de pensar, à nossa imaginação que quer determinar o agir de Deus. O mesmo Jesus que eles conheciam tão bem estava diante deles, conversando com eles e, mesmo assim, não o reconheceram. Como é possível? 
Na verdade, Jesus é o mesmo. São os discípulos que mudaram; fechando-se em sua esperança frustrada não conseguem mais reconhecê-lo. Antes, eles olhavam para Jesus com confiança, acreditavam nele. Agora estão decepcionados e seu olhar é diferente. As falsas expectativas lhes vendaram os olhos. No entanto, Jesus cumpriu todas as suas palavras, mas não como eles imaginavam. É preciso receber algo novo, nova luz para que os olhos se abram e, finalmente, o reconheçam. 
A Jesus, que pergunta esclarecimentos sobre esses acontecimentos tão graves, responde Cléopas com outra pergunta que parece expressar espanto e irritação: “Serás tu o único forasteiro em Jerusalém que desconhece o que se passou aí nestes últimos dias?”. Jesus se mostra muito interessado e pronto a ouvir tudo o que ocorreu. Cléopas informa o curioso forasteiro dos fatos que tanto marcaram a vida deles. Conta tudo a partir do ministério de Jesus, conhecido como o Nazareno. Mas os dois discípulos não souberam acolher os acontecimentos e interpretá-los. Estão decepcionados! 
A decepção dos discípulos é justificada pelo fato que “já faz três dias que todas essas coisas aconteceram!” e ele não apareceu. Depois de Jesus ter escutado com atenção toda a história que eles tinham para contar, de repente os repreende com severidade. Jesus, com uma pergunta sobre a necessidade do sofrimento do Messias dá início à catequese pascal. É preciso que a vida de Jesus seja interpretada à luz das Sagradas Escrituras.
Quando chegaram perto do povoado para onde iam, ele fez de conta que ia mais adiante. “Fica conosco, porque é tarde e o dia já declina”. Entrou então para ficar com eles. Realmente, a vida sem ele fica muito escura, sem luz nem sentido, como peregrino em noite de lua nova. Se compartilharmos nossa jornada com ele, ouvindo suas palavras, Uma vez à mesa com eles, tomou o pão, pronunciou a bênção, o partiu e distribuiu entre eles. Então, seus olhos se abriram e o reconheceram. É Jesus que toma a iniciativa, que se aproximou deles e lhes explicava tudo. Na fração do pão, fez com que seus olhos se abrissem. Eles agora o reconhecem. Será ainda Jesus que abrirá a mente aos Onze para entenderem as Escrituras, pois tudo o que estava escrito tinha que se cumprir. 
Jesus desaparece no momento em que os dois discípulos o reconhecem. É para nos advertir que não se trata de uma visão extraordinária, mas do normal caminho da fé que nos conduz ao encontro com o Cristo vivo na Eucaristia, na convivência fraterna, na escuta da Palavra, no testemunho generoso e no compromisso evangelizador. Não são as feições físicas que permitem reconhecer Jesus ressuscitado como o mesmo que foi crucificado, mas o gesto distintivo de sua existência: a fração do pão, gesto que expressa e traz presente seu dom de amor total e incondicional, seu serviço, seu viver para os outros. No testemunho recíproco a fé manifesta sua dimensão comunitária, revela sua força transformadora, revigora o coração e ilumina os caminhos da Igreja. E disseram um ao outro: “Não ardia o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, quando nos explicava as Escrituras?” Sob esse impulso jubiloso, dois voltaram para Jerusalém. Voltou a esperança, o entusiasmo, a fé e a força para retomar o caminho, ainda que seja longo e difícil, e a noite adiantada. Mas a escuridão da noite já não assusta mais. A luz que agora brilha no coração é mais que suficiente para vencer a treva ameaçadora. Ao chegar a Jerusalém, mais uma surpresa agradável os aguarda. Acharam aí reunidos os Onze e seus companheiros, que disseram: “É verdade! O Senhor ressurgiu e apareceu a Simão!” Então, por sua vez, também contaram os acontecimentos do caminho e como Jesus fora por eles reconhecido na fração do pão.
À comunidade que se perguntava sobre como reencontrar o Senhor Jesus hoje, Lucas narra o episódio dos discípulos de Emaús. O relato visa a transmitir à comunidade a alegria do encontro com o Senhor, o Vivente, e incentivá-la a buscar na comunhão e na vivência de Igreja uma experiência pessoal de sua presença. Todos aqueles que buscam o Senhor de coração sincero e apaixonado abrindo-se ao alimento de sua Palavra e da Ceia eucarística, perceberão sua voz e sua presença. Jesus se faz presente, como desconhecido, nos caminhos da vida, nos encontros inesperados, nos acontecimentos cotidianos, que precisam ser compreendidos à luz de sua Palavra. Trata-se de identificar a ação de Deus em nossa história, adquirindo uma inteligência espiritual dos acontecimentos e fazendo “memória”, como Maria, no coração.

CNBB 01-07-2016.
*Dom Alberto Taveira Côrrea: Arcebispo de Belém (PA).
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