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Atitudes que ajudam a rezar

                                  A oração é sempre um diálogo, um encontro. Não é um monólogo, nem uma mera introspecção.
               Nessa experiência de amor, nos entregamos, como barro modelável nas mãos de Deus.
Por Dom Adelar Baruffi*
“A Igreja não pode dispensar o pulmão da oração” (EG 262), nos disse o Papa Francisco. Ela é o meio privilegiado do encontro cotidiano com Deus, conosco mesmos e com a comunidade de fé. No entanto, é preciso dispor-se, através de algumas atitudes.
A primeira atitude que facilita a oração é o recolhimento. Recolher a vida com toda a sua complexidade, recolhê-la, em especial diante de Deus. Estar presente e atento a tudo o que estou vivendo. A dificuldade é a distração. Se viver distraído e ausente a maior parte do dia, se não tenho consciência de mim mesmo habitualmente em cada atividade, se não me centro no que estou fazendo no decorrer do dia, o normal é que tampouco o faça no momento de oração. Oramos como vivemos e vivemos como oramos. Tomar consciência do corpo, dos sentimentos e da mente, com todos os pensamentos, reflexões, recordações e fantasias que aparecem e desaparecem. Exercitar a atenção central: a capacidade de ver e perceber tudo com uma luz interior. Invocar o Espírito Santo, que conduz o encontro com Deus. Quanto mais eu exercitar o recolhimento, tanto mais centrado estarei em cada momento. 
A segunda atitude é exercitar o silêncio exterior e interior. Há ruídos exteriores e interiores. Não nos concentramos quando estamos em um ambiente ruidoso. O mesmo acontece quando temos um barulho dentro de nós mesmos: nervosismo, tensão, preocupações, angústia, agressividade, estresse... Este ruído emocional nos bloqueia e nos incapacita para estar, para estar simplesmente em atenção amorosa a Deus. É preciso criar espaços e tempos de silêncio: criar um clima silencioso, sereno, pacificador. Uma pessoa barulhenta o será em tudo: na vida e na oração. E uma pessoa silenciosa o será em tudo: na oração e na vida. O silêncio interior é absolutamente imprescindível para viver uma experiência de oração. Um silêncio interior que nos abra ao diálogo com Deus. Assim se expressava Henri Nouwen: “Senhor Jesus! As palavras que dirigiste a teu Pai brotaram do teu silêncio. Introduze-me neste silêncio, para que assim fale em teu nome e minhas palavras deem fruto. É tão difícil permanecer em silêncio, silêncio de palavras, mas também silêncio do coração... Há tantas coisas que falam dentro de mim... Sempre pareço estar enredado em debates interiores comigo mesmo, com meus amigos, com meus inimigos, com meus defensores, com meus adversários, com meus colegas e com meus rivais. Porém, este debate interior põe às claras quanto longe está de ti meu coração.” (Escritos Essenciales, Santander: Editorial Sal Terrae, 1999, p.95). Normalmente, a vida de uma pessoa ruidosa é superficial. A vida de uma pessoa silenciosa tende a ser mais profunda, integrada, positiva, unificada, repleta de harmonia, de paz e de plenitude. 
A terceira atitude é a abertura para escutar e dialogar. A oração é sempre um diálogo, um encontro. Não é um monólogo, nem uma mera introspecção. É um encontro, uma saída de si, para dar espaço para acolher a Deus, que continuamente sai de si para nos encontrar, para nos falar. A abertura é fruto da consciência de si e do silêncio. Uma pessoa encerrada em seu próprio cárcere de tensões e angústias é incapaz de ver e perceber, de escutar e acolher o outro tal como é. Atitude de escuta que espera o Senhor. “Fala, Senhor, que teu servo escuta” (1Sm 3,10), disse Samuel. Escutar é uma atitude radical e essencial do homem que deseja viver aberto e acolhedor dos outros e a Deus. Escutar na oração, escutar a Deus, é, portanto, uma atitude permanente, que devo manter sempre, tal como são permanentes a comunicação e a manifestação de Deus. 
A quarta atitude é a entrega de si. É uma entrega mútua em liberdade, em que eu acolho o dom infinito de sua presença e de seu amor e respondo livremente, em plena disponibilidade de amor obediente. Deus não dá coisas, ele se dá a si mesmo numa entrega total, infinita e eterna porque nos ama. Diante de Deus, portanto, só tem sentido a entrega e disponibilidade, o abandono confiante. “Faça-se em mim, segundo a tua Palavra.” (Lc 1, 38). Então, nessa experiência de amor, entrega-se, como barro modelável nas mãos de Deus. 

CNBB, 07-06-2016.
*Dom Adelar Baruffi: Bispo de Cruz Alta.
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Estejam sempre despertos

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus segundo Lucas 21,25-28.34-36.
Por José Antonio Pagola*
Os discursos apocalípticos recolhidos nos evangelhos refletem os medos e a incerteza daquelas primeiras comunidades cristãs, frágeis e vulneráveis, que viviam no meio do vasto Império romano, entre conflitos e perseguições, com um futuro incerto, sem saber quando chegaria Jesus, o seu amado Senhor.
Também as exortações desses discursos representam, em boa parte, as exortações que faziam uns aos outros aqueles cristãos recordando a mensagem de Jesus. Essa chamada a viver despertos cuidando da oração e da confiança são um traço original e característico do seu Evangelho e da sua oração.
Por isso, as palavras que escutamos hoje, depois de muitos séculos, não estão dirigidas a outros destinatários. São chamadas que temos que escutar os que vivemos agora na Igreja de Jesus no meio das dificuldades e incertezas destes tempos.
A Igreja atual marcha por vezes como uma anciã "curvada" pelo peso dos séculos, as lutas e trabalhos do passado. "Com a cabeça baixa", consciente dos seus erros e pecados, sem poder mostrar com orgulho a glória e o poder de outros tempos.
Este é o momento de escutar a chamada que Jesus nos faz a todos.
"Levantai-vos", animai-vos uns aos outros. "Erguei a cabeça" com confiança. Não olheis o futuro apenas a partir dos vossos cálculos e previsões. "Aproxima-se a vossa libertação". Um dia já não vivereis encurvados, oprimidos nem tentados pelo desalento. Jesus Cristo é o vosso Libertador.
Mas há formas de viver que impedem a muitos caminhar com a cabeça levantada confiando nessa libertação definitiva. Por isso, "tende cuidado de que não se entorpeça a mente". Não vos acostumeis a viver com um coração insensível e endurecido, procurando levar a vossa vida de bem-estar e prazer, de costas ao Pai do Céu e aos Seus filhos que sofrem na terra. Esse estilo de vida vos fará cada vez menos humanos.
"Estejam sempre despertos". Despertem a fé nas vossas comunidades. Estejam mais atentos ao meu Evangelho. Cuidai melhor da minha presença no meio de vós. Não sejam comunidades adormecidas. Vivam "pedindo força". Como seguiremos os passos de Jesus se o Pai não nos sustenta? Como poderemos "manter-nos em pé ante o Filho do Homem"?
Instituto Humanitas Unisinos
*José Antonio Pagola: teólogo espanhol.
28/11/2015  |  domtotal.com

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Preparar-nos para a vinda do Senhor

Primeiro Domingo do Advento abre um novo ano litúrgico e nos projeta para o final dos tempos.
Por Marcel Domergue*
Referências bíblicas:
1ª leitura: "Farei brotar de Davi a semente da justiça" (Jeremias 33,14-16)
Salmo: 24(25) R/ Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!
2ª leitura: "Que ele confirme vossos corações, na vinda do Senhor Jesus" (1 Tessalonicenses 3,12- 4,2)
Evangelho: "A vossa libertação está próxima" (Lucas 21,25-28.34-36)

Apocalipse e escatologia
O evangelho de hoje faz parte do gênero apocalítico, que muitas vezes é confundido com o escatológico. A escatologia diz respeito ao que vem no fim. Na perspectiva cristã, o fim é o cumprimento, o coroamento da obra de Deus. A palavra apocalipse significa revelação. Revelação de quê? Para a Bíblia, trata-se da revelação do sentido dos acontecimentos que se estendem do começo até o fim. Trata-se, pois, muito simplesmente, da história lida com os olhos da fé. Os apocalipses anunciam o futuro? Com certeza não, se por futuro estivermos entendendo os precisos acontecimentos que irão figurar nos livros de história. Mas revelam-nos o sentido do futuro. Sentido este que, aqui, quer dizer significação (o que isto quer dizer) e direção (aonde isto nos conduz). Tudo o que vivemos hoje é opaco; estamos mergulhados em acontecimentos que não dominamos. São resultado de dados naturais e da liberdade humana agindo sobre eles ou a eles reagindo, de modo muitas vezes anárquico e, ainda, no mais das vezes, de modo maléfico. Então, onde vai dar tudo isto? Ou não vai dar em lugar algum?

O Filho do homem vem julgar
Faz dois mil anos que o Cristo veio ao mundo. Nesta sua primeira vinda, ele nos libertou, desatou as nossas amarras, para que pudéssemos cumprir alguma coisa. Abriu-nos as portas da prisão. E aqui estamos nós, ao ar livre, com tudo por fazer! Mas podemos destruir e, ou, construir. É o fim da sujeição a toda religião ritual; o fim da escravidão da economia e da política; o fim da nossa submissão às "potestades e dominações", naturais ou humanas. Está tudo por fazer, ainda uma vez, mas agora temos as mãos livres para isto. É o fim do mundo que nos oprime. E, estando deste modo livres, temos sempre a possibilidade terrível de reconstruir as nossas antigas escravidões. Mas o Cristo vem até nós todos os dias. Ele é "aquele que vem". O Natal é a celebração desta sua vinda permanente. Vinda que, como a primeira, é também apocalipse. De fato, estas barreiras, estas prisões, estes diversos condicionamentos, tudo isso que João chama de "o mundo", tudo isso faz parte de nós, da nossa carne. E faz-nos mal também libertar-nos de tudo isso. É a morte começada. Escolher ser mais homem, ser mais, em conformidade com o homem completo do final dos tempos, supõe que, a cada vez, a cada escolha, leve-se à morte as maneiras todas que temos de ser menos homem; e que nos seduzem. Esta função "destruidora" do Cristo não atua apenas junto a cada um de nós: a fé está sempre a julgar o mundo, sem cessar; as suas instituições, seus projetos e suas realizações. O Cristo vem como a espada de dois gumes, operando as devidas separações.

A profecia do fim
Este que vem ao mundo para, a uma só vez, destruir e criar ou, antes, para a criação através da destruição, é o Cristo. O Cristo em seu mistério de morte e de vida. O que espera o mundo e o que o mundo espera é a Páscoa. A Páscoa do mundo. E o que vale para cada um de nós, vale para todo o universo em seu conjunto. Como? Quando? São questões que não têm sentido, pois, tudo já começou. Começou sim, e um dia irá terminar. Jesus, e também Paulo, seguindo-o (segunda leitura), nos dão a instrução para manter-nos "de pé" na hora da vinda do Filho do homem. De pé, quer dizer, em estado de vigília. O que significa isto? Que sempre corremos o risco de não ver, de ignorar, de não identificar a vinda destrutiva e criadora do Senhor. Não vemos o que é preciso recusar e o que é preciso promover. Deus nos surpreende sempre, e é preciso estar vigilantes para não tomarmos por vida o que é contra a vida, só causando morte. A escatologia nos diz que até mesmo o nosso mal, até mesmo a vitória do adversário neste combate criador, ganha o sentido da vida. Tudo o que sofremos e todo o mal que fazemos está condenado a tornar-se caminho, um passo a mais para o dia do Cristo (ver a primeira leitura). A vinda do Cristo que anunciamos no Natal e que, através da celebração do Advento, estamos preparando, é esta vinda de sempre, a vinda permanente que se realiza através de todas as coisas. Ela se faz significar pelo nascimento de Jesus e esperamos o seu cumprimento final no que chamamos de “a volta do Cristo”. O Apocalipse termina com as palavras "Vem, Senhor Jesus". O mundo está sofrendo as dores deste parto.
Sítio Croire
*Marcel Domergue (+1922-2015), sacerdote jesuíta francês.
29/11/2015  |  domtotal.com
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Igreja alerta sobre introdução de ideologia de gênero em Planos de Educação que devem ser aprovados até amanhã

REDAÇÃO CENTRAL, 23 Jun. 15 / 06:14 pm (ACI).- Termina nesta quarta-feira, 24 de junho, o prazo para aprovação dos Planos Estaduais e Municipais de Educação, no Brasil. Em nota, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) exortou os cristãos a estarem atentos e se fazerem ativos nessas votações, a fim de impedir a inserção da ideologia de gênero nesses planos.
Segundo essa ideologia, a identidade sexual de uma pessoa seria uma construção social que ela desenvolveria ao longo dos anos e não estaria ligada aos fatores biológicos que a definiram como sendo do sexo masculino ou feminino.
“A ausência da sociedade civil na discussão sobre o modelo de educação a ser adotado fere o direito das famílias de definir as bases e as diretrizes da educação que desejam para seus filhos”, sublinham os Bispos no texto que foi apresentado no último dia 18, após a reunião do Conselho Permanente da Conferência.
A data limite para aprovação dos Planos foi estabelecida pela lei 13.005/2014, que sanciona o Plano Nacional de Educação (PNE), com validade de dez anos, e do qual a ideologia de gênero foi retirada.
Em sua nota, a CNBB manifesta reconhecimento à “proposta de universalização do ensino” e ao “esforço de estabelecer a inclusão social como eixo orientador da educação”. Entretanto, rechaça a tentativa de introduzir a ideologia de gênero nos Planos Estaduais e Municipais de Educação.
Segundo os bispos, “a introdução dessa ideologia na prática pedagógica das escolas trará consequências desastrosas para a vida das crianças e das famílias”. Segundo eles, “o mais grave é que se quer introduzir esta proposta de forma silenciosa nos Planos Municipais de Educação, sem que os maiores interessados, que são os pais e educadores, tenham sido chamados para discuti-la”. 
“Agradecemos a tantos que têm se empenhado na defesa de uma educação de qualidade no Brasil, opondo-se até mesmo a excessos do Estado que, muitas vezes, se sobrepõe ao papel dos pais e da família. A estes exortamos a que, juntamente com educadores e associações de famílias, assumam sua tarefa de protagonistas na educação dos filhos”, expressa a nota.
Diferentes dioceses brasileiras se mobilizaram com a finalidade de promover o esclarecimento e engajamento das pessoas sobre essa questão. Na Diocese de Petrópolis (RJ), o Bispo Dom Gregório Paixão foi recebido na Câmara de Vereadores, no dia 18, onde falou sobre o tema.
Em sua explanação, o Bispo deixou claro que a discussão sobre ideologia de gênero não se trata de um debate sobre acabar com o preconceito contra a comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), e sim de uma estratégia com objetivo de desconstruir o patrimônio universal que é a família, levando as pessoas a acreditarem que ninguém nasce homem ou mulher.
“Não é uma discussão sobre a homossexualidade, uma questão ligada a heterossexualidade, não é o desejo de discutirmos sobre o respeito que temos que ter com as diferenças, pois essa é uma questão que não se pode questionar. Nós precisamos respeitar as pessoas que são diferentes. Não podemos imaginar que num colégio se vá ensinar que se deve apedrejar, zombar de uma pessoa só porque ela é homossexual ou porque tem esta ou aquela tendência. A questão aqui é sobre uma ideologia que procura encobrir o fato dos seres humanos se dividirem em dois sexos, isto é, masculino e feminino, homem e mulher”, afirmou.
A Arquidiocese de Aparecida (SP) enviou uma carta, na semana passada, às Câmaras Municipais e Prefeituras das cinco cidades que compõem sua região administrativa: Aparecida, Guaratinguetá, Roseira, Potim e Lagoinha. O texto é assinado pelo Arcebispo, Cardeal Raymundo Damasceno Assis e solicita a retirada da ideologia de gênero dos Planos Municipais de Educação.
A carta apresenta quatro argumentos que justificam a solicitação. Segundo o Arcebispo, a inclusão da ideologia no Plano Nacional de Educação foi rejeitada e nada justificaria reintroduzi-la no PME. Também afirma que “não é admissível que uma teoria ou ideologia seja imposta como norma para toda a coletividade, como se fosse verdade absoluta”. Defende ainda que a “educação dos filhos compete aos pais”, e não ao Estado – “e muito menos ainda com imposição de uma concepção ideológica do ser humano”.
Por fim, destaca, “a aceitação da teoria do gênero, sua imposição no projeto educacional, terá profundas consequências na vida das pessoas, das famílias e de toda a sociedade”.
acidigital
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O que se celebra na Semana Santa?

Quem crê na ressurreição chega ao ponto mais alto da espiritualidade cristã.
Por Dom Pedro Brito Guimarães*
A Igreja Católica abriu liturgicamente, com o Domingo de Ramos e da Paixão, a Semana Santa. O último domingo (29), portanto, foi a porta de abertura e de entrada da Semana Santa. De forma muito breve, podemos afirmar que as ações litúrgicas da Igreja são, ao mesmo tempo, ações rememorativas (fazem memória litúrgica de um evento salvífico), demonstrativas (atualizam seus efeitos salvifícos) e prognósticas (abrem as portas do futuro escatológico). No Domingo de Ramos e da Paixão os dois mistérios centrais da vida de Jesus e, por conseguinte, da vida cristã, são rememorados, demonstrados e prognosticados. Na celebração da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, a Igreja faz, solenemente, o anúncio pascal da paixão morte e ressurreição de Jesus. Vejamos:
Primeiro, Paulo, na Carta aos Filipenses, descreve o esvaziamento de Jesus, ao assumir a condição de escravo, fazendo-se igual ao homem, obediente até a morte de cruz (Fl 2,6-8). Marcos completa a tragicidade desta paixão, ao afirmar que Jesus entra em Jerusalém pequeno, humilde e pobre, montado num jumento (Mc 11,1-7). E em seguida, anuncia a sua paixão com todos os detalhamentos que ela comporta (Mc 15,1-39).
Segundo, por causa disto, diz também Paulo que Deus o exaltou e lhe deu o nome que está acima de qualquer nome. E diante do nome de Jesus todo joelho se dobra no céu, na terra e nos inferno e toda língua proclama: Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai (Fl 2,9-11). Marcos completa esta informação dizendo que o povo, ao ver Jesus entrar triunfalmente em Jerusalém, estendeu seus mantos, espalhou seus ramos e gritou: Hosana (que literalmente significa: “dá-nos a salvação”)! Domingos de Ramos e da Paixão é, neste sentido, didático, catequético, litúrgico, pedagógico e propedêutico.
Ao longo dos outros dias da Semana Santa, sobretudo a partir da quinta-feira santa, nas outras celebrações adicionais, tais como a bênção dos santos óleos, o lava-pés, a adoração eucarística, a via-sacra e a encenação da paixão, o mistério da morte e ressurreição de Jesus, serão rememorados, demonstrados e prognosticados. Descaremos, aqui, de forma muito breve, somente as três Páscoas:
A Páscoa da Ceia: Na quinta-feira, celebramos a ceia do Senhor, a instituição do mandamento do amor fraterno e do sacerdócio ministerial. João, o evangelista, interpreta o sentimento mais profundo de Jesus, na última ceia, com as seguintes palavras: “tendo Jesus amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Durante a ceia, Jesus cingiu-se com uma toalha e lavou os pés dos discípulos. Em seguida, comeu a páscoa com eles. Nesta celebração, comumente chamada de “Páscoa da Ceia”, Jesus se dá no pão e no vinho. Seu corpo e seu sangue já não são mais seus. Já foram dados. Portanto, Jesus sai da ceia literalmente morto.
A Páscoa da Cruz: Na sexta-feira este sentimento de doação de Jesus chega ao seu ápice. Jesus não somente anuncia, introduz e simboliza, mas também realiza e expressa, de forma total e radical, esta sua sede de doação. É na celebração da adoração da cruz que a Igreja faz memória litúrgica da Páscoa da Cruz. Os evangelistas traduzem, com palavras muito fortes, o que aconteceu na hora da morte de Jesus, ao afirmar que houve uma celebração fúnebre, da qual participou inteiramente a criação: “uma escuridão cobriu a terra, o sol escondeu-se, o véu do templo rasgou-se em dois, a terra tremeu, os mortos ressuscitaram” (Lc 23,45; Mc 15,38; Mt 27,51-52). Importante também foi a profissão de fé do centurião romano: “verdadeiramente este homem era Filho de Deus” (Mc 15,39). A morte na cruz, segundo o papa emérito Bento XVI, “é um acontecimento cósmico e litúrgico”. Depois disso, inicia-se o grande silêncio litúrgico.
A Páscoa da Ressurreição: Todos os sentimentos de luto, de vigília, vividos em profundo espírito de contrição, comoção, obediência, luto e oração, são quebrados pelos brados de alegria e de aleluia, cantados nesta da vigília pascal que, segundo Santo Agostinho, é a mãe de todas as vigílias. O clima litúrgico se transforma totalmente quando a comunidade cristã proclama, solenemente, a ressurreição de Jesus. Trata-se, pois, de uma solene celebração de vigília. Destacamos aqui a celebração da luz, da água, da renovação das promessas batismais, da Palavra, em abundância, na qual se faz memória da criação, da libertação do Egito e em crescendo, se passa por todas as fases salientes da história da salvação, até chegar à glória da ressurreição. Quem chega a crer na ressurreição, crê no mistério final e sublime da fé cristã e chega ao ponto mais alto da espiritualidade cristã.
É tudo isto que celebramos na Semana Santa. Depois desta solene noite santa, tudo passa a ser páscoa, ressurreição e vida nova, até que se complete cinquenta dias.
Então, boa Semana Santa para todos nós.
CNBB, 27-03-2015.
*Dom Pedro Brito Guimarães é arcebispo de Palmas (TO).
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Advento: tempo por excelência de Maria

Os fiéis que buscam viver o espírito do Advento são levados a tomar a Virgem Mãe como modelo.
Advento, tempo de espera, caracterizado pela presença marcante de Maria como aquela que soube viver a espera, "como aquela que de maneira singular esperou a realização das promessas de Deus, acolhendo na fé e na carne Jesus, o Filho de Deus, em plena obediência à vontade divina”, conforme expressou Bento XVI.

É, pois, o tempo mariano por excelência do Ano Litúrgico. Paulo VI expressa isso com toda autoridade na Marialis Cultus. Historicamente a memória de Maria na liturgia surgiu com a leitura do Evangelho da Anunciação antes do Natal naquele que, com razão, foi chamado o domingo mariano prenatalício.

No Advento se recupera plenamente este sentido com uma série de elementos marianos da liturgia, que podemos sintetizar da seguinte maneira:

. Desde os primeiros dias do Advento há elementos que recordam a espera e a acolhida do mistério de Cristo por parte da Virgem de Nazaré.

. A solenidade da Imaculada Conceição se celebra como “preparação radical à vinda do Salvador e feliz principio da Igreja sem mancha nem ruga (“Marialis Cultus 3).

. Entre os dias 17 e 24 o protagonismo litúrgico da Virgem é muito característico nas leituras bíblicas,  em algumas orações, como a do dia 20 de dezembro que nos traz um antigo texto do Rótulo de Ravena ou na oração sobre as oferendas do IV domingo que é uma epíclesis significativa que une o mistério eucarístico com o mistério de Natal em um paralelismo entre Maria e a Igreja na obra do único Espírito.

Em uma formosa síntese de títulos. I. Calabuig apresenta nestas pinceladas a figura da Virgem do Advento:

. É a “Cheia de graça”, a “bendita entre as mulheres”, a “Virgem”, a “Esposa de Jesus”, a “serva do Senhor”.

. É a mulher nova, a nova Eva que restabelece e recapitula no desígnio de Deus pela obediência da fé o mistério da salvação.

. É a Filha de Sião, a que representa o Antigo e o Novo Israel.

. É a Virgem do Fiat, a Virgem fecunda. É a Virgem da escuta e acolhe.

Em sua exemplaridade para a Igreja, Maria é plenamente a Virgem do Advento na dupla dimensão que a liturgia tem sempre em sua memória: presença e exemplaridade. Presença litúrgica na palavra e na oração, para uma memória grata d’Aquela que transformou a espera em presença, a promessa em dom. Memória de exemplaridade para uma Igreja que quer viver como Maria a nova presença de Cristo, com o Advento e o Natal no mundo de hoje.

Na feliz subordinação de Maria a Cristo e na necessária união com o mistério da Igreja, Advento é o tempo da Filha de Sião, Virgem da espera que no “Fiat” antecipa o Marana thá da Esposa; como Mãe do Verbo Encarnado, humanidade cúmplice de Deus, tornou possível seu ingresso definitivo, no mundo e na história do homem.

À luz do mistério de Maria, a Virgem do Advento, a Igreja vive neste tempo litúrgico a experiência de ser agora “como uma Maria histórica” que possui e dá aos homens a presença e a graça do Salvador.

A espiritualidade do Advento resulta assim uma espiritualidade comprometida, um esforço feito pela comunidade para recuperar a consciência de ser Igreja para o mundo, reserva de esperança e de gozo. Mais ainda, de ser Igreja para Cristo, Esposa vigilante na oração e exultante no louvor do Senhor que vem.
A12, 28-11-2014.  01/12/2014  |  domtotal.com
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Seis conselhos para manter-se longe do demônio

ROMA, 07 Nov. 14 / 12:27 pm (ACI/EWTN Noticias).- Valter Cascioli, médico psiquiatra e porta-voz da Associação Internacional de Exorcistas, ofereceu seis conselhos para evitar as armadilhas do demônio.

Em uma entrevista concedida ao Grupo ACI no dia 31 de outubro, Cascioli recordou que o demônio é real e a Bíblia fala dele em 118 passagens, 34 no Antigo Testamento e 84 no Novo Testamento, onde o diabo aparece com diferentes nomes como satanás, o maligno, ou o príncipe deste mundo.

A partir do Novo Testamento, Cascioli explica que o exorcismo “é um ministério de consolação e de libertação”.

“A tarefa é a de proteger da influência do maligno e libertar essas pessoas que são vítimas”, acrescenta.

Cascioli assegura que para manter o demônio longe, os cristãos devem viver a própria fé, estar em graça de Deus, seguir o magistério da Igreja Católica e seguir os Dez Mandamentos, mas, além disso, afirma que algumas “regras simples” podem ser seguidas e ajudam muito:

1.      Converter-se a Cristo: “Mudar de vida, quem vive no pecado deve decidir-se por Cristo”.

2.      Confessar-se: “Não há sacramento mais importante que o da confissão, a reconciliação, o perdão. Há muitas pessoas que vivem das consequências do mal por causa do não perdão”.

3.      Participar da celebração da Eucaristia: “Aconselhamos a todas as pessoas a viverem uma vida sacramental, e depois da confissão é necessário o sacramento da Eucaristia dentro da celebração eucarística”.

4.      Falar com Deus. A oração é muito importante, porque atrai a graça de Deus e protege de muitas coisas.

5.      Aprofundar na nossa fé com a comunidade. Cascioli explica que as pessoas em dificuldade devem fazer um caminho de fé dentro da Igreja, e seguir uma comunidade ou um movimento eclesial. “Nós citamos um: Renovação Carismática Católica, que conta com mais de 100 milhões de pessoas”.

6.      Afastar-se do pecado é afastar-se do diabo. “Muitas pessoas vêm a nós porque têm medo do diabo, mas não têm medo do pecado, não se protegem. Por isso é fundamental evitar estas consequências nefastas, físicas, psicológicas, morais, espirituais”.

O perito explicou que muitas pessoas sofrem por anos antes de serem libertadas do maligno. “Quando vemos que se convertem a Cristo, quando confessam seus pecados, quando se distanciam de uma vida desordenada, é quando conseguem libertar-se, a serenidade e a paz voltam para elas e se curam”, e “se estas regras fossem aplicadas poderiam ajudar muitas pessoas”.

O perito afirma que o aumento destes fenômenos obedece à diminuição da fé na sociedade e ao aumento do interesse e das práticas relacionadas com o mundo do esoterismo, ocultismo e satanismo.

Sobre a celebração do Halloween na noite anterior à Festa de Todos os Santos, Cascioli explica que essa noite esconde uma problemática muito séria com a ridicularização da morte.

“Para os ocultistas e os satanistas –afirma-, a noite de 31 de outubro é justamente uma ocasião propícia para cumprir ritos mágicos, sacrilégios, profanações de cemitérios e malefícios, porque neste dia se celebra o fim do ano satânico. Razão pela qual se fazem missas negras, ritos de adoração, de iniciação e de consagração a satanás”.

Por último, o perito assinala que embora a Associação Internacional de Exorcistas esteja formada por 250 exorcistas, existem muitos mais no mundo. “Sabemos que alguns países do mundo não têm exorcistas, a atividade demoníaca e suas consequências estão estendidas por todo mundo. Não é um fenômeno sociocultural, está estendido em todo mundo, e iso nos diz muitas coisas”.

O psiquiatra indicou que o número de exorcistas aumentou nos últimos anos, embora ainda existam países no mundo que precisam da presença deles. “Eu digo sempre que é uma exigência, está-se convertendo em uma emergência pastoral porque está em aumento o número de moléstias devido à atividade demoníaca extraordinária, posses e obsessões com o demônio estão aumentando, portanto, está-se convertendo em uma emergência pastoral e surge a necessidade de enfrentar esta situação, especialmente graças à obra dos exorcistas”, concluiu.
fonte: acidigital
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A solidariedade com os irmãos finados

A morte não nos separa daqueles que morrem em Cristo. Ao contrário, os ganhamos para sempre.
Por Dom Roberto Francisco Ferreria Paz*

No próximo domingo, 2 de novembro, oficiamos em todas as Igrejas a Comemoração anual de todos os fiéis finados. Celebração da saudade e da esperança cristã que nos torna conscientes da misteriosa comunhão dos santos que conecta a Igreja peregrinante, com a padecente e a triunfante.

Essa liturgia apresenta desde suas origens, no Mosteiro de Cluny, a importância de aplicar missas em sufrágio dos falecidos e de rezar pelo seu descanso. A morte, na perspectiva cristã, embora tenha um aspecto doloroso de desmontar a tenda do corpo na nossa travessia terrestre e signifique a separação física dos seres queridos e dos amigos, é apenas um passamento, uma passagem para a vida eterna de felicidade que nos aguarda na Casa do Pai, se formos justos e misericordiosos.

Como nem todos alcançam a perfeição evangélica em vida, a doutrina católica fundamentada na solidariedade da comunhão dos santos e no tesouro infinito da paixão e morte do Redentor, socorre com orações, indulgências e as intenções das missas pelos irmãos que precisam de purificação e limpar seu coração para entrar no paraíso.

A morte não nos separa daqueles que morrem em Cristo, ao contrário os ganhamos para sempre porque ao lado de nosso Advogado e Mediador operam pela intercessão, graças e dons para nossa salvação. Mas também a morte dos outros nos leva a pensar na própria, eu gostaria ou não de rever meus seres queridos e amados, vale pena ou não, pensar no céu, neste estado maravilhoso de comunhão total com Deus, os irmãos e o universo inteiro?

Isto significa que devemos estar vigilantes e preparados, que onde a morte nos encontrar e possamos oferecer sempre um coração cheio de amor, ternura, perdão e misericórdia, e que nossas mãos estejam gastas de dar e servir aos outros. Só assim compreenderemos que a morte é como São Francisco a chamou: uma irmã, pois vem para nos levar ao Pai, encerrando de forma serena e plácida a nossa caminhada terrestre.

Que Nossa Senhora da Boa Morte e São José, o patrono dos moribundos, nos ajude a bem morrer nas mãos do Senhor Jesus Cristo, nosso querido Irmão e. Salvador. Deus seja louvado!
CNBB, 28-10-2014.
*Dom Roberto Francisco Ferreria Paz é bispo de Campos (RJ).
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Homenagem a todos os fiéis defuntos

O que chamamos de 'céu' não é o contrário do que vivemos nesta terra, mas o acesso à sua verdade.
Por Marcel Domergue*

A festa de Todos os Santos, sendo festejada na véspera do dia de Finados, acaba ganhando um ar um pouco lúgubre, pelo contágio com a lembrança dos Fiéis Defuntos. Com as visitas ao cemitério, as flores tristonhas, etc. Mas eu gostaria de fazer o contrário: gostaria de projetar sobre a lembrança dos nossos mortos a luz de “Todos os Santos e Santas”, a festa da vitória de Deus sobre as forças do mal, festa do sucesso final da humanidade e festa também da solidariedade.

De fato, se rezamos por nossos mortos não é para que Deus lhes conceda algo que não obteriam sem a nossa intervenção: o amor de Deus por eles ultrapassa infinitamente o nosso. O que buscamos é tomar consciência da nossa unidade com eles. Todas as suas falhas passadas são também falhas nossas, e as “virtudes” todas dos que declaramos santos nos pertencem. Em Deus, a humanidade é toda ela una como o próprio Deus é Um. Enfim, a nossa oração pelos nossos mortos deve nos transformar, para que façamos nosso o amor de Deus por eles.

Esse amor é purificador: ele queima o que em nós e neles não é senão palha ou dejeto, para fazer resplandecer o bem, ainda que o mais ínfimo que tenhamos deixado Deus produzir em nós. Como diz Paulo (Efésios 5,13-14): "Tudo o que é condenável é manifesto pela luz, pois é luz tudo o que é manifesto. É por isso que se diz: Ó tu, que dormes, desperta e levanta-te dentre os mortos que Cristo te iluminará".

Uma justiça que justifica gratuitamente

O tema da "vida eterna" assume na Bíblia perspectivas que à primeira vista são contraditórias. Estamos acostumados, por exemplo, com apoio em numerosos textos, a pensar e dizer que a ressurreição é universal; que uns irão ressuscitar para a felicidade e, outros, para a punição. Lemos, no entanto, em outros lugares que todos os homens serão salvos, e vemos o Cristo rezar pelos que o crucificaram.

Além do mais, certas passagens apresentam a ressurreição como destino de alguns e não de todos.  Em Lucas 20,35, por exemplo, Jesus fala de “os que forem julgados dignos de ter parte no outro mundo e na ressurreição dos mortos”. Em Filipenses 3,11, Paulo diz que ele comunga com os sofrimentos do Cristo “para ver se alcança a ressurreição dentre os mortos”.

Para ser assumido na ressurreição do Cristo, parece ser preciso passar por uma morte semelhante à dele, ou seja, fazer de uma morte necessária, uma morte que seja um dom livremente realizado. Penso que as Escrituras estão, muitas vezes, dizendo como as coisas deveriam acontecer, se a justiça fosse exercida normalmente. Mas Deus, na verdade, está muito além do que chamamos de “justiça”. Um texto chave é Mateus 19,24-26 (Marcos 10,23-27).

No versículo 24, lemos: “é mais fácil o camelo entrar pelo buraco da agulha do que o rico entrar no Reino de Deus”. E os discípulos perguntam: “quem poderá então salvar-se?” Jesus responde: “Ao homem isso é impossível, mas a Deus tudo é possível.”

O banquete de núpcias

Alguns textos nos falam, portanto, do que deveria acontecer se tudo se passasse normalmente. Em outros, encontramos o anúncio do que irá acontecer em razão deste Amor inconcebível pelo qual o Cristo, Deus, nos dá a vida dando-nos a sua vida. Sendo assim, podemos agora nos alegrar com a nova vida que foi dada aos nossos mortos.

Nem todos foram "santos", mas encontram-se todos "santificados". Desta vida só podemos ter as imagens simbólicas que a Bíblia nos fornece: ela fala particularmente de um banquete de núpcias. É um banquete perpétuo, porque, nele, a fome e a sede são aplacadas sem cessar e, sem cessar, elas renascem (João 6,35: “Quem vem a mim, nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede".

Já em Eclesiástico 24,21, no elogio da Sabedoria, a figura do Cristo que há de vir, está dito o contrário: "Os que me comem terão ainda fome, os que me bebem terão ainda sede". Este banquete é um banquete de núpcias. Banquete significa uma felicidade compartilhada, tomada em comum. Anunciam-se assim a perfeição da relação com a natureza (alimento) e a perfeição da relação dos homens entre si.

Sendo banquete de núpcias, está-se falando igualmente de se completar a união entre o homem e a mulher que se buscava na sexualidade. Assim sendo, o que chamamos de “céu” não é o contrário do que vivemos nesta terra, mas o acesso à sua verdade e à sua mais plena justiça. Vamos superar as nossas tristezas e, por nossos mortos e por nós, confiar no amor que nos faz existir. Para sempre.
Croire
*Marcel Domergue é sacerdote jesuíta. O texto é baseado nas leituras do Domingo, 2 de novembro de 2014, Dia de Todos os Fiéis Defuntos. A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.
01/11/2014  |  domtotal.com

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MEDITAÇÃO: rogar muito é, com frequente e piedoso clamor do coração, bater à porta daquele a quem imploramos

Da Carta a Proba, de Santo Agostinho, bispo

(Ep.130,9,18-10,20:CSEL44,60-63)        (Séc.V)

Em horas determinadas concentremos o espírito para orar
Desejemos sempre a vida feliz que vem do Senhor Deus e assim oraremos sempre. Todavia por causa de cuidados e interesses outros, que de certo modo arrefecem o desejo, concentramos em horas determinadas o espírito para orar. As palavras da oração nos ajudam a manter a atenção naquilo que desejamos, para não acontecer que, tendo começado a arrefecer, não se esfrie completamente e se extinga de todo, se não for reacendido com mais frequência.  
Por isso as palavras do Apóstolo: Sejam vossos pedidos conhecidos junto de Deus (Fl 4,6) não devem ser entendidas no sentido de que Deus os conheça, ele que na realidade já os conhece antes de existirem, mas em nosso favor sejam conhecidos junto de Deus por sua tolerância, não junto dos homens por sua jactância.  
Sendo assim, se se tem o tempo de orar longamente, sem que sejam prejudicadas as outras ações boas e necessárias, isto não é mau nem inútil, embora, como disse, também nelas sempre se deva orar pelo desejo. Também orar por muito tempo não é o mesmo que orar com muitas palavras, como pensam alguns. Uma coisa é a palavra em excesso, outra a constância do afeto. Pois do próprio Senhor se escreveu que passava noites em oração e que orava demoradamente; e nisto, o que fazia a não ser dar-nos o exemplo, ele que no tempo é o intercessor oportuno e, com o Pai, aquele que eternamente nos atende. 
Conta-se que os monges no Egito fazem frequentes orações, mas brevíssimas, à maneira de tiros súbitos, para que a intenção, aplicada com toda a vigilância e tão necessária ao orante, não venha a dissipar-se e afrouxar pela excessiva demora. Ensinam ao mesmo tempo com clareza que, se a atenção não consegue permanecer desperta, não deve ser enfraquecida, e se permanecer desperta, não deve ser logo cortada.  
Não haja, pois, na oração muitas palavras, mas não falte muita súplica, se a intenção continuar ardente. Porque falar demais ao orar é tratar de coisa necessária com palavras supérfluas. Porém rogar muito é, com frequente e piedoso clamor do coração, bater à porta daquele a quem imploramos. Nesta questão, trata-se mais de gemidos do que de palavras, mais de chorar do que de falar. Porque ele põe nossaslágrimas diante de si (Sl 55,9),e nosso gemido não passa despercebido (cf. Sl 37,9 Vulg.) àquele que tudo criou pela Palavra e não precisa das palavras humanas.

Responsório             Sl 87(88),2-3a; Is 26,8b

R. A vós clamo, Senhor, sem cessar todo o dia
e de noite se eleva até vós meu gemido.
* Chegue a minha oração até a vossa presença.
V. Vossa lembrança e vosso nome são o desejo e a saudade
de noss’alma, ó Senhor. * Chegue a minha.

Oração
Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor, e vos servir de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
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Bispos brasileiros pedem aos católicos que busquem eleger candidatos que promovam os valores cristãos

BRASILIA, 01 Out. 14 / 01:24 pm (ACI/EWTN Noticias).- Os brasileiros terão, neste domingo, dia 5, a responsabilidade de escolher um dos candidatos que vai ocupar a presidência da República pelos próximos quatro anos. Para auxiliar os cristãos nessa tarefa, a Igreja propõe alguns princípios que devem nortear essa escolha que também vai definir os próximos governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Com o intuito de reforçar a importância da consciência na escolha bispos brasileiros e a Conferência Episcopal brasileira em peso pedem que os católicos votem nos candidatos que apresentam uma proposta que contenha os valores cristãs, morais e éticos, e não apenas promessas de mudança.  
Segundo o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Leonardo Steiner, os cristãos são insistentemente convidados a participar da política, por meio das discussões, do voto e da fiscalização.
"A mensagem da CNBB "Pensando o Brasil: Desafios diante das Eleições 2014" faz eco às palavras do Papa Francisco na Exortação Evangelii Gaudium: 'Ninguém pode exigir-nos relegar a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos'. A eleição é momento decisivo para a vida das pessoas que vivem no país", reforçou Dom Leonardo.
O Santo Padre, em sua homilia matutina no dia 16 de junho, na Casa Santa Marta, alertou: "Quem paga o preço da corrupção política ou econômica? Pagam os hospitais sem remédios, os doentes que não são cuidados, as crianças sem escolas. São sempre os pobres que pagam pela corrupção".
O bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio e animador da Formação Política, Dom Pedro Cunha, reforçou que é essencial acompanhar todos os candidatos que foram eleitos pelo apoio do voto católico. "É preciso escolher políticos que promovam e defendam a família, igreja doméstica, como um dom inigualável. É importante que os candidatos escolhidos também entendam a identidade natural da família segundo o plano de Deus, por meio da união entre um homem e uma mulher", orientou Dom Pedro.
O documento emitido pela CNBB para estas eleições gerais toma em conta que os cristãos são chamados a conhecer e refletir sobre os projetos e propostas dos partidos e candidatos que receberão seus votos.  É necessário identificar os que são “Ficha Limpa” e votar naqueles que sigam os valores cristãos, como o respeito à vida humana em todas as suas etapas, a defesa da família e a liberdade religiosa.
Vale recordar ainda a participação da CNBB na aprovação da Lei da Ficha Limpa, que já impediu que centenas de candidatos que respondem ou são acusadas de delitos como corrupção, suborno venham a tentar assumir um cargo público.
O documento da CNBB pode ser descarregado do seguinte link:
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Porque questionar é viver

Por Enzo Bianchi

Habitam em nós, humanos, muitas perguntas, sentimos um desejo de conhecer, de saber, de comunicar, que nos incita a lançar perguntas. É coerente que as crianças, não mais bebês, façam continuamente perguntas, para conhecer o mundo em que estão inseridas. Os pais sabem bem: mais perguntas que afirmações... O humano é um ser que interroga e se interroga, procurando resposta.

Mas as perguntas são muito mais decisivas do que as possíveis respostas, que nem sempre são satisfatórias. Se Platão fez Sócrates dizer que “o maior bem do homem é interrogar-se sobre si mesmo e, sem tal feito, a vida não é digna de ser vivida” (Apologia de Sócrates – 38 a), podemos levar essa consideração a todas as perguntas fundamentais a respeito da condição humana.

Rainer Maria Rilke, antes de completar 30 anos, escrevia em 06 de julho de 1903 em uma esplêndida carta ao jovem poeta Franz Kappus:

"Caro senhor, Vossa Senhoria é tão jovem, e se encontra assim tão no começo, que o melhor que eu posso pedir, caro amigo, é de que tenha paciência com tudo aquilo que não está solucionado no seu coração, e de tentar amar as próprias perguntas, como se fossem de um quarto escuro a um claro, ou dos livros escritos em uma língua estrangeira. Não pesquise agora as respostas que não lhe possam ser dadas, porque não está pronto para vivê-las... Então, viva com as perguntas. Quem sabe um dia, futuramente, pouco a pouco, sem perceber, se encontrará vivendo as respostas... Nossa missão é difícil, mas quase tudo o que é importante é difícil, e tudo é importante"

Rilke aconselha o jovem de amar as perguntas – ousarei especificar – mais do que as respostas, porque as vezes as respostas não existem ou não sabemos como encontra-las, mas os questionamento surgem, nos habitam, nos movem, nos fazem buscar. E existem questionamentos que são feitos pelos outros, para que possamos ouvir, ou, ao contrário, homem ou mulher, nos oferecer sua face. A face, que na espécie humana é única, é distinta de cada pessoa, e que os nossos olhos veem, encontram, leem, conhecem ou reconhecem, é uma pergunta, como sabia frisar com maestria Emmanuel Lévinas.

Permitam-me de recordá-los um outro grande autor, pra mim um grande mestre: Edmond Jabés, que não por acaso escreveu “Le Livre des Questions” (1963), O Livro das Perguntas, no qual este intelectual hebreu insere questionamentos e procura responde-los, mas somente por pequenas frases, sucintas, quase aforismos, de tal forma que a pergunta continua aberta, e ressoam de novo, de novo...

Sim, o nosso coração humano é habitado por perguntas: de onde venho? Pra onde vou? Quem sou eu? Isso que cerca é real? E entre todas as perguntas, a mais grave: porque a morte me espera? É do profundo, do nosso íntimo, daquele órgão imaginário e simbólico que chamamos “coração”, sem saber direito onde colocá-lo, que surgem pensamentos bons e maus, dos quais são desencadeados os desejos, o querer, o fazer. Existe uma afirmação do profeta Jeremias que sempre me intrigou: “O coração do homem é complicado e doentio; quem o pode compreender?” (Jr 17,9). A fonte das nossas perguntas é complicada e doentia, porque viemos ao mundo a partir de um homem e uma mulher que já se conheceram em meio a males e complicações e, nenhum de nós nasce “sem bagagem”... A nossa existência é decorrente da relação com as nossas raízes, ao que nos precedeu e ao que nos gerou, e é originalmente formada pela nossa história, pelo nosso viver em tempo e lugar precisos.

As perguntas, portanto, geram um ambiente complexo e vario por qualquer um de nós, e é neste terreno que nossa vontade pessoal poderá decidir entre o bem e o mal, pode discernir as perguntas e escolher um posicionamento frente a uma resposta ou deixa-las cair. O nosso caminho de humanização depende antes de tudo deste discernimento pessoal, do nosso compromisso em viver numa lógica de bem comum e de resistência ao amor a si próprio, ao egoísmo de quem vive sozinho ou até mesmo contra os outros.

As perguntas que habitam na gente determinam a qualidade com a qual vivemos e convivemos.

Anteriormente eu me lembrava de perguntas que todo ser humano digno deste nome faz a si mesmo, bem expressas pelo gnóstico Teodoto na metade do século II D.C.: “Quem sou eu? De onde venho? Pra onde vou? A quem pertenço? De que coisas posso ser salvo?” (de acordo com Clemente Alessandrino, Extratos de Teodoto 78; pg. 9.696).

A Bíblia também testemunha questionamentos, sejam relacionados a Deus, pelo homem, sejam do homem, por Deus. Neste diálogo entre o homem e o Outro – que chamamos Deus -, nessa relação que vem desde o início da humanidade e continua ao longo da história, existem muitas perguntas. É conhecido que as perguntas do homem se reduzem, de acordo com suas diversas expressões, a apenas uma: “Oh Deus, nos dará a salvação e nos liberarás da morte?”. As perguntas que Deus faz ao homem, ao invés, são diferentes. A primeira é aquela existente no livro de Gênesis, onde Deus procura o homem que se afastou Dele e o chama: “Adão, onde estás?” (Gn 3,9). Pergunta que questiona o homem em todos os tempos e todas as gerações: onde estás? Que significa: a que ponto do caminho de humanização te encontras? És um homem que todos os dias vence o caráter animalesco que possuis, ou estás sobre um caminho de barbáries, de desumanização, de bestialidade? Ou ainda, citando o comentário de Martin Buber na verdadeira jóia que é O caminho do homem: “Onde estás no teu mundo? Dos dias e anos que te foram dados e já transcorreram... neste meio tempo até onde chegaste no teu mundo?” (Qiqajom, Magnano 1990, p. 18).

Na criação do homem, Deus disse: “Façamos o homem” (Gn 1,26), onde o ‘nós’ – dizem os rabinos – significa que Deus e o homem, juntos, devem fazer o homem, porque o homem se faz mais homem somente com a ajuda do outro, e o Outro com ‘O’ maiúsculo, Deus. Aqui me permito dizer de forma fervorosa uma palavra verdadeira e necessária. Quando se fala em Auschwitz, em Dachau, nos Gulag, ou do massacre das minorias étnicas e religiosas no Iraque ou na Síria pelos jihadistas, sentimos a necessidade de fazer a pergunta: “Onde estava, onde está Deus?”, devemos sentir vergonha e, ao invés disso, nos perguntar: “Onde estava, onde está o homem? Onde estava, onde está nossa humanidade?”, sem atribuir a Deus aquilo que Deus mesmo detesta!

Outra pergunta feita a Deus – atenção, não no início cronológico da história, mas no início de cada vida humana responsável – é: “Onde está Abel, teu irmão?” (Gn 4,9). Depois, a pergunta que é feita a você e que diz respeito a todos os seres humanos, ou seja cada um de nós, por si só, é aquela que atribui ao outro, aos outros, nossos laços pelo vínculo da fraternidade. “Onde está Abel, teu irmão?”, significa “Que relação tens para com o outro? Que responsabilidades sentes com relação ao próximo? Que atenção tens? Ou o renegas, o desconheces, o matas?” Também esta é uma pergunta que não cessa, que todos os dias se renova para todos nós.

La Stampa, 25-09-2014
28/09/2014  |  domtotal.com
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MEDITAÇÃO: Os cristãos têm de imitar os sofrimentos de Cristo e não, ir atrás de prazeres.

Do Sermão sobre os pastores, de Santo Agostinho, bispo

(Sermo 46,10-11: CCL 41,536-538)       (Séc.V)

Prepara-te para a tentação

Já sabeis o que amam os maus pastores. Vede o que descuidam. Ao enfermo não fortificastes; do doente não cuidastes; o machucado, isto é, fraturado, não pensastes; ao desgarrado, não reconduzistes; ao que se perdia não fostes procurar e ao forte oprimistes (Ez 34,4), matastes, destruístes. A ovelha se enfraquece, quer dizer, tem coração débil, imprudente e desprevenido, a
ponto de ceder às tentações que sobrevierem.

O pastor negligente, quando alguém se lhe confia, não lhe diz: Filho, vindo para servir a Deus, mantém-te na justiça e prepara-te para a tentação (cf. Eclo 2,1). Quem assim fala fortifica o fraco e de fraco faz firme, de modo que, se lhe forem confiados os bens deste mundo, não se fiará neles. Se, contudo, houver aprendido a fiar-se na prosperidade terrena, por esta mesma prosperidade será corrompido; sobrevindo adversidades, ferir-se-á e talvez pereça.

Quem assim o edifica, não o constrói sobre pedra, mas sobre a areia. A pedra era Cristo (cf. 1Cor 10,4). Os cristãos têm de imitar os sofrimentos de Cristo e não, ir atrás de prazeres. O fraco se fortifica, quando lhe dizem: “Espera, sim, provações neste mundo, mas de todas elas te livrará o Senhor, se teu coração não voltar atrás. Pois para fortalecer teu coração veio padecer, veio morrer, veio ser coberto de escarros, veio ser coroado de espinhos, veio ouvir insultos,
veio enfim ser pregado na cruz. Tudo isto por tua causa, e tu, nada: não para ele, mas em teu favor”.

Quais são estes que, por temerem ofender os ouvintes, não apenas não os prepararam para as inevitáveis provações, mas prometem a felicidade neste mundo, que Deus não prometeu a este mundo? Ele predisse labutas e mais labutas, que até o fim sobreviriam a este mundo. E tu queres que o cristão esteja isento destas labutas? Justamente por ser cristão, sofrerá algo mais neste mundo.

Com efeito disse o Apóstolo: Todos aqueles que querem viver sinceramente em Cristo, sofrerão perseguições (2Tm 3,12). Agora tu, pastor insensato, que procuras os teus interesses e não os de Jesus Cristo, deixa que ele diga: Todos aqueles que querem viver sinceramente em Cristo, sofrerão perseguições. E por tua conta vai dizendo: “Se em Cristo viveres piedosamente, terás abundância de todos os bens. Se não tens filhos, tê-lo-ás e os criarás, e nenhum morrerá”. É esta tua construção? Olha o que fazes, onde a colocas. Sobre a areia a constróis. Virá a chuva, o rio transbordará, soprará o vento, baterão contra esta casa; ela cairá e será grande sua ruína.

Tira-a da areia, põe-na sobre a pedra: esteja em Cristo aquele a quem desejas ver cristão. Observe os injustos sofrimentos de Cristo, observe-o sem pecado, pagando o que não devia, observe a Escritura a lhe dizer: O Senhor castiga todo aquele que reconhece como filho (Hb 12,6). Ou se prepare para ser castigado, ou não procure ser aceito.

Responsório 1Ts 2,4.3

R. Como Deus nos julgou dignos
de confiar-nos o Evangelho,
nós falamos deste modo.
* Não buscamos agradar aos homens, mas a Deus.
V. A nossa exortação nada tem de falsidade,
de impureza ou de mentira. * Não buscamos.

Oração

Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora
 V. Bendigamos ao Senhor.
R. Demos graças a Deus.
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MEDITAÇÃO: Os males das ovelhas estendem-se por toda parte.

Do Sermão sobre os pastores, de Santo Agostinho, bispo
(Sermo 46,9:CCL41,535-536)                (Séc.V)

Sê modelo dos fiéis
O Senhor mostrou o que estes pastores amam, mostrou também o que negligenciam. Os males das ovelhas estendem-se por toda parte. As sadias e robustas, isto é, as fortes pelo alimento da verdade, que se aproveitam bem das pastagens, por dom de Deus, são pouquíssimas. Os maus pastores, porém, não as poupam. É-lhes pouco não cuidarem das doentes, das fracas, das desgarradas e perdidas. Tanto quanto podem, também matam as fortes e gordas. Mas estas continuam vivas. Vivem pela misericórdia de Deus. Contudo, no que diz respeito aos maus pastores, eles matam. “Matam de que modo?” perguntas. Vivendo mal, dando mau exemplo. Foi em vão que se disse ao servo de Deus, ao colocado mais alto entre os membros do supremo Pastor: Mostrando-te a todos como exemplo de boas obras? e: Sê modelo dos fiéis (cf. 1Tm 4,12).  
Presenciando continuamente a má conduta de seu pastor, uma ovelha, mesmo forte, se desviar os olhos dos preceitos do Senhor e fixá-los no homem, começará a dizer em seu coração: “Se meu superior vive desse modo, quem sou eu para não fazer o que ele faz?” Matou a ovelha forte. Se matou a forte a quem não alimentou, que fará com as outras, ele que, vivendo mal, destruiu o que encontrara forte e robusto?
Digo à vossa caridade e repito. Mesmo que as ovelhas continuem vivas, ainda que sejam fortes pela palavra do Senhor e guardem o que dele ouviram: Fazei o que dizem, não o que fazem (Mt 23,3). Contudo aquele que vive mal diante do povo, no que lhe diz respeito, mata o que o observa. Não se iluda porque se vê que ele não morreu. Este continua vivo, aquele é homicida. Assim como um homem que olha para uma mulher desejando-a, embora ela permaneça casta, ele já cometeu adultério. É verdadeira e clara a palavra do Senhor: Quem olhar para uma mulher com mau desejo, já cometeu adultério em seu coração (Mt5,28). Não entrou em seu quarto, mas no quarto de seu coração já a abraçou.  
Assim, quem vive mal diante de seus subordinados, no que lhe diz respeito, mata até os fortes. Quem o imita, morre; quem não o imita, vive. No entanto, quanto a ele, destrói a ambos. E o que é robusto matais e não apascentais minhas ovelhas (Ez 34,3).

Responsório Lc 12,48b;Sb 6,5b

R. A quem muito foi dado, muito mais lhe pedirão;
A quem muito foi entregue, muito mais lhe exigirão.
V. Juízo duríssimo haverá para aqueles
que aos outros governam. A quem muito.

Oração
Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus
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São Francisco da Penitência OFS Cabo Frio | by TNB ©2010