Festa celebrada em 17 de agosto ou em 1 de setembro.
Santa Beatriz da Silva nasceu em
Celta, quando esta cidade pertencia a Portugal. Possuía descendência real
hispano-portuguesa e pertencia à mais alta nobreza da corte. Como condessa
costumava subir com muita freqüencia ao monte Hacho, com a finalidade de
venerar Nossa Senhora da África, pois desde a mais tenra idade nutria
grande veneração e amor pela Imaculada Conceição. Tinha 10 anos quando seu pai
foi transladado a Portugal.
Foi no ano de 1447 que despediu-se do solar da família Ruiz de Silva e Meneses,
com a finalidade de acompanhar, na qualidade de dama de honra, a princesa
Isabel de Portugal, que partiu para Castella a fim de contrair matrimônio com o
rei daquela nação, João II de Castella.
A corte não tinha um lugar fixo, variando conforme as
circunstâncias. Às vezes residia em Madrigal de Altas Torres, onde
viria a nascer a princesa Isabel, a Católica. Outras vezes residia em
Tordesilhas. Tudo dependia da necessidade daquele ambiente cortesão, onde
imperava clima cercado de receios e intrigas.
Era Beatriz da Silva pessoa de deslumbrante beleza. Apesar de possuir
sangue real, era uma graciosa donzela, que excedia todas as demais de seu
tempo, em formosura e gentileza. Isto fez com que a própria Beatriz se desse
conta de que, sua rara beleza, passara a ser motivo involuntário de constantes
rivalidades entre seus apaixonados pretendentes. Muitos condes e
duques intencionavam pedir sua mão em matrimônio. Haviam acaloradas disputas e
lances de amor por sua causa. Beatriz se refugiava e permanecia em
silêncio e oração. Diante desta incômoda circunstância, expressou que trocaria
sua aparência pela da mulher mais feia do mundo.
Pela sua extrema piedade, não tardou que o poder do mal, contra ela
lançasse seus furores. Boatos maldosos surgiram e colocaram em dúvida
sobre a virtude de Beatriz. Foi quando começou a crescer na rainha
idéias fantasiosas, acêrca da fidelidade conjugal do Rei, que poderia se
deixar levar pela formosura de Beatriz e pela sua "má índole", cujas
mentes maliciosas, caluniosamente haviam propagado. Cega de ciúmes, a
rainha extremamente encolerizada, decidiu investir contra ela de maneira
violenta. Um dia, fez-se acompanhar de Beatriz a um sótão escuro e a
empurrou para dentro de um grande cofre, que foi fechado à chave.
Dias depois, abriu a arca e esperando encontrar um cadáver, achou Beatriz viva
e com perfeita saúde. Este cofre encontra-se preservado, até hoje, junto
ao convento de Santa Clara, em Tordesilhas.
Beatriz, então, decide fugir das intrigas da corte. Se dirige a Toledo
e é aceita no mosteiro de São Domingos. Não abraçou a vida
monástica, mas seguiu o mesmo estilo de vida das monjas, durante um período de
30 anos.
Nesta época, Isabel (a Católica), na condição de nova rainha, que às vezes
acudia sua mãe desde Arévalo, costumava, ainda que consternada, a
visitar Beatriz. Nutrida por grande admiração, lhe concedeu os
palácios de Galiana e o Mosteiro de Santa fé. Foi neste mosteiro que
Beatriz ingressou com doze religiosas, depois de 30 anos de espera, com o
nome de Maria Imaculada, onde fundou sua Ordem contemplativa de Concepção
Franciscana (Concepcionistas). A congregação expandiu-se rapidamente tanto na
Europa quanto na América.
O Papa Inocênio VII foi quem aprovou a Bula, no ano de 1489. Em
1491, a bula foi levada solenemente da catedral de Toledo até o mosteiro de
Santa Fé.
Poucos dias depois, Beatriz caiu gravemente enferma. No leito de
morte, recebeu o hábito e pronunciou os votos, como madre Fundadora da
Ordem. Ao ungirem sua fronte, milagrosamente apareceu uma estrela e por
este motivo é nos quadros e imagens, a figura da Santa é representada com uma
estrela na testa. Partiu para a eternidade no dia 17 de agosto de 1491.
Foi declarada Beata por Pio XI em 26 de julho de 1926 e canonizada pelo Papa Paulo VI
cinqüenta anos depois, em 3 de outubro de 1976.
Reflexões:
A vida de Santa Beatriz e o
meio em que ela viveu, as lutas que travou, a sua humildade e
paciência, proporcionaram à humanidade, o desabrochar de uma Ordem
Religiosa extraordinária. Dotada de todas as virtudes cristãs, permaneceu
desde criança até a morte, em fidelidade extrema aos ensinamentos
cristãos, nutridos pelo amor intenso que tinha pela Santíssima
Virgem. Antes, porém, que fechasse os olhos ao mundo, viu sua Ordem
Religiosa recém-fundada, ser aprovada canonicamente.
Santa Beatriz, nas adversidades,
procurava o recolhimento e a oração. Não se deixou levar nem pelas honrarias,
nem por prazeres, nem por sua extrema beleza. Sua vida foi de total entrega aos
preceitos cristãos, nutridos pelo amor ardentíssimo que tinha pela Santíssima
Virgem.
As circunstâncias da sua geração
nos levam a perguntar hoje: Onde estão todos os condes e duques,
que perderam seu precioso tempo, não só cobiçando, mas entregando-se em
acaloradas disputas e rivalidades por causa das apaixonadas pretensões que tinham
por Santa Beatriz? Onde estão os membros da corte real, os
reis e rainhas da época? Onde está agora Santa Beatriz, e todas as
irmãs que um dia já fizeram parte do grêmio da Congregação das
Concepcionistas? Aprofundemo-nos mais um pouco: Onde
estão todas as pessoas que viveram, se divertiram, brigaram,
casaram, separaram, trabalharam, que entregaram-se aos vícios e paixões, ou que
viveram santamente? Não é verdade que todos estes corpos, desde a criação do
mundo, até poucos anos atrás, viraram pó, cujas almas partiram, umas para
a Eternidade, outras para a perdição eterna? A vida é muito curta! Se
tivermos sorte, conseguiremos chegar aos 80 anos. Daqui a muito, muito pouco
tempo, igual a todas essas pessoas, iremos tombar na terra, o mundo para
nós vai se escurecer, indubitavelmente. Cristo não veio ao mundo e nem se
deixou crucificar por brincadeira, Ele veio por uma causa seríssima! Veio
nos trazer todos os meios e instrumentos de salvação eterna. Não percamos
nenhum minuto do nosso preciosíssimo tempo com paixões, contendas, rivalidades
inúteis, apegos materiais e prazeres passageiros. Só uma coisa nos importa:
Praticar os ensinamentos de Cristo, viver os ensinamentos da Santa
Religião, transmitir este precioso tesouro aos nossos filhos. Quem se entrega
de corpo e alma às coisas terrenas, deixa aos seus filhos esta herança, a
própria terra onde todos serão sepultados e as coisas que estão sobre ela. O
corpo vai, os bens permanecem aqui. Quem, porém, procura praticar e
ensinar os preceitos de Deus e da Igreja, deixa aos filhos uma herança
divina, garante a eles a própria eternidade. Existe maior tesouro,
maior herança?
Santa Beatriz, assim como todos
os santos, desprezou as coisas terrestres porque sua mente estava voltada para
as divinas. Peçamos à Santíssima Virgem, de quem Beatriz era fiel devota, que
interceda junto ao Divino Espírito Santo, a fim de nos proporcionar claro
discernimento entre as coisas da terra e as coisas do Alto, entre a santidade e
o pecado, entre a vida e a morte, entre a verdade e a mentira, entre o bem
e o mal. Peçamos, enfim, que nossa visão não se deixe ofuscar pelas
coisas que passam, mas que seja cristalina para as coisas de Deus e que
possamos ser uma lâmpada sobre a mesa, a iluminar as pessoas do nosso convívio.
Luz como a estrela que foi Santa Beatriz, escolhida por Deus para
iluminar com seu exemplo, a Santa Igreja, a humanidade.
Fonte: Página Oriente
Veja também neste blog a biografia de santa Beatriz da Silva.
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