Maria: purificada segundo a Lei, consagrada pelo amor

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Por Antonio Clayton Sant’Anna*
Desde séculos, o dia 02 de fevereiro (último domingo) figura no calendário cristão com vários motivos de celebração: purificação de Maria, apresentação de Jesus no Templo, festa das candeias, procissão e bênção das velas. São referências à página bíblica de Lucas, capítulo 2, sobre a entrada de Jesus recém-nascido nos ritos de socialização da lei judaica: circuncisão, resgate do primogênito, purificação da mãe parturiente, etc.

O texto realça a menção a duas pessoas idosas, Simeão e Ana, habituais frequentadores do Templo. Pessoas representativas da grande esperança messiânica acalentada pelo povo humilde em profundo sentido religioso. Não por acaso, mas por moção interior do Espírito de Deus, Simeão e Ana compareceram ao Templo no 40º dia do nascimento de Jesus, prazo legal para o cumprimento dos rituais acima. Acolheram o bebezinho dos braços de Maria e falaram do futuro dele e dela. Interpretaram o ato em chave profético-libertadora: a salvação e luz chegavam para todos os povos; o menino era a glória do povo eleito; mas, definiria a opção por Deus ou contra.

A meditação mais consciente do mistério da Encarnação do Verbo no seio virginal de Maria nos leva a perceber o quanto ela entrou intimamente na história da salvação. (Luz dos Povos, 65). Aos olhos das pessoas e perante as normas da Lei mosaica tudo parecia costumeiro e normal na convivência de Maria, José e Jesus: na família e nas questões religiosas atinentes aos costumes do povo. Mas, quem poderia imaginar o intercâmbio de dons, a interiorização e partilha das graças do projeto salvador do Pai naquela família ali no Templo? Purificar-se implica o querer entrar em comunhão com Deus.

Não é neste sentido que se cumpriu a purificação de Maria descrita no texto de Lucas. Ela foi ao Templo sendo já a Imaculada Conceição! A seiva da videira, símbolo da subsistência espiritual com Jesus, pressupunha a consagração daquela que lhe deu sua carne e sangue. E Jesus já viera ao mundo como o Cristo, isto é, o “consagrado de Deus”, seu inocente cordeiro.

As celebrações litúrgicas marianas não são repetidas todos os anos por rotina. Dialogando com a piedade popular que vive a fé, pretendem renovar e atualizar em cada época tudo o que Maria é à luz da tradição bíblico-eclesial. O culto católico distribuiu ao longo do ano o mistério total de Cristo. Isso permitiu fazer memória mais viva da íntima participação de Maria nele. Há uma disponibilidade infinita nas mãos de Deus em sua postura de fé: Faça-se em mim segundo a Palavra anunciada! Para quem aceitou o batismo de Jesus na sua Igreja e lhe é fiel, tudo é consagrado. Não só alguns momentos marcantes ou gestos festivos na Igreja. Tudo é consagração a todo instante. Somos o Povo de Deus em todo o tempo, nos projetos, desejos e desafios da história. (LG 10).
A12, 01-02-2014.
*Antonio Clayton Sant’Anna é padre e diretor da Academia Marial de Aparecida.
07/02/2014  |  domtotal.com

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