'Que não seja apenas mais uma Quaresma', diz arcebispo

sábado, 8 de março de 2014

Maringá - Com o título "Oportunidade de conversão", Dom Anuar Battisti, arcebispo da arquidiocese de Maringá, no Estado do Paraná, fez uma reflexão sobre o período do carnaval e o início do tempo da Quaresma. Ele inicia o texto explicando que o Carnaval é uma festa que se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C e que, através desta comemoração, os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. 
O prelado prossegue enfatizando que o período do Carnaval era marcado pelo "adeus à carne" ou do latim "carne vale" dando origem ao termo "carnaval". Segundo ele, durante o Carnaval havia uma grande concentração de festejos populares e cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes.

De acordo com o arcebispo, o sentido de fazer festa nos leva a necessidade de comemorar datas importantes, em âmbito pessoal, familiar ou social. Ele destaca que se sente o desejo de que outras pessoas participem daquele momento alegre, festivo, cheio de emoção, mas também existe a necessidade de se encontrar estabelecendo relacionamentos novos, se aproximando mais uns dos outros.

"Esse estilo de festa ainda hoje existe e faz bem a todos. O estilo extravagante, exagerado, misturando o direito de se encontrar e divertir, com bebedeiras, drogas, libertinagem sexual, relaxamento dos bons costumes, isso nunca pode ser chamado de festa. O ser humano é insaciável em todos os sentidos, nunca está satisfeito, por isso busca toda a forma de prazeres, pensando que ali está o sentido último da vida. Frustrações se sucedem, e o gosto de viver desaparece", avalia.

Já entrando na reflexão sobre a Quaresma, Dom Anuar ressalta que depois destes abusos, muitos pensam que ir ao templo e receber as cinzas está tudo resolvido. Ele reforça que não é magia e nem superstição o rito da Quarta-Feira de cinzas, quando iniciamos o caminho de quarenta dias para a celebração da Páscoa.
Conforme o prelado, ao receber a cinza, resultado do ramo queimado, ouvimos as palavras do Mestre: "Convertei-vos e crede no Evangelho" (Mc 1, 12-15). 

"Aqui não tem nada de mágico, e sim um convite para deixar tudo, mudar o rumo da vida, colocar o destino na direção da eternidade. Sem essa dimensão sobrenatural, transcendental da vida humana, vive-se como ´barata tonta´, sem rumo e sem sentido de estar no mundo. Por isso a prática do jejum e da abstinência de carne, nos provoca a dominar nosso estômago, a comer menos, a repartir com quem não tem", acrescenta.

O arcebispo ainda esclarece que não se trata de não comer carne para comer um bacalhau caro, pois isso pode ser hipocrisia. Ele afirma que podemos fazer jejum de comida, como podemos jejuar a língua faladeira, a mão da roubalheira, os desejos de possuir sem necessidade, enfim, não se trata de coisas e sim de se abster de atitudes anticristãs e antievangélicas.

"Cristãos de fachada, de aparência, de faz de conta: chegou a hora de tirar as máscaras e mostrar o verdadeiro rosto. Somos ou não somos discípulos de Jesus? Adeus à carne, adeus a tudo o que me leva a satisfazer os meus desejos e vontades descontroladas. Que não seja mais uma Quaresma, e sim, a grande oportunidade que Deus me dá para recomeçar um caminho de seguimento de Jesus, nosso Mestre e Senhor. Desde já, boa Quaresma para você e sua família", deseja Dom Anuar.
SIR

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