SÃO BENEDITO JOSÉ LABRE, PEREGRINO DE DEUS - 16 DE ABRIL

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Benedito José Labre era francês, nasceu em Amettes, próximo a Arras, no dia 27 de março de 1748, o mais velho dos quinze filhos de um casal de agricultores pobres. Freqüentou a modesta escola local, mas aprendeu latim com um tio materno. Ainda muito jovem, quis tornar-se monge trapista, mas não conseguiu o consentimento dos pais. Os trapistas são uma instituição monacal das mais severas e rigorosas em sua disciplina, do silêncio mais absoluto, do afastamento completo do mundo. 

Com dezoito anos, pediu ingresso no convento trapista de Santa Algegonda, mas os monges não aprovaram sua entrada. Percorreu a pé, então, centenas de quilômetros até a Normandia, debaixo de um inverno extremamente rigoroso, onde pediu admissão no Convento Cisterciense de Montagne. Também foi recusado ali, tentando, ainda, a entrada nos Cartuchos de Neuville e Sept-Fons, com o mesmo resultado.Primeiro, Benedito não era aceito por sua tenra idade, depois, porque muito débil de constituição. Os 'nãos' recebidos o fizeram descobrir um modo específico de viver a vocação à santidade. Com vinte e dois anos, tomou a decisão mais séria da sua vida: tornou-se um peregrino de Deus, um pobre e  mendigo por amor de Cristo. Foi muito humilhado, mas foi peregrinando pelos santuários da Europa, vivendo da Divina Providência,  oferecendo tudo pela conversão dos pecadores.

Iniciou sua peregrinação penetrando na Itália, com o fim de chegar à Roma. Passou por Turim, visitou o Santuário de Nossa Senhora Consolata, de onde escreveu aos pais explicando os motivos de sua decisão e, continuou viagem indo a Assis, terra de São Francisco e Loreto, ao Santuário de Nazaré, rumando para Roma. Também peregrinou aos mais afamados santuários da Suíça, da Alemanha, da França e da Espanha. 

A exemplo de São Roque, que expunha-se às intempéries levando um cajado, um cantil para água, uma sacola nos ombros, um terço ao pescoço e pés descalços, Benedito foi talvez a última figura dos clássicos peregrinos da Idade Média. No século do Iluminismo e da Revolução Francesa, a imagem de Benedito chegava ao ridículo, como se fosse um  salteador ou vagabundo. Mas, aproximando-se dele notava-se-lhe um semblante sereno, sorriso aberto, confiante, irradiando fé e amor, sempre feliz, mesmo passando fome. Oferecia sua vida de humilhações, penitências e orações a Deus pela salvação dos pecadores. Queria imitar Cristo que andava pelas estradas da Palestina sem ter onde repousar a cabeça.

No embornal de peregrino carregava apenas o Novo Testamento e um breviário, além de um terço nas mãos. Durante a noite, dormia nas ruínas do Coliseu e, de dia, percorria as estradas peregrinando nos lugares sagrados e evangelizando sem pedir esmolas. Quando recebia a caridade alheia, mesmo sem pedir, ainda dividia o que ganhava com os pobres. Na maior parte dos dias, comia um pedaço de pão e ervas colhidas no caminho.  Meditava muito sobre a paixão e morte de Cristo e se extasiava diante da Santíssima Eucaristia. Perguntado sobre sua espiritualidade tão profunda e serena, ele respondia: "É preciso ter três corações num só: o primeiro para amar a Deus, o segundo para amar ao próximo, o terceiro para desprezar a si mesmo".
Passou seus últimos anos em Roma

Os maus tratos do cotidiano a que se submetera durante muitos anos e as penitências que se auto-impusera, acabaram por levá-lo a falecer aos trinta e cinco anos. Na tarde de 16 de abril de 1783, seu corpo foi encontrado nos fundos da casa de um amigo que o recolhera quase prostrado pela doença, perto da igreja de Santa Maria dos Montes, sua preferida. Durante três dias houve uma grande aglomeração de populares que admiravam e até veneravam o singelo peregrino.

Bento José acabou sendo sepultado ali mesmo, próximo daquela igreja, local que logo passou a ser procurado pelos devotos e peregrinos. Imediatamente, tornou-se palco de muitas graças e prodígios, por intercessão daquele que em vida percorreu o caminho da santidade. O papa Leão XIII canonizou
 são Bento José Labre em 1881.

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