SÃO GREGÓRIO MAGNO,PAPA E DOUTOR DA IGREJA- 3 DE SETEMBRO

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O Papa Gregório I recebeu o título de Magno e é considerado um dos quatro grandes doutores da Igreja no Ocidente, junto com Santo Agostinho, Santo Ambrósio e São Jerônimo.

Nasceu em Roma por volta de 540. De família senatorial, ocupou cargos de relevada importância na magistratura, chegando a ser prefeito de Roma. Herdou uma das maiores fortunas de Roma, porém sua confiança não estava nos bens terrenos mas em Deus, a quem buscava constantemente, na vivência do Evangelho.
Com sua fortuna construiu mosteiros para os beneditinos em diversas partes da Itália, invadida pelos bárbaros, pois queria que os monges fossem faróis de evangelização. Chegou a transformar sua casa, no centro de Roma, em um convento, deu o restante da fortuna aos pobres e seguiu em busca de um tesouro no céu, abraçando a vida contemplativa.
Encarregado pelo papa de representá-lo em Constantinopla, passou lá vários anos,conseguindo larga  experiência no relacionamento com a Igreja Oriental. De regresso ao seu mosteiro, ocorreu o falecimento do Papa Pelágio II, e Gregório foi então aclamado pelo povo e o clero como sucessor do papa. Não querendo  aceitar,  procurou ocultar-se, mas o povo o descobriu e o forçou a aceitar a Cátedra, no dia 3 de setembro de 590, cargo que exerceu como verdadeiro bom pastor, no cuidado dos pobres, na propagação e consolidação da fé.
São Gregório foi um marco na história da Igreja e da Europa, que neste momento, com a derrocada do Império Romano e a invasão dos bárbaros, via formar-se uma nova sociedade. Ele assinalou o ponto de partida para uma nova época, a do tempo de transição do mundo romano para o novo mundo medieval que ia fundir as antigas culturas grega e romana, com as novas culturas germânica e eslava.
O Papa Gregório através de correspondência relacionava-se com as várias Igrejas de sua época e, com os poderes públicos da Europa. Enviou para a Inglaterra Santo Agostinho com vários  monges para conquistar os anglo-saxões para o Cristianismo. Providenciou o abastecimento de víveres para a cidade de Roma que atravessava um momento difícil de carestia, e mitigou os estragos causados pelas invasões dos bárbaros.



Escreveu muitas obras de Moral e Teologia. Escreveu a Regra Pastoral para o avivamento do clero, que até hoje serve como edificação. Escreveu o Livro dos Diálogos, para edificação dos leigos, para despertar a piedade e o amor à santidade. Foi orador inflamado e escritor fecundo de comentários sobre a Bíblia.Foi homem de grande contemplação, intensa vida espiritual.
 Fez seu próprio retrato espiritual, descrevendo o 'ideal do pastor': "O verdadeiro pastor das almas é puro em seu pensamento, irrepreensível nas suas obras, sábio no silêncio, útil sempre na palavra. Sabe aproximar-se de todos, com verdadeira caridade. Eleva-se acima de todos pela contemplação de Deus. Associa-se com humildade e simplicidade com todos os que trabalham pelo bem das almas mas levanta-se com anseios de justiça contra os vícios dos pecadores".

Seus últimos anos foram de doença, mas embora acamado até por meses,continuou a dirigir com prudência e lucidez a Igreja. Faleceu em 12 de março de 604, com 65 anos de idade.

Neste blog encontra-se outra postagem sob o título São Gregório Magno.

Um pouco das homilias de São Gregório, boa meditação.
Das Homilias sobre Ezequiel, de São Gregório Magno, papa
 (Lib. 1,11,4-6: CCL142,170-172)
 (Séc.VI)

Por amor de Cristo, me consagro totalmente à sua palavra
Filho do homem, eu te coloquei como sentinela da casa de Israel (Ez 3,16). É de se
notar que o Senhor chama de sentinela aquele a quem envia a pregar. A sentinela, de
fato, está sempre no alto para enxergar de longe quem vem. E quem quer que seja
sentinela do povo deve manter-se no alto por sua vida, para ser útil por sua providência.

Como é duro para mim isto que digo! Ao falar, firo-me a mim mesmo, pois minha
língua não mantém, como seria justo, a pregação e, mesmo que consiga mantê-la, a vida
não concorda com a língua.

Eu não nego ser culpado, conheço minha inércia e negligência. Talvez haja diante do
juiz bondoso um pedido de perdão no reconhecimento da culpa. Na verdade, quando no
mosteiro podia não só reter a língua de palavras ociosas, mas quase continuamente
manter o espírito atento à oração. Mas depois que pus aos ombros do coração o cargo
pastoral, meu espírito não consegue recolher-se sempre, porque está dividido entre
muitas coisas.

Sou obrigado a decidir ora questões das Igrejas, ora dos mosteiros; com freqüência
ponderar a vida e as ações de outrem; ora auxiliar em certos negócios dos cidadãos, ora
gemer sob as espadas dos bárbaros invasores e temer os lobos que rondam o rebanho
sob minha guarda. Por vezes, devo encarregar-me da administração, para que não venha
a faltar o necessário aos submetidos à disciplina da regra. Às vezes devo tolerar com
igualdade de ânimo certos ladrões, ora opor-me a eles pelo desejo de conservar a
caridade.
Estando assim dispersa e dilacerada a mente, quando voltará a recolher-se toda na
pregação, e não se afastar do ministério da proclamação da Palavra? Por obrigação do
cargo, muitas vezes tenho de encontrar-me com seculares; por isso sempre relaxo a
guarda da língua. Pois se constantemente me mantenho sob o rigor de minha censura,
sei que sou evitado pelos mais fracos e nunca os atraio para onde desejo. Por esta razão,
muitas vezes tenho de ouvi-los pacientemente em questões ociosas. Mas, sendo eu
mesmo fraco, arrastado aos poucos pelas palavras vãs, começo a dizer sem dificuldade
aquilo que a princípio tinha ouvido com má vontade; e ali onde me aborrecia cair,
agrada-me permanecer.

Que, pois, ou que espécie de sentinela sou eu, que não estou de pé no monte da ação,
mas ainda deitado no vale da fraqueza? Poderoso é, porém, o criador e redentor do
gênero humano para conceder-me, a mim, indigno, a elevação da vida e a eficácia da
palavra. Por seu amor, me consagro totalmente à sua palavra.

 Responsório

R. Fez brotar das escrituras a moral e a mística;
como a água da fonte,
fez correr para os povos os rios do Evangelho.
* E estando ausente, ainda nos fala.
V. Como a águia no alto, sobre o mundo voando,
com amor sem fronteiras, ele cuida de todos:
dos pequenos e grandes. * E estando.

Oração

Ó Deus, que cuidais do vosso povo com indulgência e o governais com amor, dai, pela
intercessão de São Gregório Magno, o espírito de sabedoria àqueles a quem confiastes o
governo da vossa Igreja, a fim de que o progresso das ovelhas contribua para a alegria
dos pastores. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

0 comentários:

Postar um comentário

 
São Francisco da Penitência OFS Cabo Frio | by TNB ©2010