Papa critica 'ditadura do pensamento único'

domingo, 13 de abril de 2014

Por Andrea Tornielli
Existe uma ditadura do pensamento único que afeta a liberdade dos povos e das pessoas. Foi o que disse o Papa Francisco na manhã dessa quinta-feira (10), durante a homilia da Missa, celebrada na capela da Casa Santa Marta, de acordo com a Rádio Vaticana.

O papa refletiu sobre a atitude dos fariseus e sobre sua proximidade com a mensagem de Jesus: seu erro, indicou Francisco, foi o de “separar os mandamentos do coração de Deus”. Acreditavam que tudo se resolveria seguindo aos mandamentos. Contudo, estes mandamentos, continuou o papa, “não são uma lei fria”, porque nascem de uma relação de amor e são “indicações” que ajudam a não errar em nosso caminho no encontro com Jesus.

Atuando desta maneira, os fariseus fecham seus corações e suas mentes a “qualquer novidade”. “É o drama do coração fechado, o drama da mente fechada, e quando o coração está fechado, este coração também fecha a mente, e quando a mente e o coração estão fechados, não há lugar para Deus”, mas apenas para aquilo que acreditamos que devemos fazer. Em troca, destacou, “os mandamentos levam a uma promessa e os profetas despertam esta promessa”. Uma mensagem de novidade que é difícil de compreender para os que têm os corações e mentes fechados.

“É um pensamento fechado que não está aberto ao diálogo, a possibilidade de que exista outra coisa, a possibilidade de que Deus fale conosco, de que nos diga como é seu caminho, tal qual fez com os profetas. Estas pessoas não haviam escutado aos profetas e não escutavam a Jesus. É algo maior do que ser simplesmente cabeça dura. Não, é algo a mais: é a idolatria do próprio pensamento. ‘Eu penso assim, isto deve ser assim e nada mais’ – observou Francisco. Estas pessoas tinham um pensamento único e queriam impor este pensamento ao povo de Deus, por isto Jesus os chama a atenção: ‘Vocês carregam sobre as costas do povo tantos mandamentos e vocês não os tocam nem com um dedo’”.

Jesus “os repreende por sua incoerência”. “A teologia desta gente – observou o Santo Padre – os torna um escravo deste regime de pensamento: o pensamento único”: “Não há possibilidade de diálogo, não há possibilidade de se abrir para as novidades que Deus traz com os profetas. Estas pessoas mataram os profetas; fecharam a porta para a promessa de Deus. E quando, na história da humanidade, é produzido este fenômeno do pensamento único, quantas desgraças. No século passado todos nós vimos as ditaduras do pensamento único, que terminou por matar tanta gente, contudo no momento em que eles se sentiam patrões não podia se pensar de outra maneira. E ainda se pensa assim”.

E “ainda hoje – continuou Francisco – existe a idolatria do pensamento único. Hoje deve-se pensar assim e, se você não pensa assim, não é moderno, não é aberto ou pior. Tantas vezes alguns governantes dizem: ‘Contudo, eu peço uma ajuda, uma ajuda financeira para isto’, ‘porém se você quer esta ajuda, deve pensar assim e deve cumprir esta lei, e esta outra, e esta outra...’. Ainda hoje há a ditadura do pensamento único e esta ditadura é a mesma daquelas pessoas: tomam as pedras para cercear a liberdade dos povos, a liberdade das pessoas, a liberdade das consciências, a relações das pessoas com Deus. E hoje Jesus é crucificado outra vez”.

A exortação do Senhor “frente a esta ditadura – concluiu o papa – é a mesma de sempre: vigiar e rezar, não ser tolo, não comprar [coisas] que não sirvam, ser humilde e rezar para que o Senhor nos de sempre a liberdade do coração aberto, para receber sua Palavra, que é promessa, alegria e aliança! E com esta aliança ir em frente”.

Vatican Insider, 10-04-2014.

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