Maná

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Por Dom José Alberto Moura*
Enquanto muitos vivem na opulência, outros na miséria. O ser humano sempre tende a buscar o necessário para viver dignamente. Uns conseguem honesta ou desonestamente. Outros não têm oportunidade para isso, apesar da suficiente comida e meios de sobrevivência que os fazem ter o bem estar suficiente na vida.
Os antigos judeus, na caminhada do deserto rumo à terra prometida, clamavam por alimento. Deus fez chover o maná para alimentá-los em todo percurso, que durou quarenta anos (Cf. Êxodo 16,215).
No tempo da caminhada humana na terra, para muitos é como caminhar no deserto. Falta tudo. É preciso acontecer milagre para sobreviverem e conseguirem ser tratados como pessoas humanas. O desafio é grande. Existem alimentos para todos, bem como o fruto do desenvolvimento econômico, cultural, científico e tecnológico. Como distribuir isso para todos terem acesso ao que lhes cabe de direito por viverem no planeta que Deus criou para cada um? É verdade que Deus faz prodígios em benefício da humanidade, criada à sua imagem e semelhança. Isso significa: Ele criou e cuida de tudo. O ser humano recebeu a incumbência de cuidar deste planeta, com amor e solidariedade. O Criador faz a própria parte, mas não faz o que nos compete, por valorizar-nos. Se fizermos o dever de casa seremos recompensados já na terra e um dia na eternidade. Ao contrário, não teremos parte com Ele. Muitos levam uma vida “folgada” e já recebem aqui sua recompensa. No dia do julgamento veremos o efeito disso!
Deus faz milagres, mas nos dá a incumbência de também o fazemos. Isso acontece com abertura de amor e solidariedade em relação ao semelhante. Na disponibilidade para servirmos a comunidade com os dons recebidos, fazemos de nosso convívio um ambiente de harmonia, compaixão, misericórdia, promoção dos deixados de lado, inclusão social, usando a política para o real serviço ao bem comum, com superação da desonestidade e da trapaça. Teremos mais justiça e mútuo apoio. Afinal estamos no mesmo barco da vida. É preciso torná-lo bom e seguro para todos. O maná da sustentabilidade da vida digna vai acontecendo. Todos terão vida adequada à sua realização humana.
Jesus promete o verdadeiro pão, que dá vida plena. Institui até a Eucaristia. Dá tudo de si para termos a realidade da vida presente como caução da vida futura: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim numa mais terá sede” (João 6,35). Ele não se cansa de admoestar-nos para segui-Lo, fazendo o que Ele fez e nos ensina e praticá-lo. Por isso, se também dermos de nós em bem do próximo nos enchemos da vitalidade do amor dele e teremos uma convivência de mútua doação. Acontece o milagre da multiplicação do maná que alimenta a todos de dignidade e altivez humana!
O apóstolo Paulo admoesta-nos para modificarmos nossa conduta, vivendo como pessoas novas, superando a maldade e convertendo-nos para sermos pessoas que vivem conforme a imagem de Deus, em justiça e santidade (Cf. Efésios 4,22-24). Dessa forma, somos capazes de transformar nosso relacionamento social para sermos pessoas do bem, que produzem meios de sustentabilidade ética e humana para a comunidade. Produz-se, então, o que alimenta a vida de fraternidade.
CNBB 30-07-2015.
*Dom José Alberto Moura é arcebispo de Montes Claros (MG).

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