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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

SÃO ZACARIAS E SANTA ISABEL, 5 DE NOVEMBRO

"Não tenhas medo, Zacarias, porque foi ouvida tua oração; Isabel, tua mulher, vai te dar um filho a quem porás o nome de João. Ficarás alegre e contente e todos se alegrarão com seu nascimento" (Lc 1, 13-14).

A Igreja latina celebra hoje a festa da mãe de São João Batista e une à sua memória a do marido Zacarias. Somente o evangelho de Lucas nos fala destes dois personagens, em poucas notícias, limitadas ao período da dupla anunciação a Zacarias e à Virgem e, do nascimento do precursor de Jesus. Todavia, com poucas palavras, o evangelista sintetiza a santidade deles, seu espírito de oração, a retidão dos seus corações no cumprimento não só externo mas também interior dos preceitos mosaicos: “Ambos eram justos aos olhos de Deus e observavam irrepreensivelmente os mandamentos e as leis do Senhor”(Lc 1,6).

Foram escolhidos por Deus por sua fé inabalável, pureza de coração e o grande amor que dedicavam ao próximo. Isabel, apesar de sua santidade, era estéril, o que era uma vergonha para a mulher hebréia, que era prestigiada somente através da maternidade. Mas foi justamente por causa da sua esterilidade que ela se tornou uma grande personagem feminina na historia religiosa do Povo de Deus. Juntos, foram os protagonistas dos momentos que antecederam o mais incrível advento da historia da humanidade: a encarnação de Deus entre os seres humanos. 

Encontramos a sua história narrada no início do evangelho de são Lucas, onde ele descreveu que havia, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias; a sua mulher pertencia à descendência de Aarão e se chamava Isabel. Eram descendentes da tribo sacerdotal de Levi e contraíram matrimônio dentro da mesma tribo. Eles viviam na aldeia de Ain-Karim e tinham parentesco com a Sagrada Família de Nazaré.

Zacarias e Isabel estavam com idade avançada, e como não tinham filhos, julgavam essa graça impossível de ser alcançada. Foi quando o anjo do Senhor apareceu ao velho sacerdote Zacarias no templo e disse-lhe que sua mulher, Isabel, teria um filho que receberia o nome de João, que significa "o Senhor faz graça". O menino seria repleto do Espírito Santo desde a gestação de sua mãe, reconduziria muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus e seria precursor do Messias.

Como Zacarias, inicialmente, se mantivesse incrédulo ante o anúncio celeste do nascimento de um filho pelo qual havia rezado com tanto ardor
, precisou de um sinal 
para que pudesse crer: ele ficou mudo até o nascimento de João. Na ocasião, sua voz voltou e ele entoou o salmo profético em que, repleto do Espírito Santo, profetizou a missão do filho.
 
 


Enquanto isso, devido à proximidade da maternidade, Isabel recolheu-se por cinco meses, para estar em união com Deus, vivendo dias de silêncio e de oração.  E foi assim que Isabel, grávida de João e inspirada pelo Espírito Santo, anunciou à Virgem Maria, sua prima, quando esta a visitou: "Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre! Donde me vem a honra de vir a mim a Mãe do meu Senhor? Feliz és tu, Maria, porque acreditaste naquilo que te foi dito pelo Senhor!"

A grande obra da salvação começara em surdina, no silêncio e na oração da casa de Maria em Nazaré e naquela de Ain Karim, povoado não bem identificado a cinco milhas de Jerusalém, onde os cônjuges idosos Zacarias e Isabel aguardavam o nascimento do precursor de Jesus. Ali, na casa de Zacarias aconteceu o encontro entre a Virgem Mãe e sua prima Isabel, que “repleta do Espírito Santo” saudou a jovem parenta com as palavras que pelos séculos os cristãos repetem com a oração da ave-maria: “bendita entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre”.

Após o nascimento de João, Zacarias e Isabel recolheram-se à sombra da fama do filho, como convém aos que sabem ser o instrumento do Criador. Com humildade, alegraram-se e satisfizeram-se com a santidade da missão dada ao filho, sendo fiéis a Deus até a morte.

Zacarias e Isabel, os pais de João Batista " o Precursor", Joaquim e Ana, os pais de Nossa Senhora, e os velhos Simeão e Ana, que servindo no Templo, receberam em seus braços o Menino Jesus na apresentação ao Templo, fazem parte dos personagens históricos que, no alvorecer da era cristã, vivendo intensamente os anseios messiânicos se transformaram no elo de união entre o Antigo e o Novo Testamento.

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