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Espírito Santo abre a mente, afirma o papa


Cidade do Vaticano – A Praça São Pedro ficou lotada para a Audiência Geral desta quarta-feira (30), em que a chuva dos últimos dias deu lugar ao sol e a uma temperatura mais amena. Por quase meia-hora, o papa Francisco fez o giro de toda a Praça com o seu papamóvel, para receber e retribuir o carinho dos fiéis entusiasmados. 
Depois do período pascal, o pontífice retomou o ciclo de catequeses sobre os sete dons do Espírito Santo, falando desta vez sobre o entendimento. "Não se trata da inteligência humana, da capacidade intelectual de ser mais ou menos dotados. Mas é um dom que torna o cristão capaz de ultrapassar o aspecto exterior da realidade para perscrutar as profundezas do pensamento de Deus e do seu plano de salvação", explicou Francisco.

Assim, o dom do entendimento está intimamente ligado com a fé, pois nos faz analisar uma situação de acordo com a inteligência de Deus, e não com a inteligência humana. “Quando o Espírito Santo habita no nosso coração e ilumina a nossa inteligência, faz-nos crescer na compreensão daquilo que Jesus disse e realizou”, convidando a multidão a pedir esta graça.

O próprio Jesus prometeu que o Espírito Santo havia de nos recordar os seus ensinamentos e Francisco citou um episódio do Evangelho de Lucas, dos dois discípulos a caminho de Emaús. À medida que iam ouvindo Jesus explicar nas Escrituras que Ele devia sofrer e morrer para depois ressuscitar, a mente deles abriu-se e recendeu-se a esperança nos seus corações.

“É precisamente o que o Espírito Santo nos faz: nos abre a mente, para entender melhor as coisas de Deus, as coisas humanas, as situações, todas as coisas”, disse o Papa, que concluiu: “É importante o dom do entendimento para a nossa vida cristã! Peçamos ao Senhor que nos dê esta graça para entender como Ele compreende as coisas que acontecem a para entender, sobretudo, as palavras de Deus no Evangelho.”

Na saudação aos fiéis presentes na audiência, aos de língua portuguesa disse: “Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, nomeadamente ao Rancho Folclórico de Macieira da Lixa e ao grupo brasileiro de Araraquara. Agradeço a vossa presença e encorajo-vos a continuar a dar o vosso fiel testemunho cristão na sociedade. Deixai-vos guiar pelo Espírito Santo para entenderdes o verdadeiro sentido da história. De bom grado abençoo a vós e aos vossos entes queridos”.
SIR
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MEDITAÇÃO: tendo rejeitado o fermento da antiga malícia, a nova criatura se inebria e se alimenta do próprio Senhor.

Dos Sermões de São Leão Magno, papa

(Sermo 12, De Pasione, 3. 6-7:PL54,355-357)     (Séc.V)

Cristo vivo em sua Igreja  
        Caríssimos filhos, a natureza humana foi assumida tão intimamente pelo Filho de Deus, que o único e mesmo Cristo está não apenas neste homem, primogênito de toda a criatura, mas também em todos os seus santos. Disto não podemos duvidar. E como a Cabeça não pode separar-se dos membros, também os membros não podem separar-se da Cabeça. Se é certo que Deus será tudo em todos não nesta vida mas na eterna, também é verdade que, desde agora, ele habita inseparavelmente no seu templo, que é a Igreja, conforme sua promessa: Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo (Mt 28,20).  
        Por conseguinte, tudo quanto o Filho de Deus fez e ensinou para a reconciliação do mundo, podemos saber não apenas pela história do passado, mas experimentando-o na eficácia do que ele realiza no presente.  
        É ele que, tendo nascido da Virgem Mãe pelo poder do Espírito Santo, por ação do mesmo Espírito, fecunda a sua Igreja imaculada, a fim de gerar pelo nascimento batismal, uma inumerável multidão de filhos de Deus. É deles que se diz: Estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo (Jo 1,13).  
        É nele que foi abençoada a descendência de Abraão por meio da adoção filial de todos os povos do mundo; e o santo patriarca torna-se pai das nações quando, pela fé e não pela carne, lhe nascemos filhos da promessa.  
        É ele que, sem excluir povo algum, reúne em um só rebanho as santas ovelhas de todas as nações que existem debaixo do céu,e todos os dias cumpre o que prometera, ao dizer: Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: também a elas devo conduzir; escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor (Jo 10,16).  
        Embora tenha dito de modo especial a São Pedro: Apascenta as minhas ovelhas (Jo 21,17), é ele o único Senhor que orienta o ministério de todos os pastores. É ele que alimenta os que se aproximam desta pedra, com pastos tão férteis e bem irrigados, que inúmeras ovelhas, fortalecidas pela generosidade do seu amor, não hesitam em morrer pelo Pastor, o Bom Pastor que deu a vida por suas ovelhas.  
        É ele que une à sua Paixão não apenas a gloriosa fortaleza dos mártires, mas também a fé de todos aqueles que renasceram nas águas batismais.  
        É nisso que consiste celebrar dignamente a Páscoa do Senhor com os ázimos da sinceridade e da verdade: tendo rejeitado o fermento da antiga malícia, a nova criatura se inebria e se alimenta do próprio Senhor.  
        A nossa participação no corpo e no sangue de Cristo age de tal modo que nos transformamos naquele que recebemos. Mortos, sepultados e ressuscitados nele, que o tenhamos sempre em nós tanto no espírito quanto no corpo.

Responsório         Jo 10,14; Ez 34,11.13a

R. Eu sou o Bom Pastor, diz Jesus:
* Eu conheço as minhas ovelhas e elas conhecem a mim. Aleluia.
 V. Eu mesmo irei procurar minhas ovelha se irei visitá-las,
eu hei de congregar minhas ovelhas dentre os povos
e irei apascentá-las. * Eu conheço.

Oração

Imploramos, ó Deus, a vossa clemência, ao recordar cada ano o mistério pascal que renova a dignidade humana, e nos traz a esperança da ressurreição: concedei-nos acolher sempre com amor o que celebramos com fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.R. Graças a Deus.
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O 'dia dos quatro papas' unidos pelo Concílio Vaticano II

Por Juan Lara
Cidade do Vaticano - Pela primeira vez na história da Igreja dois papas, um em plenos poderes e outro aposentado, concelebrarão amanhã a missa em que serão proclamados santos outros dois pontífices, um dia que já está sendo chamado na Itália como o "dia dos quatro papas".
Francisco canonizará João XXIII, o "papa bom", e João Paulo II "o grande" diante de mais de um milhão de pessoas em cerimônia na Praça de São Pedro que será assistida por Bento XVI, que há um ano sacudiu os alicerces da Igreja ao renunciar ao pontificado, o que não acontecia desde Celestino V em 1294.

Nunca na história da Igreja tinha acontecido uma situação como a deste 27 de abril, da mesma forma que nunca um pontífice, Bento XVI, tinha beatificado seu antecessor, como fez em 1º de maio de 2011 quando elevou à glória dos altares João Paulo II.
João Paulo será proclamado santo junto com João XXIII, o pontífice com aspecto popular, bonachão, que foi eleito sucessor de Pedro no final de 1958 quando tinha 77 anos e todos pensaram que seria um papa de transição, e que apenas três meses depois de empossado surpreendeu o mundo ao convocar um concílio ecumênico.

Era 25 de janeiro de 1959 e três anos mais tarde, na presença de 2.540 bispos de todo o mundo, o papa bom abriu na Basílica de São Pedro o Concílio Vaticano II, que contou com a participação do jovem teólogo alemão Joseph Ratzinger (depois Bento XVI), como consultor e analista.

"Foi uma experiência única", afirmou Bento XVI há dois anos, quando o concílio completou meio século, quando ainda disse que o Vaticano II continua sendo válido e que os documentos elaborados nesse "grande evento eclesial são uma bússola que permitem à Igreja navegar em mar aberto para chegar à meta".
O Vaticano II, um dos eventos que marcaram o século XX, foi um concílio ecumênico que superou todas as expectativas, já que rompeu com quatro séculos da Igreja tridentina e mudou suas relações com a sociedade e com as outras religiões.
João XXII achava que deveria renovar a Igreja, colocá-la em dia em sua linguagem, ritos e rezas e em suas relações com a sociedade e outras culturas e religiões.
O 21º concílio da história da Igreja se abriu em 11 de outubro de 1962 e durou até 8 de dezembro de 1965. João XXIII não pôde encerrá-lo, pois que morreu em 3 de junho de 1963, doente de câncer, no que foi tocada por seu sucessor, Paulo VI.

Do Vaticano II foram elaborados 16 documentos, entre eles "++Gaudium++ et ++Spes++", com o qual se passava de uma Igreja fechada em si mesma a uma que se sentia parte do mundo, e "++Nostra++ ++Aetate++", com o qual se retiraram as acusações contra os judeus, ao cancelar a acusação histórica de deicídio.
O Vaticano II reformou a liturgia, cuja mudança mais visível foi a adaptação às línguas vernáculas e a decisão de os sacerdotes oficiarem a missa de frente para os fiéis, e deu um maior papel aos laicos.

Após a morte de Paulo VI e o breve pontificado de João Paulo I, foi João Paulo II que ficou responsável por dar continuidade ao processo. Setores da Igreja garantem que durante seus 27 anos de pontificado aconteceu um "interrupção brusca" e inclusive um retrocesso.
Bento XVI afirmou por várias vezes que após o Vaticano II surgiu "uma utopia anárquica entre alguns membros da Igreja convencidos de que seria tudo novo" e que se cometeram vários abusos da liturgia. Daí, assinalou, a necessidade de uma "releitura" de alguns aspectos.
João Paulo II e Bento XVI, no entanto, sempre mantiveram a validade e defenderam o concílio que lançou a Igreja ao terceiro milênio. Francisco é também um defensor do Vaticano II.
O papa argentino não tem dúvidas da santidade de João XXIII, e por isso o proclamou santo sem a confirmação do segundo milagre, como determina a legislação vaticana.
João XXIII foi beatificado em 2000 junto de Pio IX, o polêmico último papa-rei. A beatificação de dois papas de pensamentos totalmente opostos levantou uma forte polêmica. Setores da Igreja denunciaram que estava sendo cometida uma injustiça com João XXIII.
Agora será canonizado junto ao pontífice mais midiático da história da Igreja e de novo alguns setores da Igreja denunciaram que João XXIII ficará "ofuscado" nessa celebração.
EFE/SIR
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Superação da morte é o maior desafio humano

Por Dom José Alberto Moura*
Apesar de um aparente pessimismo de um mundo melhor, devido à realidade de tantos desmandos, injustiças, males e desacertos humanos, como o trafico e exploração de pessoas, políticos e políticas nem sempre acertadoras no benefício à coisa pública, felizmente o bem vence. Ele é potencializado e fundamentado naquele que, da cruz e sepultura, ressurgiu vitorioso. Com ele os pequenos ganham vez. Os pobres são promovidos. A vida tem sentido. A morte é superada. Os sofrimentos são instrumentos de regeneração. O Evangelho se torna fermento e luz. Todos podem enxergar o rumo novo trazido pelo caminho que leva à vida plena. Não à toa Paulo lembra que a liberdade surge com Aquele que nos torna livres: “É para a liberdade que Cristo vos libertou” (Gálatas 5,1).

A Páscoa de Jesus sustenta toda sua missão, razão de seu envio pelo Pai. Afinal, Ele nos prova estar acima até da morte. Fundador de religião nenhum é capaz de vencer a morte e dar condição de alguém extrapolar a condição de ser terreno para a vida com o Divino! A superação da morte é o maior desafio humano. Quanta coisa se faz na vida presente! Quanto dinheiro acumulado e, até mesmo diplomas, projeção pessoal, conforto material, projetos mirabolantes, construções intermináveis, mansões construídas, planos de vida para a terra, pensados na vida eterna aqui! Tudo, porém, é passageiro. A morte, a sepultura e a vida presente estão só presentes na dimensão desta história! Com a ressurreição do Mestre, tudo ganha sentido na terra, se for realizado no caminho Dele, o de amor, doação, justiça, oblatividade, misericórdia, perdão e colaboração com a superação de todo mecanismo de morte e exploração do semelhante, principalmente dos mais deixados de lado no convívio social!
Agora em diante, a morte não é a última palavra e sim a vida. Paulo diz: “Quando Cristo, vossa vida, parecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória” (Atos 10, 4). O mesmo apóstolo afirma que seremos semelhantes a Cristo também pela ressurreição (Cf. romanos 6,5). Desta maneira, nossa vida, quando vivida no seguimento ao Filho de Deus, torna-se plenamente realizadora, na certeza de termos o resultado do sacrifício feito para darmos nossa vida pelo bem do semelhante. É como adquirirmos a caução pelo investimento feito em bem de um tesouro para todo o sempre. Já nesta vida somos agraciados pelo bem estar de realizarmos com entusiasmo e alegria nosso trabalho, sabendo do bem que fazemos e do tesouro acumulado com esse resultado. É o mesmo que vivermos uma Páscoa diuturna, realizando a renúncia pelo bem realizado e tendo a certeza da vitória com o resultado conquistado. Nada é motivo de decepção na dinâmica do amor vivenciado, com o esforço da promoção do bem do próximo e da comunidade.
A Páscoa de Jesus nos seja a base para a realização de um projeto de vida novo, com a novidade da certeza da vitória com Ele! Somos estimulados a ajudar os outros a também viverem essa Páscoa para a alegria de todos!
A12, 19-04-2014.
*Dom José Alberto Moura é arcebispo de Montes Claros (MG).
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Missa de canonização reúne 800 mil no Vaticano

Cidade do Vaticano - A multidão calculada em 800 mil peregrinos que assistiram neste domingo à missa de canonização dos papas João XXIII e João Paulo II prendeu a respiração por um instante e em seguida aplaudiu, entre sorrisos e lágrimas, as palavras que Francisco pronunciou em latim, ao anunciar a decisão de declarar santos os seus dois predecessores. A fórmula era ritual, mas a emoção foi muito grande diante do quadro que se tinha à frente, com a imagem de quatro papas - Francisco ao lado do papa emérito Bento XVI no altar e os dois novos santos projetados em painéis coloridos na sacada da Basílica de São Pedro.

Eram 10h15 (5h15 no horário de Brasília). Uma chuva fina que ameaçava a festa parou de repente e o sol apareceu no céu nublado. Teresina Mariani, da cidade de Seregno, província de Bérgamo, soluçou de alegria. Vizinha de Sotto il Monte, terra natal de João XXIII, ela comemorava mais a canonização de João Paulo II. "Tenho uma foto ao lado dele, de quando recebeu em audiência um grupo de Seregno", contava. A seu lado, Mariangela Asmaghi e seu marido Adélio, da cidade de Mera, na mesma região, rezavam a São João XXIII. "Tenho 57 anos e perdi a visão aos 26", disse ela, confiante na possibilidade de voltar a enxergar por intercessão do papa conterrâneo. "Ou dos dois, porque estou recorrendo também a João Paulo II", emendou.

O grupo de italianos estava perdido entre centenas de poloneses que agitavam bandeiras vermelho e branco, suas cores nacionais, e cartazes com declarações de amor ao papa Wojtyla. Num deles apareciam os dois papas santos, ao lado da imagem de Jesus. "Kamyk, Jezu Ufam Tobie", ou "Pedro, Jesus ama vocês," como traduziu uma mulher do nordeste da Polônia. Mais adiante, uma faixa de uns 10 metros presa a balões amarelo e branco (as cores da Santa Sé) ostentava em latim as palavras Deo Gratias, agradecendo a canonização de João Paulo II. Como ocorreu no dia da beatificação, em maio de 2011, os poloneses se destacavam entre os peregrinos que enchiam a Praça São Pedro, a Praça Pio XII e a Via della Concilliazione, até as margens do Rio Tibre.
Início
A cerimônia começou com o canto da Ladainha de Todos os Santos, às 9h45, no momento em que o papa emérito Bento XVI, de 87 aos, chegou ao altar. O povo aplaudiu. Bento XVI foi cumprimentado pelo presidente da Itália, Giorgio Napolitano, arrancando novos aplausos. Entre as quase 100 delegações oficiais presentes, a Televisão Vaticano destacou o rei Juan Carlos e a rainha Sofia, da Espanha, e o ex-presidente da Polônia, Lech Walessa. O Brasil não entrou na lista de delegações, mas dois brasileiros estavam entre as autoridades: o ministro conselheiro da Embaixada do Brasil na Santa Sé, Sílvio Meneses, e o diretor geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Francisco Graziano da Silva.
A homilia do papa, em italiano, durou dez minutos. Francisco comentou o Evangelho do domingo, cantado pelos diáconos em latim e em grego, sobre o episódio em que Jesus mostra suas chagas aos discípulos, aos quais apareceu após a ressurreição. O papa aplicou o texto aos novos santos. "São João XXIII e São João Paulo II tiveram a coragem de olhar as chagas de Jesus", disse Francisco, acrescentando: "Foram sacerdotes, bispos e papas do século 20. Conheceram todas as suas tragédias, mas não foram vencidos por elas. Deus era mais forte neles, mais forte era a fé em Jesus Cristo, redentor do homem e senhor da história, mais forte neles era a misericórdia de Deus, que se manifesta nessas cinco chagas, mais forte era a presença materna de Maria"
Delegações
Após a missa, Francisco quis cumprimentar todos os membros das delegações e, em seguida, percorreu a Praça de São Pedro no papamóvel, estendendo o giro à Via della Concilliazione. Os pontos de saída ficaram fechados durante uma hora, até o papa se retirar. Os peregrinos estavam cansados, pois já se encontravam na praça desde a madrugada. O acesso foi aberto às 4 horas, mas não era fácil chegar aos pontos eletrônicos de controle. As filas duraram uma hora e meia. Os policiais italianos pareciam nervosos e tratavam as pessoas com rispidez.

Na Praça de São Pedro, a segurança era mais atenciosa. Um agente que pediu para duas jornalistas francesas descerem de uma fonte desativada, perto do obelisco na área central, irritou-se com a recusa delas, mas só disse que ia se fazer respeitar. Cinco minutos depois, dois policiais chegaram e só com um aceno convenceram as mulheres a descer da fonte. Quem pretendia dormir na Praça São Pedro para garantir um bom lugar não conseguiu ficar, porque a segurança não deixou. Padre Clairisson Saraiva, de Belo Horizonte, acampou nas redondezas e foi dos primeiros a entrar. "Eu devo minha vocação a São João XXIII, pois ele foi um exemplo para mim, quando entrei para o seminário e fui ordenado aos 32 anos", disse.

Também um grupo da Comunidade Shalom, que trouxe 500 peregrinos a Roma, foi obrigado a sair da praça. Diego Macedo, de Fortaleza, e Edionê Cristina Santos, de Marajó, acamparam com outros colegas nas proximidades do Vaticano. Ninguém se queixava do desconforto.
SIR/O Estado de S. Paulo
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A primavera da Igreja

Francisco vive desafios semelhantes àqueles que João XXIII, com tanto acerto, enfrentou.
Por Juan José Tamayo*
Poucos dias depois da eleição de Francisco, começaram as comparações do papa argentino com Bento XVI e João XXIII: com o primeiro, destacando as diferenças; com o segundo, as semelhanças, que voltaram a se manifestar por ocasião da canonização de João XXIII e de João Paulo II, no próximo domingo. Tais comparações se referem à cálida e espontânea corrente de comunicação de ambos com o público. O jeito bonachão de João XXIII rompia com o hieratismo de seu antecessor, Pio XII. A simplicidade de Francisco contrasta com o gosto de Bento XVI pelo protocolo.
A semelhança se nota também na idade avançada no momento da eleição pontifícia de ambos: 77 anos, que, não obstante, dissimulam-se pela vitalidade, a criatividade e os gestos cheios de humanidade, pouco compatíveis com os títulos que ostentam: sumo pontífice da Igreja universal, vigário de Cristo, santo padre, sucessor do príncipe dos apóstolos, soberano do Estado da Cidade do Vaticano etc.
A isso é preciso somar sua permanente capacidade de surpreender. No Natal de 1958, João XXIII, recém-eleito papa, visitou o Hospital do Menino Jesus para crianças com poliomielite e a penitenciária de Regina Coeli, junto ao rio Tibre, onde abraçou um detento condenado por assassinato, que antes havia pedido perdão. Reuniu-se com um grupo de deficientes físicos e com outro grupo de crianças de um orfanato. Depois se encontrou com o arcebispo de Canterbury, Geoffrey F. Fissher, e recebeu Rada Khrushchev, filha do então dirigente da URSS, e o marido dela.
Francisco não deixou de surpreender desde que deixou sua Buenos Aires querida e foi eleito papa com gestos significativos: renúncia a morar no Vaticano; afastamento de bispos por levarem uma vida escandalosamente antievangélica; auditoria externa para investigar a corrupção do Banco Vaticano; abertura a rever a norma sobre a exclusão da comunhão eucarística dos católicos que se divorciam e tornam a se casar; viagem a Lampedusa e grito indignado de “Vergonha!” como denúncia por centenas de imigrantes mortos e desaparecidos perante a indiferença da Europa; respeito às diversas identidades sexuais etc.
 Recentemente, ele tornou a nos surpreender ao celebrar o Dia do Amor Fraterno em uma instituição para deficientes de diversos continentes, religiões, culturas e etnias, onde se ajoelhou e lavou os pés de 12 deles. O exemplo não é fútil: fica marcado primeiro na retina, depois na mente, e deve se traduzir em uma prática compassiva e solidária, se não quiser se transformar em rotina.
Mas, no meu entender, as semelhanças entre João XXIII e Francisco vão além de seu aspecto e dos seus gestos. A sintonia se manifesta no seu espírito reformador do cristianismo, com o olhar voltado para o Evangelho da opção pelo mundo da exclusão e para o compromisso pela libertação dos pobres. João XXIII e Francisco concordam sobre a necessidade de construir uma “Igreja dos pobres”. O papa Roncalli foi o primeiro em utilizar essa expressão, numa mensagem radiofônica em 11 de setembro de 1962: “Com relação aos países subdesenvolvidos, a Igreja se apresenta como é e quer ser: a Igreja de todos, e, particularmente, a Igreja dos pobres”. A ideia mal teve eco na Sala Conciliar, mas se fez realidade nas dezenas de milhares de comunidades eclesiais de base que surgiram na América Latina e outros continentes e na Teologia da Liberação, que se tornou um sinônimo de cristianismo libertador.
Francisco expressou o mesmo desejo em uma concorrida entrevista coletiva com jornalistas que haviam acompanhado o conclave, aos quais contou algumas informações de bastidores da sua eleição. Quando ele obteve os dois terços dos votos, o cardeal Claudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, o abraçou, o beijou e lhe disse: “Não se esqueça dos pobres”. Após essa confissão, e num arroubo de sinceridade, disse aos jornalistas: “Como eu gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres!”. Assumia assim publicamente um compromisso que o obrigava transformar esse desejo em realidade. Fará isso?
João XXIII tinha consciência de que a humanidade estava vivendo uma mudança de era e que a Igreja Católica não podia voltar a perder o trem da história, devendo em vez disso caminhar ao ritmo dos tempos. Era necessário pôr em marcha um processo de transformação da Igreja universal que estivesse em sintonia com as transformações que ocorriam na esfera internacional. Francisco está igualmente ciente de viver um tempo novo, o que lhe exige deixar para trás os últimos 40 anos de involução eclesiástica que pesam como uma laje e ativar uma nova primavera na Igreja, em sintonia com as primaveras que o mundo vive hoje: a Primavera Árabe, o movimento dos indignados, os Fóruns Sociais Mundiais etc.. Bergoglio tem com a história um compromisso que não pode eludir: primavera eclesiástica, já! Cumprirá?
*Juan José Tamayo é diretor da Cátedra de Teologia e Ciências das Religiões da Universidade Carlos III, em Madri, e autor de ‘Invitación a la Utopía’ (Trotta, 2102) e ‘Cincuenta Intelectuales Para Una Conciencia Crítica’ (Fragmenta, 2013).
28/04/2014  |  domtotal.com

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Depoimento dos secretários dos novos santos

Cidade do Vaticano – Na série de coletivas de imprensa, nestes dias, no átrio da Sala Paulo VI, no Vaticano, em vista da canonização de João Paulo II e de João XXIII, estiveram presentes, na tarde desta sexta-feira, os secretários de JPII e de João XXIII, respectivamente, o Cardeal Stanislaw Dziwisz e o Cardeal Loris Capovilla. Ao tomar a palavra, o Cardeal Stanislaw Dziwisz, que foi secretário do beato João Paulo II, por 39 anos, disse textualmente: “Vivi com um santo. A sua santidade consistiu na oração, no sofrimento, na escuta aos outros, como também na sua relação privilegiada com os enfermos, pobres e jovens. Mas, sobretudo, na oração. Eis o seu depoimento:
“Ele rezava com a sua vida. Ele não separava a sua vida da oração. A sua vida era uma oração. Tudo o que fazia passava através da oração. Em suas preces, ele se lembrava de todos, passando de continente em continente, de país em país; ele rezava por diversas intenções: pela paz, pela justiça, pelo respeito das pessoas e dos direitos humanos, enfim, na intenção particular das pessoas. Ele rezou e perdoou o próprio autor do seu atentado na praça São Pedro, no dia 13 de maio. Ele ofereceu seu sofrimento pela Igreja e pelo mundo. Em suas viagens apostólicas pelo mundo, sobretudo nos países subdesenvolvidos, ele gritava em defesa dos pobres, dos mais necessitados e sofredores. Ele respeitava e acolhia a todos, sem distinção, até os não-cristãos, os judeus, os muçulmanos. Enfim, abateu os muros, que dividiam povos e nações, abrindo a Igreja ao mundo e aproximando o mundo à Igreja. Desde o início do seu longo pontificado, que durou quase 26 anos, João Paulo II manteve uma relação de amizade especial com os jovens, para os quais instituiu as Jornadas Mundiais da Juventude”.
Por sua vez, o secretário pessoal de João XXIII, Cardeal Loris Capovilla, de quase 99 anos de idade, recordou a imagem do “Papa bom”, como Ângelo Rocalli era chamado pelos fiéis:
“Eu não vi morrer um homem idoso, de 81 anos e meio. Vi morrer uma criança, de olhos esplendentes, com o fulgor das águas batismais; ele mantinha o sorriso nos lábios, reflexo da profunda bondade do seu coração. Eu definiria o Papa João XXIII como “homem do sorriso, da inocência e da bondade”. Na hora da sua morte, em 3 de junho de 1963, eu lhe disse: “Santo Padre, estamos aqui, em seu quarto, apenas poucas pessoas... mas a multidão reunida na Praça São Pedro é enorme, comovida e em oração”. E ele replicou: “É normal que seja assim, pois um papa está para morrer. Eu amo todos e sei que eles me amam”!”
RV
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Papa frisa determinação dos dois novos santos

Cidade do Vaticano – O Papa Francisco evocou hoje no Vaticano a determinação perante as “tragédias” do século XX dos dois novos santos da Igreja Católica, João Paulo II e João XXIII, que canonizou durante uma Missa na Praça de São Pedro. “Foram sacerdotes, bispos e Papas do século XX. Conheceram as suas tragédias, mas não foram vencidos por elas. Mais forte, neles, era Deus; mais forte era a fé em Jesus Cristo, Redentor do homem e Senhor da história; mais forte, neles, era a misericórdia de Deus que se manifesta nestas cinco chagas; mais forte era a proximidade materna de Maria”, disse, na homilia da celebração. Segundo Francisco, os novos santos foram “homens corajosos” que “deram testemunho da bondade de Deus, da sua misericórdia, à Igreja e ao mundo”. A Missa, acompanhada por centenas de milhares de pessoas, foi celebrada no primeiro domingo depois da Páscoa, que João Paulo II quis dedicar à Misericórdia Divina.
O Papa Francisco recordou o Concílio Vaticano II (1962-1965), convocado por João XXIII, e disse que os Papas hoje canonizados “colaboraram com o Espírito Santo para restabelecer e atualizar a Igreja segundo a sua fisionomia original, a fisionomia que lhe deram os santos ao longo dos séculos”. “Na convocação do Concílio, João XXIII demonstrou uma delicada docilidade ao Espírito Santo, deixou-se conduzir e foi para a Igreja um pastor, um guia-guiado. Este foi o seu grande serviço à Igreja. Por isso, gosto de pensar que foi o Papa da docilidade ao Espírito”, defendeu. Quanto a João Paulo II, Francisco falou dele como o “Papa da família”. “Ele mesmo disse uma vez que assim gostaria de ser lembrado: como o Papa da família. Apraz-me sublinhá-lo no momento em que estamos vivendo um caminho sinodal sobre a família e com as famílias, um caminho que ele seguramente acompanha e sustenta do Céu”, afirmou.
O Papa convocou um Sínodo dos Bispos dedicado às questões da família, que vai decorrer em duas assembleias: uma extraordinária, no próximo mês de outubro, e outra ordinária em 2015. “Que estes dois novos santos Pastores do Povo de Deus intercedam pela Igreja para que, durante estes dois anos de caminho sinodal, seja dócil ao Espírito Santo no serviço pastoral à família”, disse Francisco. O Papa destacou, na sua homilia, a importância das “chagas gloriosas de Jesus ressuscitado”, como símbolo de que “Deus é amor, misericórdia, fidelidade”. “A esperança e a alegria pascais, passadas pelo crisol do despojamento, do aniquilamento, da proximidade aos pecadores levada até ao extremo, até à náusea por causa da amargura daquele cálice. Estas são a esperança e a alegria que os dois santos Papas receberam como dom do Senhor ressuscitado”, prosseguiu.
Afirmando que os novos souberam ver Jesus “em cada pessoa atribulada”, Francisco pediu que João XXIII e João Paulo II ensinem cada católico a entrar “no mistério da misericórdia divina que sempre espera, perdoa sempre, porque sempre ama”, sem se “escandalizar” com as “chagas de Cristo”. A canonização é última etapa no reconhecimento como santo na Igreja Católica. A proclamação de São João XXIII (1881-1963) e São João Paulo II (1920-2005) foi acompanhada por uma salva de palmas dos participantes na celebração, entre os quais se destacam os peregrinos polacos. Bento XVI, Papa emérito, concelebrou pela primeira vez com o seu sucessor e a sua chegada também foi assinalada com um aplauso.
SIR
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FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA - 1º domingo depois da Páscoa


Terço da Misericórdia

Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade, do Vosso Diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e do mundo inteiro.

Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.

Jaculatória: Ó Sangue e Água que jorrastes do Coração de Jesus como fonte de misericórdia para nós, eu confio em Vós!
O pedido de Jesus a Santa Faustina é para rezar e mergulhar na sua misericórdia, às três horas da tarde.
Hoje é o Dia da Festa da Misericórdia.
Somos chamados a fazer a vontade do Senhor, experimentar em nossa vida a misericórdia de Deus.

Jesus Misericordioso, eu confio em Vós!

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MEDITAÇÃO: São realmente o corpo e o sangue de Cristo, segundo a afirmativa do Senhor.

Das Catequeses de Jerusalém

(Cat. 22, Mystagogica 4,1.3-6.9: PG 33, 1098-1106)           (Séc.IV)

O pão do céu e a bebida da salvação 
        Na noite em que foi entregue, nosso Senhor Jesus Cristo tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e deu-o a seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei: isto é o meu corpo”. Em seguida, tomando o cálice, deu graças e disse: “Tomai e bebei: isto é o meu sangue” (cf. Mt 26,26-27; 1Cor 11,23-24). Tendo, portanto, pronunciado e dito sobre o pão: Isto é o meu corpo, quem ousará duvidar? E tendo afirmado e dito: Isto é o meu sangue, quem se atreverá ainda a duvidar e dizer que não é o seu sangue? 
        Recebamos, pois, com toda a convicção, o Corpo e o Sangue de Cristo. Porque sob a forma de pão é o corpo que te é dado, e sob a forma de vinho, é o sangue que te é entregue. Assim, ao receberes o corpo e o sangue de Cristo,te transformas com ele num só corpo e num só sangue. Deste modo, tendo assimilado em nossos membros o seu corpo e o seu sangue, tornamo-nos portadores de Cristo; tornamo-nos, como diz São Pedro, participantes da natureza divina (2Pd 1,4).  
        Outrora, falando aos judeus, dizia Cristo: Se não comerdes a minha carne e não beberdes o meu sangue, não tereis a vida em vós (cf. Jo 6,53). Como eles não compreenderam o sentido espiritual do que lhes era dito, afastaram-se escandalizados, julgando estarem sendo induzidos por Jesus a comer carne humana. 
        Na Antiga Aliança havia os pães da propiciação; por pertencerem ao Velho Testamento, já não mais existem. Na Nova Aliança, porém, trata-se de um pão do céu e de um cálice da salvação que santificam a alma e o corpo. Assim como o pão é próprio para a vida do corpo, também o Verbo é próprio para a vida da alma.  
        Por isso, não consideres o pão e o vinho eucarísticos como se fossem elementos simples e vulgares. São realmente o corpo e o sangue de Cristo, segundo a afirmativa do Senhor. Muito embora os sentidos te sugiram outra coisa, tem a firme certeza do que a fé te ensina. 
        Se foste bem instruído pela doutrina da fé, acreditas firmemente que aquilo que parece pão, embora seja como tal sensível ao paladar, não é pão, mas é o corpo de Cristo. E aquilo que parece vinho, muito embora tenha esse sabor, não é vinho, mas é o sangue de Cristo. Antigamente, bem a propósito, já dizia Davi nos salmos: O pão revigora o coração do homem, e o óleo ilumina a sua face (Sl 103,15). Fortifica, pois, teu coração, recebendo esse pão espiritual e faze brilhar a alegria no rosto de tua alma. 
        Com o rosto iluminado por uma consciência pura, contemplando como num espelho a glória do Senhor, possas caminhar de claridade em claridade, em Cristo Jesus, nosso Senhor, a quem sejam dadas honra, poder e glória pelos séculos sem fim. Amém.

Responsório Lc 22,19; Ex 12,26-27a

R. Na última Ceia, tomando um pão,
Jesus o partiu, após ter dado graças,
deu a eles, dizendo:
Isto é o meu Corpo, entregue por vós;
* Fazei isto em memória de mim, aleluia!
V. Ao perguntarem vossos filhos:
Qual é o significado deste rito, respondei-lhes:
É o sacrifício da passagem, da Páscoa do Senhor.
* Fazei isto.

Oração
Ó Deus, que pela riqueza da vossa graça multiplicais os povos que creem em vós, contemplai solícito aqueles que escolhestes e dai aos que renasceram pelo batismo a veste da imortalidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.


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Uma lição na arte sutil da política católica

Reportagem de Tom Heneghan
Quando os papas João 23 e João Paulo 2º forem declarados santos no domingo, a cerimônia do Vaticano será tanto um evento espiritual para o catolicismo romano como uma lição na política sutil da maior igreja do mundo.
A maioria dos 1,2 bilhão de católicos do mundo vai concordar que esses dois homens, cada um a seu modo, eram pastores santos e carismáticos que ajudaram a sua Igreja de 2.000 anos a enfrentar os desafios da era moderna.
Quando se entra em detalhes, porém, as opiniões começam a divergir. Os debates são longos e complexos, mas a noção popular de João como um liberal e João Paulo como um fiel conservador demonstra como eles são vistos.
Desse modo, eles simbolizam dois grupos na Igreja Católica que estão em desacordo há décadas, às vezes com amargura, sobre como interpretar os resultados da reforma do II Concílio do Vaticano de 1962-1965, que foi lançada por João e amplamente implementada por João Paulo.
Ao canonizar ambos, o papa argentino Francisco estará usando o simbolismo da unidade para exortar os católicos a olharem para além destas divisões e se unirem no Evangelho.
"Estes dois papas representam diferentes alas da Igreja", disse Ashley McGuire da Associação Católica, um grupo de leigos com sede em Washington que defende abordagens católicas para questões públicas.
"A unidade é um grande tema do pontificado do papa Francisco. Ele está dizendo que somos todos católicos, estamos juntos em um caminho comum."
Embora os papas simbolizam a unidade da Igreja, cada um deles tem suas próprias prioridades. Algumas são explicitadas em sermões e encíclicas, outras em atos de nomeações de bispos e cardeais ou escolhas de candidatos a declarar como santos.
"Canonizar papas pode causar divisões políticas na Igreja, quando é uma tentativa por parte de uma facção de impor seu modelo de papado no futuro, reforçando o legado de seu papa favorito", disse o reverendo Thomas Reese, um fecundo analista jesuíta norte-americano de assuntos do Vaticano, sobre as canonizações.
"A solução de Francisco é brilhante... já que os dois homens são tão diferentes, não canoniza nenhum deles como modelo de papa. Isso o deixa livre para seguir seu próprio caminho."
O papa João, que nasceu na Itália em 1881 e reinou de 1958 a 1963, é mais lembrado por convocar o Concílio para promover uma modernização da Igreja.
Ele morreu após a primeira das quatro sessões do Concílio e não testemunhou o alcance de suas mudanças - incluindo o fim da missa em latim, o uso da música moderna e os desafios à autoridade do Vaticano -, que agradou os reformistas mas alienou aqueles mais confortáveis com as formas tradicionais.
O polonês João Paulo 2º, papa entre 1978 e 2005, manteve muitas das reformas do Concílio, mas mudou a ênfase para uma Igreja mais centralizada, condenou de forma mais clara os teólogos rebeldes e a liberdade sexual.
Essa posição mais conservadora foi ampliada por seu sucessor alemão Bento 16, papa entre 2005 e 2013, que trouxe de volta um estilo litúrgico mais antigo e readmitiu ultra-tradicionalistas que rejeitam o Concílio e foram excomungados por João Paulo.
Além de debates sobre o Concílio, o escândalo de abuso sexual de crianças por padres paira sobre os dois últimos pontificados, criando mais divergências dentro da Igreja.
Reuters
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O ensino apostólico

Por Dom Jose Alberto Moura*
Vivemos num pluralismo religioso que confunde a muitos, até dentro de um relativismo na prática da fé. Não poucos “botequins” religiosos acontecem e também comunidades de fé robusta. Muitos se deixam levar por estímulos sentimentais que tocam o coração pela emoção, provocadora do sentimento religioso. Se a pessoa não tiver uma razão forte de sua fé pode se desiludir de determinados líderes religiosos. À vezes, estes até abusam da simplicidade e boa fé de pessoas humildes ou mesmo desejosas de resolverem seus problemas pessoais e relacionais.

A fé não é simplesmente a busca de solução de problemas, mas a confiança no Deus que é a finalidade da vida, para a pessoa realizar um projeto de vida de acordo com os ditames dele, custe o que for. A solução de problemas pode ser bom, mas não é tudo. O próprio Jesus fala que não adianta a pessoa ganhar o mundo todo se vier a perder a vida plena. A pessoa pode até ter saúde ótima, muito dinheiro e bem estar presente, mas, se não realizar o projeto de Deus na vida, pode perder a vida eterna feliz com Ele.
A vida presente é muito importante. A saúde deve ser cuidada, o bem estar deve ser buscado, o que material deve ser o necessário para uma vida digna. Mas tudo tem de ser usado com os critérios relativos ao seu objetivo de instrumento de vida e não finalidade, perpassando-se tudo pela ética, pela lei da justiça, da caridade, da solidariedade e do projeto do Criador.
No referente à fortificação da fé, que é um dom de Deus, Jesus deixou sua Igreja, sob a orientação dos apóstolos, com o ensinamento de que eles devem ser ouvidos, tendo a chefia de Pedro (Cf. Mateus 16,18-19) . Até o poder de perdoar pecados Jesus lhes deu (Cf. João 20,23). O não querer aceitar determinados ensinamentos apostólicos limitam a compreensão, a aceitação e a prática da fé. Estamos numa sociedade em que se quer passar por cima de verdades objetivas, preferindo-se o desejo próprio como verdade. O relativismo corrói a base da fé. A Igreja apostólica ensina o original da fé em Cristo com a certeza de seu ensinamento, guiado pelo Espírito Santo. Desta forma, a subjetivização da fé, julgando-se que cada um tem a inspiração divina, é querer cada um ser o técnico e o árbitro do próprio time ao mesmo tempo, sem nenhuma representatividade da instituição divina. É evidente que muitos têm reta intenção em manifestar e praticar a fé conforme recebe orientação de seus líderes. Certamente serão vistos por Deus com sua boa vontade em seguir o que lhes parecer, em consciência, ser o mais válido. Isso, porém, não deixa de levar os que têm condição de avaliar sua fé em relação às verdades apresentadas historicamente pelos apóstolos para uma melhora da qualidade de aceitação da verdade e seguimento da mesma.
Os antigos escritores sagrados da Igreja apresentam uma fonte muito abrangente dos ensinamentos apostólicos. Lendo-os, muitos poderiam fundamentar melhor sua fé e notar a preciosidade da vivência da mesma conforme sua origem em Jesus e a prática da comunidade inicial. Na Igreja temos a Tradição Apostólica,com as verdades ensinadas pelos Apóstolos e assumidas pelas primeiras comunidades cristãs.
CNBB, 24-04-2014.
*Dom Jose Alberto Moura é arcebispo de Montes Claros (MG).
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MEDITAÇÃO: enquanto o corpo é ungido com óleo visível, o homem é santificado pelo espírito que dá a vida.

Das Catequeses de Jerusalém
(Cat. 21, Mystagogica 3,1-3; PG 33,1087-1091) (Séc. IV)
A unção do Espírito Santo
        Batizados em Cristo e revestidos de Cristo, vós vos tomastes semelhantes ao Filho de Deus. Com efeito, Deus que nos predestinou para a adoção de filhos tornou-nos semelhantes ao corpo glorioso de Cristo. Feitos, portanto, participantes do corpo de Cristo, com toda razão sois chamados "cristãos", isto é, ungidos; pois foi de vós que Deus disse: Não toqueis nos meus ungidos (Sl 104,15).
        Tomastes-vos "cristãos" no momento em que recebestes o selo do Espírito Santo; e tudo isto foi realizado sobre vós em imagem, uma vez que sois imagem de Cristo. Na verdade, quando ele foi batizado no rio Jordão e saiu das águas, nas quais deixara a fragrância de sua divindade, realizou-se então a descida do Espírito Santo em pessoa, repousando sobre ele como o igual sobre o igual.
        O mesmo aconteceu convosco: depois que subistes da fonte sagrada, o óleo do crisma vos foi administrado, imagem real daquele com o qual Cristo foi ungido, e que é, sem dúvida, o Espírito Santo. Isaías, contemplando profeticamente este Espírito, disse em nome do Senhor: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a boa-nova aos humildes (Is 61,1).
        Cristo jamais foi ungido por homem, seja com óleo ou com outro unguento material. Mas o Pai, ao predestiná-lo como Salvador do mundo inteiro, o ungiu com o Espírito Santo. É o que nos diz Pedro:Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo (At 10,38). E o profeta Davi cantava:Vosso trono, ó Deus, é eterno, sem fim; vosso cetro real é sinal de justiça: vós amais a justiça e odiais a maldade. É por isso que Deus vos ungiu com seu óleo, deu-vos mais alegria que aos vossos amigos (Sl 44,7-8).
        Cristo foi ungido com o óleo espiritual da alegria, isto é, com o Espírito Santo, chamado óleo de alegria, precisamente por ser o autor da alegria espiritual. Vós, porém, fostes ungidos com o óleo do crisma, tornando-vos participantes da natureza de Cristo e chamados a conviver com ele.
        Quanto ao mais, não julgueis que este crisma é um óleo simples e comum. Depois da invocação já não é um óleo simples e comum, mas um dom de Cristo e do Espírito Santo, tornando-se eficaz pela presença da divindade. Simbolicamente unge-se com ele a fronte e os outros membros. E enquanto o corpo é ungido com óleo visível, o homem é santificado pelo espírito que dá a vida. 
 
Responsório Ef 1,13b-14; 2Cor 1,21b-22

R. Quando abraçastes vossa fé, fostes marcados
com o sinal do Espírito Santo prometido,
o qual é o penhor da nossa herança,
* Para salvar o povo que ele conquistou,
em louvor da sua glória, aleluia.
V. Deus nos ungiu e nos marcou com o seu selo
e deu aos nossos corações o seu Espírito,
como penhor da vida eterna, aleluia.
 * Para salvar.
Oração
Deus eterno e todo-poderoso, que no Sacramento pascal restaurastes vossa aliança, reconciliando convosco a humanidade, concedei-nos realizar em nossa vida o mistério que celebramos na fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.R. Graças a Deus.
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Páscoa: compromisso com a verdade

Mensagem do Coordenador Nacional  aos agentes da Pastoral Carcerária e aos detentos
São Paulo, 21 abr (SIR) – A Pastoral Carcerária Nacional divulgou este domingo sua mensagem por ocasião da Páscoa. Assinada pelo Coordenador Nacional, Padre Valdir João Silveira, a mensagem se dirige aos agentes da Pastoral Carcerária e aos detentos para, juntos, ”tirar as pedras sobre os túmulos que impedem a libertação, a ressurreição de nossas vidas, para com Cristo e em Cristo surgirmos com o Sol de um novo dia, a Páscoa”.

Eis a íntegra da mensagem:

A festa da Páscoa Cristã nos remete ao tempo de Moisés, há mais de 4 mil anos. Moisés foi escolhido por Deus para libertar o povo hebreu da escravidão no Egito, Para ajudá-lo nesta difícil tarefa: libertar e ajudar os judeus a retornarem à terra natal, Canaã. O fato se tornou um marco para o povo israelense e, a partir desse dia, passou a fazer parte de seu calendário religioso. A Pessach (passagem) celebra a libertação, uma cerimônia que enaltece o conceito da liberdade humana e o respeito entre os povos.

Segundo a bíblia, o próprio Jesus Cristo participou de várias celebrações pascais. Quando tinha 12 anos, foi levado pela primeira vez pelos seus pais, José e Maria, para comemorar a Páscoa, tendo participado sempre nos anos seguintes. A mais famosa participação relatada na bíblia foi a “Última Ceia”, quando Jesus participou da comunhão do corpo e do sangue, simbolizados pelo pão e pelo vinho.

Para os cristãos, a Páscoa é também passagem. Tem como figura central Jesus de Nazaré. Ela celebra a passagem de sua morte para a vida, de sua paixão para a ressurreição, do velho Adão para novo Adão, desse cansado mundo para o novo mundo em Deus, de um mundo injusto de sofrimento para uma sociedade fraterna e solidaria.

Celebrar a Páscoa é reafirmar a nossa fé na ressurreição de Cristo e na própria ressurreição e de todos os nossos projetos de justiça.

A Páscoa é a certeza de que a Vida vence a Morte. A Ressurreição de Jesus Cristo desmascara todos os mecanismos de violência e injustiça da ação humana e revela a face de um Deus que não se detém ante o pecado humano, mas usa de misericórdia, da restauração ao convidá-lo à conversão ao Evangelho da vida plena. A Páscoa nos diz que Cristo sofreu nossas dores, para que ninguém mais precisasse ser condenado, preso e sucumbir diante da tortura, da dor e do sofrimento.

A Páscoa nos convida a ser como Jesus e contribuir com Ele no propósito de salvar o mundo e promover a vida para todas as pessoas. A Páscoa nos alerta para o compromisso com a verdade, a justiça e a misericórdia. Contrariando muitas pessoas que se sentem incomodadas com a justiça do Evangelho, a Justiça que restaura relações com o irmão, com Deus e com a esperança. A Páscoa nos exorta a nos preparar para assumir os riscos do anúncio das Boas-Novas e das denúncias das injustiças, e tomar a nossa cruz, na confiança da presença de Deus sempre conosco. Por mais árdua que sejam as lutas diárias, há certeza de que venceremos com Cristo.

Minha irmã, meu irmão agente de Pastoral Carcerária, minha irmã e meu irmão preso: juntos, vamos tirar as pedras sobre os túmulos, que impedem a libertação, a ressurreição de nossas vidas, para com Cristo e em Cristo surgirmos com o Sol de um novo dia, a Páscoa.

Padre Valdir João Silveira
Coordenador Nacional da Pastoral Carcerária
SIR
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Bento XVI lembra João Paulo II como 'santo'

Cidade do Vaticano – O papa emérito Bento XVI concedeu a sua primeira entrevista após ter renunciado ao pontificado, em fevereiro de 2013, para recordar o seu predecessor, João Paulo II que vai ser canonizado no domingo. Bento XVI recorda ter dito ao papa polonês que tinha de “descansar”, ao que este lhe respondia que o podia fazer “no céu”, para sublinhar a necessidade de entender a vida de Karol Wojtyla (1920-2005) “a partir da sua relação com Deus”. "Tornou-se para mim cada vez mais claro que João Paulo II era um santo", revelou o papa emérito.
Foi Bento XVI o responsável pela beatificação de seu predecessor, a 1 de maio de 2011, após ter dispensado o período canônico de cinco anos de espera após a morte para iniciar o processo de canonização.

A entrevista foi publicada num livro intitulado "Ao lado de João Paulo II" (Edições Ares), por ocasião da cerimônia de canonização, marcada para o Vaticano. “Só a partir da sua relação com Deus é possível perceber o seu incansável empenho pastoral. Deu-se com uma radicalidade que não pode ser explicada de outra forma”, referiu-se o papa emérito.

Bento XVI, enquanto cardeal, foi um dos mais diretos colaboradores do papa polonês, ao longo de mais de duas décadas, enquanto prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, acabando por ser eleito como seu sucessor, em abril de 2005. “Percebi de imediato o fascínio humano que dele emanava e como rezava, compreendi como estava profundamente a Deus”, recordou o papa emérito.

Joseph Ratzinger diz que a colaboração com João Paulo II foi sempre marcada pela “amizade e afeto”, lembrando os desafios levantados pela ‘Teologia da Libertação’, na América Latina, por exemplo. “A fé cristã era usada como motor para este movimento revolucionário, transformando-a assim numa força de tipo político”, precisou.

Bento XVI destaca ainda os desafios levantados pela necessidade de promover uma “correta compreensão” do ecumenismo, do diálogo inter-religioso e da relação entre Igreja e Ciência. Na última parte da entrevista, o papa emérito coloca em relevo a sua relação de proximidade com o futuro santo. “Muitas vezes teria tido motivos suficientes para culpar-me ou pôr fim à minha missão de prefeito, mas apoiou-me sempre com uma fidelidade e uma bondade inexplicáveis”, lembrou.

Bento XVI destaca, a este respeito, a declaração "Dominus Jesus", sobre a unicidade e a universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja, que provocou um “turbilhão de reações” e mereceu uma defesa “incondicional” de João Paulo II.

O papa emérito destaca que nunca teve intenção de “imitar” o seu predecessor, mas diz que procurou “levar por diante a sua missão e a sua herança”. “Estou certo de que ainda hoje a sua bondade me acompanha e a sua bênção me protege”, concluiu.
SIR
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No caminho, nosso coração ardia

A ressurreição é a grande verdade que deve mexer com a nossa vida.
Por Geovane Saraiva*
Somos convidados, neste tempo da Páscoa, a reconhecer e seguir o Senhor ressuscitado, desejosos de um convívio fraterno e de partilha solidária. Ele quer ser presença e caminhar com a humanidade, para revelar o sentido misterioso de sua vida, morte e ressurreição, de modo especial, quer está ao lado dos que passam por situações exigentes e difíceis, dos que estão sem rumo e necessitados. Numa comparação com os discípulos de Emaús, muitas vezes ficamos desiludidos e perplexos, tristes e desanimados, como se a vida não tivesse mais sentido. Mas Cristo, um anônimo e estranho viajante tornou-se companheiro de caminhada. A presença de Jesus causou no coração deles algo diferente, tão forte, a ponto de provocar-lhes uma mudança radical de vida.

A ressurreição é a grande verdade que deve mexer com a nossa vida, assim como sucedeu com as comunidades, no início do cristianismo. É uma mística a invadir toda nossa existência, ao mesmo tempo em que se renova a nossa esperança, trazendo-nos um novo sentido, certos de que, pela graça do ressuscitado, experimentamos a certeza da plenitude em Deus, dom maior da vida humana. O Evangelho dos discípulos de Emaús tem a sua parte central na explicação das Escrituras e no anúncio da ressurreição, pelo próprio Jesus ressuscitado, tornando-se nosso irmão, amigo e companheiro de caminhada, ao revelar o projeto salvífico do nosso Deus e Pai.

Ele, ao ficar conosco, é aquele que comunica e partilha a vida. É aquele que constantemente está do nosso lado, nas alegrias, tristezas e desafios da vida, amando cada pessoa com amor eterno, na sua missão libertadora e redentora. Jesus desceu do céu e veio morar entre nós desejando revelar a vontade do Pai, estabelecendo-se no meio da humanidade. Ele não quer só conversar conosco, mas demonstrar toda a força de seu amor infinito, oferecendo-nos sua amizade e dando-nos sua vida pela nossa realização plena: a salvação.

Eles sentiram a necessidade de retornar para junto dos outros e contar a maravilhosa novidade: O Senhor está vivo! Nós o vimos! Ele nos falou das Escrituras e comeu o pão conosco. Nosso coração ardia pelo caminho (cf. Lc 24,13-35). O coração deles ardia, consumia-se em chamas e inflamava-se de amor, porque ele é eterno e nele está o sentido da vida, causando-lhes profundas motivações. Jesus ressuscitado, o qual os discípulos reconheceram ao partir o pão, quer ficar conosco, abrir nossos olhos e ficar no nosso meio e caminhar com o seu povo.

Emaús hoje é a nossa comunidade, é o nosso dia a dia. Embora, muitas vezes não reconheçamos Jesus nos caminhos da nossa vida e não acreditamos que ele está ao nosso lado, também não acreditamos que ele ressuscitou de verdade. Mas é indispensável um profundo desejo de encontrá-lo, num contexto de desânimo, semelhante ao percurso dos mesmos discípulos. Falar com o Senhor ressuscitado, ouvir falar do Senhor ressuscitado é maravilhoso! Ele quer ser consolo para nossas vidas, força nas nossas dificuldades, luz a iluminar nossos caminhos e, sobretudo, abrir nossos olhos e fazer arder nossos corações. Quando será que o nosso coração irá arder em profundidade com a sua presença?

Que a experiência da Páscoa arda em nossos corações, ao reconhecermos que, verdadeiramente o Senhor ressuscitou! O Papa Francisco disse neste Sábado Santo de 2014: “Cada um de nós também tem uma Galileia, o lugar da redescoberta do nosso batismo, a fonte viva, de onde encontramos a energia, a raiz da nossa fé e da nossa experiência cristã. Galileia significa retorno à Graça de Deus, que nos toca no início do caminho da nossa vida cristã: a experiência do encontro pessoal com Jesus, que nos chama a segui-lo e a participar da sua missão”. O caminho de Emaús, na nossa visão é o mesmo. Que seja ardente o desejo do encontro com o Senhor ressuscitado, não nos cansando de dizer: Fica conosco, Senhor!
* Geovane Saraiva é padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso. É autor dos livros “O peregrino da Paz”, “Nascido Para as Coisas Maiores”, “A Ternura de um Pastor”, “A Esperança Tem Nome”, "Dom Helder: sonhos e utopias" e "25 Anos sobre Águas Sagradas”.
24/04/2014  |  domtotal.com
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MEDITAÇÃO: todos nós, batizados em Jesus Cristo, é na sua morte que fomos batizados

Das Catequeses de Jerusalém
(Cat. 20, Mystagogica 2, 4-6: PG 33,1079-1082)     (Séc.IV)

O Batismo, sinal da paixão de Cristo 
        Fostes conduzidos à santa fonte do divino Batismo, como Cristo, descido da cruz, foi colocado diante do sepulcro. 
        A cada um de vós foi perguntado se acreditava no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Vós professastes a fé da salvação e fostes por três vezes mergulhados na água e por três vezes dela saístes; deste modo, significastes, em imagem e símbolo, os três dias da sepultura de Cristo. 
        Assim como nosso Senhor passou três dias e três noites no seio da terra, também vós, na primeira emersão, imitastes o primeiro dia em que Cristo esteve debaixo da terra; e na imersão, a primeira noite. De fato, como aquele que vive nas trevas não enxerga nada, pelo contrário, aquele que anda de dia está envolvido em plena luz. Assim também vós, na imersão, como que mergulhados na noite, nada vistes; mas na emersão, fostes como que restituídos ao dia. Num mesmo instante, morrestes e nascestes, e aquela água de salvação tornou-se para vós, ao mesmo tempo, sepulcro e mãe. 
        Apesar de situar-se em outro contexto, a vós se aplica perfeitamente o que disse Salomão: Há um tempo para nascer e um tempo para morrer (Ecl 3,2). Convosco sucedeu o contrário: houve um tempo para morrer e um tempo para nascer. Num mesmo instante realizaram-se ambas as coisas e, com a vossa morte, coincidiu o vosso nascimento.  
        Ó fato novo e inaudito! Na realidade, não morremos nem fomos sepultados nem crucificados nem ainda ressuscitamos. No entanto, a imitação desses atos foi expressa através de uma imagem e daí brotou realmente a nossa salvação. 
        Cristo foi verdadeiramente crucificado, verdadeiramente sepultado e ressuscitou verdadeiramente. Tudo isto foi para nós um dom da graça, a fim de que, participando da sua paixão através do mistério sacramental, obtenhamos na realidade a salvação. 
        Ó maravilha de amor pelos homens! Em seus pés e mãos inocentes, Cristo recebeu os cravos e suportou a dor; e eu, sem dor nem esforço, mas apenas pela comunhão em suas dores, recebo gratuitamente a salvação. 
        Ninguém, portanto, julgue que o batismo consista apenas na remissão dos pecados e na graça da adoção filial. Assim era o batismo de João que concedia tão-somente o perdão dos pecados. Pelo contrário, sabemos perfeitamente que o nosso batismo não só apaga os pecados e confere o dom do Espírito Santo, mas é também o exemplar e a expressão dos sofrimentos de Cristo. É por isso mesmo que Paulo exclama: Será que ignorais que todos nós, batizados em Jesus Cristo, é na sua morte que fomos batizados? Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele (Rm 6,3-4).

Responsório     Cf. Ap 7,9

R. São estes os novos cordeiros
que deram o seu testemunho.
Saíram há pouco das águas,
* Resplendentes de luz, aleluia.
V. Estão eles, perante o Cordeiro,
vestidos de cândidas vestes,
com palmas de glória na mão. * Resplendentes.
Oração 

Ó Deus, que reunistes povos tão diversos no louvor do vosso nome, concedei aos que renasceram nas águas do batismo ter no coração a mesma fé e na vida a mesma caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.R. Graças a Deus.
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São Francisco da Penitência OFS Cabo Frio | by TNB ©2010