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Fomos escolhidos para estender a mão


                          "Regresso do filho a casa é o que acima de tudo anseia o Pai.”

               'Também o pecado tem este efeito: nos empobrece e nos isola', diz Papa.
O Papa Francisco presidiu na tarde desta sexta-feira (4), na Basílica de São Pedro, a celebração penitencial na qual abriu a inciativa “24 horas para o Senhor” que partiu de Roma e ganhou alcance mundial. O encontro nasceu com o intenção de recolocar no centro a importância da oração, da adoração eucarística e o do dom do sacramento da Reconciliação, e oferecer a todos a possibilidade de fazer experiência pessoal da misericórdia de Deus.

“Eu quero ver de novo: este é o pedido que queremos fazer hoje ao Senhor. Ver de novo, depois de os nossos pecados nos terem feito perder de vista o bem e desviar da beleza da nossa vocação, levando-nos para longe da meta”, disse Francisco na homilia.
Segundo o pontífice, “este trecho do Evangelho possui um grande valor simbólico e existencial, porque cada um de nós se encontra na situação de Bartimeu. A sua cegueira o levou à pobreza e a viver na periferia da cidade, dependendo em tudo dos outros”.
“Também o pecado tem este efeito: nos empobrece e nos isola. É uma cegueira do espírito que impede de ver o essencial, fixar o olhar no amor que dá a vida; e, aos poucos, leva a deter-se no que é superficial até deixar insensíveis aos outros e ao bem. Quantas tentações têm a força de anuviar a vista do coração e torná-lo míope! Como é fácil e errado crer que a vida dependa do que se possui, do sucesso ou do aplauso que se recebe; que a economia seja feita apenas de lucro e consumo; que as pretensões próprias devam prevalecer sobre a responsabilidade social! Olhando apenas para o nosso eu, tornamo-nos cegos, amortecidos e fechados em nós mesmos, sem alegria nem verdadeira liberdade.”
Porém, Jesus passa; passa e não vai além, parou, como diz o Evangelho. “Então um frêmito atravessa o coração, porque nos damos conta de ser contemplados pela Luz, por aquela Luz gentil que nos convida a não ficar fechados em nossas cegueiras tenebrosas. A presença de Jesus perto de nós faz sentir que, longe d’Ele, falta-nos qualquer coisa importante: faz-nos sentir necessitados de salvação; e isto é o princípio da cura do coração. Depois, quando o desejo de ser curado ganha audácia, leva a rezar, a gritar, com força e insistência, por ajuda, como faz Bartimeu: «Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!»” 
“Infelizmente, há sempre alguém que não quer parar, não quer ser incomodado por quem grita a sua aflição, preferindo mandar calar e repreender o pobre que chateia. É a tentação de prosseguir como se nada tivesse acontecido; mas, assim, nos afastamos do Senhor e deixamos afastados de Jesus também os outros. Reconheçamos todos que somos mendigos do amor de Deus, e não deixemos escapar o Senhor que passa. «Timeo transeuntem Dominum – temo que o Senhor passe» (Santo Agostinho). Demos voz ao nosso desejo mais verdadeiro: «[Jesus], que eu veja de novo!» “
“Este Jubileu da Misericórdia é tempo favorável para acolher a presença de Deus, experimentar o seu amor e voltar a Ele de todo o coração. Como Bartimeu, joguemos fora o manto e ponhamo-nos de pé, ou seja, joguemos fora aquilo que nos impede de caminhar rapidamente para Ele, sem medo de deixar aquilo que nos dá segurança e a que estamos presos; não fiquemos sentados, ergamo-nos, recuperemos a nossa estatura espiritual, a dignidade de filhos amados que estão diante do Senhor para que Ele nos fixe nos olhos, nos perdoe e recrie.”
Segundo o Papa, “hoje mais do que nunca, sobretudo nós, pastores, somos chamados também a escutar o grito, talvez abafado, de quantos desejam encontrar o Senhor. Somos obrigados a rever comportamentos que, às vezes, não ajudam os outros a aproximar-se de Jesus; horários e programas que não atendem às reais necessidades daqueles que poderiam aproximar-se do confessionário; regras humanas, quando valem mais do que o desejo de perdão; nossa rigidez que poderia manter longe da ternura de Deus.”
“Certamente não devemos diminuir as exigências do Evangelho, mas não podemos correr o risco de frustrar o desejo que tem o pecador de reconciliar-se com o Pai, porque o regresso do filho a casa é o que acima de tudo anseia o Pai.”
“Que as nossas palavras sejam as dos discípulos que, repetindo as próprias expressões de Jesus, dizem a Bartimeu: «Coragem, levante-se, porque Jesus está chamando você». Somos enviados para dar coragem, amparar e levar a Jesus. O nosso ministério é o ministério do acompanhamento, de modo que o encontro com o Senhor seja pessoal, íntimo, e o coração possa, com sinceridade e sem medo, abrir-se ao Salvador. Não esqueçamos jamais: o único que age em cada pessoa é Deus. No Evangelho, é Ele que para e pergunta pelo cego; é Ele que diz para trazê-lo; é Ele que o escuta e cura. Fomos escolhidos para suscitar o desejo da conversão, ser instrumentos que facilitam o encontro, estender a mão e absolver, tornando visível e operante a sua misericórdia.”
Francisco disse que a conclusão desse episódio do Evangelho “é densa de significado: Bartimeu «logo recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho». Também nós, quando nos aproximamos de Jesus, vemos de novo a luz para olhar o futuro com confiança, encontramos a força e a coragem para nos pormos a caminho. Com efeito, «quem acredita, vê» e vai adiante com esperança, porque sabe que o Senhor está presente, ampara e guia. Sigamo-Lo, como discípulos fieis, para tornar participantes da alegria do seu amor misericordioso aqueles que encontrarmos em nosso caminho”. (MJ)
Rádio Vaticano
05/03/2016  |  domtotal.com
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Misericórdia e amor

Quando a misericórdia invade nosso coração, podemos perceber a presença e o amor de Deus.
Por Dom José Gislon*
Estimados Diocesanos! O tempo da Quaresma nos convida a refletirmos sobre a nossa vida de comunhão com o Senhor. Recordamos do amor de Deus Pai, manifestado por cada um de nós, na paixão de seu Filho Jesus. Mas esse amor tem algo de diferente, não se extingue no tempo e na história, não cai no vazio e na indiferença, não faz promessas que caem no esquecimento. Esse amor que está ao alcance do coração humano é divino, pois através dele podemos perceber a presença de Deus agindo no mundo, nos reconciliando com a sua misericórdia.
Quando deixamos a misericórdia invadir o nosso coração, podemos perceber a presença e o amor de Deus na nossa vida. É o momento em que a graça de Deus nos ajuda a olhar o caminho percorrido e nos faz perceber que talvez tenhamos vivido longe do Criador e da sua casa. Podemos ter perdido o sentido da vida, a dignidade de ser humano e, às vezes, até a coragem de recomeçar, porque não sabemos mais quem somos.
Lembro que foi na mais profunda desolação, depois de ter dissipado toda a herança que recebera, que o filho pródigo recordou-se do Pai, do aconchego da sua casa. Porém, precisou primeiro olhar para dentro de si mesmo, tomar consciência da sua situação de abandono, para depois criar coragem e iniciar o caminho que o conduziria novamente à casa do Pai. Ao ver de longe o filho chegando o Pai vai ao seu encontro, o acolhe na sua misericórdia com um abraço de ternura, alegre pelo seu retorno. Não pediu quanto restava da herança ou no que tinha sido gasta. O Pai estava feliz porque o filho tinha voltado. Ao retornar para a casa do Pai, o filho pródigo recuperou sua dignidade, percebeu que o Pai sempre estivera à sua espera, amando-o como filho.
Santo Ambrósio, num de seus escritos, lembra que “não são os laços de sangue que nos tornam próximos uns dos outros, mas a misericórdia”. Dos laços de misericórdia, que unem os homens em vínculos novos, nascem as obras de misericórdia, aquelas obras que produzem a justiça. Um homem rico de misericórdia, quando não tem nada para doar a um pobre, lhe doa o seu amor, tornando-se próximo daquele que vive na miséria. Deus Pai nos ama como filhos e filhas e nos espera na sua casa com o abraço da misericórdia.
CNBB 24-02-2016.
*Dom José Gislon: Bispo de Erexim.
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Quaresma: convite a mudar o coração


"Deus não manda desgraças para nos castigar; Ele nos convida a mudar o coração".
Quaresma, tempo especial da revelação da bondade e da ternura misericordiosa de um Deus paciente, que, de acordo com o Livro Sagrado na parábola da figueira estéril, acolhe a proposta do agricultor, ao oferecer-lhe mais um pouco de tempo, dizendo-nos que tem paciência para conosco, mas que está ao nosso lado, querendo ver a nossa utilidade e os bons frutos (cf. Lc 13, 6-9).
O Papa Francisco, na Praça de São Pedro, no horário do meio-dia (28/02/2016), diante de milhares de fiéis, asseverou: "Deus não manda desgraças para nos castigar; Ele nos convida a mudar o coração, a dar uma guinada no caminho de nossas vidas, a deixar de lado os compromissos com o mal e as hipocrisias e a percorrer com decisão o caminho do Evangelho. Nunca é tarde demais para se converter. É urgente, é hora!". Deus nos dê a graça de mais e melhor compreendermos o insondável mistério do qual somos chamados a participar, inspirados no Sumo Pontífice, sem jamais nos esquecermos de nos colocar solidários ao pé da Cruz, identificados com Maria, mãe solícita e generosa servidora.
Nossa tarefa é a de perceber o quanto é urgente a conversão do coração, dentro do contexto dos três anos da eleição do Papa Francisco; como ele tem sido exaustivo nos exemplos e atitudes, indicando que nós cristãos – discípulos do Senhor – somos convidados a assumir também uma postura de humildade, no serviço e no despojamento, colocando-nos ao lado do povo aflito, frágil e sofredor: os pobres, os doentes, os fracos, os presos. Também os que sobram e são excluídos e mesmo nem visto são, em uma sociedade hedonista e consumista que se diz cristã. A humanidade precisa ter clareza e colocar bem diante dos olhos e no coração a lei de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Nova Lei: "Que vos ameis uns aos outros como eu vos amei" (cf. Jo 13, 34).
Contamos com a enorme empreitada, dentro da proposta salvífica do Filho de Deus, na clareza da doação generosa, a partir do mistério da cruz do Filho de Deus. Ela é imprescindível e decisiva para a realização da humanidade, mesmo consciente da resistência de não aceitação e mesmo não se admitir a cruz como redentora e libertadora. Que o grande sonho de Deus Pai, a nós ofertado no Evangelho de Jesus, seja aquele de sempre mais termos diante dos olhos, na mente e no coração, a possibilidade de realização da criatura humana, já aqui neste mundo e no mundo futuro, a esperança de vermos novas todas as coisas. Assim seja!
*Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal, integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com
03/03/2016  |  domtotal.com

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TEXTO COMPLETO: Mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais

VATICANO, 22 Jan. 16 / 09:31 am (ACI).- Nesta manhã foi apresentada, no Vaticano, a mensagem do Papa Francisco para o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais, sob o tema “Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo”.
A seguir, o texto na íntegra:
Queridos irmãos e irmãs!
O Ano Santo da Misericórdia convida-nos a refletir sobre a relação entre a comunicação e a misericórdia. Com efeito a Igreja unida a Cristo, encarnação viva de Deus Misericordioso, é chamada a viver a misericórdia como traço característico de todo o seu ser e agir. Aquilo que dizemos e o modo como o dizemos, cada palavra e cada gesto deveria poder expressar a compaixão, a ternura e o perdão de Deus para todos. O amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se, não se isolando. E, se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pela caridade, pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de Deus.
Como filhos de Deus, somos chamados a comunicar com todos, sem exclusão. Particularmente próprio da linguagem e das ações da Igreja é transmitir misericórdia, para tocar o coração das pessoas e sustentá-las no caminho rumo à plenitude daquela vida que Jesus Cristo, enviado pelo Pai, veio trazer a todos. Trata-se de acolher em nós mesmos e irradiar ao nosso redor o calor materno da Igreja, para que Jesus seja conhecido e amado; aquele calor que dá substância às palavras da fé e acende, na pregação e no testemunho, a «centelha» que os vivifica.
A comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a sociedade. Como é bom ver pessoas esforçando-se por escolher cuidadosamente palavras e gestos para superar as incompreensões, curar a memória ferida e construir paz e harmonia. As palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, os povos. E isto acontece tanto no ambiente físico como no digital. Assim, palavras e ações hão-de ser tais que nos ajudem a sair dos círculos viciosos de condenações e vinganças que mantêm prisioneiros os indivíduos e as nações, expressando-se através de mensagens de ódio. Ao contrário, a palavra do cristão visa fazer crescer a comunhão e, mesmo quando deve com firmeza condenar o mal, procura não romper jamais o relacionamento e a comunicação.
Por isso, queria convidar todas as pessoas de boa vontade a redescobrirem o poder que a misericórdia tem de curar as relações dilaceradas e restaurar a paz e a harmonia entre as famílias e nas comunidades. Todos nós sabemos como velhas feridas e prolongados ressentimentos podem aprisionar as pessoas, impedindo-as de comunicar e reconciliar-se. E isto aplica-se também às relações entre os povos. Em todos estes casos, a misericórdia é capaz de implementar um novo modo de falar e dialogar, como se exprimiu muito eloquentemente Shakespeare: «A misericórdia não é uma obrigação. Desce do céu como o refrigério da chuva sobre a terra. É uma dupla bênção: abençoa quem a dá e quem a recebe» (O mercador de Veneza, Ato IV, Cena I).
É desejável que também a linguagem da política e da diplomacia se deixe inspirar pela misericórdia, que nunca dá nada por perdido. Faço apelo sobretudo àqueles que têm responsabilidades institucionais, políticas e de formação da opinião pública, para que estejam sempre vigilantes sobre o modo como se exprimem a respeito de quem pensa ou age de forma diferente e ainda de quem possa ter errado. É fácil ceder à tentação de explorar tais situações e, assim, alimentar as chamas da desconfiança, do medo, do ódio. Pelo contrário, é preciso coragem para orientar as pessoas em direção a processos de reconciliação, mas é precisamente tal audácia positiva e criativa que oferece verdadeiras soluções para conflitos antigos e a oportunidade de realizar uma paz duradoura. «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. (...) Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 7.9).
Como gostaria que o nosso modo de comunicar e também o nosso serviço de pastores na Igreja nunca expressassem o orgulho soberbo do triunfo sobre um inimigo, nem humilhassem aqueles que a mentalidade do mundo considera perdedores e descartáveis! A misericórdia pode ajudar a mitigar as adversidades da vida e dar calor a quantos têm conhecido apenas a frieza do julgamento. Seja o estilo da nossa comunicação capaz de superar a lógica que separa nitidamente os pecadores dos justos. Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. –, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas. É nosso dever admoestar quem erra, denunciando a maldade e a injustiça de certos comportamentos, a fim de libertar as vítimas e levantar quem caiu. O Evangelho de João lembra-nos que «a verdade [nos] tornará livres» (Jo 8, 32). Em última análise, esta verdade é o próprio Cristo, cuja misericórdia repassada de mansidão constitui a medida do nosso modo de anunciar a verdade e condenar a injustiça. É nosso dever principal afirmar a verdade com amor (cf. Ef 4, 15). Só palavras pronunciadas com amor e acompanhadas por mansidão e misericórdia tocam os nossos corações de pecadores. Palavras e gestos duros ou moralistas correm o risco de alienar ainda mais aqueles que queríamos levar à conversão e à liberdade, reforçando o seu sentido de negação e defesa.
Alguns pensam que uma visão da sociedade enraizada na misericórdia seja injustificadamente idealista ou excessivamente indulgente. Mas tentemos voltar com o pensamento às nossas primeiras experiências de relação no seio da família. Os pais amavam-nos e apreciavam-nos mais pelo que somos do que pelas nossas capacidades e os nossos sucessos. Naturalmente os pais querem o melhor para os seus filhos, mas o seu amor nunca esteve condicionado à obtenção dos objetivos. A casa paterna é o lugar onde sempre és bem-vindo (cf. Lc 15, 11-32). Gostaria de encorajar a todos a pensar a sociedade humana não como um espaço onde estranhos competem e procuram prevalecer, mas antes como uma casa ou uma família onde a porta está sempre aberta e se procura aceitar uns aos outros.
Para isso é fundamental escutar. Comunicar significa partilhar, e a partilha exige a escuta, o acolhimento. Escutar é muito mais do que ouvir. Ouvir diz respeito ao âmbito da informação; escutar, ao invés, refere-se ao âmbito da comunicação e requer a proximidade. A escuta permite-nos assumir a atitude justa, saindo da tranquila condição de espectadores, usuários, consumidores. Escutar significa também ser capaz de compartilhar questões e dúvidas, caminhar lado a lado, libertar-se de qualquer presunção de omnipotência e colocar, humildemente, as próprias capacidades e dons ao serviço do bem comum.
Escutar nunca é fácil. Às vezes é mais cómodo fingir-se de surdo. Escutar significa prestar atenção, ter desejo de compreender, dar valor, respeitar, guardar a palavra alheia. Na escuta, consuma-se uma espécie de martírio, um sacrifício de nós mesmos em que se renova o gesto sacro realizado por Moisés diante da sarça-ardente: descalçar as sandálias na «terra santa» do encontro com o outro que me fala (cf. Ex 3, 5). Saber escutar é uma graça imensa, é um dom que é preciso implorar e depois exercitar-se a praticá-lo.
Também e-mails, sms, redes sociais, chat podem ser formas de comunicação plenamente humanas. Não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor. As redes sociais são capazes de favorecer as relações e promover o bem da sociedade, mas podem também levar a uma maior polarização e divisão entre as pessoas e os grupos. O ambiente digital é uma praça, um lugar de encontro, onde é possível acariciar ou ferir, realizar uma discussão proveitosa ou um linchamento moral. Rezo para que o Ano Jubilar, vivido na misericórdia, «nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação» (Misericordiae Vultus, 23). Em rede, também se constrói uma verdadeira cidadania. O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade pelo outro, que não vemos mas é real, tem a sua dignidade que deve ser respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade sadia e aberta à partilha.
A comunicação, os seus lugares e os seus instrumentos permitiram um alargamento de horizontes para muitas pessoas. Isto é um dom de Deus, e também uma grande responsabilidade. Gosto de definir este poder da comunicação como «proximidade». O encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa. Num mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade.
Vaticano, 24 de Janeiro de 2016.
Franciscus
acidigital
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Ano do Jubileu será 'de ternura e perdão'


"Senti que havia um desejo do Senhor de mostrar aos homens a sua misericórdia", disse o Papa.

O Papa Francisco prometeu nesta quarta-feira que o Jubileu extraordinário da misericórdia, que começa na terça-feira em Roma, será um ano dedicado à "ternura" e ao "perdão".
Leia também: O que é um jubileu?
"É o ano do perdão, o ano da reconciliação", declarou o papa em uma entrevista ao Credere, o semanário oficial do Jubileu.
"Senti que havia um desejo do Senhor de mostrar aos homens a sua misericórdia", acrescentou.
Diante de numerosas más notícias, "o mundo precisa descobrir que Deus é pai, que há misericórdia, que a crueldade não leva a nada, que a condenação não leva a lugar nenhum, porque a própria Igreja (...) às vezes cai na tentação de seguir uma linha dura, na tentação de enfatizar apenas as normas morais", estimou o papa argentino.
"Por um lado, vemos o tráfico de armas, a produção de armas que matam, o assassinato de inocentes das mais cruéis formas possíveis, a exploração das pessoas, de menores, crianças (...) um sacrilégio contra a humanidade ( ...) E o Pai diz: "Parem e vinde a mim'", disse o Papa.
"Há muita gente ferida e destruída. E precisamos atender os feridos, devemos ajudá-los a curar e não submetê-los a testes de colesterol", insistiu, referindo-se às regras morais rígidas da Igreja.
"Acredito que agora é a hora de misericórdia. Somos todos pecadores, todos nós carregamos pesos", afirmou, explicando que precisa se confessar a cada duas ou três semanas "para sentir que a misericórdia de Deus ainda está em mim".
A revolução que o mundo precisa "é a ternura, porque daí vem a justiça e todo o resto", disse ele.
AFP - 02/12/2015  |  domtotal.com
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Acreditar no céu

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus segundo Mateus 5, 1-12.
Por José Antonio Pagola*
Nesta festa cristã de "Todos os Santos", quero dizer como entendo e trato de viver alguns aspetos da minha fé na vida eterna. Quem conhece e segue Jesus Cristo, entender-me-á.
Acreditar no céu é para mim resistir-me a aceitar que a vida de todos e de cada um de nós é apenas um pequeno parêntesis entre dois imensos vazios. Apoiando-me em Jesus, intuiu, pressinto, desejo e creio que Deus está a conduzir para a sua verdadeira plenitude o desejo de vida, de justiça e de paz que se encerra na criação e no coração da humanidade.
Acreditar no céu é para mim rebelar-me com todas as minhas forças a que essa imensa maioria de homens, mulheres e crianças, que só conheceram nesta vida miséria, fome, humilhação e sofrimentos, fique enterrada para sempre no esquecimento. Confiando em Jesus, creio numa vida onde já não haverá pobreza nem dor, ninguém estará triste, ninguém terá que chorar. Por fim poderei ver os que vêm nas barcas chegarem à sua verdadeira pátria.
Acreditar no céu é para mim aproximar-me com esperança a tantas pessoas sem saúde, doentes crônicos, inválidos físicos e psíquicos, pessoas afundadas na depressão e na angústia, cansadas de viver e de lutar. Seguindo Jesus, creio que um dia conhecerão o que é viver com paz e saúde total. Escutarão as palavras do Pai: Entra para sempre no gozo do teu Senhor.
Não me resigno a que Deus seja para sempre um "Deus oculto", de quem não podemos conhecer jamais o Seu olhar, a Sua ternura e os Seus abraços. Não posso imaginar não me encontrar nunca com Jesus. Não me resigno a que tantos esforços por um mundo mais humano e ditoso se percam no vazio. Quero que um dia os últimos sejam os primeiros e que as prostitutas nos precedam. Quero conhecer aos verdadeiros santos de todas as religiões e de todos os ateísmos, os que viveram amando no anonimato e sem esperar nada.
Um dia poderemos escutar estas incríveis palavras que o Apocalipse coloca na boca de Deus: "Ao que tem sede, Eu lhe darei de beber gratuitamente da fonte da vida". Grátis! Sem o merecer. Assim saciará Deus a sede de vida que há em nós.
Instituto Humanitas Unisinos
*José Antonio Pagola, teólogo espanhol.
31/10/2015  |  domtotal.com
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Maria: Mater Misericordiae

Através da mediação materna de Maria, Igreja se torna lugar do encontro com a misericórdia divina.
Por Dom Leomar Brustolim*
Salve, Rainha, Mãe de Misericórdia! A saudação que frequentemente a Igreja dirige à Mãe de Deus foi composta pelo bispo Ademar de Puy, no fim do século XI. A relação estreita entre rainha e misericórdia estabelece a identidade e a singularidade dessa proclamação. Maria é rainha, porque é Mãe de Jesus Cristo Rei. Ele é Senhor de um reinado que não terá fim (cf. Lc 1,33) e, em suas palavras e gestos, o Reino está presente. (cf. Mc 1,15). Nele, os sinais do Reino concretizam a misericórdia do Pai. (cf. Mt 5, 1-12). A mãe de Jesus percebe o advento deste tempo novo que seu filho traz e guarda tudo em seu coração (Cf. Lc 2,51).
Em Maria resplandece o amor misericordioso de Deus. Ele é transcendente e eterno, mas se comove totalmente com as misérias humanas. A Virgem de Nazaré experimentou de forma única o amor de Deus pela humanidade. O fruto desse amor tornou-a Mãe do Messias: o “Consolador”. “Ninguém, como Maria, conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem. Na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feita carne. A Mãe do Crucificado Ressuscitado entrou no santuário da misericórdia divina, porque participou intimamente no mistério do seu amor.” [1] Ela continua envolvida na ação misericordiosa de Deus através da Igreja e de sua missão.
Inspirada em Maria, a Igreja deve construir a civilização da misericórdia. A história, apesar de seus revezes, não é o cemitério da civilização, nem o cenário apocalíptico da morte. Através da mediação materna de Maria, a Igreja se torna o lugar do encontro com a misericórdia divina. Na Virgem Maria se realiza totalmente o versículo evangélico que convoca os cristãos a serem misericordiosos como o Pai do Céu é misericordioso. (cf. Lc 3, 36).
Máximo, o “Confessor”, escreveu a obra: A vida de Maria e, sobre os últimos anos da Mãe de Jesus, ele afirmou: “A sua misericórdia não era somente para os parentes e os conhecidos, mas também para os estranhos e inimigos, porque era verdadeiramente a Mãe da Misericórdia, a Mãe do Misericordioso, […] a Mãe daquele que por nós se encarnou e foi crucificado, para infundir sobre nós, inimigos e rebeldes, a sua misericórdia”.[2]
Nesse mesmo sentido, o Papa Francisco ensina: “Ao pé da cruz, Maria, juntamente com João, o discípulo do amor, é testemunha das palavras de perdão que saem dos lábios de Jesus. O perdão supremo oferecido a quem O crucificou mostra-nos até onde pode chegar a misericórdia de Deus. Maria atesta que a misericórdia do Filho de Deus não conhece limites e alcança a todos, sem excluir ninguém.”[3]
Maria é a mulher que fez a experiência única da consolação de Deus para estabelecer a Nova Aliança, ela “é quem de maneira singular e excepcional experimentou, como ninguém, a misericórdia e, também de maneira excepcional, tornou possível com o sacrifício de seu coração a própria participação na revelação da misericórdia divina”.[4]
Peçamos à Mãe de Misericórdia que nos ensine a acolher o infinito amor do Pai das misericórdias, para não limitarmos nossa capacidade de perdoar, acolher e amar. E que possamos praticar o que São João Damasceno ensina, ao dizer que a melhor forma de devoção à Maria é cumprir as obras de misericórdia.
Rogai por nós, Ó misericordiosa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo!
CNBB
Dom Leomar Brustolim é bispo Auxiliar de Porto Alegre (RS). [1] Papa Francisco. Misericordiae Vultus, nº. 24. [2] Textos Marianos do Primeiro Milênio 2, 480. [3] Papa Francisco. Misericordiae Vultus, nº. 24. [4] João Paulo II, Dives in misericordia, nº. 9.
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A mensagem de misericórdia da Igreja

Quando a sociedade exclui grupos que incomodam, a Igreja deve ir contra a correnteza.
Por Dom Alberto Taveira Corrêa*
É magnífico fazer parte da Igreja de Jesus Cristo e acolher, como aconteceu recentemente, palavras tão atuais, fortes e consoladoras, que imediatamente se transformam em vida: "A Igreja tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho, que por meio dela deve chegar ao coração e à mente de cada pessoa. A Esposa de Cristo assume o comportamento do Filho de Deus, que vai ao encontro de todos sem excluir ninguém. No nosso tempo, em que a Igreja está comprometida na nova evangelização, o tema da misericórdia exige ser reproposto com novo entusiasmo e uma ação pastoral renovada. É determinante para a Igreja e para a credibilidade do seu anúncio que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia. A sua linguagem e os seus gestos, para penetrarem no coração das pessoas e desafiá-las a encontrar novamente a estrada para regressar ao Pai, devem irradiar misericórdia. A primeira verdade da Igreja é o amor de Cristo.
E, deste amor que vai até ao perdão e ao dom de si mesmo, a Igreja faz-se serva e mediadora junto dos homens. Por isso, onde a Igreja estiver presente, aí deve ser evidente a misericórdia do Pai. Nas nossas paróquias, nas comunidades, nas associações e nos movimentos, em suma, onde houver cristãos, qualquer pessoa deve poder encontrar um oásis de misericórdia" (Misericordiae Vultus, 12).
O papa Francisco proclamou, na Vigília da Festa da Misericórdia, a Bula "Misericordiae Vultus", com a convocação do Ano Santo, um Jubileu extraordinário a ser celebrado em toda a Igreja, a partir da Solenidade da Imaculada Conceição do corrente ano. Quando o mundo pretende delimitar os espaços das pessoas, ou a sociedade exclui grupos que incomodam, quando o egoísmo e o indiferentismo avançam, a Igreja vai contra a correnteza, com a mensagem da misericórdia, edificando monumentos vivos da caridade. Que o apelo do papa, que será aprofundado nos próximos meses, transforme-se em vida para todos os homens e mulheres de boa vontade, através do serviço, do anúncio, do diálogo e do testemunho de comunhão dos fiéis.
Os seguidores de Jesus foram chamados nas mais diversas circunstâncias da vida. Boa parte das narrativas de vocações apresenta pessoas que desenvolvem suas atividades normais ou envolvidas em seus dramas quotidianos. São pescadores, cobradores de impostos, pessoas envolvidas em suas realidades familiares, mulheres pecadoras, enfermos e muitos marginalizados. Em qualquer circunstância, o abraço da misericórdia de Deus pode alcançar quem quer que seja. E eram multidões que acorriam ao Senhor!
De multidões afloram os discípulos, dentre os discípulos ele escolhe 12 apóstolos, entre eles um trio de amigos o acompanham mais de perto, João foi certamente confidente mais próximo e o escolhido para estar à frente do grupo foi Simão Pedro. O olhar de Jesus vai ao encontro de cada pessoa, com sua história própria, sem excluir ninguém, mas em todos suscitando a conversão. Mais tarde, depois de todos os fatos que ocorreram com o Senhor, sua Morte e Ressurreição iluminará um outro, Paulo Apóstolo, que assim se expressa em primeira pessoa: "De fato, eu vos transmiti, antes de tudo, o que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e, ao terceiro dia, foi ressuscitado, segundo as Escrituras; e apareceu a Cefas e, depois aos Doze. Mais tarde, apareceu a mais de 500 irmãos de uma vez. Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram. Depois, apareceu a Tiago depois, a todos os apóstolos; por último, apareceu também a mim, que sou como um aborto. Pois eu sou o menor dos apóstolos, nem mereço o nome de apóstolo, pois eu persegui a Igreja de Deus (1Cor 15, 3-7). Há uma linha que une pessoas e fatos: a partir de um chamado direto, ou através de uma crise, que pode se chamar doença ou interrogações internas, segue-se uma aproximação do Senhor, a experiência do seguimento, descoberta do próprio lugar, para depois aceitar a missão de testemunhar Jesus Cristo Salvador, sua Morte e Ressurreição (Cf. Lc 24, 35-48).
Testemunha é quem viu um fato com os próprios olhos e pode comunicar aos outros. Chamou-se martírio o testemunho dado até à efusão do sangue, como muitos cristãos ao longo da história. É que os fatos que assistiram lhes pareceram tão significativos que valeram mais do que a própria vida! E o Espírito Santo lhes concedeu a graça de permanecer fiéis diante das pressões, da tortura e da morte (Cf. Ap 6, 9).
Mesmo quando não nos for pedido o gesto extremo do derramamento do sangue, o conta-gotas do dia a dia deve ser marcado pela disposição para dar razões à esperança que nos conduz (Cf. 1Pd 3,15). Os valores da verdade, da justiça, a sinceridade de vida, lisura nos negócios, paixão pela verdade, fidelidade à palavra dada e outros mais, são a estrada do testemunho, muitas vezes silencioso, outras proclamado em alto e bom som, mas sempre coerentes, por ter visto o Senhor. O espaço para cultivar tais valores é a comunidade cristã, lugar privilegiado da manifestação do Senhor ressuscitado. Quando reunidos no Cenáculo, os discípulos de Jesus receberam os dois viajantes de Emaús, que traziam na boca e no coração a experiência feita, pois "eles o tinham reconhecido ao partir o pão" (Cf. Lc 24, 35). Era o primeiro dia da semana, que nós chamamos domingo. Ouvir as maravilhas de Deus ser fiéis à Eucaristia dominical, compartilhar as experiências feitas, esta foi a vida dos cristãos de lá para cá e assim faremos, enquanto esperamos a vinda do Senhor.
Por dádiva da Providência, a Arquidiocese de Belém se prepara para acolher o Brasil e ser a capital eucarística de nosso país, durante o XVII Congresso Eucarístico Nacional, a ser celebrado de 15 a 21 de agosto de 2016, justamente dentro do Ano Santo da Misericórdia, proclamado pelo Papa Francisco, quando deveremos dizer uns aos outros e ao mundo que nós reconhecemos Jesus "ao partir o pão", na Eucaristia, coração dos corações. Até lá, haveremos de formar a nossa geração de cristãos católicos no ardor missionário, para que ninguém fique de fora, mas todos sejam alcançados, no abraço da misericórdia.
CNBB, 28-04-2015.
*Dom Alberto Taveira Corrêa é arcebispo de Belém (PA).
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Ano Santo da Misericórdia

Papa entrega a bula do Ano Santo da Misericórdia a cardeais em representação da Igreja em todo o mundo
VATICANO, 11 Abr. 15 / 12:41 pm (ACI).- O Papa Francisco presidiu, na tarde deste sábado, na Basílica Vaticana, as Primeiras Vésperas do Domingo da Divina Misericórdia, por ocasião da convocação oficial do Jubileu extraordinário da Misericórdia. Na cerimônia diante da ”Porta Santa”da Basílica o Papa entregou a Bula “Misericordiae Vultus” (“O rosto da Misericórdia”) aos quatro Cardeais-Arciprestes das Basílicas papais de Roma representando a Igreja nos quatro  cantos da Terra.
Como expressão do seu desejo, de que o Ano Santo extraordinário da Misericórdia seja celebrado em Roma e em todo o mundo, o Papa Francisco entregou uma cópia da Bula também ao Prefeito da Congregação para os Bispos, cardeal Marc Ouellet; ao Prefeito da Evangelização dos Povos, Cardeal Fernando Filoni; ao Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri.
Como representante de todo o Oriente, o Santo Padre entregou ainda uma cópia do documento ao Arcebispo de Hong-Kong, Dom Sávio Hon Tai-Fai, Secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos. O continente africano foi representado pelo Arcebispo do Benin, Dom Barthélemy Adoukonou, Secretário do Pontifício Conselho da Cultura. O documento foi entregue, também a Dom Khaled Ayad Bishay, da Igreja Patriarcal de Alexandria dos Coptas.
O Regente da Casa Pontifícia, Mons. Leonardo Sapienza, leu, na presença do Papa Francisco, alguns trechos do Documento oficial de convocação do Ano Santo extraordinário da Misericórdia. A seguir, o Pontífice presidiu à celebração das Primeiras Vésperas do II Domingo da Páscoa, dedicado à Divina Misericórdia.
A Bula de convocação do Jubileu extraordinário da Divina Misericórdia, que será exposta na Porta das Basílicas, indica os tempos, as datas de abertura e encerramento, e as modalidades principais do desenvolvimento.
O documento de convocação do Ano Santo da Misericórdia constitui um documento fundamental para reconhecer o espírito, com o qual é convocado, as intenções e os frutos esperados pelo Papa Francisco.
acidigital
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Fiéis poderão ganhar a Indulgência Plenária no Domingo da Divina Misericórdia


Por Abel Camasca

REDAÇÃO CENTRAL, 10 Abr. 15 / 02:12 pm (ACI).- Durante as aparições do Senhor da Divina Misericórdia a Santa Faustina, Cristo assegurou várias graças aos que se aproximassem de sua misericórdia. São João Paulo II, mais adiante, instituiu oficialmente a indulgência plenária para esta festa. Neste domingo da misericórdia de 2015 espera-se também o anúncio oficial do Ano Santo da Misericórdia proposto pelo Papa Francisco que terá início no dia 8 de dezembro deste ano.
“Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. (...). Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate”,
disse o Senhor em uma promessa que fez a Santa Faustina Kowalska em uma das aparições místicas que lhe concedeu.
Em 2002, esta promessa de Cristo se fez “oficial” na Igreja quando, por mandato de São João Paulo II, a Santa Sé publicou o “decreto sobre as indulgências recebidas na Festa da Divina Misericórdia”, um dom que também pode ser alcançados aos doentes e os navegantes em alto mar.
No segundo domingo de Páscoa, que este ano se celebra no dia 12 de abril, concede-se a indulgência plenária, com as condições habituais (confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Supremo Pontífice) ao fiel que participe de atos de piedade realizados em honra da Misericórdia divina ou reze, na presença do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, publicamente exposto ou no Sacrário, o Pai Nossa e o Credo, acrescentando uma invocação piedosa ao Senhor Jesus (por exemplo, ‘Jesus misericordioso, eu confio em Vós)”, diz o texto do decreto.
Deste modo se concede indulgência parcial “ao fiel que, ao menos com coração contrito, eleve ao Senhor Jesus misericordioso uma das invocações piedosas legitimamente aprovadas”.
Também os doentes e as pessoas que os ajudam, os navegantes, os afetados pela guerra, conflitos ou clima severamente adverso “e todos os que por justa causa não podem abandonar sua casa ou desempenham uma atividade inadiável em benefício da comunidade, poderão obter a indulgência plenária”.
Isto sempre e quando, com total rechaço de qualquer pecado e com a intenção de cumprir, assim que seja possível, as três condições habituais rezem “diante de uma piedosa imagem de nosso Senhor Jesus misericordioso, o Pai Nosso e o Credo, acrescentando uma invocação piedosa ao Senhor Jesus da Divina Misericórdia”.
Do mesmo modo, poderão obter a indulgência plenária os que não podem cumprir com as exigências acima “os que se unam com a intenção aos que realizam de modo ordinário a obra prescrita para a indulgência e oferecem a Deus misericordioso uma oração e os sofrimentos de sua enfermidade e as moléstias de sua vida, tendo também eles o propósito de cumprir, assim que seja possível, as três condições prescritas para lucrar a indulgência plenária”.
Jesus Cristo também prometeu a Santa Faustina que quando se rezar o Terço da Divina Misericórdia junto aos moribundos ficará “entre o Pai e a alma agonizante não como o Juiz justo mas como Salvador misericordioso”
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'Nós cremos sem ter visto'

Novo Hamburgo, RS, 09 abr (SIR) - No próximo domingo, a Igreja celebrará o domingo da Divina Misericórdia, e é sobre este tema que Dom Zeno Hastenteufel, Bispo da Diocese gaúcha de Novo Hamburgo, reflete em seu artigo semanal. O Prelado explica que o domingo depois da páscoa era sempre conhecido como o "Domingo in albis", ou o domingo branco, já que neste dia os batizados da noite de páscoa, abandonavam a veste branca, que estavam usando desde a grande noite do batismo.
Ele recorda que em sua infância este era o domingo das primeiras comunhões e que com as roupas brancas das meninas, dos anjinhos e de tantos enfeites, parecia então explicado o motivo de se falar em "Weissen Sonntag". Mas, segundo o Bispo, desde o fim do século passado, a partir das revelações feitas da Irmã Faustina Kowalska, o nosso sempre lembrado Papa, São João Paulo II, começou a falar em "Domingo da Divina Misericórdia", no segundo domingo da páscoa, quando lemos o evangelho da grande manifestação do Ressuscitado ao apóstolo Tomé.
Outro ponto lembrado por Dom Zeno é que o mesmo Papa João Paulo II, no ano de 2005, veio a falecer exatamente no dia 2 de abril, sábado depois da páscoa, véspera do "Domingo da Divina Misericórdia", sendo então o primeiro dia do grande velório daquele que foi testemunha da divina misericórdia, até o último instante de sua vida.
"Aliás, o que vamos dizer da cena do evangelho. O Cristo ressuscitado agora se encontra com o Tomé, conhecido como incrédulo, apresentado como aquele que queria fazer a experiência de vê-lo, tocá-lo e sentir esta presença real. No momento de ser chamado pelo mestre, ele não tem mais dúvidas e fez aquela magnífica oração: 'Meu Senhor e meu Deus'", salienta.
Para o Prelado, está é a hora da misericórdia, e o Senhor ressuscitado, em vez de repreendê-lo pelo vexame da descrença, imediatamente o levanta e lhe dá o perdão, com palavras verdadeiramente confortadoras: "Acreditaste porque tu me viste; felizes os que creem sem terem visto".
"Esta é a palavra que se destina a todos nós. Nós cremos sem ter visto. Nós cremos, confiando na palavra e no testemunho de outros. Nós cremos porque acreditamos em todas estas experiências de Deus acontecidas, no tempo dos apóstolos, vividos nos vinte séculos de história da Igreja, mas também nós cremos, porque hoje ainda podemos fazer a experiência de Deus", completa.
Ainda de acordo com o Bispo, podemos ainda hoje nos encontrar com o Cristo vivo e ressuscitado, na Eucaristia, nos sacrários de nossas igrejas. Dom Zeno enfatiza que ele está aí, com a mesma misericórdia, encontrada por Tomé, experimentada por Paulo e vivenciada ao longo dos séculos, por milhares e milhões de autênticos filhos de Deus, testemunhas do ressuscitado e pessoas que muitas vezes deram testemunho de sua fé.
Por fim, o Prelado afirma também que a primeira leitura já nos apresenta a comunidade dos primeiros cristãos, com suas características e com todo o seu entusiasmo. "Por isso, a nossa diocese faz neste domingo o retiro dos Animadores Vocacionais, do Movimento Serra e de todas as equipes vocacionais da diocese. Queremos que eles se alimentem dos Atos dos Apóstolos", conclui.
SIR

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