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MEDITAÇÃO- DIA DE S. ISABEL DA HUNGRIA - PADROEIRA DA ORDEM FRANCISCANA SECULAR- 17.11.2014

Da Carta escrita por Conrado de Marburgo, diretor espiritual de Santa Isabel
(Ad pontificem anno 1232: A. Wys, Hesisches Urkunden-buch I, Leipzig 1879,31-35)             (Séc.XIII)

Isabel conheceu e amou Cristo nos pobres
Muito cedo começou Isabel a possuir grandes virtudes. Do mesmo modo como a vida inteira foi a consoladora dos pobres, era também desde então a providência dos famintos. Determinou a construção de um hospital, perto de um castelo de sua propriedade, onde recolheu muitos enfermos e enfraquecidos. A todos que ali iam pedir esmola, distribuiu liberalmente suas dádivas; e não só ali, mas em todo o território sob a jurisdição de seu marido. Destinou para isto a renda de quatro dos principados do esposo, e foi ao ponto de mandar vender seus adornos e vestes preciosas em benefício dos pobres.
Tinha o costume de, duas vezes ao dia, pela manhã e à tarde, visitar pessoalmente seus doentes, e chegava mesmo a tratar com as próprias mãos os mais repelentes. A alguns deles alimentava, a outros preparava o leito, a outros até carregava nos ombros. Assim realizava muitas obras de bondade. Em tudo isto seu marido, de feliz memória, não se mostrava contrariado. Contudo, após a morte deste, tendendo para a máxima perfeição, rogou-me com lágrimas que lhe permitisse ir mendigar de porta em porta.
Numa Sexta-feira Santa, desnudados todos os altares, em uma capela de seu castelo onde acolhera os frades franciscanos, colocou as mãos sobre o altar e, na presença de umas poucas pessoas, renunciou à própria vontade e a todas as pompas mundanas e a tudo quanto o Salvador no evangelho aconselhara abandonar. Feito isto, vendo que poderia deixar-se absorver pelo tumulto do século e glória mundana, naquela terra onde vivera com esplendor em vida do esposo, seguiu-me contra minha vontade a Marburgo. Nesta cidade construiu um hospital para doentes e necessitados, chamando à sua mesa os mais miseráveis e desprezados. Além desta atuação operosa, digo-o diante de Deus, raramente vi mulher mais contemplativa. Algumas pessoas e mesmo religiosos, na hora de sua oração particular, viram muitas vezes seu rosto brilhar maravilhosamente e como que raios de sol jorrarem de seus olhos.
Antes da morte ouvi-a em confissão. Indagando-lhe, então, qual o seu desejo em relação ao que possuía e a seus móveis, respondeu que tudo quanto parecia possuir já pertencia aos pobres e pediu-me distribuir-lhes tudo, reservando apenas a túnica vulgar que vestia e coma qual queria ser sepultada. Depois, recebeu o corpo do Senhor e, em seguida, até à hora de Vésperas falou bastante sobre as ótimas coisas que ouvira no sermão. Finalmente, com toda devoção, recomendando a Deus todos os presentes, expirou como se adormecesse suavemente.

Responsório             Jt 15,11(Vg); At 10,4

R. Agiste com coragem, teu coração não se abalou,
pois amaste a castidade.
* Por isso hás de ser bendita eternamente.
V. Tuas preces e esmolas se elevaram até Deus
como oferta de incenso. * Por isso.

17 de novembro
 SANTA ISABEL DA HUNGRIA
 Memória

Era filha de André II, rei da Hungria, tendo nascido no ano 1207. Ainda muito jovem foi dada em matrimônio a Luís IV, landgrave da Turíngia, e teve três filhos. Dedicou-se a uma vida de intensa meditação das realidades celestes e de caridade para com o próximo. Depois da morte de seu marido, renunciou aos seus títulos e bens e construiu um hospital, onde ela mesma servia os enfermos. Morreu em Marburgo no ano 1231.

Oração

Ó Deus, que destes a Santa Isabel da Hungria reconhecer e venerar o Cristo nos pobres, concedei-nos, por sua intercessão, servir os pobres e aflitos com incansável caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
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NOSSA SENHORA RAINHA - 22 DE AGOSTO - MEDITAÇÃO

Das Homilias de Santo Amadeu, bispo de Lausana

(Hom. 7:SCh 72,188.190.192.200)            (Séc.XII)

Rainha do mundo e da paz
Considera com que justa disposição refulgiu, já antes da assunção, o admirável nome de Maria por toda a terra. Sua fama extraordinária por toda a parte se espalhou antes que sua magnificência fosse elevada acima dos céus. Pois convinha que a Virgem Mãe, em honra de seu Filho, primeiro reinasse na terra, em seguida,fosse recebida gloriosa nos céus. Fosse amplamente conhecida na terra, antes de entrar na santa plenitude. Levada de virtude em virtude, fosse assim exaltada de claridade em claridade pelo Espírito do Senhor.  
Presente na carne, Maria antegozava as primícias do reino futuro, ora subindo até Deus com inefável sublimidade, ora descendo até os irmãos com inenarrável caridade. Lá recebia os obséquios dos anjos, aqui era venerada pela submissão dos homens. Servia-lhe Gabriel com os anjos; ao lado dos apóstolos servia-lhe João, feliz por lhe ter sido confiada a Virgem Mãe a ele, virgem. Alegravam-se aqueles por vê-la rainha; estes por sabê-la senhora. Todos a obedeciam de coração. 
E ela, assentada no mais alto cume das virtudes, repleta do oceano dos carismas divinos, do abismo das graças, ultrapassando a todos, derramava largas torrentes ao povo fiel e sedento. Concedia a saúde aos corpos e às almas, podendo ressuscitar da morte da carne e da alma. Quem jamais partiu de junto dela doente ou triste ou ignorante dos mistérios celestes? Quem não voltou para casa contente e jubiloso, tendo impetrado de Maria, a Mãe do Senhor, o que queria? 
Ela é esposa repleta de tão grandes bens, mãe do único esposo, suave e preciosa nas delícias. Ela é como fonte dos jardins inteligíveis, poço de águas vivas e vivificantes, que correm impetuosas do Líbano divino, fazendo descer do monte Sião até às nações estrangeiras vizinhas rios de paz e mananciais de graças vindas do céu. E assim, ao ser elevada a Virgem das Virgens por Deus e seu Filho, o rei dos reis, no meio da exultação dos anjos, da alegria dos arcanjos e das aclamações de todo o céu, cumpriu-se a profecia do Salmista que diz ao Senhor: Está à tua destra a rainha recoberta de bordados a ouro, em vestes variadas (Sl 44,10).

Responsório Cf. Ap 12,1; cf. Sl 44(45),10b

R. Houve um grande sinal no céu, a saber,
viu-se uma mulher vestida de sol
e tendo a lua debaixo dos pés.
* Na cabeça uma coroa de doze estrelas.
V. À vossa direita se encontra a rainha,
em veste esplendente de ouro de Ofir. * Na cabeça.

Oração
Ó Deus, que fizestes a Mãe do vosso Filho nossa Mãe e Rainha, dai-nos, por sua intercessão, alcançar o Reino do céu e a glória prometida aos vossos filhos e filhas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.R. Graças a Deus.
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SANTA OLGA, 11 DE JULHO


                                                          890-969
Olga, a primeira santa russa inserida no calendário católico bizantino, é considerada o elo entre a época pagã e a cristã, na história das populações eslavas. As fontes que a citam são numerosas e todas de relevância histórica. 

Delas aprendemos que Olga nasceu em 890, na aldeia Vybut, próxima de Pskov e do rio Velika, Rússia. Era uma belíssima jovem típica daquela região. Em 903, quando o príncipe Igor a avistou, logo quis casar-se com ela, apesar de sua pouca idade. Na realidade, Olga era filha do chefe dos Variagi, uma tribo normanda de origem escandinava, responsável por vários pontos estratégicos, pois se dedicavam à exploração do transporte e do comércio.

O seu casamento foi um símbolo concreto da fusão do povo russo com aquele variago, que ao final do século IX começava a viver sob a influência do cristianismo. Em 945, o príncipe Igor, marido de Olga, foi assassinado e ela, com um temperamento correto, mas violento, vingou-se com firmeza. Mandou matar muitos chefes inimigos e, para os sobreviventes, impôs tributos e taxas de todos os tipos.

Tornou-se a regente para o filho Esviatoslav, de três anos de idade, governando Kiev com esperteza política e colocando o principado numa excelente condição financeira. Era amada pelo povo, que a reconhecia como justa e misericordiosa, mas também severa e inflexível. Educou o filho corretamente, mas não teve a felicidade de vê-lo converter-se ao cristianismo como ela tinha feito. Essa satisfação desfrutou seu neto Vladimir, que, além de tornar-se cristão e batizado, depois veio a ser o "batizador da Rússia", "novo apóstolo" e santo da Igreja.

Olga tentou estreitar os laços com o sólido Império de Bizâncio por meio do casamento de seu filho com uma princesa de lá. Em 957, viajou para Constantinopla, mas não obteve bons resultados, para desilusão dos cristãos e satisfação dos pagãos. Por isso os cristãos buscavam apoio no imperador Otto I da Saxônia, que era católico. Em 959, eles lhe pediram que enviasse um bispo para a Rússia, o qual ficou só três anos, pois foi expulso devido à revolta dos pagãos.

Olga rezava dia e noite pela conversão do filho e para o bem dos súditos. Ao terminar a regência, segundo as leis da época, retirou-se para suas atividades privadas, dando continuidade às obras de seu apostolado e de missionária. Construiu algumas igrejas, inclusive a de madeira dedicada à santa Sofia, em Kiev.

Viveu piamente e morreu com quase oitenta anos, em 11 de julho de 969. Dela escreveu seu biógrafo: "Antes do batismo, a sua vida foi manchada por fraquezas e pecados. Ela, mesmo assim, tornou-se santa, certamente não pelo seu próprio merecimento, mas por um plano especial de Deus para o povo russo".

A veneração por santa Olga começou durante o governo do seu neto Vladimir, que, em 996, mandou transferir as relíquias da avó para a igreja que mandara construir especialmente para recebê-las. O seu culto foi confirmado pela Igreja no Concílio Russo de 1574, mantendo a festa litúrgica no mesmo dia em que ocorreu seu trânsito.
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SANTA CLOTILDE,RAINHA, MÃE, VIÚVA, 4 DE JUNHO


Nasceu em Lion na França em 474 e foi a matriarca de uma família de santos. Sua bisneta foi Santa Bertha e seu neto foi São Clodoaldo e ela converteu seu marido o Rei Clovis ao cristianismo.
Ela era neta do Rei Chilperic de Burgundy e nasceu quando da queda do império romano. Toda a Europa ocidental estava tomada pelos bárbaros e as catedrais e monastérios eram a única influencia da civilização ainda existente. Cerca dos anos 492, Clotilde casou-se com Clovis, Rei dos Francos que foi atraído pela sua beleza e sabedoria.
De acordo com São Gregório de Tours, ela foi o elo para levar o seu marido para o cristianismo, e expandir a influencia o cristianismo na época.
Mas quando o seu primeiro filho morreu logo após o batismo, o Rei Clovis fez uma indevida conexão entre o batismo e a sua morte e foi preciso grande luta e sabedoria de Santa Clotilde para convence-lo do contrário. Finalmente ele foi convencido, quando ela fez com que ele orasse antes da difícil batalha de Alemanni, a qual ele venceu com facilidade. Após a vitoria, ele cumpriu a promessa feita a Clotilde de ser batizado.
Após o batismo de Clovis, no natal de 496, segundo o Bispo São Remigio, a igreja católica pôde olhar para o norte e oeste.
Mais tarde Clovis e Clotilde juntos, construíram a Igreja dos Apóstolos hoje chamada de Igreja de Saint Genevieve (Santa Genoveva) em Paris, onde Santa Clotilde foi enterrada. De maneira incrível suas relíquias sobreviveram a revolução francesa e podem ainda serem encontradas na igreja de Saint-Leu em Paris.
Após a morte de seu marido, o Rei Clovis, ela colocou seu filho no monastério em Versailhes e se retirou para Saint Martin de Tours. Lá ela passou o resto de sua vida a cuidar dos pobres e dos doentes e construiu igrejas, capelas, monastérios e hospitais para pobres.
A tradição diz que as igrejas de Laon, Andelys e Rouen teriam sido construídas por ela.
Segundo a tradição, Santa Clotilde faleceu no dia 3 de junho de 545, na presença de seus dois filhos. Quando veio a falecer, uma luz brilhante e um perfume forte de incenso encheram o quarto.
Seu túmulo passou a ser local de romaria e vários milagres são creditados a sua intercessão.
Na arte litúrgica da Igreja, Santa Clotilde é mostrada com as roupas de rainha com um escudo com as flores de lys. Ela é ainda mostrada batizando o Rei Clovis ou como suplicante no Santuário de São Martin ( Saint Martin é o santo mais famoso e com mais devotos da França), ou ainda segurando uma torre.
Ela é padroeira dos filhos adotivos, dos pais de filhos adotivos e contra maridos infiéis.

Sua festa é celebrada no dia 3 de junho.

       Santa Clotilde Rainha e o milagre da conversão da França
Gundioch, rei da Borgonha, morrera numa batalha contra os bárbaros, em defesa da Fé e de seus Estados. Seus quatro filhos, desejando governar, dividiram o pequeno reino.A mais velha das irmãs, Fredegária, tomou o véu religioso num mosteiro, onde terminou seus dias em odor de santidade.
Clotilde, a mais nova, por “sua doçura, piedade e amor pelos pobres, fazia-se bendizer por todos aqueles que viviam a seu redor”. “Essa jovem princesa demonstrou uma constância admirável em meio a seus infortúnios, e começou a brilhar, como um milagre de honra e de virtude, pela santidade de suas ações.... Seu porte era belo, suas maneiras agradáveis, seu rosto bem feito e de uma beleza tão regular, que não se podia ver nada de mais bem acabado”.
A fama de tal virtude e beleza chegou ao vizinho reino dos Francos (depois França), onde seu jovem e fogoso rei, Clóvis pensou em desposar a virtuosa princesa, apesar de ser ela católica. Certamente influiu nessa decisão o Bispo São Remígio, no qual o rei franco depositava inteira confiança.
As bodas realizaram-se no ano de 493 em Soissons, com toda a suntuosidade da época.
“No palácio do rei franco instalou-se um oratório católico, onde diariamente se ofereciam os Sagrados Mistérios, aos quais a Santa assistia com singular devoção”.
Um ano após o casamento, Clotilde deu à luz um herdeiro, e obteve de Clóvis licença para batizá-lo. Poucos dias depois, o pequeno inocente foi para o Céu. O rei, irado, alegou que se ele tivesse sido consagrado aos seus deuses, não teria morrido.
A rainha protestou com firmeza dizendo que se alegrava pelo fato de Deus os ter julgado dignos de que um fruto de seu matrimônio entrasse no Céu. E que, em vez de entristecer-se, eles deveriam rejubilar-se. Isso aplacou o rei.No ano seguinte, Clotilde deu à luz outro menino que, apenas batizado, correu perigo de vida. A rainha lançou-se aos pés do altar e, por suas súplicas e lágrimas -- que visavam mais a conversão do marido do que evitar essa segunda morte -- obteve de Deus que ele se restabelecesse.As qualidades da esposa começaram a impressionar vivamente a Clovis. Mas ele tinha um temperamento modelado pela barbárie, e portanto refratário à Religião católica. Para obter a conversão do marido e do reino, a piedosa rainha entregava-se em segredo a grandes austeridades, prolongadas orações, e especial caridade para com os pobres. Ao mesmo tempo, “honrava seu real esposo, e procurava suavizar seu temperamento belicoso com sua mansidão cristã”.
“Enquanto não adorares o verdadeiro Deus - dizia-lhe ela - temerei que voltes das batalhas vencido e humilhado. Até agora não enfrentaste inimigos dignos de teu valor. Se, por desgraça, fores cercado e acossado por um exército mais numeroso, em vão pedirás a ajuda de teus falsos deuses”. Clóvis contentava-se em desviar a conversa para não magoar a esposa com blasfêmias.
Clotilde tornou-se amiga de Santa Genoveva, que então resplandecia em Paris por suas virtudes e milagres. A ela e a São Remígio recomendou também a conversão do marido.
Chegou finalmente a batalha de Tolbiac, a hora da Providência. O invicto Clovis encontrou-se face aos poderosos alamanos. De repente vê seu exército recuar em tal pânico que, na fuga, uns guerreiros atropelam os outros. Desesperado, o monarca pagão começa a clamar aos seus deuses, pedindo-lhes ajuda. Em vão. Lembra-se então de Clotilde. Caindo de joelhos, eleva seus olhos ao Céu, e brada com toda a alma: “Ó Jesus Cristo, Deus de Clotilde. Se me concederdes vencer esses inimigos, eu crerei em Vós e serei batizado em vosso nome”. A batalha virou miraculosamente de lado e Clóvis venceu.
Essa conversão foi pronta e sincera. Não querendo esperar chegar a Soissons para instruir-se “na fé de Clotilde”, mandou chamar um virtuoso eremita, São Vedasto, para que marchasse a seu lado, instruindo-o na Fé católica. Quis Deus que o rei bárbaro comprovasse mais uma vez, com os próprios olhos, a santidade da Religião que lhe estava sendo pregada. Ao passarem pela vila de Vouziers, um cego aproximou-se para pedir esmola, e só ao tocar a túnica de São Vedasto, adquiriu imediatamente a visão.
À rainha – que o esperava ansiosamente pois Clóvis já mandara notícia de sua conversão – disse ele: “O Deus de Clotilde deu-me a vitória. De hoje em diante será meu único Deus!”
No dia de Natal do ano 496, Clóvis, com três mil de seus mais valentes guerreiros, ingressaram pelo batismo na milícia do Deus de Clotilde.Ao entrar o rei dos francos com o Bispo de Reims no batistério, disse-lhe este as palavras que se tornaram famosas: “Curva a cabeça, altivo Sicambro; adora o que queimaste e queima o que adoraste”.
No momento em que São Remígio ia proceder à unção do rei com o óleo do Santo Crisma, baixou da abóbada do templo uma pomba trazendo no bico uma ampola com azeite.
O Bispo, vendo naquilo uma ordem celeste, ungiu com ele a cabeça de Clóvis. Com esse azeite seriam ungidos depois praticamente todos os reis franceses, até ser quebrada a ampola durante a nefanda Revolução Francesa.“Em poucos dias, todo o reino dos francos entrava na Igreja, pondo à cabeça de seu Código nacional aquele grito entusiasta que é uma confissão de fé: ‘Viva Cristo, que ama os francos!’”. Assim nasceu a França "Filha primogênita da Igreja".(Fonte: CATOLICISMO)
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BRANCA DE CASTELA, RAINHA, MÃE, VIÚVA, RELIGIOSA, 2 DE DEZEMBRO

Branca era filha de Afonso IX, Rei de Castela, e de Eleonora da Inglaterra. Nasceu em Palência no início de 1188. Com onze anos foi prometida como esposa a Luis, delfim da França, pelo tio João Sem Terra, que tinha intenção de se reconciliar com o Rei Felipe Augusto.
     O casamento dos jovens príncipes foi celebrado no dia 23 de maio de 1200 em Portmort, na Normandia.
     Branca encontrava-se profundamente aflita, pois já se haviam passado doze anos desde seu casamento e ainda não tinha filhos. São Domingos de Gusmão, que fora visitar a Rainha, aconselhou-a a rezar diariamente o Terço, pedindo a Deus a graça de tornar-se mãe. Seguindo fielmente o conselho, ela foi atendida e em 1213 deu à luz o seu primogênito, Filipe, que veio a falecer na infância.
     O fervor da rainha não se abalou por essa provação. Ao contrário, ela procurou o auxílio de Nossa Senhora mais do que antes. Distribuiu Terços para todos os membros da corte e para os habitantes de muitas cidades do seu reino, pedindo que se unissem a ela na súplica a Deus. Sua ardente oração foi ouvida quando, em 1215, nasceu aquele que seria depois São Luís, o príncipe que se tornaria a glória da França e modelo dos reis cristãos.
     Branca, que fora educada nos princípios católicos, educou seus numerosos filhos, entre eles Luis, segundo os mesmos ensinamentos. A Rainha herdou dos Plantagenetas, seus ancestrais maternos, a excepcional força de ânimo e o senso político que demonstrou colaborando nos empreendimentos do esposo, encorajado por ela na sua luta pela expulsão dos ingleses do Poitou.

Em 1223 tornou-se Rainha da França e ficou viúva três anos depois. Assumiu a regência em nome do filho, Luis IX, e logo se defrontou com uma coalizão dos grandes senhores feudais que, sob a liderança de Pedro Mauclerc, Duque da Bretanha, pretendiam tornar-se independentes do poder real, ou procuravam obter uma maior influência política, não tolerando a regência de uma estrangeira.
     Branca, com manobras sagazes, conseguiu sair vitoriosa desta e de outras coalizões, debelando também a de Raimundo VII, Conde de Tolosa, estendendo a autoridade régia ao Languedoc, que foi efetivamente exercida após o casamento do filho Afonso de Poitiers com Joana de Tolosa.
     O Cardeal Romano Frangipane, legado pontifício, presente na França já no tempo de Luis VIII, muito ajudou Branca em suas lutas, pois havia conservado um ascendente também sobre a rainha.
     Quando o filho atingiu a maioridade, em 1234, Branca continuou a ocupar-se das tarefas de estado junto com Luis IX por uma dezena de anos, enfrentando novas sublevações, especialmente a de Hugo de Lusignano, Conde das Marches.
     Após a maioridade do filho, em 1234, Branca continuou a ocupar-se dos deveres de estado por uma dezena de anos junto com Luis IX, enfrentando novas sublevações, especialmente a de Hugo de Lusignano, Conde de Marche.
     Após a partida do rei para a cruzada de 1243, Branca assumiu novamente a regência do reino.
     Branca faleceu em Paris no dia 26 (ou 27) de novembro de 1252, enquanto São Luis IX ainda se encontrava no Oriente. O seu corpo repousa na Abadia de Maubuisson, fundada por ela em 1242, e onde ela mesma recebera o hábito cisterciense alguns anos antes da morte. O seu coração é conservado na Abadia de Lys, nas proximidades de Melun, para onde fora levado em 13 de março de 1253.
Branca de Castela é universalmente venerada como santa, embora não tenha sido canonizada; sua festa é celebrada no dia 2 de dezembro.

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SANTA ISABEL DA HUNGRIA, VIÚVA, DA ORDEM III , PADROEIRA DA T O R E DA O F S


 Ordem Franciscana Secular em festa, homenagem a nossa Padroeira
Santa Isabel da Hungria...   17 de novembro




"Todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos menores,
 a mim o fizestes".



É morrendo que se nasce para a Vida Eterna...  ela o fez, aos vinte e quatro anos entrou na vida, tendo vivido entre nós a mais rica e fascinante história de amor a Cristo nos pobres e nos sofredores.


Filha de André II, rei da Hungria, nasceu no ano 1207. Ainda muito jovem foi dada em matrimônio a Luís IV, landgrave da Turíngia, e teve três filhos. Dedicou-se a uma vida de intensa meditação das realidades celestes e de caridade para com o próximo. De caráter vibrante, muito dedicada à oração, era cheia de caridade efetiva para com os pobres, doentes, trabalhando contra toda injustiça feita ao povo, apoiada nisso pelo marido. Morto este numa cruzada, ela foi obrigada a deixar a corte, aos vinte anos, com seus três filhos. Abandonou então tudo para se dar ao Cristo "vivo" nos pobres renunciou aos seus títulos e bens, abraçando a pobreza e construiu um hospital, dedicando-se com humildade e amor ao cuidado dos doentes. 

  Inscreveu-se na ordem terceira franciscana e viveu como "religiosa" até a morte, ocorrida aos 17 de novembro de 1231, em Marburgo, com apenas vinte e quatro anos de idade.




Se desejar ter um aprofundamento maior sobre esta "santa da caridade", você poderá mergulhar na homilia do Santo Padre, na íntegra, após as leituras do Ofício. Boa leitura!


Para ler e meditar com o Ofício das Leituras


Primeira leitura
Da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios

A excelência da caridade
Irmãos: 12,31Aspirai aos dons mais elevados. Eu vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior.

13,1Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse caridade, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine. 2Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, mas se não tivesse caridade, eu não seria nada.

3Se eu gastasse todos os meus bens para sustento dos pobres, se entregasse o meu corpo às chamas, mas não tivesse caridade, isso de nada me serviria.

4A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece; 5não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor, 6não se alegra com a iniqüidade, mas regozija-se com a verdade. 7Suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo.

8A caridade não acabará nunca. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá. 9Com efeito, o nosso conhecimento é limitado e a nossa profecia é imperfeita. 10Mas, quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito. 11Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei  o que era próprio de criança. 12Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face. Agora, conheço apenas de modo imperfeito, mas, então, conhecerei como sou conhecido.

13Atualmente permanecem estas três coisas: fé, esperança, caridade. Mas a maior delas é a caridade.

Responsório 1Jo 4,16.7

R. Conhecemos e cremos no amor
que Deus manifesta por nós.
* Pois quem permanece no amor,
em Deus permanece e Deus nele.
V. Amemo-nos, pois, uns aos outros,
Porque o amor vem de Deus. * pois quem.


Segunda leitura
Da Carta escrita por Conrado de Marburgo, diretor espiritual de Santa Isabel
(Ad pontificem anno 1232: A. Wys, Hesisches Urkunden-
buch I, Leipzig 1879,31-35)
(Séc.XIII)

Isabel conheceu e amou Cristo nos pobres
Muito cedo começou Isabel a possuir grandes virtudes. Do mesmo modo como a vida inteira foi a consoladora dos pobres, era também desde então a providência dos famintos. Determinou a construção de um hospital, perto de um castelo de sua propriedade, onde recolheu muitos enfermos e enfraquecidos. A todos que ali iam pedir esmola, distribuiu liberalmente suas dádivas; e não só ali, mas em todo o território sob a jurisdição de seu marido. Destinou para isto a renda de quatro dos principados do esposo, e foi ao ponto de mandar vender seus adornos e vestes preciosas em benefício dos pobres.

Tinha o costume de, duas vezes ao dia, pela manhã e à tarde, visitar pessoalmente seus doentes, e chegava mesmo a tratar com as próprias mãos os mais repelentes. A alguns deles alimentava, a outros preparava o leito, a outros até carregava nos ombros. Assim realizava muitas obras de bondade. Em tudo isto seu marido, de feliz memória, não se mostrava contrariado. Contudo, após a morte deste, tendendo para a máxima perfeição, rogou-me com lágrimas que lhe permitisse ir mendigar de porta em porta.

Numa Sexta-feira Santa, desnudados todos os altares, em uma capela de seu castelo onde
acolhera os frades franciscanos, colocou as mãos sobre o altar e, na presença de umas poucas pessoas, renunciou à própria vontade e a todas as pompas mundanas e a tudo quanto o Salvador no evangelho aconselhara abandonar. 
Feito isto, vendo que poderia deixar-se absorver pelo tumulto do século e glória mundana, naquela terra onde vivera com esplendor em vida do esposo, seguiu-me contra minha vontade a Marburgo. Nesta cidade construiu um hospital para doentes e necessitados, chamando à sua mesa os mais miseráveis e desprezados.


 Além desta atuação operosa, digo-o diante de Deus, raramente vi mulher mais contemplativa. Algumas pessoas e mesmo religiosos, na hora de sua oração particular, viram muitas vezes seu rosto brilhar maravilhosamente e como que raios de sol 
jorrarem de seus olhos.


Antes da morte ouvi-a em confissão. Indagando-lhe, então, qual o seu desejo em relação ao que possuía e a seus móveis, respondeu que tudo quanto parecia possuir já pertencia aos pobres e pediu-me distribuir-lhes tudo, reservando apenas a túnica vulgar que vestia e com a qual queria ser sepultada. Depois, recebeu o corpo do Senhor e, em seguida, até à hora de Vésperas falou bastante sobre as ótimas coisas que ouvira no sermão. Finalmente, com toda devoção, recomendando a Deus todos os presentes, expirou 
como se adormecesse suavemente.

Responsório Jt 15,11(Vg); At 10,4
R. Agiste com coragem, teu coração não se abalou,
pois amaste a castidade.
* Por isso hás de ser bendita eternamente.
V. Tuas preces e esmolas se elevaram até Deus
como oferta de incenso. * Por isso.

Oração
Ó Deus, que destes a Santa Isabel da Hungria reconhecer e venerar o Cristo nos pobres,
concedei-nos, por sua intercessão, servir os pobres e aflitos com incansável caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.



A autoridade 
é um serviço à justiça e à caridade



A vida de Isabel da Hungria é "um verdadeiro exemplo para todos aqueles que desempenham funções de guia", porque mostra que "o exercício da autoridade a todos os níveis deve ser vivido como serviço à justiça e à caridade, na busca constante do bem comum", disse o Papa falando da "grande santa da caridade" na audiência geral de quarta feira 20 de Outubro na praça de São Pedro.

Prezados irmãos e irmãs!

Hoje gostaria de vos falar de uma das mulheres da Idade Média que suscitou maior admiração: trata-se de Santa Isabel da Hungria, chamada também Isabel de Turíngia.


Nasceu em 1207; os historiadores debatem sobre o lugar. Seu pai era André II, rico e poderoso rei da Hungria que, para fortalecer os laços políticos, casou com a condessa alemã Gertrudes de Andechs-Merânia, irmã de Santa Edviges, que era esposa do duque da Silésia. Isabel viveu na Corte húngara só os primeiros quatro anos da sua infância, com uma irmã e três irmãos. Gostava dos jogos, da música e da dança; recitava fielmente as suas preces e já prestava atenção especial aos pobres, os quais ajudava com uma boa palavra ou com um gesto carinhoso. 


A sua infância feliz foi bruscamente interrompida quando, da longínqua Turíngia, chegaram alguns cavaleiros com a finalidade de a levar para a sua nova sede na Alemanha central. Com efeito, segundo a tradição dessa época seu pai decidiu que Isabel se tornasse princesa da Turíngia. O landgrave ou conde dessa região era um dos soberanos mais ricos e influentes da Europa no início do século XIII, e o seu castelo era centro de magnificência e cultura. Mas por detrás das festas e da aparente glória escondiam-se as ambições dos príncipes feudais, muitas vezes em guerra entre si e em conflito com as autoridades reais e imperiais. Neste contexto, o landgrave Hermann acolheu de bom grado o noivado entre seu filho Ludovico e a princesa húngara. Isabel partiu da sua pátria com um rico dote e um grande séquito, inclusive com as suas servas pessoais, duas das quais foram suas amigas fiéis até ao fim. Foram elas que nos deixaram preciosas informações sobre a infância e a vida da Santa.




Após uma longa viagem, chegaram a Eisenach, para depois subirem à fortaleza de Wartburg, o castelo maciço acima da cidade. Ali celebrou-se o noivado entre Ludovico e Isabel. Nos anos seguintes, enquanto Ludovico aprendia a profissão de cavaleiro, Isabel e as suas companheiras estudavam alemão, francês, latim, música, literatura e bordado.


 Embora o noivado tenha sido decidido por motivos políticos, entre os dois jovens nasceu um amor sincero, animado pela fé e pelo desejo de cumprir a vontade de Deus. Aos 18 anos, Ludovico, depois da morte do pai, começou a reinar na Turíngia. Mas Isabel tornou-se objecto de murmúrios, porque o seu modo de se comportar não correspondia à vida cortesã. Assim, também a celebração do matrimónio não foi pomposa e as despesas para o banquete foram parcialmente destinadas aos pobres.


 Na sua profunda sensibilidade, Isabel via as contradições entre a fé professada e a prática cristã. Não suportava os comprometimentos. Certa vez, ao entrar na igreja na solenidade da Assunção, tirou a coroa, depô-la diante da cruz e permaneceu prostrada no chão com o rosto coberto. Quando a sogra a repreendeu por aquele gesto, ela retorquiu: "Como posso eu, criatura miserável, continuar a trazer uma coroa de dignidade terrena, quando vejo o meu Rei Jesus Cristo coroado de espinhos?". 


Do mesmo modo como se comportava diante de Deus, também o fazia em relação aos súditos. Entre os ditos das quatro servas encontramos este testemunho: "Não consumia alimentos se antes não estivesse certa de que provinham das propriedades e dos bens legítimos do marido. Enquanto se abstinha dos bens conquistados ilicitamente, esforçava-se também por indenizar aqueles que tinham suportado violência" (nn. 25 e 37). Um verdadeiro exemplo para todos aqueles que desempenham funções de guia: o exercício da autoridade, a todos os níveis, deve ser vivido como serviço à justiça e à caridade, na busca constante do bem comum.


Isabel praticava assiduamente as obras de misericórdia: dava de beber e de comer a quem batia à sua porta, oferecia roupas, pagava as dívidas, cuidava dos enfermos e enterrava os mortos. Quando descia do seu castelo, ia muitas vezes com as suas servas às casas dos pobres, levando pão, carne, farinha e outros alimentos. Entregava pessoalmente a comida e controlava com atenção as roupas e os leitos dos pobres. Este comportamento foi referido ao marido, que não só não se lamentou, mas respondeu aos acusadores: "Enquanto ela não vender o meu castelo, estou feliz!". É neste contexto que se insere o milagre do pão transformado em rosas: quando Isabel ia pelo caminho com o seu avental cheio de pão para os pobres, encontrou o marido que lhe perguntou o que estava a levar. Ela abriu o avental e, em vez de pão, apareceram rosas magníficas. Este símbolo de caridade está presente muitas vezes nas representações de Santa Isabel. 


O seu matrimónio foi profundamente feliz: Isabel ajudava o cônjuge a elevar as suas qualidades humanas a nível sobrenatural, e ele, em contrapartida, protegia a esposa na sua generosidade aos pobres e nas suas práticas religiosas. Cada vez mais admirado pela grande fé da sua esposa, Ludovico, referindo-se à sua atenção aos pobres, disse-lhe: "Amada Isabel, foi Cristo que lavaste, alimentaste e cuidaste". Um claro testemunho do modo como a fé e o amor a Deus e ao próximo fortalecem a vida familiar e tornam ainda mais profunda a união matrimonial.


O jovem casal encontrou apoio espiritual nos Frades Menores que, a partir de 1222, se difundiram na Turíngia. Entre eles, Isabel escolheu frei Rogério (Rüdiger) como diretor espiritual. Quando ele lhe narrou a vicissitude da conversão do jovem e rico comerciante Francisco de Assis, Isabel entusiasmou-se ulteriormente no seu caminho de vida cristã. A partir desse momento, decidiu-se ainda mais a seguir Cristo pobre e crucificado, presente nos pobres. Mesmo quando nasceu o primeiro filho, seguido depois por outros dois, a nossa Santa nunca descuidou as suas obras de caridade. Além disso, ajudou os Frades Menores a construir em Halberstadt um convento do qual frei Rogério se tornou superior. Assim, a direção espiritual de Isabel passou para Conrado de Marburgo.


Uma dura prova foi o adeus ao marido, no final de Junho de 1227, quando Ludovico IV se associou à cruzada do imperador Frederico II, recordando à esposa que se tratava de uma tradição para os soberanos da Turíngia. Isabel respondeu: "Não te impedirei. Entreguei-me totalmente a Deus e agora devo dar-lhe também a ti". Porém, a febre dizimou as tropas e o próprio Ludovico adoeceu e faleceu com 27 anos em Otranto, antes de embarcar, em Setembro de 1227. Quando recebeu a notícia, Isabel ficou tão amargurada que se retirou em solidão, mas depois, fortalecida pela oração e consolada pela esperança de o rever no Céu, recomeçou a interessar-se pelos assuntos do reino. 


Contudo, outra prova esperava-a: o seu cunhado usurpou o governo da Turíngia, declarando-se autêntico herdeiro de Ludovico e acusando Isabel de ser uma mulher piedosa mas incompetente no governo. A jovem viúva, com os três filhos, foi expulsa do castelo de Wartburg e pôs-se em busca de um lugar onde se refugiar. Só duas servas permaneceram ao seu lado, a acompanharam e confiaram os três filhos aos cuidados dos amigos de Ludovico. Peregrinando pelas aldeias, Isabel trabalhava onde era acolhida, assistia os doentes, fiava e costurava. Durante este calvário suportado com grande fé, com paciência e dedicação a Deus, alguns parentes, que tinham permanecido fiéis a ela e consideravam ilegítimo o governo do cunhado, reabilitaram o seu nome. 


Assim Isabel, no início de 1228, pôde receber uma renda apropriada para se retirar no castelo de família em Marburgo, onde habitava também o seu diretor espiritual, frei Conrado. Foi ele que referiu ao Papa Gregório IX o seguinte acontecimento: "Na Sexta-Feira Santa de 1228, pondo as mãos no altar da capela da sua cidade de Eisenach, onde tinha acolhido os Frades Menores, na presença de alguns frades e familiares, Isabel renunciou à própria vontade e a todas as vaidades do mundo. Ela queria renunciar também a todas as posses, mas eu desaconselhei-a por amor aos pobres.


 Pouco tempo mais tarde, construiu um hospital, recolheu doentes e inválidos e serviu à sua mesa os mais miseráveis e desamparados. Quando a repreendi por estes gestos, Isabel respondeu que dos pobres recebia uma especial graça e humildade" (Epistula magistri Conradi, 14-17).
Podemos entrever nesta afirmação uma certa experiência mística, semelhante à que viveu São Francisco: com efeito, no seu Testamento o Pobrezinho de Assis declarou que, servindo os leprosos, aquilo que antes era amargo se transformou em docilidade da alma e do corpo (cf. Testamentum, 1-3). 



Isabel transcorreu os últimos três anos no hospital por ela fundado, servindo os doentes e velando sobre os moribundos. Procurava desempenhar sempre os serviços mais humildes e os trabalhos mais repugnantes. Ela tornou-se aquela que poderíamos definir uma mulher consagrada no meio do mundo (soror in saeculo) e, com outras suas amigas vestidas de hábitos cinzentos, formou uma comunidade religiosa. Não é por acaso que é Padroeira da Terceira Ordem Regular de São Francisco e da Ordem Franciscana Secular.


Em Novembro de 1231 foi atingida por uma febre forte. Quando a notícia da sua enfermidade se propagou, muitas pessoas acorreram para a ver. Depois de cerca de dez dias, pediu que as portas fossem fechadas, para permanecer sozinha com Deus. Na noite de 17 de Novembro adormeceu docilmente no Senhor. Os testemunhos sobre a sua santidade foram tão numerosos e tais que, só quatro anos mais tarde, o Papa Gregório IX proclamou-a Santa e, nesse mesmo ano, foi consagrada a bonita igreja construída em sua honra em Marburgo.


Estimados irmãos e irmãs, na figura de Santa Isabel vemos como a fé e a amizade com Cristo criam o sentido da justiça, da igualdade de todos, dos direitos dos outros, e criam o amor e a caridade. E desta caridade nascem inclusive a esperança e a certeza de que somos amados por Cristo, e que o amor de Cristo nos espera, tornando-nos assim capazes de imitar Cristo e de O ver nos outros. Santa Isabel convida-nos a redescobrir Cristo, a amá-lo, a ter fé e deste modo a encontrar a verdadeira justiça e o amor, assim como a alegria de que um dia seremos imersos no Amor divino, na alegria da eternidade com Deus. Obrigado!

No final da audiência geral, o Papa saudou os vários grupos de fiéis presentes na praça de São Pedro, pronunciando em português as seguintes expressões.

Amados fiéis brasileiros da paróquia de São Pedro Apóstolo de Pato Branco e todos os peregrinos de língua portuguesa, agradeço a vossa visita e de coração vos saúdo, desejando que esta peregrinação a Roma deixe a vida de cada um iluminada pelo sentido e pelo amor de Deus e do próximo. Sobre as vossas famílias e comunidades cristãs, desçam abundantes favores divinos, que sobre todos invoco ao abençoar-vos em nome do Senhor. 

(©L'Osservatore Romano - 23 de Outubro de 2010)
(Postagem publicada em 17.11.10, atualizada em 16.11.2012)
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SANTA MARGARIDA DA ESCÓCIA, ESPOSA, MÃE E RAINHA, PADROEIRA DA ESCÓCIA 16 DE NOVEMBRO

"São mais dignos de admiração os feitos que a tornaram santa do que os que somente a declararam santa ante os homens. O milagre de Santa Margarida foi ter-se santificado como esposa, como mãe e como rainha", diz o seu primeiro biógrafo, o monge Teodorico, seu confessor.


Uma rainha tão boa para os súditos que, embora estrangeira, foi profundamente amada por eles. Uma mulher tão cheia de fé que soube mostrar como uma coroa real pode unir-se à coroa da fé. Através do exemplo de sua vida pessoal, levou um país inteiro ao cristianismo, desde a sua época até hoje. Assim foi a rainha Margarida, a santa protetora do povo escocês.
Nascida em 1046, na Hungria, era uma mulher da nobreza, de grande devoção cristã, culta, inteligente, e possuidora de uma sutil e fina diplomacia.


Filha do príncipe inglês Eduardo, desterrado na Hungria pela perseguição do rei Canuto, usurpador do trono, voltou com seu pai para a Inglaterra no momento em que Guilherme o conquistador desembarcava na ilha. Novamente exilada, a família de Eduardo buscou refúgio na Escócia e, pouco depois Margarida casava com o rei Malcom.

O esposo, homem rude mas de bons sentimentos, foi beneficamente influenciado pela convivência com a rainha, transformando-se num dos mais amáveis, piedosos e virtuosos reis da Escócia, passando a ter uma visão cristã na compreensão dos problemas de seus súditos, e os tratou com total consideração, respeito, bondade e justiça. .O casal teve oito filhos, seis homens e duas mulheres - uma delas chamada Edite, que veio posteriormente a ser rainha da Inglaterra conhecida com o nome de Santa Matilde, constituindo uma verdadeira igreja doméstica. 


A nova rainha foi uma bênção tanto para o esposo, como para o reino, esposa e mãe exemplar, dando aos súditos o bom exemplo de uma vida dedicada totalmente à família, à oração e aos pobres. Deu grande apoio à formação dos sacerdotes e à reforma dos costumes, esforçando-se para acabar com os abusos e escândalos da vida social.

Sua santidade é sobretudo associada à prática da caridade.Alimentava e servia pessoalmente mais de cem pobres diariamente, a ponto de lavar-lhes os pés, e beijar as chagas daqueles que eram vistos e tratados por ela como irmãos e presença de Cristo. 


A rainha Margarida tinha apenas quarenta e seis anos quando foi acometida de grave doença. E resistiu pouco tempo depois que recebeu a notícia da morte do seu marido e do filho mais velho, que caíram combatendo no castelo de Aluwick. Ela não se desesperou mas, elevando os olhos para o céu, entregou tudo  a Deus, dizendo: "Agradeço, ó Deus, porque me dás a paciência para suportar tantas desgraças!" 
Morreu no dia 16 de novembro de 1093, na cidade de Edimburg, e foi sepultada na igreja da Santíssima Trindade, em Dunferline,para onde o corpo do rei Malcom III foi levado mais tarde.
Venerada ainda em vida pela santidade, foi canonizada,em1251, pelo papa Inocêncio IV, sendo celebrada no dia de sua  morte. 
Santa Margarida da Escócia, rogai por nós.
(Publicado em 16.11.10, atualizado em 16.11.2012)
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