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E vós, quem dizeis que eu sou?

                            Não dediquemos nosso tempo a nos examinar, para saber se de fato existe amor em nossas vidas.
Confessar que Jesus é o Messias de Deus implica em perder a própria vida, para salvá-la.
Por Marcel Domergue*
Referências bíblicas
1ª leitura: «Olharão para mim a respeito daquele que trespassaram» (Zacarias 12,10-11; 13,1)
Salmo: Sl 62(63) - R/ A minha alma tem sede de vós, como a terra sedenta, ó meu Deus!
2ª leitura: A fé em Jesus Cristo supera todas as barreiras: “nem judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher” (Gálatas 3,26-29) 
Evangelho: A confissão de fé por parte de Pedro e o anúncio da Paixão (Lucas 9,18-24)
O silêncio a propósito do Messias
A passagem do evangelho que lemos neste domingo situa-se entre a multiplicação dos pães, que prefigura a última Ceia, e a Transfiguração, em que Jesus discute com Moisés e Elias a respeito «de seu êxodo que se consumaria em Jerusalém».
De fato, no versículo 51 do mesmo capítulo, veremos Jesus «tomar resolutamente o caminho de Jerusalém», onde será crucificado. Significa dizer que nossa leitura, que inclui o primeiro anúncio da Paixão, situa-se numa guinada do Evangelho de Lucas.
Antes da sua última viagem, Jesus informa aos discípulos sobre o que o espera e sobre o que os espera. Mais uma vez, surge a questão: «Quem eu sou?». A resposta de Pedro é ambígua: de fato, o Messias é considerado «filho de Davi», herdeiro da sua realeza e da sua glória. Davi é célebre por seus feitos de guerra e por ter estabelecido o povo eleito em Jerusalém.
Para a maioria dos discípulos, o Messias libertaria Jerusalém da dominação romana. Tanto que, após a Ressurreição, irão perguntar a Jesus: «Senhor, é agora o tempo em que irás restaurar a Realeza em Israel?» (Atos 1,6). Um mal-entendido a respeito do Reino e do Messias.
Cometemos erro parecido quando esperamos que Deus nos livre dos terremotos, das epidemias e das guerras. Pois tudo isso foi posto em nossas mãos: cabe a nós prevenir e remediar. O Cristo vem nos encontrar e ficar conosco, no que de pior nos possa acontecer. E nos fará sair daí, para entrarmos numa vida e num universo que sequer somos capazes de imaginar.
Jesus não quis que os discípulos ficassem repetindo ser ele o Messias, por causa deste mal-entendido quase geral, a respeito do sentido desta palavra e da missão deste «Messias». E, também, a respeito da sua identidade profunda: este filho de Davi deverá ser reconhecido como o Filho de Deus.
Deus conosco, até o fim
Filho de Davi, Filho de Deus, neste evangelho, Jesus fala de si mesmo usando a expressão «Filho do homem». OCristo se inseriu numa linhagem humana. Assim sendo, Deus e a humanidade se tornaram apenas um. Fruto da humanidade, homem por excelência, Ele é ao mesmo tempo a expressão perfeita de Deus, «o ícone do Deus invisível», como diz Paulo (Colossenses 1,15).
Digamos que, por Cristo e em Cristo, Deus desposa o destino do homem até o fim. «Fim» que é a rejeição, o ser jogado fora da humanidade, de que tantos homens padecem. Alguns, como se diz, é porque ‘aprontaram’, ou, ao menos, deram pretexto para esta exclusão. Mas Cristo foi mais longe: sem razão alguma é que foi «suprimido».
No seu caso, o totalmente justo, o justo pela justiça de Deus foi quem sofreu a sorte do injusto. E assim cumpriu-se a soberana injustiça, o excesso insuperável do que chamamos de «pecado» e que equivale a destruir, em nós e nos outros, a imagem -«o ícone»- de Deus. Esta culminância do pecado veio chocar-se com a culminância do amor.
Odiado sem haver qualquer razão, será sem razão que o Cristo irá amar até ao ponto de entregar o que querem lhe tirar: a própria vida. O gesto, portanto, de tirar-lhe a vida será de toda forma desarmado: pois não há necessidade de se apoderar daquilo que é dado.
Em Gênesis 3, o ser humano tenta apoderar-se do «ser como Deus» enquanto isto mesmo lhe fora dado, quando Deus o criara «à sua imagem e semelhança» (Gênesis 1). Jesus anuncia, portanto, aos seus discípulos, que irá encontrar-se com o homem em sua pior aflição. Aonde quer que possamos ir, até mesmo na pior decadência, Cristo permanecerá sendo Emanuel, o Deus conosco.
Viver é dar a vida
Já deveríamos ter entendido que não há necessidade alguma de metáforas sacrificiais nem vitimistas, para entrarmos na compreensão da Páscoa do Cristo. «Entrar» simplesmente, já que não chegaremos nunca ao final deste mistério. Oamor absoluto nos ultrapassa, porque nossos diversos amores não chegam nunca até aí. Jesus, no entanto, nos convida a nos unirmos a ele no dom da vida: «Se alguém me quer seguir, tome sua cruz cada dia e siga-me».
«Cada dia», diz Jesus. Esta precisão nos faz compreender que não se trata forçosamente de oferecer-nos a uma morte violenta: ninguém pode ser morto «cada dia». Mas podemos cada dia viver para os outros, consagrar a nossa inteligência e as nossas forças para fazê-los existir e até mesmo, simplesmente, facilitar-lhes a existência. Temos certa repugnância em admitir isto, que consideramos serem apenas palavras piedosas e bem-pensantes.
No entanto, quando esquecemos nós mesmos para fazer com que os outros vivam, é que começamos a existir. O Paitorna-se pai, torna-se ele mesmo, tão somente pela geração do outro que é o seu Filho. Jesus nos diz que guardar a própria vida para si, que viver em torno de si mesmo equivale a um suicídio. Sair de si mesmo para ir até aos outros é uma libertação. Temos repetido que só existimos através das relações.
Tudo depende da qualidade de nosso modo de nos religar. O cume da relação, a relação por excelência, é o amor. Não dediquemos nosso tempo a nos examinar, para saber se de fato existe amor em nossas vidas. Isto equivaleria mais uma vez a nos fecharmos em nós mesmos. Pensemos antes nos outros. Isto que é «perder a sua vida peloCristo». Temos aí, pois, desde já, a Ressurreição.

Sítio Croire, 17-06-2016.
*Marcel Domergue (+1922-2015), sacerdote jesuíta francês.
19/06/2016 | domtotal.com
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Santa Maria Madalena

Por Pe. Brendan Coleman Mc Donald, Redentorista.
Hoje, dia 22 de julho, a Igreja Católica celebra a Festa de Santa Maria Madalena. Os Evangelhos, além da mãe de Jesus, falam explicitamente de três mulheres de nome Maria: Maria, mãe de Tiago e José (Mc 15,40): Maria, irmã de Lázaro e Marta; e Maria Madalena da qual foram expulsos sete demônios (Lc 10, 38). E finalmente se fala de mais uma mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus (Lc 7, 44). A liturgia romana faz uma única comemoração destas três mulheres como se se tratasse de uma só, enquanto a liturgia oriental as festeja separadamente. Os dados históricos que possuímos sobre Santa Maria Madalena são os que nos oferece o Evangelho. (cf. O Santo do Dia, S. Conti, Vozes, 1990, p.315). O nome de Maria Madalena  a descreve como sendo natural de  Mágdala, uma cidade grande no tempo de Cristo localizada na costa ocidental do Mar da Galileia. Alguns exegetas identificam Maria Madalena com a pecadora pública, de que fala São Lucas (Lc 7.44). A identificação parece certa pelo fato de que a cena se deu muito perto de Mágdala. Ela acreditava que Jesus Cristo realmente era o Messias (Lucas 8, 2; Lucas 11, 26; Marcos 16,9)
Maria Magdalena foi uma das poucas pessoas que estava presente ao pé da cruz, ao lado da Virgem Maria e São João na crucificação e no funeral de Cristo. Duas mulheres, dois extremos: a Imaculada e uma pecadora pública! Ambas receberam a redenção de Cristo, mas em forma diversa: Maria por antecipação, por força da qual foi concebida imaculada; Madalena, representando a humanidade pecadora, precisou ser lavada pelo sangue do Redentor! (op.cit). Maria Madalena foi a feliz mulher que, por primeiro, viu o Cristo ressuscitado. Permaneceu na cidade durante todo o sábado, e no dia seguinte, de manhã muito cedo, ”quando ainda estava escuro”, foi ao sepulcro, achou o vazio. Andava quase desesperada, achando que alguém tivesse roubado o corpo do Mestre. “Vê a certo momento um jardineiro e, angustiada, lhe pergunta: Se foste tu que o levaste, dize-me onde o puseste”. Jesus a chama pelo nome: “Maria” , A este nome abrem-se lhe os olhos e exclama: “Rabboni”, isto é Mestre! Foi então levar a Boa-Nova da Ressurreição aos apóstolos.
Desde este momento os Livros da Sagrada Escritura silenciam sobre Madalena. A tradição diz que ficou ao lado de Nossa Senhora e São João Evangelista. Em Lucas 8,2 faz se menção, pela primeira vez, de “Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios”. Não há qualquer fundamento bíblico para considerá-la como a prostitua arrependida dos pecados que pediu perdão a Cristo; também não há nenhuma menção de que tenha sido prostituta.  Os dados apresentados nos evangelhos sobre a identidade de Maria Madalena tiveram diferentes interpretações ao longo do tempo. Como foi dito, alguns acreditavam identificar nelas três mulheres diferentes. Porém, foi Gregório Vll que afirmou tratar-se de uma só mulher. A exegese contemporânea distingue três mulheres: primeira, Maria Madalena; segunda, a mulher anônima da qual havia expulsado sete demônios; a terceira, Maria, a irmã de Marta e de Lázaro. A Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa  a veneram Maria Madalena como santa. Hoje, a popularidade da santa, e a devoção a ela, são prova evidente do que representa para os cristãos aquela que viu e tocou o Senhor.
Para terminar vamos citar a linda referência à Santa Maria Madalena encontrada no livro “Deus Conosco dia a dia”; Maria Madalena é uma mulher de uma vida muita bonita, pois, depois que descobriu Jesus, não o largou mais. Seguiu-o até a cruz e pode vê-lo ressuscitado, para sua grande alegria. Foi a primeira pessoa a reconhecer Jesus ressuscitado. É a primeira testemunha da Ressurreição. O jeito de Maria Madalena servir e amar a Cristo nos ensina o jeito de servir e amar aos irmãos. Ela esperou em Cristo e alcançou a vida (cf. op. cit. julho, 2015, p.89).
SIR
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Homens e mulheres repletos de Espírito Santo

Cidade do Vaticano - O Papa Francisco presidiu a celebração eucarística na manhã deste domingo (24), Solenidade de Pentecostes, na Basílica de São Pedro. 
Segue, na íntegra, a homilia do pontífice.
“Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós (...) Recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 21.22). A efusão do Espírito, que tivera lugar na tarde da Ressurreição, repete-se no dia de Pentecostes, corroborada por sinais visíveis extraordinários. Na tarde de Páscoa, Jesus aparece aos Apóstolos e sopra sobre eles o seu Espírito (cf. Jo 20, 22); na manhã de Pentecostes, a efusão acontece de forma estrondosa, como um vento que se abate impetuoso sobre a casa e irrompe na mente e no coração dos Apóstolos. Como resultado, recebem uma força tal que os impele a anunciar, nas diferentes línguas, o evento da Ressurreição de Cristo: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas” (At 2, 4). Juntamente com eles, estava Maria, a Mãe de Jesus, primeira discípula, Mãe da Igreja nascente. Com a sua paz, com o seu sorriso, acompanhava a alegria da jovem Esposa, a Igreja de Jesus.
A palavra de Deus – especialmente neste dia – diz-nos que o Espírito age nas pessoas e comunidades que estão repletas d’Ele: guia para a verdade completa (Jo 16,13), renova a terra (Sal 103/104) e produz os seus frutos (Gal 5, 22-23).
No Evangelho, Jesus promete aos seus discípulos que, quando Ele tiver regressado ao Pai, virá o Espírito Santo que os “guiará para a verdade completa” (Jo 16, 13). Chama-Lhe precisamente “Espírito da verdade”, explicando que a sua ação será introduzi-los sempre mais na compreensão daquilo que Ele, o Messias, disse e fez, nomeadamente da sua morte e ressurreição. Aos Apóstolos, incapazes de suportar o escândalo da Paixão do seu Mestre, o Espírito dará uma nova chave de leitura para os introduzir na verdade e beleza do evento da Salvação. Estes homens, antes temerosos e bloqueados, fechados no Cenáculo para evitar repercussões da Sexta-feira Santa, já não se envergonharão de ser discípulos de Cristo, já não tremerão perante os tribunais humanos. Graças ao Espírito Santo, de que estão repletos, compreendem “a verdade completa”, ou seja, que a morte de Jesus não é a sua derrota, mas a máxima expressão do amor de Deus; um amor que, na Ressurreição, vence a morte e exalta Jesus como o Vivente, o Senhor, o Redentor do homem, da história e do mundo. E esta realidade, de que são testemunhas, torna-se a Boa Notícia que deve ser anunciada a todos.
O dom do Espírito Santo renova a terra. O Salmo diz: “Se envias o teu Espírito, (...) renovas a face da terra” (Sal 103/104, 30). A narração dos Atos dos Apóstolos sobre o nascimento da Igreja encontra uma significativa correspondência neste Salmo, que é um grande louvor de Deus Criador. O Espírito Santo, que Cristo enviou do Pai, e o Espírito que tudo vivifica são uma só e mesma pessoa. Por isso, o respeito pela criação é uma exigência da nossa fé: o “jardim” onde vivemos é-nos confiado, não para o explorarmos, mas para o cultivarmos e guardarmos com respeito (cf. Gn 2, 15). Mas isto só é possível, se Adão – o homem plasmado da terra – se deixar, por sua vez, renovar pelo Espírito Santo, se deixar replasmar pelo Pai segundo o modelo de Cristo, novo Adão. Então sim, renovados pelo Espírito de Deus, podemos viver a liberdade dos filhos em harmonia com toda a criação e, em cada criatura, podemos reconhecer um reflexo da glória do Criador, como se afirma noutro Salmo: “Ó Senhor, nosso Deus, como é admirável o teu nome em toda a terra!” (8, 2.10).
Na Carta aos Gálatas, São Paulo quer mostrar qual é o “fruto” que se manifesta na vida daqueles que caminham segundo o Espírito (cf. 5, 22). Temos, duma parte, a “carne” com o cortejo dos seus vícios elencados pelo Apóstolo, que são as obras do homem egoísta, fechado à ação da graça de Deus; mas, doutra, há o homem que, com a fé, deixa irromper em si mesmo o Espírito de Deus e, nele, florescem os dons divinos, resumidos em nove radiosas virtudes que Paulo chama o “fruto do Espírito”. Daí o apelo, repetido no início e no fim como um programa de vida: “caminhai no Espírito” (Gal 5, 16.25).
O mundo tem necessidade de homens e mulheres que não estejam fechados, mas repletos de Espírito Santo. Para além de falta de liberdade, o fechamento ao Espírito Santo é também pecado. Há muitas maneiras de fechar-se ao Espírito Santo: no egoísmo do próprio benefício, no legalismo rígido – como a atitude dos doutores da lei que Jesus chama de hipócritas –, na falta de memória daquilo que Jesus ensinou, no viver a existência cristã não como serviço, mas como interesse pessoal, e assim por diante. O mundo necessita da coragem, da esperança, da fé e da perseverança dos discípulos de Cristo. O mundo precisa dos frutos do Espírito Santo: “amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio” (Gal 5, 22). O dom do Espírito Santo foi concedido em abundância à Igreja e a cada um de nós, para podermos viver com fé genuína e caridade operosa, para podermos espalhar as sementes da reconciliação e da paz. Fortalecidos pelo Espírito e seus múltiplos dons, tornamo-nos capazes de lutar, sem abdicações, contra o pecado e a corrupção e dedicar-nos, com paciente perseverança, às obras da justiça e da paz.
RV/SIR24/05/2015  |  domtotal.com
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Ele está no meio de nós

Devemos reavivar a consciência de que somos comunidades de Jesus.
Por José Antonio Pagola*

Apesar de as palavras de Jesus recolhidas por Mateus serem de grande importância para a vida das comunidades cristãs, poucas vezes atraem a atenção de comentaristas e pregadores. Esta é a promessa de Jesus: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali no meio deles". Jesus não está pensando em celebrações massivas como as que acontecem na Praça de São Pedro em Roma. Apesar de serem dois ou três, ali está ele no meio deles. Não é necessário que a hierarquia esteja presente, não é preciso que estejam reunidas muitas pessoas.
O importante é que “estejam reunidos”, não dispersos, nem confrontados: que não vivam se desqualificando uns aos outros. O decisivo é que se reúnam "em seu nome": que escutem sua chamada, que vivam identificados com seu projeto do reino de Deus. Que Jesus seja o centro de seu pequeno grupo.
Esta presença viva e real de Jesus é que deve animar, guiar e apoiar as pequenas comunidades de seus seguidores. É Jesus quem deve alentar sua oração, suas celebrações, projetos e atividades. Esta presença é o "segredo" de toda comunidade cristã viva.
Os cristãos não podem se reunir hoje em pequenos grupos e comunidade de qualquer forma: por costume, por inércia ou para cumprir algumas obrigações religiosas. Podem ser muitos ou talvez poucos. Mas o importante é que se reúnam em seu nome, atraídos por sua pessoa e por seu projeto de fazer um mundo mais humano.
Devemos reavivar a consciência de que somos comunidades de Jesus. Nós nos reunimos para escutar seu Evangelho, para manter viva sua lembrança, para contagiar-nos do seu Espírito, para acolher em nós sua alegria e sua paz, para anunciar sua Boa Nova.
O futuro da fé cristã vai depender em grande parte do que os cristãos façam nas suas comunidades concretas nas próximas décadas. Não basta o que possa fazer o Papa Francisco no Vaticano. Nem podemos também colocar nossa esperança num pequeno grupo de sacerdotes que possam ser ordenados nos próximos anos. Nossa única esperança é Jesus Cristo.
Os cristãos devem centrar suas comunidades cristãs na pessoa de Jesus como a única força capaz de regenerar sua fé gasta e rotineira. Ele é o único capaz de atrair os homens e mulheres de hoje. É o único capaz de engendrar uma nova fé nestes tempos de incredulidade. A renovação da Igreja é urgente. Os decretos de reformas são necessários. Mas nada é tão decisivo como voltar com radicalidade a Jesus Cristo.
Instituto Humanitas Unisinos
*José Antonio Pagola é teólogo. O texto é baseado no Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 18, 15-20 que corresponde ao 23º Domingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano Litúrgico.
07/09/2014  |  domtotal.com
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No próximo domingo, comemora-se o Dia Nacional dos Leigos

Brasília - Neste domingo, 24 de outubro, é celebrado o Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas. Por ocasião da data, o bispo de Caçador (SC) e presidente da Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB, dom Frei Severino Clasen, envia uma mensagem aos leigos. “Saudamos e cumprimentamos os milhões de leigos e leigas que se dedicam à evangelização; são infinitamente a maioria absoluta que anunciam o Cristo Rei através da catequese, da liturgia, da coordenação de grupos, das pastorais, dos movimentos, associações, novas comunidades...”, destacou o bispo.

Leia o texto na íntegra:

Mensagem para o Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas

Saúdo todos os leigos e leigas do Brasil pelo seu dia na festa de Cristo Rei!

Viva Cristo Rei!

Todas as criaturas necessitam de um ambiente saudável para nascer, crescer e viver em paz. É preciso construir a casa para que se possa viver com dignidade como pessoa humana, desde o momento em que tem início a existência, pois, já carrega a imagem de Cristo.

Jesus Cristo é proclamado Rei do Universo no último domingo litúrgico do ano. Ele tem um Reino para nós. Pela graça do Batismo, somos filiados à Igreja.  Como mãe, a Igreja oferece as condições espirituais e humanas para que a vida seja de fato vista como dom e riqueza imensurável. Portanto, cada criatura humana carrega dentro de si o grande sinal de Deus Uno e Trino. A festa de Cristo Rei é para todos os batizados. Lembramos nesse dia especialmente os leigos e leigas.

A Comissão Episcopal de Pastoral para o Laicato, ao saudar os leigos e leigas, convoca-os para trabalhar na messe do Senhor e construir o Reino de paz e de justiça. O nosso espaço, o lugar onde vivemos, deve se tornar um sinal do Reino definitivo anunciado por Jesus Cristo. Por isso, são chamados para contribuir na evangelização. Saudamos e cumprimentamos os milhões de leigos e leigas que se dedicam à evangelização; são infinitamente a maioria absoluta que anunciam o Cristo Rei através da catequese, da liturgia, da coordenação de grupos, das pastorais, dos movimentos, associações, novas comunidades, CEBs, dos conselhos de leigos e da presença nos diferentes espaços da sociedade como na cultura, na economia, no mundo do trabalho,  nas artes, na família, na política, na vida profissional, na educação, nos meios de comunicação,  dentre outros.  Reconhecemos que a maioria dos agentes de evangelização são as mulheres.

O trabalho humilde, simples, cotidiano, constante, sereno, fecundo das mulheres é a beleza gigantesca no anúncio do Reino de Deus. Que os homens também se sintam participantes nessa tarefa divina e santa, pois temos tantos homens espalhados pelo mundo afora se dedicando no anúncio do Evangelho e sua justiça. Que na festa de Cristo Rei, dia do leigo, saibamos valorizar todos os que são partícipes da gloriosa vinda de Cristo e com Ele, possamos construir o Reino definitivo.

No ano de 2014, teremos muitas oportunidades para aprofundar a reflexão sobre a missão e o ministério dos leigos. Está na hora de somarmos forças para equilibrar as relações no mundo todo, que nenhum filho de Deus, passe fome, se perca no crime e seja recolhido em prisões, mas que tenha saúde, educação, espaço para o lazer, trabalho digno, moradia; esse é o Reino que ainda deve ser construído, e a força do Evangelho nos proporciona e nos condiciona para tanto. Como afirma do Documento de Aparecida os leigos e leigas são chamados a ser construtores do Reino.  É uma questão de decisão, de participação e de iniciativa criativa e inspirada pela força de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

Que a fé, aumentada e professada neste Ano da Fé, seja a força motora em cada cristão para ser instrumento de paz em toda parte.

Que o modelo de vida de família, testemunhada por Jesus, Maria e José, encoraje os leigos e leigas para serem discípulos missionários do Reino de Deus.

Fraternalmente,

Dom Frei Severino Clasen

Bispo de Caçador - SC

Presidente da Comissão Episcopal para o Laicato
CNBB
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BEM-AVENTURADO FREDERICO OZANAM, APÓSTOLO LEIGO, FUNDADOR, 7 DE SETEMBRO

Apóstolo leigo, servidor dos pobres, teve seu nome conhecido em todo o mundo através das Conferências de São Vicente de Paulo. Nasceu em Milão, na Itália, em 23 de abril de 1813. Seus pais, Jean-Antonie, médico e Marie Ozanam, casal modelo de vida cristã, originários da França, retornaram para Lião, onde Frederico cursou o primário, ingressando depois na Universidade de Sorbone, em Paris.Já aos dezessete anos conhecia o grego, latim, italiano,francês, alemão e estava iniciando-se em hebráico e sânscrito. Frederico era de espírito sensível e preocupado, estudante brilhante e leitor insaciável, apaixonado pelo estudo da filosofia. Vivendo num período de ceticismo frívolo, de religiosidade afetada, exagerada e insincera, era convicto e firme nos princípios cristãos, os quais defendia em palestras  e círculos de estudos.

Em maio de 1833, com apenas vinte anos, juntamente com mais seis colegas funda as Conferências de São Vicente de Paulo, projeto que ele já vinha há algum tempo acalentando em seu coração, uma associação de beneficência, de assistência aos pobres, para pôr em prática o cristianismo.

Doutor em Direito em 1836, Doutor em Letras em 1839, casou-se em 1841 com Amélie Souiacroix, e teve uma filha. Alcançou brilhante carreira chegando à catedrático de Literatura estrangeira na famosa Sorbone, em 1844. Professor e literato, leigo comprometido, pai e marido,  vive profundamente as várias dimensões de sua vida, com a mesma paixão e generosidade, cuidando da promoção e expansão das Conferências Vicentinas pelo mundo.

Conheceu altos e baixos no seu caminho espiritual, julgava não fazer o suficiente, e lutava contra o orgulho até esquecer-se de seu próprio valor, pedindo ao Senhor "Que me ajude a ser melhor"..

Acometido de uma grave infecção renal confundida com uma doença pulmonar, por duas vezes foi tratar-se na Itália e numa audiência particular com o Papa Pio IX, pediu-lhe que abençoasse suas obras. Mesmo doente continuava a dedicar-se com amor aos seus alunos, aos seus pobres, e até na fundação de um jornal em defesa dos princípios cristãos no campo social.
Costumava assim dirigir-se a Deus:"Senhor, quero o que Tu queres, quero como o queres, e por todo o tempo que o quiseres, quero-o porque Tu queres".

Morreu no dia 8 de setembro de 1852, em Marselha, depois de uma agonia lenta e dolorosa, com 39 anos de idade..
Foi beatificado pelo Papa João Paulo II, na Catedral Notre Dame de Paris, no dia 22 de agosto de 1997, e apresentado sobretudo aos jovens, como modelo de apóstolo leigo.

As Conferências de São Vicente de Paulo, hoje, se difundiram por todas as partes do mundo. Seus membros dedicam-se a toda obra de caridade, principalmente na visita aos necessitados, onde eles estiverem escondidos na pobreza e no esquecimento.
 As Conferências são uma obra essencialmente de leigos cristãos, particularmente de jovens, para ajudá-los a tirar do coração a intolerância e o convencionalismo e curá-los da sua ignorância a respeito das grandes injustiças e dos grandes heroísmos da vida.
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São Francisco da Penitência OFS Cabo Frio | by TNB ©2010