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Jesus Cristo, Rei do Universo

A realeza de Cristo manifesta-se como serviço, fidelidade e amor.
Por Marcel Domergue*
Referências bíblicas:
1ª leitura: "Seu poder é um poder eterno" (Daniel 7,13-14)
Salmo: 92(93) R/ Deus é rei e se vestiu de majestade, glória ao Senhor!
2ª leitura: "O soberano dos reis da terra fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus" (Apocalipse 1,5-8)
Evangelho: "Tu o dizes: eu sou rei" (João 18,33-37)

Um filho do homem
"... um como filho do homem". A primeira leitura não nos fala que Deus toma o poder, mas sim “um filho do homem”. Isto quer dizer que a humanidade está destinada a dominar sobre tudo o que lhe é contrário. O filho do homem acabará por se chamar Filho do homem. O que pode significar que a humanidade, hoje, está em gestação e irá dar à luz um homem novo, do qual o Cristo representa a entrada, a antecipação. Jesus fala em "Reino de Deus", no futuro, mas, às vezes, também no presente: ele está "no meio de vós". De fato, o homem novo, o Cristo, viveu entre nós e permanece conosco, desde que, pelo amor, nos tornemos um só corpo. Tudo isso, no entanto, permanece escondido, e só será revelado quando ele vier em sua "Glória", que será a glória também da humanidade, do "Filho do Homem". Este tema da realeza é para nós sempre um pouco estranho, e temos dificuldade em conceber a nossa relação com Deus como sendo uma relação entre um soberano e os seus súditos. Compreendemos que o Cristo não assume o poder sobre nós, já que não somos súditos, mas filhos, herdeiros do Reino (Gálatas 4,1-7). O Cristo toma sim o poder, mas sobre tudo o que nos sujeita, as famosas dominações e potestades de que fala Paulo tantas vezes e que representam tudo o que entrava a nossa liberdade. Para isso, teve de ser "elevado da terra", o que, em São João, significa ser crucificado. Submetendo-se a estas potestades, Jesus parece dizer: não têm importância nenhuma, elas não podem nada contra nós, pois não podem nos impedir de amar. E ele nos mostra isso.

A Realeza de Cristo
A expressão Cristo Rei é de fato um pleonasmo, porque a palavra Cristo já designa quem recebeu a unção real. Todo o povo é que por vezes é chamado de Cristo, o que nos traz de volta ao parágrafo precedente. Mas como se exerce a realeza do Filho do homem? Vimos que ela consiste em tomar o poder sobre tudo o que nos é contrário. "Tudo pertence a vós... o mundo, a vida, a morte, as coisas presentes e as futuras. Tudo é vosso; mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus" (1 Coríntios 3,21-23). Esta última frase implica que só alcançaremos a realeza participando da realeza de Cristo. Cabeça e membros, por certo, se fazem somente um, conforme outra imagem usada por Paulo. Mas a cabeça é que inspira os membros. Se a relação de Cristo para conosco não é uma relação de autoridade, no sentido corrente da palavra, em que consiste ela então? O evangelho nos dá a resposta. Jesus diz a Pilatos “Eu sou rei”, e faz questão de precisar que a sua realeza não é como as que são exercidas neste mundo. O único poder que o Cristo exerce é o de atração da verdade, da nossa própria verdade, esta que faz de nós seres humanos. Parece estarmos ouvindo Jesus dizer, em João 6,44: "Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair." E esta atração, exercida por nossa Origem, para nos levar ao nosso ser verdadeiramente, "de verdade", nos deixa plenamente livres; daí vêm todos os nossos problemas.

A festa do nosso futuro
Quer falemos do Cristo Rei, da Ascensão de Jesus, Filho do homem elevado acima de tudo, da sua entrada na glória, quer digamos, como no Credo, que ele está sentado à direita do Pai, estamos dizendo a mesma coisa: que aquele que em si mesmo assumiu a nossa humanidade conquista a verdade do amor ao se entregar para os outros e, por aí, entrando na alegria plena. Ao fazer isto, ele traça o caminho que devemos seguir se quisermos encontrá-lo aonde ele chegou. "Diante de mim, abriste uma passagem." Não somos mais prisioneiros de um destino de morte. Por isso, quando celebramos a festa de Cristo Rei estamos celebrando a nós mesmos. O que nos desconcerta é que só chegamos a este futuro de verdade e vida (João 14,6) tendo atravessado o pior: o fracasso, a doença, o luto, a morte. Por que razão o nascimento de nossa verdade tem de passar por tudo isso? O famoso problema do mal nunca recebeu uma solução satisfatória. Mas ele existe entre nós e nos deixa marcados de uma conivência às vezes desconcertante. Temos dificuldade em acreditar na vida e na alegria. No entanto, nada podemos fazer, tendo em vista o nosso acesso a este Reino, sem a fé e a esperança no amor que nos faz existir. Na base da nossa recusa e das nossas hesitações está o medo que, justamente, é o contrário da fé. O medo nos subjuga e nos bloqueia no caminho da liberdade. Ler a fórmula surpreendente de Hebreus 2,15: “Libertar os que, por medo da morte, passavam a vida numa situação de escravos”.
Sítio Croire
*Marcel Domergue (+1922-2015), sacerdote jesuíta francês.
22/11/2015  |  domtotal.com
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Hoje é celebrada a Solenidade de Cristo Rei do Universo

 - “Eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo” (Jo 18,37). Com a Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, a Igreja Católica conclui o Ano Litúrgico recordando os fiéis e ao mundo que ninguém e nenhuma lei está acima de Deus.

A Solenidade de Cristo Rei foi instituída pelo Papa Pio XI em 1925 e celebra Cristo como o Rei bondoso e singelo que, como pastor, guia sua Igreja peregrina para o Reino Celestial e lhe outorga a comunhão com este Reino para que possa transformar o mundo no qual peregrina.
Por ocasião desta solenidade, em 2012, ao presidir a Santa Missa, o Papa Bento XVI explicou que “neste último domingo do Ano Litúrgico, a Igreja convida-nos a celebrar Jesus Cristo como Rei do universo; chama-nos a dirigir o olhar em direção ao futuro, ou melhor em profundidade, para a meta última da história, que será o reino definitivo e eterno de Cristo”.
A possibilidade de alcançar o Reino de Deus foi estabelecida por Jesus Cristo, ao nos deixar o Espírito Santo que nos concede as graças necessárias para obter a Santidade e transformar o mundo no amor. Essa é a missão que Jesus deixou à Igreja ao estabelecer seu Reino.
Em um mundo onde prima a cultura de morte e o crescimento de uma sociedade hedonista, a festividade anual de Cristo Rei anima uma doce esperança nos corações humanos, já que impulsiona à sociedade a voltar-se para Salvador.
Conforme declarou Bento XVI, “com o seu sacrifício, Jesus abriu-nos a estrada para uma relação profunda com Deus: nele nos tornamos verdadeiros filhos adotivos, participando assim da sua realeza sobre o mundo. Portanto, ser discípulos de Jesus significa não se deixar fascinar pela lógica mundana do poder, mas levar ao mundo a luz da verdade e do amor de Deus”.
E, recordando a oração do Pai Nosso, o agora Papa emérito sublinhou que “as palavras ‘Venha a nós o vosso reino’, que equivale a dizer a Jesus: Senhor, fazei que sejamos vossos, vivei em nós, reuni a humanidade dispersa e atribulada, para que em Vós tudo se submeta ao Pai da misericórdia e do amor”.

22 Nov. 15 / 09:10 am (ACI).

acidigital
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MEDITAÇÃO - 'Não devemos utilizar Deus e seu povo', afirma Francisco

Papa Francisco: Missa em S. Marta, “não utilizar Deus e seu povo”
Cidade do Vaticano – "Não utilizar Deus e seu povo". É o que nos ensina o rei Davi, nas Escrituras. É o que afirmou o papa Francisco, que na homilia da missa celebrada na manhã dessa segunda-feira (3), na capela da Residência de Santa Marta, destacou como Davi "não utilizou nem Deus nem seu povo para se defender".

"Nos momentos tristes da vida, aconteceu que, talvez por desespero, alguém busque de se defender como pode e também de utilizar Deus e as pessoas”, comentou o papa. "A primeira atitude é essa: não utilizar Deus e seu povo". O de Davi, em síntese, é “uma atitude penitencial. Davi aceita de ficar em luto e chora".

Nós, no entanto, “quando acontece uma coisa semelhante na em nossa vida, sempre buscamos – é um instinto que temos – de nos justificar. Davi não se justifica, é realista, busca salvar a arca de Deus, seu povo e faz penitência nesse caminho. É um grande: um grande pecado e um grande santo. Como andam junto estas duas coisas... Deus o sabe!”

"É bonito ouvir isso e ver essas três atitudes", concluiu o papa. "Um homem que ama a Deus ama seu povo e não negocia: um homem que sabe ser pecador e faz penitência; um homem que confia em seu Deus e se entrega a Ele. Davi é santo e nós o veneramos como santo. Peçamos a ele que nos ensine estas atitudes em nos momentos tristes da vida”. 
SIR/03.02.2014
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Cristo, um rei servidor

Por Raymond Gravel*

Festejar Cristo, Rei do Universo, é uma outra maneira de celebrar a Páscoa. Essa festa termina bem o ano litúrgico. Sem morte-ressurreição, a festa de hoje não teria nenhum sentido. De que realeza estamos falando? Que tipo de rei reconhecemos?

Como dizia o biblista Jean-Pierre Prévost: “Para ser honesto com vocês, devo dizer francamente que não tenho nenhuma prelileção particular pela realeza e que, em si, o título de rei aplicado a Jesus não é aquele que mais me inspira”. Por essa razão, devemos redefinir a realeza, caso quisermos aplicá-la ao Cristo ressuscitado na Igreja de hoje; caso contrário, corremos o risco de associar Cristo a um monarca igual a todos os outros e que nos faria perder de vista o que Cristo foi e ainda é na Igreja de hoje.

Infelizmente, alguns dirigentes da Igreja, com frequência, confundiram a realeza de Cristo com aquela dos homens, a ponto de deformar o rosto de Jesus. Felizmente, em cada época, houve discípulos, homens e mulheres, que souberam devolver ao Cristo a sua verdadeira realeza, que consiste em servir e não em ser servido.

A problemática da realeza

Jean-Pierre Prévost escreve: "A história da realeza em Israel começou mal. Foi a contragosto que o profeta Samuel acabou por consagrar Saul primeiro rei de Israel, para responder à demanda do povo que queria ser como todas as outras nações" (1 Sm 8,5). Podemos acrescentar que esse não teve um sucesso real. E por quê? Simplesmente porque o poder corrompe e o prestígio sobe à cabeça daqueles que exercem o poder.

É evidente que na história de Israel houve reis melhores que outros; pensemos em Davi ou em Salomão. Mas esses dois reis, que a tradição bíblica soube embelezar, tornando-os símbolos idílicos, a história mostra que também eram muito humanos, portanto, limitados e pecadores.

No fundo, a Bíblia nos ensina que Deus não queria reis, porque a experiência da realeza era bastante negativa e a história de Israel é a prova disso, uma vez que a realeza não durou mais do que 400 anos e terminou de maneira trágica com o exílio de Sedecias para a Babilônia.
O que Deus queria era um rei servidor e não um príncipe que dirige e que explora o seu povo. Essa má experiência da realeza permitiu ao povo de Israel purificar sua fé e imaginar um rei ideal, que seria um verdadeiro pastor e que viria estabelecer um reino de justiça e de paz a serviço dos pobres e dos desafortunados. Esse rei nós o reconhecemos no Cristo Pascal.

Cristo, Rei do Universo

Foi somente em 1925 que nasceu essa festa e não é pelas mesmas razões que nós continuamos a celebrá-la hoje. Jesus nunca se declarou rei; pelo contrário, o evangelho nos ensina que esse título foi dado a ele de maneira irônica e sarcástica por um rei, Herodes, e por um representante de César, Pôncio Pilatos... Jesus se defendeu: “Pilatos disse a Jesus: ‘Então tu és rei?’ Jesus respondeu: ‘Você está dizendo que eu sou rei’” (Jo 18,37a).
Por outro lado, se dizemos que Cristo é rei, é porque reconhecemos nele o servidor que quis estabelecer o reino de justiça e de paz, tão desejado pelos homens e pelas mulheres do seu tempo. Mas ele não tem nada de outro rei: seu trono é a cruz; sua coroa é de espinhos e seu cetro é seu bastão de pastor.
O evangelho de Lucas o apresenta, ao mesmo tempo, como um rei sem poder – “Se tu és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo” (Lc 23,37) – e como um rei muito humano, de sorte que o ladrão crucificado com ele que o interpela, não lhe diz: Majestade ou Senhor, ou Mestre ou ainda Sua Santidade ou Monsenhor... Não! Ele o chama de Jesus: “Jesus, lembra-te de mim quando vieres em teu Reino” (Lc 23,42). Esse bandido torna-se o primeiro sujeito do Reino: “Eu lhe garanto: hoje mesmo você estará comigo no Paraíso” (Lc 23,43). É o que fez São João Crisóstomo dizer: “Fiel à sua profissão de ladrão, ele rouba por sua confissão o reino dos céus”.

Atualização

Atualmente, temos necessidade de reler o evangelho para celebrar Cristo, Rei do Universo. É preciso nos perguntar: como sociedade e como Igreja, que tipo de rei apresentamos? Que rosto de Cristo mostramos às mulheres e aos homens do nosso tempo? Quantos políticos e lideranças da Igreja exercem o seu poder como monarcas déspotas e cruéis que têm coração muito mais para enriquecer do que servir a coletividade, a comunidade? Na Igreja, quantas dores foram infligidas aos cristãos(as) por lideranças principescas que acreditaram ser os únicos detentores da verdade?

Há alguns anos, o papa João Paulo II pediu perdão pela Igreja do Renascimento; o cardeal Marc Ouellet fez o mesmo pela Igreja de Quebec antes de 1960, por todos os sofrimentos infligidos às mulheres, aos autóctones, aos judeus, às crianças, aos homossexuais... A reação das pessoas foi muito negativa. Homens, mulheres, membros do clero criticaram duramente tanto o papa como o cardeal. Diziam que seu perdão era incompleto e condicional; não acreditavam em sua sinceridade.
De sorte que o jornalista do jornal Presse, Alain Dubuc, resumiu bem o pensamento de muitos quebequenses sobre o cardeal Marc Ouellet, durante sua passagem pela Comissão Bouchard-Taylor, em 2007. Ele escreve: “Com seu ardor e sua carta de perdão, o cardeal Ouellet conseguiu nos lembrar porque os quebequenses rejeitaram em massa e tão brutalmente a sua Igreja durante os anos 1960. As reações foram muito vivas, porque Ouellet, com sua rigidez e sua arrogância, nos mergulha novamente neste período que os mais velhos dentre nós querem esquecer. Ouellet, eu o digo pesando minhas palavras, após uma leitura atenta das suas intervenções públicas, é um reacionário no sentido mais forte da palavra, alguém que se insurge contra a evolução da sociedade que o cerca, que quer resistir às mudanças e que defende as práticas e os valores que pertencem ao passado".

Pessoalmente, acredito sinceramente que algumas lideranças eclesiais de hoje fazem muito mais mal à Igreja do que a ajudam; eles encarnam essa Igreja que os quebequenses não querem mais: uma Igreja dogmática e doutrinal que sempre exclui as mulheres, uma Igreja homofóbica que condena os homossexuais, uma Igreja obcecada pela sexualidade, uma Igreja que rejeita aquelas e aqueles que vivem um fracasso em seu casamento e que querem continuar a amar, uma Igreja que acredita ser a única detentora da verdade sobre Deus e sobre o mundo, uma Igreja que recusa qualquer evolução e qualquer mudança na sociedade, uma Igreja que não está a serviço do povo de Deus, mas que se serve dos cristãos para aumentar seu prestígio e seu poder.
Com uma Igreja assim, estamos longe do Evangelho e, como durante muito tempo encontramos nela esses príncipes, não deveríamos nos surpreender ao ver mulheres e homens se afastarem desta instituição que lhes parece completamente ultrapassada. Felizmente, há o Papa Francisco que nos faz ter esperança e que se junta a todos os bispos, padres religiosos(as), cristãos que continuam a acreditar e que tanto gostariam de viver o evangelho hoje, apresentando um rosto de Cristo amável, misericordioso, tolerante, aberto, livre, justo, respeitoso do outro, dos outros, compassivo: um rosto de Cristo que faz o homem e a mulher na Quebec de hoje ter esperança.

Concluindo, eu gostaria de citar novamente o Alain Dubuc em sua reflexão sobre a Igreja e sua aproximação negativa ao cardeal Marc Ouellet: "De acordo com o cardeal Ouellet, um povo não pode se esvaziar tão rapidamente da sua essência sem consequências graves. De onde a confusão da juventude, a queda vertiginosa dos casamentos, a taxa ínfima de natalidade e o número espantoso de abortos e de suicídios para elencar apenas algumas das consequência que se somam às condições precárias dos idosos e da saúde pública.
Esse retrato apocalíptico apaga convenientemente as misérias desta época passada, os efeitos da pobreza e da ignorância. Ele atribui à revolução silenciosa um fenômeno que encontramos em todas as partes do Ocidente. E o mais importante, ele se esquece de perguntar se este abandono brutal da religião não se deve às falhas da Igreja mais do que aos complôs dos artistas da revolução silenciosa.

A Igreja, em vez de acompanhar seus fiéis em um período de mudanças difíceis, os abandona, orgulhosa de sua rigidez, e dessa maneira falha em sua missão. Outras Igrejas, portadoras dos mesmos valores, escolheram um outro caminho, especialmente os anglicanos,  nossa Igreja irmã, onde os padres são casados, onde se ordena mulheres e onde o casamento gay começa, com dificuldades, a ser aceito.

De fato, o que é mais prejudicial é que a alternativa de Ouellet, uma iniciativa individual, compromete o verdadeiro diálogo no qual se engajaram muitos de seus colegas. Mas seria assombroso se tivesse um grande impacto, eleitoral ou qualquer outro, porque o cardeal está se tornando num personagem marginal para os menores de 70 anos. Exceto para nos lembrar porque a separação entre a Igreja e o Estado é tão boa".
Réflexions de Raymond Gravel
*Raymond Gravel é padre da Diocese de Joliette (Canadá).
22/11/2013  |  domtotal.com
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SÃO FRANCISCO BORJA, PRÍNCIPE, PAI DE FAMÍLIA, RELIGIOSO - 10 DE OUTUBRO


São Francisco Borja (ou Bórgia)
1510-1572

Príncipe da Espanha, Francisco nasceu na família dos Bórgia, em português Borja, no dia 28 de outubro de 1510, em Gáudia, Valença. Teve o mérito de redimir completamente a má fama precedente desta família desde a remota e obscura época medieval, notadamente em Roma. Ele era parente distante do papa Alexandre VI e sobrinho do rei católico Fernando II, de Aragão e Castela.
Os Bórgias de então já eram muito piedosos e castos, o que lhe garantiu uma educação esmerada, dentro dos princípios cristãos, possibilitando o pleno exercício de sua vocação de vida dedicada somente a Deus.

Mesmo vivendo numa Corte de luxo e de seduções mundanas, Francisco manteve-se sempre firme na busca de diversões sadias e no estudo compenetrado e sério. Na infância, foi pagem da Corte do rei Carlos V, depois seu amigo confidente. Como não gostava dos jogos, ao contrário da maioria dos jovens fidalgos da época, cresceu entre os livros. Mas abominava os fúteis. Preferia os de cultura clássica, principalmente os de assunto religioso. Esta mesma educação ele repassou, mais tarde, pessoalmente aos seus oito filhos. 


Tinha dezenove anos quando se casou com Eleonora de Castro e, aos vinte, recebeu o título de marquês. Apesar do acúmulo das atribuições políticas e administrativas, foi um pai dedicado e atencioso, levando sempre a família a freqüentar os sacramentos e a unir-se nas orações diárias. 


O mesmo tino bondoso e correto utilizou para cuidar do seu povo, quando se tornou vice-rei da Catalunha. A história mostra que a administração deste príncipe espanhol foi justa, leal e cristã. Os seus súditos e serviçais o consideravam um verdadeiro pai e todos tinham acesso livre ao palácio. 


Entretanto, com as sucessivas mortes de seu pai e sua esposa, os quais ele muito amava, decidiu entregar-se, totalmente, ao serviço de Deus. Em 1548, abdicou de todos os títulos, passou a administração ao filho herdeiro, fez votos de pobreza, castidade e obediência e entrou, oficialmente, para a Companhia de Jesus, ordem recém-fundada pelo também santo Inácio de Loyola. Meses depois, o papa quis consagrá-lo cardeal, mas ele pediu para poder recusar. Porém logo foi eleito superior-geral da Companhia.


Nesse cargo, imprimiu as suas principais características de santidade: a humildade, a mortificação e uma grande devoção à Eucaristia e à Virgem Maria. Ativo, fundou o primeiro colégio jesuíta em Roma, depois outro em sua terra natal, Gáudia, e mais vinte espalhados por toda a Espanha. Enviou, também, as primeiras missões para a América Latina espanhola. E foi um severo vigilante do carisma original dos jesuítas, impondo a todos a hora de meditação cotidiana. 


Morreu em 30 de setembro de 1572. Deixou como legado vários escritos sobre a espiritualidade, além do exemplo de sua santidade.

Beatificado em 1624, são Francisco Bórgia foi elevado aos altares da Igreja em 1671. Foi assim, por meio dele, que o nome da família Bórgia se destacou com uma glória nunca antes presumida.
Acompanhe aqui com detalhes a vida deste santo.
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Síria, diálogo é a única opção

Na manhã de quinta-feira (29), o papa Francisco recebeu o rei da Jordânia, Abdullah II, e a rainha Rania. Sucessivamente, o soberano hachemita encontrou-se com o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, que estava acompanhado por  Dom Dominique Mamberti, secretário para as Relações com os Estados.
Durante os colóquios cordiais, falou-se sobre temas de interesse comum, sobretudo a promoção da paz e da estabilidade no Médio Oriente, com referência particular à retomada das negociações entre israelenses e palestinos e à questão de Jerusalém. Foi reservada uma atenção especial à trágica situação da Síria; a este propósito, reafirmou-se que o caminho do diálogo e da negociação entre todos os componentes da sociedade síria, com o apoio da comunidade internacional, é a única opção para pôr fim ao conflito e às violências que diariamente causam a perda de muitas vidas humanas, sobretudo entre a população inerme.

Expressou-se  apreço pelo esforço do rei Abdullah no campo do diálogo inter-religioso e pela iniciativa de convocar em Amã, no início de Setembro, uma Conferência sobre os desafios que os cristãos no Médio Oriente devem enfrentar, particularmente durante este período de mudanças sociopolíticas. Enfim, mencionou-se a contribuição positiva que as comunidades cristãs oferecem para as sociedades dessa Região, das quais são parte integrante.
L'Observatore Romano, 30-08-13.
O Papa Francisco e o Rei da Jordânia afirmaram nesta quinta-feira (29) que o diálogo entre os sírios, com o apoio da comunidade internacional, é a "única opção" para encerrar o conflito no país.
"O caminho do diálogo e da negociação entre os componentes da sociedade síria, com o apoio da comunidade internacional, é a única opção para por fim ao conflito", afirma o comunicado vaticano, divulgado após Francisco ter recebido o Rei Abdullah II.
O rei foi a Roma especificamente para se reunir com o Papa e discutir a crise no Oriente Médio. O rei, a Rainha Rania e o Papa falaram em particular por 20 minutos no Palácio Apostólico do Vaticano.
No último domingo, o Papa falou de "atos atrozes" na sequência de um aparente ataque com gás venenoso contra moradores dos arredores de Damasco, em que morreram centenas de pessoas.
O Papa e o rei reuniram-se um dia após autoridades norte-americanas descreverem planos para ataques contra a Síria, que podem durar dias, e Washington e seus aliados europeus e do Oriente Médio terem dito que o presidente sírio, Bashar al-Assad, deve enfrentar represálias pela utilização de armas proibidas contra o seu povo. g1-globo.com
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SANTO EDMUNDO, SEC IX , REI, MARTIR, 20 DE NOVEMBRO

Santo Edmundo está mais vivo na memória do povo Inglês do que nos registros históricos. Mesmo porque os documentos trazem dados sobre o seu reinado e sua morte, entretanto sobre sua origem poucas são as informações. Sabe-se apenas que Edmundo era cristão, filho do rei Alkmund, da Saxônia, que, posteriormente, teria sido adotado pelo rei das regiões da Inglaterra oriental, a Estanglia.


Quando completou 14 anos de idade, tornou-se o último rei daquele território. Edmundo, segundo os seus historiadores, foi coroado no dia de Natal de 885.Reinava Offa nos Estados ingleses. Desejando terminar seus dias em Roma, no exercício da piedade e da penitência, passou a coroa para Edmundo, descendente dos antigos reis anglo-saxões da Grã-Bretanha.  Suas qualidades morais tornaram-no modelo dos bons reis. Tinha grande aversão aos lisonjeiros; toda a sua ambição era manter a paz e assegurar a felicidade dos súditos. Daí o grande zêlo na administração da justiça e na implantação dos bons costumes nos seus Estados. Foi o pai dos súditos, sobretudo dos pobres, protetor das viúvas e dos órfãos, sustento e apoio dos fracos. O fervor no serviço de Deus realçava o brilho das suas outras virtudes. A exemplo dos monges e de várias outras pessoas piedosas, aprendeu o saltério de cor.

Mas era um tempo duríssimo para toda a Inglaterra, agredida, constantemente, pelos sanguinários bárbaros dinamarqueses que invadiam e saqueavam seus vilarejos. Em suas investidas, além de saquear os povoados, exigiam um valor para não destruírem os vilarejos.


No décimo quinto ano do seu reinado, foi atacado pelos Dinamarqueses Hínguar e Hubla, príncipes desta nação, verdadeiros piratas, que foram desembarcar na Inglaterra. Edmundo, a princípio, manteve-se sereno, confiando num tratado que tinha feito com os bárbaros logo que vieram para o seu país. Mas quando viu que não respeitaram o tratado, reuniu o seu pequeno exército e combateu os invasores, mais equipados e em maior número. Desse modo, ele acabou como prisioneiro.

Os dinamarqueses ofereceram ao rei Edmundo a possibilidade de manter sua vida e a coroa caso renegasse a fé e se proclamasse vassalo. O rei rejeitou a proposta por duas vezes. Assim selou seu destino. Morreu traspassado pelas flechas dos bárbaros pagãos no dia 20 de novembro de 870.
O desaparecimento do rei Edmundo levou ao fim o reino da Estanglia. Mas a Inglaterra se fortaleceu sob seu nome, e o jovem rei morto tornou-se uma bandeira.

No final do século IX, as moedas cunhadas durante o seu reinado já eram chamadas "penny of Edmund". 

Os ingleses consideraram-no mártir e dedicaram-lhe numerosas igrejas. A sua veneração tornou-se o culto de maior devoção do povo inglês.

Foi canonizado e proclamado padroeiro da Inglaterra. As relíquias mortais de santo Edmundo foram sepultadas em Beadoricesworth, que hoje se chama Bury St. Edmund, na região de Cambridge.
Existe hoje uma congregação de sacerdotes ingleses chamados Padres de Santo Edmundo.
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SÃO LEOPOLDO, REI DA ÁUSTRIA, 15 DE NOVEMBRO

                                       foto wikipedia
Exemplo de rei, cristão, esposo e pai, Leopoldo nasceu em Melk, no ano 1073, e foi batizado com o nome de seu pai. Pertencia à casa real de Bagengerg, da Áustria, que há muitos séculos descendia dos imperadores de Augsburg e dos grãos duques de Lorena.. Recebeu no lar uma aprimorada educação profundamente cristã, e foi iniciado nos segredos da ciência e da virtude por um sábio e santo monge. 
Após a morte do pai, assumiu o reino da Áustria em 1096, como Leopoldo III, numa época em que o país começava a ser uma grande potência européia, conduzindo-o com honradez, lealdade, retidão e profunda religiosidade. Casou-se com a princesa Inês, filha do imperador da Alemanha, Henrique IV, o famoso déspota que entrou em conflito com o Papa Gregório VII, no histórico episódio de Canossa. Inês, viúva com três filhos, foi uma esposa piedosa e delicada, formando um lar exemplar com Leopoldo, ao qual deu dezoito filhos. Estes, já crescidos, povoaram conventos, mosteiros e episcopados como uma verdadeira semeadura de virtude cristã,  florescendo para a Igreja dois relevantes servidores, os santos Conrado, bispo de Salzburg, e Oto, bispo de Freising. Incentivou o marido a fundar o mosteiro cisterciense de Neuburgo, e ter no reino uma Ordem religiosa que fosse dedicada às orações e obras de caridade, atraindo as bênçãos de Deus sobre o governo e a nação.

Durante quarenta anos, Leopoldo governou com justiça e prosperidade, inspirado nos princípios evangélicos da justiça e da caridade e no respeito aos direitos da Igreja, promovendo o verdadeiro bem do povo. Como governante hábil, firme, honrado, e caridoso, ganhou o amor e o respeito do seu povo que o apelidou de "pai dos pobres".Sob seu comando a cidade de Viena converteu-se em sede da Corte e em porto de grande importância. Desaprovou as arbitrariedades do seu cunhado Henrique V, no relacionamento com a Igreja. Morrendo Henrique V, ele foi indicado como o mais próximo sucessor no Império Alemão, porém  renunciou em favor do sábio e reto príncipe Lotário III,  ao qual acompanhou a Roma para ser coroado imperador do Sagrado Império Romano (1132). 
Leopoldo providenciou o início da devoção a Nossa Senhora de Mariazell, que se tornou o mais importante santuário mariano da Áustria. Mandou construir a igreja, abrir a estrada de acesso para os romeiros e favoreceu a chegada dos monges beneditinos a fim de cuidarem do culto e difusão da devoção a Nossa Senhora. Em seu longo reinado, a Áustria teve um período particularmente calmo, próspero e feliz.

Foi chamado pelo povo "Rei Piedoso e Pai dos pobres"
Sua vida privada foi similar e digna dos ascetas, por isso foi chamado de "o Pio". 


Morreu em Viena com fama de santidade, aos 15 de novembro de 1136, com 63 anos de idade, sendo pranteado por seus súditos que em vida o estimavam e veneravam. O Papa Inocêncio IV declarou-o padroeiro da Áustria,  em 1250, e em 1486 foi canonizado pelo Papa Inocêncio VIII. S5a festa é comemorada nacionalmente.
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SÃO VENCESLAU, REI, MÁRTIR, 28 DE SETEMBRO


Venceslau (Boêmia, 907-935), amigo dos pobres, conservou íntegra sua vida apesar do ambiente corrupto da corte e, em seu governo, mostrou-se solícito pelo progresso social e religioso do povo, governando com moderação e justiça.

São Venceslau, duque da Boêmia, era filho primogênito do rei da região conhecida como Boêmia, e herdeiro do trono
Seu pai e sua avó eram cristãos fervorosos e sua mãe era pagã, inimiga da religião, mulher ambiciosa.Venceslau fora educado pela avó dentro dos padrões da piedade e da moral cristã e, era muito religioso, de bons costumes, caridoso para com os pobres. Seu irmão mais novo, Boleslau, foi educado pela mãe, no paganismo, tornando-se violento ambicioso e ímpio.

Ao morrer o pai, sendo Venceslau ainda menor, sua mãe Draemira assumiu o reino. Foi um tempo difícil, tanto para o povo quanto para a própria religião católica. Draemira logo providenciou a volta do reino ao paganismo expulsando os missionários católicos. A situação do reino tornou-se de confusão e revolta. 
Com o passar do tempo,  influenciado e apoiado por poderosos nobres do reino, Venceslau assume o principado através de um Golpe de Estado, no ano 925. Seu reinado foi caracterizado por ser voltado aos pobres. Durante oito anos governou seu povo com sabedoria, justiça e brandura, exemplo de moderação e tino administrativo, além de promover o cristianismo através de missionários católicos e monges beneditinos. Foi um rei admirado por todos e, tornou-se um exemplo a ser seguido. O mundo cristão até hoje o tem como protetor dos pobres, dos doentes, dos encarcerados, um verdadeiro pai para as viúvas e órfãos.

Na história do Cristianismo conhece-se poucos exemplos de virtude e caridade em príncipes como Venceslau. Conservou a pureza de corpo e de espírito até a morte. Consagrava muitas horas à oração e, na Quaresma, em espírito de penitência, altas horas da noite visitava descalço as igrejas da cidade. Durante a noite também visitava os presos, consolando-os e dando-lhes esmolas; ele próprio levava lenha para as famílias pobres. Era tido nas cortes européias como "O Príncipe Santo".

Por ocasião do nascimento do primeiro filho de Boleslau, seu irmão, o príncipe foi convidado para um banquete em comemoração a seu sobrinho. Após o banquete, encontrando-se Venceslau recolhido em oração na capela, o próprio irmão o apunhalou pelas costas.

Era o ano 935. Suas palavras antes de morrer foram: "Em tuas mãos, ó Senhor, entrego o meu espírito". A justiça divina logo se fez sentir: A mãe morreu tragicamente, poucos dias depois e, Boleslau foi julgado e sentenciado pelo imperador Otão.

Logo em seguida à sua morte o povo já o venerava como santo e mártir.Venceslau tornou-se depois herói nacional e religioso dos tchecos. Foi o primeiro eslavo a receber as honras da canonização. 

ORAÇÃO
Ó Deus, que inspirastes ao rei e mártir são Venceslau preferir o reino do céu ao da terra, dai que, por suas preces, saibamos renunciar a nós mesmos e seguir-vos de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
(Publicado em 28.09.2010, atualizado em 28.09.2012)
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SÃO LUÍS I X, REI DA FRANÇA, FRANCISCANO DA ORDEM I I I , COPADROEIRO DA O.F.S.

25 de agosto Memória


Celebramos neste dia a vida do santo, que foi rei da França, Luís IX.

Nascido em Poissy em 1214, Ludovico foi feito rei da França aos 12 anos de idade, assumindo a regência aos 21 anos com o título de Luís IX..


Distinguiu-se pelo espírito de penitência e de oração, e por um grande amor pelos pobres. No seu governo, cuidou não apenas da paz dos povos e do bem temporal dos súditos, mas ainda do seu bem espiritual.

Curioso é o caso, único na história, em que dois primos Luís IX e Fernando de Castela, filhos de duas irmãs Branca e Berenguela de Castela, reinassem ao mesmo tempo, um na França, outro na Espanha, com profunda piedade, justiça, espírito de penitência e grande caridade, tendo chegado à santidade reconhecida pela Igreja no desempenho exemplar da difícil tarefa de governar.


Branca Luís de Castela, mãe do rei Luís IX, tida como uma rainha revestida de santidade, por ocasião do batismo do filho estreitou-o ternamente, dizendo:“Filhinho, agora és um templo do Espírito Santo, conserva sempre teu coração puro e jamais o manches com o pecado”.

O seu maior empenho era incutir no espírito do filho um grande ódio ao pecado repetindo-lhe: "Meu filho, preferia ver-te morto e sem as insígnias do poder real, a saber-te manchado por um pecado mortal".Exortações como esta e outras semelhantes, iam causando profunda impressão na alma da criança.

A rainha-mãe, providenciou ótimos professores e instrutores para uma formação digna do filho, dando-lhe sólida educação cristã; moderou seu caráter impulsivo, sustentou-lhe a retidão moral, tornou-o sábio e modelo de virtudes familiares, verdadeiro tipo de leigo cristão. Dessa forma quando morreu o pai, rei Luís VIII, deixando-o com apenas 12 anos, o jovem pôde ser coroado rei sob a regência da mãe. Na idade de 21 anos começou a reger toda a nação, continuando a ser o mesmo filho obediente e respeitoso para com sua mãe, sem esquecer sua realidade de pai e esposo. Casou-se com Margarida de Provença, princesa como ele de grandes virtudes, e teve 11 filhos aos quais ele mesmo deu excelente educação.

Terceiro Franciscano, toda a sua vida foi uma irradiação do espírito de São Francisco, que o animava em seu agir cotidiano.São Luís IX era penitente, humilde, homem de oração e caridade; rezava com muita piedade o Ofício Divino e participava com tanta perseverança da Santa Missa diária que, ao ser provocado por nobres, respondia: “Se eu dedicasse tempo dobrado para os jogos ou para a caça, ninguém repreenderia!”

Realizou em sua vida o ideal do soberano que vive plenamente sua fé.

Fundou hospitais, tendo sido um exemplo de amor aos pobres e doentes, aos quais se dedicava diariamente.Favoreceu as ordens mendicantes, trabalhou como pacificador da Europa.

São Luís IX buscava intensamente viver a justiça do Reino de Deus enquanto rei e cristão, por isso praticava o que aconselhava: “Não tiremos o bem dos outros nem sequer para o dar a Deus”.

Foi o rei mais santo e mais justo que jamais cingiu a coroa (opinião do grande bispo Bossuet). Santo na vida pública e familiar; dedicava-se a ouvir todos os dias qualquer pessoa que tivesse negócios a tratar; cuidou igualmente dos interesses da França e da religião, que sempre amou e defendeu.

Cheio de amor a Cristo, à Igreja e ao papa, São Luís IX organizou até mesmo cruzadas a fim de resgatar os lugares santos, delas participando com heroísmo e santidade de vida, como comandante e enfermeiro; certa vez ficou preso durante 5 anos tendo sido resgatado a preço de ouro e encontrando sua mãe já falecida; quinze anos depois empenhou-se em outra cruzada, na qual com grande parte do seu exército foi vitimado pela peste (febre tifóide).
Conhecidíssimo é o Testamento espiritual de São Luís a seu filho. Aí encontramos entre outras admoestações"Filho, deves evitar tudo quanto sabes desagradar a Deus, quer dizer, todo pecado mortal, de tal forma que prefiras ser atormentado por toda sorte de martírios a cometer um pecado mortal".

Entregou o governo ao filho Filipe, recebeu os santos sacramentos com piedade que comoveu a todos e, com grande humildade pediu para ser deitado sobre a cinza; com os braços cruzados sobre o peito, os olhos elevados ao céu, entregou a alma a Deus, entrando no Céu com 55 anos de idade, a 25 de agosto de 1270, às portas de Túnis.
REZEMOS:
Ó Deus, que transferistes São Luis dos cuidados de um reino terrestre à glória do Reino do Céu, concedei-nos, por sua intercessão, desempenhar nossas tarefas de cada dia, e trabalhar para a vinda do vosso Reino. Por Cristo nosso Senhor. Amém.
São Luís IX, rogai por nós! T

TESTAMENTO DE SÃO LUÍS A SEU FILHO


Meu filho: a primeira coisa que te recomendo é que ames a Deus de todo o teu coração e prefiras sofrer tudo, até a própria morte, a cometer um pecado mortal.
Se Deus te mandar contrariedades, aceita-as com gratidão, convencido de que as mereceste.
Se tudo correr segundo teus desejos, não te deixes levar pelo orgulho.
Não se deve abusar dos benefícios e transformar em armas de malícia.
Confessa-te frequentemente e escolhe um confessor prudente e virtuoso, que te possa ser guia e que tenha coragem bastante para corrigir tuas faltas e castigar teus pecados.
Assiste à Santa Missa com muita devoção.
Sê caridoso para com os pobres e socorre-os sempre que puderes.
Respeita as boas tradições entre o povo e persegue os abusos.
Não sobrecarregues teu povo com duros e múltiplos impostos.
Escolhe para tua companhia homens direitos e prudentes, leigos e sacerdotes, e foge dos círculos dos maus.
Ouve de bom grado a palavra de Deus e conserva-a cuidadosamente em teu coração.
Sê amigo da oração.
Ama tua honra e sê amigo do bem e inimigo da mal.
Rende graças a Deus pelos seus benefícios.
Bens alheios, faze-os chegar às mãos de seu legítimo dono.
Procura conservar e estabelecer a paz entre teus súditos e zela pelos bons costumes entre o povo. Trata de dar a eles bons juízes e funcionários e fiscaliza bem o procedimento deles, a fim de que não haja lugar para vícios, parcialidade, fraude e imoralidade.
Cuida para que na corte as despesas se limitem ao indispensável.
Manda rezar missas pelo repouso de minha alma e manda rezar nessa intenção.
Meu filho: dou-te a bênção que um pai pode dar a seu filho.
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São Francisco da Penitência OFS Cabo Frio | by TNB ©2010