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Princípios e ideologias

                  O desrespeito, certamente, é uma das fontes da crise humanística e comunitária.

Colunas Dom Walmor Oliveira de Azevedo
12/06/2015  |  domtotal.com
A sociedade brasileira, obviamente no contexto mundial, mais amplo, está também desafiada a avaliar no conjunto de suas crises a configuração das colisões entre princípios éticos e ideologias. Esses embates precisam ser administrados com o mínimo de racionalidade para não se correr o risco de polarizações que vão acelerar processos de intolerância. Deve, sempre, sobressair o exercício do entendimento, cujo ponto de partida é a preservação de princípios inegociáveis, o que inclui o respeito incondicional ao outro.
 
Ao assumir posturas ideológicas, não se pode “passar por cima”, desrespeitosamente, de valores e princípios de outras pessoas, de diferentes segmentos da sociedade nas suas configurações religiosas, sociais e políticas. O desrespeito, certamente, é uma das fontes da crise humanística e comunitária. Suas consequências podem ser irreversíveis: ódio, disputa e permissividade que comprometerão o mínimo de civilidade e de convívio fraterno.  Aliás, a sociedade brasileira, com seus diferentes grupos, já está sofrendo com situações que expõem radicalismos e fundamentalismos.  Evidentemente, esses episódios tornam a paz mais distante. Há uma facilidade irracional para agredir, acusar e espalhar mentiras. Ações que ferem o tecido da cultura brasileira e ganham amplitude nas redes sociais e nos tradicionais meios de comunicação.

Eventos públicos, como os recentemente realizados nas grandes capitais do país, não podem agredir símbolos religiosos e misturar o direito de defesa de perspectivas com atitudes hostis. A ordem pública tem que se posicionar para que as banalizações não tomem conta da sociedade, um processo perigoso que corrói o núcleo da consciência coletiva.   O que movimentos e grupos promoveram, por exemplo, nas ruas de São Paulo, é ofensa aos cristãos, pois se trata de banalizar os símbolos religiosos, um ato irracional. A defesa da pluralidade não justifica e não confere direito a qualquer grupo ou pessoa de assumir posturas marcadas por intolerâncias.
 
Os cristãos têm o direito e o dever de mostrar que a defesa de uma sociedade plural passa por um caminho diferente do que é trilhado por quem busca agredir a fé. Não se conquista a paz e o respeito ferindo princípios de uma confissão religiosa, ainda mais de maneira debochada. Diante do ocorrido em São Paulo, todo cristão é chamado a expressar ainda mais os princípios de sua fé.  Deixar ficar por isso mesmo, sem esse educativo protesto, é ser conivente com um processo que, à primeira vista, parece ser aceitável como expressão democrática. Contudo, trata-se de uma precipitação tácita e perigosa da sociedade num caos produzido pela relativização abominável de princípios e valores.
 
É hora, portanto, de um alerta geral. Os deboches e desrespeitos promovidos por parte de um grupo - que merece ser respeitado, cada um de seus integrantes reconhecidos em sua dignidade humana -, é a “ponta de um iceberg”. Revela posturas que não podem passar despercebidas. A sociedade, com seus diversos segmentos, tem o desafio de acompanhar o processo em curso para se posicionar sobre importantes temas. Em especial, a respeito da inclusão da chamada ideologia de gênero nas diretrizes da educação nacional, um tema que ainda não é de domínio público. No horizonte dessa mudança, entre outros pontos, a escola - e não a família -, teria a tarefa de ajudar o menino ou a menina a discernir a sua identidade sexual. Isto significa passar por cima de dimensões antropológicas e éticas que são valores inegociáveis no âmbito da moral e da confissão religiosa cristã.
 
Esse tema traz impactos na vida de muitas pessoas. É um alerta para a indispensável participação de diferentes segmentos da sociedade, para que não se pague o alto preço por negociar princípios em razão de ideologias. Urge, portanto, conhecer os muitos processos que estão em rota de colisão com o bem da sociedade para detê-los. Quem ainda desconhece essas questões deve buscar orientação e informações. Ainda há tempo para firmar um posicionamento.

 Dom Walmor Oliveira de Azevedo
arcebispo metropolitano de Belo Horizonte,
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Hoje a Igreja celebra São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil

Por Abel CamascaREDAÇÃO CENTRAL, 09 Jun. 15 / 12:56 pm (ACI).- José de Anchieta nasceu em 19 de março de 1534 em San Cristóbal de la Laguna (Tenerife). Com apenas 14 anos ingressou ao Colégio de Artes da Universidade de Coimbra, destacado como um dos melhores alunos e como um grande poeta. Foi um dos primeiros evangelizadores do Brasil, e este ano se celebra pela primeira vez sua memória litúrgica como santo.
No dia 1 de maio de 1551, ingressou na Companhia de Jesus e começou seus estudos de Filosofia. Conhecido por compor versos latinos com muita facilidade ficou conhecido como o "Canário de Coimbra". Devido a uma doença, em 1553 mudou-se de Tejo (Lisboa) ao Brasil, onde iniciou seu primeiro trabalho de catequese com os índios tupis. No dia da comemoração de São Paulo no ano de 1555 inaugurou o colégio que ajudou a construir. O pátio do colégio jesuíta foi onde fundou-se a atual cidade de São Paulo.
Em 1565 foi enviado a São Vicente no Rio do Janeiro, onde colaborou na construção de um colégio e do primeiro hospital da cidade, conhecido como “A Casa da Misericórdia”. Logo foi ordenado sacerdote.
Voltou a São Vicente e durante um período de seis anos colaborou no colégio, além de realizar um importante trabalho apostólico e literário. Entre 1577 e 1587 foi designado superior dos jesuítas no Brasil, incentivando ainda mais o trabalho nas escolas e a catequese com as crianças.
Faleceu no dia 9 de junho de 1597, aos 63 anos. No dia 10 de agosto de 1736, o Papa Clemente XII declarou Venerável o Padre Anchieta. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II no dia 22 de junho de 1980.
O Papa Francisco, no dia 3 de abril de 2014, no uso de suas faculdades de Supremo Pontífice da Igreja Católica, dispensou o milagre inscreveu José de Anchieta no Livro dos Santos e estendeu o culto do jesuíta à Igreja universal. José de Anchieta leva o apelido de Apóstolo do Brasil. 
acidigital
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Papa Francisco: a Ideologia de gênero é contrária ao plano de Deus

VATICANO, 15 Abr. 15 / 03:38 pm (ACI/EWTN Noticias).- A criação do homem e da mulher, com o sacramento do matrimônio, são “um maravilhoso dom que Deus instituiu à humanidade”. Este foi o tema da mais recente catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira,15, na Praça de São Pedro, à que compareceram milhares de fiéis.
Antes de começar o seu discurso, o Papa explicou que “esta catequese e a próxima serão sobre a diferença e a complementariedade entre o homem e a mulher, que estão no vértice da criação divina; as duas catequeses que seguirão depois serão sobre outros temas do Matrimônio”.
Durante a sua explicação, o Papa Francisco denunciou a ideologia de gênero ou teoria do gênero e mostrou uma série de preocupações que se derivam dela. Pedindo a todos os fiéis e principalmente às famílias que mostrem a beleza da aliança entre o homem e a mulher, animou a vivê-la “para o bem”.
O Papa começou recordando o Livro da Gênesis, onde lemos que Deus, depois de ter criado o universo inteiro, “criou o ser humano à sua imagem: criou-os homem e mulher.”
Francisco sublinhou que “a diferença sexual está presente em muitas formas de vida.  Não só o homem e nem só a mulher são imagem de Deus, mas ambos, como casal, são imagem de Deus Criador.  “Isto nos diz que não só o homem tomou em si a imagem de Deus, não só a mulher tomou em si a imagem de Deus, mas também o homem e a mulher, como casal, são imagem de Deus”.     
Portanto, a diferença entre eles tem em vista a comunhão e a geração, e não a contraposição nem a subordinação. “Somos feitos para ouvir-nos e ajudar-nos reciprocamente. Sem esse enriquecimento recíproco, não se pode entender profundamente o que significa ser homem e mulher”, disse o Papa.
Continuando, disse que “a cultura moderna e contemporânea abriu novos espaços, novas liberdades e novas profundidades para o enriquecimento da compreensão destas diferenças”, mas denunciou que “introduziu também muitas dúvidas e muito ceticismo”.
Depois enumerou uma série de exemplos: “Pergunto-me, por exemplo, se a chamada teoria do gênero não é expressão de uma frustração e resignação, com a finalidade de cancelar a diferença sexual por não saber mais como lidar com ela. Neste caso, corremos o risco de retroceder”, alertou.
“A eliminação da diferença, com efeito, é um problema, não uma solução. Para resolver seus problemas de relação, o homem e a mulher devem dialogar mais, escutando-se, conhecendo-se e amando-se mais”.
Aliás “devem tratar-se com respeito e colaborar com a amizade”. E “com estas bases humanas, sustentadas pela graça de Deus, é possível projetar a união matrimonial e familiar que dure para a vida inteira”. “A união matrimonial e familiar é algo sério, não só para os cristãos, é para todos”, assinalou.
Nesse sentido, exortou os intelectuais a que “não abandonem este tema, como se fosse algo secundário pelo empenho em favor de uma sociedade mais livre e justa”.
“Deus confiou a terra à aliança do homem e da mulher: a falência desta aliança gera a aridez dos afetos no mundo e obscurece o céu da esperança”.
“Os sinais são visíveis e preocupantes”, disse, indicando duas reflexões que merecem atenção:
A primeira, relacionada à importância da mulher e seu papel na sociedade. Sobre isto manifestou que “sem dúvida devemos fazer muito mais a favor da mulher, se queremos dar mais força à reciprocidade entre homens e mulheres. É necessário, de fato, que a mulher não seja somente mais ouvida, mas que a sua voz tenha um peso real, uma autoridade reconhecida na sociedade e naIgreja.
O Pontífice citou como exemplo o modo como Jesus no Evangelho considerou as mulheres num período em que eram relegadas a segundo plano: “Em um contexto menos favorável que o nosso, manda uma luz potente, que ilumina um caminho que leva longe, do qual percorremos somente uma parte”, trata-se pois “de um caminho a percorrer-se com mais criatividade e mais audácia”.
A segunda reflexão diz respeito ao tema do homem e da mulher criados à imagem de Deus. “Me pergunto se a crise de confiança coletiva em Deus não estaria relacionada à crise da aliança entre homem e mulher, já que a comunhão com Deus está intimamente ligada à comunhão do casal humano.”
O Pontífice esclareceu que a Escritura “nos diz que a comunhão com Deus se comprova na comunhão do casal humano e que a perda da confiança no Pai celeste gera divisão e conflito entre o homem e a mulher”.
Eis então a grande responsabilidade da Igreja e de todos os fiéis e das famílias cristãs para redescobrir a beleza do projeto criador que grava a imagem de Deus também na aliança entre o homem e a mulher”.
O Papa concluiu dizendo que “a terra enche-se de harmonia e confiança quando a aliança entre o homem e a mulher é vivida no bem. Jesus nos encoraja explicitamente ao testemunho desta beleza, que é a imagem de Deus”, concluiu o Papa.
acidigital - Por Álvaro de Juana
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A busca pela verdadeira inteligência

                        É preciso trabalhar com a inteligência para analisarmos bem o que fazer para melhor convivermos de modo humano.
Por Dom José Alberto Moura*
Após a ressurreição de Jesus e a vinda do Espírito Santo, Pedro exerceu sua missão de orientação do povo, para que saísse da ignorância. Esta faz muito mal à pessoa que a retém e a toda a comunidade: “Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou... sei que agistes por ignorância... convertei-vos” (Atos 3,15.17.19).
Por ignorância, tantos cometem erros. Escolhem erradamente o caminho a seguir. Elegem pessoas sem competência ou de mau caráter para exercer funções de liderança, de modo especial na política, que fazem muito mal à sociedade. Acontecem corrupções, lesão do patrimônio público, usurpação do que seria de benefício do povo para fins particulares...
Com a educação para o discernimento, a busca de valores e as boas escolhas na vida são importantes. Para isso, é preciso não só haver educação de qualidade nas escolas, mas, acima de tudo, a boa formação da família, a primeira a dar base de formação do caráter para a promoção da cidadania. A família é vilipendiada pela  propaganda do hedonismo e consumismo. Boa parte da mídia é usada para a promoção de futilidades, que não contribuem para a sustentação de valores que ajudem a formação da consciência ética e de respeito à vida, à dignidade humana e  familiar. A formação para a alteridade deveria fazer parte de todo o currículo familiar, escolar e social. Os problemas sociais, relacionados à justiça, à inclusão social e ao bem comum têm solução com a formação para o serviço ao outro, em que cada dum dê de si pela promoção da cidadania para todos.
Um ponto de muita ignorância é o que leva muitos a manifestarem a própria religiosidade sem um melhor conhecimento da Palavra de Deus. S. Jerônimo, grande especialista no conhecimento bíblico, dizia que “ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo!”. De fato, o conhecimento do que Deus nos revelou, através de seu Filho Jesus, nos dá base para encaminhar a vida pela prática do amor, da solidariedade, justiça e paz. A colocação em prática do que o Filho de Deus nos propõe é um benefício imenso, que nos ajuda a superar a ignorância e agir de modo inteligente, racional e realizador.
Temos tudo para acertar nossa caminhada existencial com valores que nos dão base a uma vida terrena com benefício de realização e felicidade para todos. Ajudar a fazer o caminho bom para os outros tem efeito prazeroso para nós mesmos. Para tanto, o próprio Jesus nos ensina a fazer o bem aos outros, como desejamos que eles o façam também a nós! É preciso, porém, trabalhar com a inteligência para analisarmos bem o que fazer para melhor convivermos de modo humano. O discernimento é um poderoso instrumento para distinguirmos entre o bem e o mal. Com ele perceberemos que o bem conforme os instintos é diferente do bem conforme o Criador. Por isso, saberemos orientar os instintos para que não mudem a  direção do bem com horizonte mais amplo, que nos leva a fazer opções para a construção da realização duradoura, com a busca de ideal elevado. Vale muito mais a grande moral de quem exerce sua missão para a construção de uma sociedade justa do que a busca de benesses materiais, buscados, muitas vezes, com o uso de desonestidade e lesão ao bem do semelhante!
Após a ressurreição “Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras” (Lucas 24,45). Abrindo também a nossa inteligência seremos capazes de realizar o que ansiamos na busca da verdadeira felicidade!
CNBB, 14-04-2015.
*Dom José Alberto Moura é arcebispo de Montes Claros (MG).
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SÃO BOAVENTURA, BISPO E DOUTOR DA IGREJA, OFM - 15 DE JULHO

Memória

Nasceu por volta de 1218, em Bagnorégio, na Etrúria (Itália). Estudou filosofia e teologia em Paris e, obtida a láurea de doutor, ensinou as mesmas disciplinas, com grande aproveitamento, aos seus irmãos da Ordem dos Frades Menores. Eleito ministro geral da Ordem, governou-a com prudência e sabedoria. Foi nomeado bispo de Albano e criado cardeal. Morreu em Lião (França), no ano de 1274. Escreveu muitas obras filosóficas e teológicas.

MEDITAÇÃO
Do Opúsculo Itinerário da mente para Deus, de São Boaventura, bispo
(Cap.7,1.2.4.6:Opera omnia,5,312-313)                (Séc.XII)

A sabedoria mística revelada pelo Espírito Santo
Cristo é o caminho e a porta. Cristo é a escada e o veículo, o propiciatório colocado sobre a arca de Deus (cf. Ex 26,34) e o mistério desde sempre escondido (Ef 3,9). Quem olha para este propiciatório, como rosto totalmente voltado para ele, contemplando-o suspenso na cruz, com fé, esperança e caridade, com devoção, admiração e alegria, com veneração, louvor e júbilo, realiza com ele a páscoa, isto é, a passagem. E assim, por meio do lenho da cruz, atravessa o mar Vermelho, saindo do Egito e entrando no deserto, onde saboreia o maná escondido. Descansa também no túmulo com Cristo, parecendo exteriormente morto, mas experimentando, tanto quanto é possível à sua condição de peregrino, aquilo que foi dito pelo próprio Cristo ao ladrão que o reconhecera: Ainda hoje estarás comigo no Paraíso (Lc 23,43).
Nesta passagem, se for perfeita, é preciso deixar todas as operações intelectuais, e que o ápice de todo o afeto seja transferido e transformado em Deus. Estamos diante de uma realidade mística e profundíssima: ninguém a conhece, a não ser quem a recebe; ninguém a recebe, se não a deseja; nem a deseja, se não for inflamado, até à medula, pelo fogo do Espírito Santo, que Cristo enviou ao mundo. Por isso, o Apóstolo diz que essa sabedoria mística é revelada pelo Espírito Santo (cf. 1Cor 2,13).
Se, portanto, queres saber como isso acontece, interroga a graça, e não a ciência; o desejo, e não a inteligência; o gemido da oração, e não o estudo dos livros; o esposo, e não o professor; Deus, e não o homem; a escuridão, e não a claridade. Não interrogues a luz, mas o fogo que tudo inflama e transfere para Deus, com unções suavíssimas e afetos ardentíssimos. Esse fogo é Deus; a sua fornalha está em Jerusalém. Cristo acendeu-a no calor da sua ardentíssima paixão. Verdadeiramente, só pode suportá-la quem diz: Minha alma prefere ser sufocada, e os meus ossos a morte (cf. Jó 7,15). Quem ama esta morte pode ver a Deus porque, sem dúvida alguma, é verdade: O homem não pode ver-me e viver (Ex 33,20). Morramos, pois, e entremos na escuridão; imponhamos silêncio às preocupações, paixões e fantasias. Com Cristo crucificado, passemos deste mundo para o Pai (cf. Jo 13,1), a fim de podermos dizer com o apóstolo Filipe, quando o Pai se manifestar a nós: Isso nos basta (Jo 14,8); ouvirmos com SãoPaulo: Basta-te a minha graça (2Cor 12,9); e exultar com Davi, exclamando: Mesmo que o corpo e o coração vão se gastando, Deus é minha parte e minha herança para sempre! (Sl 72,26). Bendito seja Deus para sempre! E que todo o povo diga: Amém! Amém! (cf. Sl 105,48).

Responsório 1Jo 3,24; Eclo 1,9a.10ab

R. Quem guarda os preceitos de Deus,
em Deus permanece e Deus nele.
* Sabemos que em nós permanece,
pelo Espírito que ele nos deu.
V. Deus criou pelo Espírito Santo,
e espalhou sobre todas as coisas
a sabedoria divina. * Sabemos.

Oração
Concedei-nos, Pai todo-poderoso, que, celebrando a festa de São Boaventura, aproveitemos seus preclaros ensinamentos e imitemos sua ardente caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
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Misericórdia e melhor formação para católicos

Por Christopher Lamb

Os católicos que não seguem o ensinamento da Igreja devem ser tratados com misericórdia, mas, ao mesmo tempo, precisam ser mais bem formados sobre o seu conteúdo, afirma um novo documento divulgado nessa quinta-feira, em preparação para o Sínodo de outubro sobre a família.
Instrumentum laboris – um documento de trabalho para o Sínodo dos bispos – recolheu as respostas das conferências episcopais de todo o mundo às questões sobre temas como a comunhão para os casais divorciados em segunda união e para os casais do mesmo sexo.

O extenso documento, divulgado pelo Vaticano, reforça fortemente o ensino da Igreja sobre matrimônio e sexualidade.
As esperanças tinham se elevado no sentido de que o próximo Sínodo poderia levar a um desenvolvimento do ensino da Igreja, incluindo, por exemplo, a permissão da comunhão aos divorciados em segunda união. Mas esse documento, que servirá de base para a discussão dos bispos quando eles se encontrarem, sugere que, embora a abordagem será pastoral, o ensino da Igreja não mudará necessariamente e, ao contrário, precisa ser mais bem articulado.
Ele parece particularmente preocupado que a família está sob pressão a partir de uma grande variedade de ângulos. No Ocidente, eles são listados como hedonismo, relativismo, individualismo, transitoriedade e o desejo pela gratificação imediata, enquanto na África e em partes da Ásia são citados a poligamia e o divórcio quando uma mulher é incapaz de ter filhos. O documento também faz frequentes referências críticas à "teoria de gênero", a ideia de que gênero é um construto social, como outra ameaça ao casamento.
Ao mesmo tempo, o documento mostra uma sensibilidade aos constrangimentos financeiros – incluindo a falta de moradia adequada – que levam casais jovens a adiarem o casamento e convida a Igreja a desenvolver programas pastorais para ajudar as pessoas que se encontram em casamentos irregulares e para acolher os filhos dos gay casais.
Ele diz que falta o conhecimento do ensino da Igreja sobre o casamento entre os católicos, e que alguns clérigos se sentem despreparados para explicar o ensino sobre sexualidade, enquanto outros expressam indiferença.
Essa ignorância é especialmente evidente quando se trata da lei natural, a base filosófica do ensino da Igreja sobre matrimônio e sexualidade. Muito poucos católicos demonstraram uma compreensão do conceito, e alguns acreditam que "natural" significa "o que vem naturalmente". Também se aponta que, na evolução do Ocidente, a biologia e a neurociência argumentam que a lei natural não é "científica".
Sobre as seguintes questões polêmicas da Igreja, o documento afirma o seguinte:
Comunhão para divorciados em segunda união
Um grande número de casais divorciados em segunda união simplesmente desconhecem a sua união irregular, diz o documento, enquanto que aqueles que estão conscientes "sentem-se frustrados e marginalizados", devido ao fato de serem incapazes de receber a comunhão.
"Alguns perguntam-se por que motivo outros pecados são perdoados e este não", afirma-se. "Ou então, por que os religiosos e os sacerdotes que receberam a dispensa dos seus votos e dos ônus presbiterais podem celebrar o matrimônio, receber a comunhão, e os divorciados recasados não."
Mas o documento afirma que essas questões "põem em evidência a necessidade de uma formação e informação oportunas" .
Ao mesmo tempo, porém, o tom é pastoral com um pedido das hierarquias locais para que a Igreja possa "exercer uma misericórdia, clemência e indulgência mais amplas em relação às novas uniões" .
E continua: "Com grande misericórdia, a Igreja é chamada a encontrar formas de 'companhia' com as quais apoiar estes seus filhos num percurso de reconciliação. Com compreensão e paciência, é importante explicar que a impossibilidade de aceder aos sacramentos não significa ser excluídos da vida cristã e da relação com Deus".
Além disso, o documento envolve um consenso entre os bispos de que é preciso tornar o processo de anulação mais fácil e eficiente.
Casais do mesmo sexo
Não há nenhum indício de uma mudança na aceitação das uniões civis gays a partir de uma citação usada de um documento de 2003 que explica a oposição da Igreja a elas, escrito pelo então cardeal Joseph Ratzinger, quando ele era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
As conferências episcopais, no entanto, dizem que estão tentando encontrar uma atitude "respeitosa e não julgadora" diante dos casais gays, embora o documento aponte que não há consenso.
Ele salienta que os casais gays devem receber apoio como é "exigido de qualquer outro casal" quando procuram o batismo para o seu filho. Os filhos dos homossexuais também devem ser acolhidos "com a mesma atenção, ternura e solicitude que recebem os outros filhos."
Contracepção
O documento afirma que a grande maioria das pessoas não tem conhecimento dos "aspectos positivos" da Humanae vitae – a encíclica de Paulo VI que reitera a proibição da contracepção artificial.
"Na grande maioria das respostas recebidas evidencia-se como a avaliação moral dos diferentes métodos de regulação dos nascimentos é hoje entendida pela mentalidade comum como uma ingerência na vida íntima do casal e como um limite para a autonomia da consciência", explica-se.
Também se diz que os casais não costumam considerar o uso da contracepção como um pecado e como uma questão para a confissão (o oposto, no entanto, vale em relação ao aborto).
Humanae vitae, conclui o documento, deve ser mais conhecida nos cursos de preparação para o casamento.
Finalmente, como sinal de esperança, o documento aponta para o desejo continuado entre os jovens de se casarem e de começarem uma família.
Esse "revela-se como um verdadeiro sinal dos tempos, que pede para ser aproveitado como ocasião pastoral", afirma.
A Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema "Desafios pastorais da família no contexto da evangelização" ocorre nos dias 5 a 19 de outubro e contará com a presença dos presidentes das conferências episcopais de todo o mundo. Uma Assembleia Geral Ordinária, com um maior número de bispos e participantes, ocorrerá um ano depois.
Revista The Tablet, 26-06-2014.
01/07/2014  |  domtotal.com
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SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA (LISBOA), PRESBÍTERO E DOUTOR DA IGREJA Memória - 13 de junho

Nasceu em Lisboa(Portugal), no final do século XII. Foi recebido entre os Cônegos Regulares de Santo Agostinho, mas pouco depois de sua ordenação sacerdotal transferiu-se para a Ordem dos Frades Menores com a intenção de dedicar-se à propagação da fé entre os povos da África. Foi entretanto na França e na Itália que ele exerceu com excelentes frutos o ministério da pregação, convertendo muitos hereges. Foi o primeiro professor de teologia na sua Ordem. Escreveu vários sermões, cheios de doutrina e de unção espiritual. Morreu em Pádua no ano de 1231.
MEDITAÇÃO

Dos Sermões de Santo Antônio de Pádua, presbítero
(I.226)             (Séc.XII)

A palavra é viva quando são as obras que falam
            Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando os outros as veem em nós mesmos. A palavra é viva quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras. Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas. Diz São Gregório: “Há uma lei para o pregador: que faça o que prega”. Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras.
            Os apóstolos, entretanto, falavam conforme o Espírito Santo os inspirava (cf. At 2,4). Feliz de quem fala conforme o Espírito Santo lhe inspira e não conforme suas ideias! Pois há alguns que falam movidos pelo próprio espírito e, usando as palavras dos outros, apresentam-nas como suas, atribuindo-as a si mesmos. Destes e de outros semelhantes, diz o Senhor por meio do profeta Jeremias: Terão de se haver comigo os profetas que roubam um do outro as minhas palavras. Terão de se haver comigo os profetas, diz o Senhor, que usam suas línguas para proferir oráculos. Eis que terão de haver-se comigo os profetas que profetizam sonhos mentirosos, diz o Senhor, que os contam, e seduzem o meu povo com suas mentiras e seus enganos. Mas eu não os enviei, não lhes dei ordens, e não são de nenhuma utilidade para este povo – oráculo do Senhor (Jr 23,30-32).
            Falemos, portanto, conforme a linguagem que o Espírito Santo nos conceder; e peçamos-lhe humilde e devotamente que derrame sobre nós a sua graça, a fim de podermos celebrar o dia de Pentecostes com a perfeição dos cinco sentidos e na observância do decálogo. Que sejamos repletos de um profundo espírito de contrição e nos inflamemos com essas línguas de fogo que são os louvores divinos. Desse modo, ardentes e iluminados pelos esplendores da santidade, mereceremos ver o Deus Uno e Trino.

Responsório Cf. Os 14,6b; Sl 91(92),13; Eclo 24,4a

R. O justo como o lírio brotará
* E florirá ante o Senhor, eternamente.
V. Será louvado na assembleia dos eleitos.
* E florirá.

Oração
Deus eterno e todo-poderoso, que destes Santo Antônio ao vosso povo como insigne pregador e intercessor em todas as necessidades,fazei-nos, por seu auxílio, seguir os ensinamentos da vida cristã, e sentir a vossa ajuda em todas as provações. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
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Papa proclama José de Anchieta como novo santo

Por Pedro Fonseca
O papa Francisco assinou nesta quinta-feira (3) o decreto de canonização do padre José de Anchieta, transformando em santo o missionário jesuíta considerado o "Apóstolo do Brasil" e um dos responsáveis pela fundação da cidade de São Paulo.
Anchieta, nascido em março de 1534 nas Ilhas Canárias, na Espanha, chegou ao Brasil com apenas 19 anos e viajou o país inaugurando missões religiosas e atuando na catequese de índios, inclusive tendo aprendido o tupi.
"Anchieta é santo. Na manhã desta quinta-feira, 3 de abril, o papa Francisco recebeu em audiência, no Vaticano, o Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, cardeal Angelo Amato", informou nota no site do Vaticano.
"Depois de ouvir o relatório sobre a vida e a obra do ´Apóstolo do Brasil´, o pontífice assinou o decreto que reconhece a figura e a grandeza do missionário, colocando assim seu testemunho como exemplo para os cristãos de todo o mundo."
O primeiro pedido de canonização de Anchieta foi feito há 417 anos. Depois de um novo pedido apresentado em outubro de 2013 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o papa Francisco ligou pessoalmente para o presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno, informando sobre a canonização, de acordo com o Vaticano.
Junto com o padre Manoel da Nóbrega, Anchieta fundou em 25 de janeiro de 1554 um colégio em Piratininga, onde aos poucos se formou um povoado ao redor que foi batizado pelo missionário de São Paulo, em homenagem ao dia em que se comemora a conversão do apóstolo Paulo.
Anchieta morreu em 1597, aos 63 anos, na aldeia de Reritiba, cidade no Espírito Santo que hoje leva seu nome.
Reuters
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A arte de gerar não se esgota no nascimento

Por Agostino Gramigna
"Um exemplo de generatividade no mundo de hoje? O Papa Francisco. Ele encontrou uma Igreja cheia de problemas e a está enfrentando de modo corajoso, para levar o cristianismo à generatividade das origens".

Chiara Giaccardi, socióloga, não hesita um segundo ao identificar a testemunha do movimento que ela e o seu marido, Mauro Magatti, decidiram desenvolver. Ou, melhor, fecundar. E que está escrito em claras letras no título do seu livro: "Generativi di tutto il mondo unitevi" ("Generativos de todo o mundo, uni-vos").

Mas o que é a generatividade? O conceito provém da medicina, relacionado com a capacidade de gerar de um casal. Adaptado à sociologia, ele assume outro valor, o de imaginar e de repensar a própria liberdade. Porque o sociólogo Magatti está convencido, como bom generativo, que o cerne da crise que estamos atravessando (econômica, política e democrática) reside em um paradoxo: "Nunca atingimos níveis de liberdade tão elevados na história, mas não sabemos o que fazer com essa liberdade".

Giaccardi diz que começou a pensar na generatividade há muitos anos. Ou, melhor, reivindica que foi ela que refletiu, antes ainda que o marido, sobre a potencialidade muito forte da sua maternidade (o casal tem cinco filhos, mais um em processo de adoção): "Eu não podia limitar a minha experiência de generatividade unicamente ao aspecto biológico".

Magatti ouve e resume de modo mais conciso a questão: "Colocar um filho no mundo depois de uma relação sexual não basta para ser generativo. Depois, é preciso cuidar das crianças, acompanhá-las, cultivá-las, para depois, um dia, deixá-las ir embora".

Mas o que acontece hoje? "As pessoas de 30 ou 40 anos pensam nos filhos como uma coisa a mais, uma experiência a mais, como algo para se colecionar, acrescentar. A generatividade não é satisfação pessoal, e ponto final. Não pode ser reduzida ao desejo do prazer".

Generativo é o empresário que não se ocupa apenas com o lucro, mas faz crescer a própria empresa; o artesão e o artista que acrescentam beleza ao mundo; o profissional que faz triunfar a justiça; o professor que não se queixa dos seus alunos e os fazer crescer, ouvindo-os.

Generativo é quem transforma um trauma em energia positiva. Personalidades generativas sempre existiram, diz Magatti. O argumento que está na base do seu manifesto é que a crise que atravessamos tem uma origem precisa: os anos 1960. É a partir dessa data que começa a era do bem-estar, do crescimento, dos direitos, do pluralismo cultural, em um contexto de liberdade absoluta.

"Porém, devemos nos perguntar como conseguimos construir uma democracia tão frágil. A ideia individualista extrema de que cada um de nós tem o direito ao prazer não se sustenta mais".

A receita do movimento generativo? "Um modelo de crescimento que faça do consumo não mais o seu centro. O consumo deve ser uma consequência da produção de valor através da inovação e da pesquisa".

Marido e mulher, porém, tendem a se distanciar de certas teorias do decrescimento, à la Serge Latouche, por exemplo, que encontraram muito espaço na mídia durante os anos da crise. "Defendemos o crescimento. Devemos ser consumidores. Se comemos, vivemos. A primeira fase da liberdade de massa insistiu em pôr para dentro, explorar, consumir, pegar. Não não condenamos esse movimento de pôr para dentro. Pensamos que o ser humano também deve pôr para fora, essa é a generatividade".

Os sujeitos? O potencial generativo? Giaccardi diz que é transversal. O seu marido, ao invés, está convencido de vez que as mulheres têm um forte impulso generativo. Assim como os jovens. Eles são conscientes disso? "Não", responde seco. Não é por nada que marido e mulher lançaram um manifesto.
Corriere della Sera, 22-03-2014.
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A educação e a verdadeira formação do saber

O ato de educar não pode ser confundido com uma espécie de 'adestramento' ou informação.
Por Dom Jaime Spengler*
A obra da educação é nobre e distinta, necessária e desafiadora, sempre urgente e complexa. Educar requer determinação e clareza, disposição e compreensão, necessidade de sair de si e ir ao encontro do educando com suas potencialidades e fragilidades.

Na atenção à obra da educação, está sempre presente – ou deveria estar – a necessidade de compreender aspectos fundamentais do próprio processo educacional de nossos adolescentes e jovens, tais como desenvolvimento, maturidade, maioridade, liberdade, agressividade, autoridade, direcionamento, obediência, capacitação, formação, educação, aprendizagem, ensino, normatividade, identidade, comunicação, costume, postura, motivação, convívio social, valores, ética, arte, beleza, criatividade, limites.

Sabemos que a pessoa é dom e tarefa. É dom porque sua identidade característica é única! É tarefa porque precisa ser construída e construir-se, precisa aprender o que é com suas potencialidades, e se deixar formar. Trata-se de um trabalho decidido e dedicado, empenhado e empenhativo, que envolve cada pessoa e toda a sociedade.

A educação não se limita à assimilação, adaptação e associação. Não se pode cair na simplificação dos processos, passando ao largo de possibilidades essenciais de aprendizagem. Existem funções elementares da vida que precisam ser trazidas para dentro de uma totalidade existencial esclarecida que, por vezes, são tidas como evidentes, mas que, na verdade, não o são.

A criatividade, por exemplo, expressa o que o ser humano tem de mais original. Trata-se de uma característica vigorosa dos adolescentes e jovens e que precisa ser promovida e orientada a partir de sua originalidade transparente, sem transcurar a tarefa de preparar o humano para decisões originais, e instaurar nele uma liberdade derradeira frente ao próprio processo educativo. Ao lado da criatividade, encontramos a força investigativa como atividade marcadamente jovem e que é aspecto integrante do trabalho educacional.

Há também o cuidado com a dimensão do incomparável, que não pode ser mostrado e transmitido em um processo educacional, embora sobreviva em muitos objetos pertencentes à educação: na história, na arte, na vida política e religiosa. Nesse âmbito, o trabalho está mais ocupado em desobstruir o ver, o compreender ou o poder, do que propriamente sugerir algo para o ver, o compreender e o poder.

Os aspectos acima salientados requerem muito mais que investigação: exigem estudo. E estudo não pode ser identificado sem mais com o fenômeno da educação. O estudo perpassa a obra de educar. Poderíamos, talvez, dizer que o estudo alcança de tal modo os fatos, que daí surgem alternativas para os caminhos em que se pode conquistar horizontes necessários para a apreensão da coisa, para melhorar o processo educacional.

Por que todas essas considerações? Para talvez vislumbrar uma distinção que precisamos sempre e de forma nova compreender: a educação não pode ser confundida com uma espécie de ‘adestramento’ ou informação. Até porque informação nunca foi sinônimo de formação!

Não basta, por exemplo, ser informado sobre posturas sociais como diligência e honestidade, sinceridade e confiabilidade, camaradagem, solidariedade, dignidade, honra, respeito humano, direitos humanos. A questão nesse contexto é saber, isto é, educar para o “aprendizado” que tais posturas necessitam. Assim, talvez, estaríamos despertados para aspectos da obra da educação que precisam de abordagem honesta e franca; expressão de uma opção preferencial da sociedade em favor dos adolescentes e jovens – patrimônio maior de um povo, de uma nação!
CNBB, 24-2-2014.
*Dom Jaime Spengler é arcebispo de Porto Alegre (RS).
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A Palavra de Deus no cuidado com os filhos


Por Dom Paulo Mendes Peixoto*
Podemos dar diversos significados para a palavra "cuidar", mas aqui ela está direcionada especialmente para os filhos, para aqueles que devem ser assistidos, educados e acompanhados por alguém. Dizemos que Deus, Pai e Mãe, cuida com carinho de seus filhos. Isso acontece, de forma especial, para com os acometidos de sofrimento.

Cuidar dos filhos significa praticar um amor atento e fiel, colocando como preocupação primeira a educação para a vida de cidadania, de responsabilidade e capacidade para o enfrentamento das exigências da sociedade. Não podemos desprezar os princípios da fé, capazes de construir uma espiritualidade necessária para o bem viver nos novos tempos.

Sabemos dos desafios enfrentados pelos pais no processo da educação. "Palavras não convencem", principalmente quando não são confirmadas pelo testemunho concreto de vida. A tendência é seguir as influências que chegam de fora do lar. É o caso da mídia, colocando os pais numa situação caracterizada como "sem saída".

No caminhar da história, os compromissos familiares vão se diluindo, necessitando de um "ecoar novo" da Palavra de Deus. Até parece que Deus abandonou a família, ou é a humanidade que se distanciou dos ensinamentos divinos. Os pais devem ter ternura para com aqueles que são frutos de suas entranhas.

Para o cuidado dos filhos, os educadores têm que abrir mão de "formas" que não falam mais. O mundo mudou, mas o amor deve conservar sua identidade e continuar sendo doação e esvaziamento para fazer o outro feliz. Os pais são os administradores dos mistérios de Deus, destacando o dom da benção para os filhos.

Pais e filhos necessitam de coerência e autenticidade. Não só usarem da sabedoria humana, mas também a de Deus para harmonizar a convivência. Com isto, o cuidado deve ser de ambos os lados sem se deixarem levar por ideologias do momento. Não podem faltar a fraternidade e a justiça, como diz a Escritura: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas vos serão dadas em acréscimo" (Mt 6, 33).
CNBB, 25-02-2014.
*Dom Paulo Mendes Peixoto é arcebispo de Uberaba (MG).
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SÃO FRANCISCO XAVIER, PRESBÍTERO - 03 de dezembro

Memória
 
Nasceu na Espanha, em 1506; quando estudante em Paris, tornou-se companheiro
de Santo Inácio. Foi ordenado sacerdodote em Roma, em 1537, e dedicou-se às
obras de caridade. Partindo em 1541 para o Oriente, durante dez anos evangelizou,
incansavelmente, a Índia e o Japão, convertendo multidões à fé cristã. Morreu em 1552,
na ilha chinesa de Sancião.

MEDITAÇÃO
Das Cartas a Santo Inácio, de São Francisco Xavier, presbítero
 (E Vita Francisci Xaverii, auctore H. Tursellini, Romae, 1596,
Lib. 4, epist. 4 [1542] et 5 [1544])

(Séc. XVI)

Ai de mim, se não evangelizar!
Percorremos as aldeias de neófitos, que receberam os sacramentos cristãos
há poucos anos. Esta região não é cultivada pelos portugueses, já que é muito
estéril e pobre; e os cristãos indígenas, por falta de sacerdotes, nada sabem a
não ser que são cristãos. Não há ninguém que celebre para eles as sagradas
funções; ninguém que lhes ensine o Símbolo, o Pai-nosso, a Ave-Maria e os
mandamentos da Lei de Deus.

Desde que aqui cheguei, não parei um instante: visitando com freqüência as
aldeias, lavando na água sagrada os meninos não batizados. Assim, purifiquei
grandíssimo número de crianças que, como se diz, não sabem absolutamente
distinguir entre a direita e a esquerda. Estas crianças não me permitiram
recitar  ofício divino, nem comer, nem dormir, enquanto não lhes ensinasse
alguma oração; foi assim que comecei a perceber que delas é o reino dos céus.

À vista disto, como não podia, sem culpa, recusar pedido tão santo, começando
começando pelo testemunho do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinava-lhes
o Símbolo dos Apóstolos, o Pai-nosso e a Ave-Maria. Observei que são muito
inteligentes; se houvesse quem os instruísse nos preceitos cristãos, não duvido
que seriam excelentes cristãos.

Nestas paragens, são muitíssimos aqueles que não se tornam cristãos,
simplesmente por faltar quem os faça tais. Veio-me muitas vezes ao pensamento
ir pelas academias da Europa, particularmente a de Paris, e por toda a parte
gritar como louco e sacudir aqueles que têm mais ciência do que caridade,
clamando: "Oh! Como é enorme o número  dos que excluídos do céu, por vossa
culpa se precipitam nos infernos!"

Quem dera que se dedicassem a esta obra com o mesmo interesse com que se
dedicam às letras, para que pudessem prestar contas a Deus da ciência e dos
talentos recebidos!

Na verdade, muitos deles, impressionados por esta idéia, entregando-se à
meditação das realidades divinas, talvez estivessem mais preparados para
ouvir o que Deus diria neles: abandonando as cobiças e interesses humanos,
se fizessem atentos a um aceno ou vontade de Deus. Decerto, diriam de coração:
Aqui estou, Senhor; que devo fazer? (At 9,10; 22,10). Envia-me para onde
for do teu agrado, até mesmo para a Índia.

Responsório Lc 1,2; At 1,8
R. É grande a colheita e os operários são poucos.
* Por isso pedi ao Senhor da colheita
que mande operários à sua colheita.
V. Recebereis vossa força do Espírito,
que haverá de descer sobre vós;
e sereis testemunhas de mim
até os extremos da terra. *Por isso.

Oração

Ó Deus, que pela pregação de São Francisco Xavier conquistastes
para vós muitos povos do oriente, concedei a
todos os fiéis o mesmo zelo, para que a santa Igreja possa
alegrar-se com o nascimento de novos filhos em toda a terra.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
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A Igreja Católica e a educação

O catolicismo se interessa pelo desenvolvimento do homem todo e de todos os homens.
A educação integral da pessoa humana faz parte indissociável da missão evangelizadora da Igreja. Porque colabora com o desenvolvimento humano de forma integral, ela tem sido reconhecida como Mestra em questões de humanidade. Como prosseguidora e atualizadora da   obra de Cristo que "veio para que todos tenham vida e a tenham plenamente". (Jo.10,10), a Igreja existe para evangelizar, ou seja, para anunciar Jesus Cristo. A partir da prática humanitária de Jesus, no dizer de Paulo VI, a Igreja deve interessar-se no desenvolvimento do homem todo e de todos os homens.

A palavra de Cristo "Tudo o que fizerdes ao menor de meus irmãos é a mim que estareis fazendo" (Mt.25,22) indica a caridade como uma atividade ampla, através de meios que favoreçam aos homens e mulheres seu desenvolvimento integral, seja na saúde física, seja na capacidade intelectual, seja na responsabilidade de criar reais condições para a convivência social pacifica, solidária, justa, tendo consciência da transcendência da vida humana.

Nesse sentido, na história, encontramos a presença da Igreja na linha de frente do desenvolvimento intelectual, já no início do cristianismo com o surgimento vários autores competentes, com o fim de responder à perseguição física e intelectual dos quatro primeiros séculos, que usaram de seus recursos de estudo e pesquisa para argumentar de forma consistente, através da razão a sustentabilidade da fé cristã. Exemplifiquemos com Irineu de Lion, com seus "Adversus Haereses", Policarpo, Tertuliano, Cirilo de Alexandria, Jerônimo, o biblista, Ambrósio, Basílio, João Crisóstomo, o grande Santo Agostinho de Hipona e outros.

Na Idade Média, compreendida entre o ano 476, quando se deu a queda do Império Romano do ocidente e o ano 1453, queda de Constantinopla, no Oriente, erroneamente e preconceituosamente apresentada como idade das trevas, revela luminosas novidades no campo do estudo. É aí que surgem as Universidades, originadas pelas mãos da Igreja Católica, ao lado das catedrais e dos mosteiros, se transformando em extraordinários centros do saber que atravessariam os séculos e chegariam até nossos tempos como sistema ainda insuperado do conhecimento, da pesquisa, da formação de profissionais e construtores da vida social.

O caráter social das escolas que já existiam junto às igrejas paroquiais, catedrais e mosteiros, recebendo não só gente da classe nobre, mas também dos meios populares e pobres, perdura ao surgirem as universidades. A primeira universidade fundada foi a de Bologna, no centro da Itália, no ano de 1158. Em 1200, ela já contava com cerca de 10 mil estudantes de toda a Europa.

A segunda foi a Sorbone, de Paris, nascida da escola episcopal de Notre Dame, cujo início se deu em 1170, iniciativa do Padre Sorbon, confessor do rei São Luis IX, da França. Entre tantos nomes de destaque, nesta escola se formaram Tomás de Aquino, Inácio de Loyola e Francisco Xavier.   

Hoje, em todo o mundo há milhares de escolas católicas e centenas de universidades que têm sido responsáveis pela graduação de um imenso número de profissionais, pensadores e cientistas. Elas são fonte de crescimento humanitário  espiritual. No centro da vida acadêmica católica, além do altíssimo nível formativo que pretendem ter, as escolas católicas oferecem aos alunos e suas comunidades o maior conhecimento de Jesus Cristo, homem e Deus verdadeiros, salvador da humanidade.
A12, 26-12-2013.
* Dom Gil Antônio Moreira é arcebispo metropolitano de Juiz de Fora.
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Papa Francisco faz doação para obra social da Bahia

Salvador - O trabalho desenvolvido com crianças e adolescentes filhos de pais encarcerados chamou a atenção do papa Francisco. O Centro Nova Semente, localizado ao lado do Complexo Penitenciário Estadual, em Mata Escura (BA), recebeu uma doação em dinheiro enviada pelo pontífice. A entrega aconteceu nessa segunda-feira (4), durante visita do presidente do Pontifício Conselho para a Família, dom Vincenzo Paglia, ao arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, dom Murilo Krieger.
A verba, doada pelo Vaticano, destinava-se à construção de uma nova obra social em Salvador. Mas como a construção se mostrou inviável, dom Murilo e o cardeal Geraldo Majella Agnelo pediram ao papa para que o dinheiro fosse canalizado para o Centro Nova Semente. “É uma obra que precisa de recursos. Pedimos para o papa Bento XVI na época, mas, com a sua renúncia, tivemos de esperar. A primeira resposta que tivemos foi a de que o novo papa deveria ser comunicado. Em seguida, recebemos a confirmação de que o papa Francisco concordou e nos apoiou”, explica o arcebispo.
Além de uma casa onde, atualmente, moram 30 crianças e adolescentes, filhos de homens e mulheres que se encontram encarcerados, o Centro Nova Semente passará a contar com uma casa para crianças de 0 até 3 anos e um salão polivalente. “A ajuda financeira do Vaticano possibilitará a ampliação do espaço. Atualmente, as nossas dificuldades aqui são muitas e passam pela saúde, cultura e educação”, diz a responsável pela obra, irmã Adele Pezzone.
Dom Murilo afirma que a doação é um gesto de carinho de Francisco. “Quando a mãe está presa só pode ficar com os filhos durante o período da amamentação. Este centro possibilita a proximidade entre mães e filhos, com visitas que são frequentes. No Centro Nova Semente as crianças não são separadas das mães”, explicou.

A obra

O Centro Nova Semente foi fundado em 1999, depois de uma decisão judicial determinando que crianças com mais de 6 meses de idade - período da amamentação - deveriam ser mantidas fora da Penitenciária Feminina. Preocupada com a situação dos pequenos que não tinham para onde ir, a Pastoral Carcerária providenciou a retirada das crianças.
“Aqui não é um orfanato. As crianças não estão disponíveis para adoção. Aqui elas aguardam que suas mães cumpram as penas e continuam mantendo vínculos afetivos com elas. Quando as mães recebem a liberdade, os filhos são reinseridos nos seus lares. Isso acontece aos poucos e nós vamos acompanhando. A mãe leva o filho para passar um fim de semana, as férias escolares ou todo o ano letivo. Não é fácil para uma criança que chegou ao Centro com seis meses de idade ir morar com a mãe aos 12 ou 13 anos”, diz irmã Adele.
SIR/CNBB
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José de Anchieta, o primeiro professor no Brasil

Em 1553, chegava ao Brasil aquele que viria a se tornar o primeiro professor no país: o padre José de Anchieta, que dava aulas para índios na época da Colônia. Sua missão era ensinar aos índios sobre o cristianismo. No entanto, ele também aprendeu o guarani, língua falada na época e que fazia parte da cultura indígena.
O primeiro mestre-escola do Brasil foi o padre José de Anchieta, da Companhia de Jesus, ordem religiosa que foi fundada por Inácio de Loyola, com finalidades de apostolado religioso, quer dizer, converter os gentios e educá-los para o cristianismo. José de Anchieta chegou ao Brasil em 1553, depois de ter estudado na Universidade de Coimbra e ter feito o seu aprendizado religioso. Muito devoto da Virgem Maria, resolveu dedicar-se a ela.
Tudo o que fez na vida foi em função do seu amor por ela. Naquela época, nos campos de Piratininga, que é hoje São Paulo, o padre Manuel da Nóbrega, também jesuíta, fundou uma escola para educar os índios. Para ajudá-lo nessa missão, é o que Anchieta veio para o Brasil. Muito jovem, mas dedicado, começou a lecionar aos índios, mamelucos (que são os filhos de brancos com índios), assim como aos brancos também.

Numa cabana de barro, coberta de palha, o primeiro mestre-escola do Brasil tinha uma classe de leitura. Além de professor, era médico, enfermeiro e advogado dos índios, isto é, quando os brancos pretendiam disfarçadamente escravizá-los, Anchieta os defendia junto às autoridades. Uma vez, depois de uma briga entre índios e brancos, enquanto se negociava a paz, Anchieta ficou como refém dos índios, em Iperoig.
Durante esse tempo em que ele foi uma espécie de prisioneiro, escreveu nas areias da praia versos a Virgem Maria, que o tornaram um dos mais importantes poetas do Brasil. Aprendeu o guarani, língua dos índios, para melhorar compreender sua maneira de viver. Escreveu a primeira gramática dessa língua. Morreu aos 64 anos de idade, ele, que viera com apenas 20 anos para o Brasil, cercado dos selvícolas, como sempre viveu. Foi o Apostolo do Brasil. E o seu primeiro mestre-escola.

SIR/Folha de S. Paulo
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