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É preciso criar espaço para o 'deserto' interior

Por Dom Murilo S.R. Krieger*
É preciso que se estude, um dia, o papel do deserto na vida do ser humano - ou, ao menos, na vida de certas pessoas. Para uma legião de monges, ele se tornou um ideal, quase uma obsessão. Achavam impossível viver longe dele e, por isso, deixaram tudo e partiram para um mosteiro. Ali, na oração e no trabalho, não tinham em mente fugir do mundo, mas compreendê-lo melhor e colocá-lo em sua oração. Charles de Foucauld, nascido numa família aristocrática francesa, fez do deserto, no norte da África, o seu lar. Saint-Exupéry compreendeu melhor a terra dos homens depois que seu avião teve uma pane, vendo-se obrigado a passar dias e dias no deserto do Saara, completamente isolado de tudo. 

"Cada pessoa tem condições de criar um deserto em torno de si mesma e, principalmente, em seu coração. Ali, na rica solidão de seu interior, saberá dar à sua vida, às pessoas que a cercam e a ela própria o devido valor".

A lembrança desse silêncio fê-lo um dia escrever: "Eu sempre amei o deserto. A gente se senta numa duna de areia. Não se vê nada. Não se escuta nada. E, no entanto, no silêncio, alguma coisa irradia". Claro que ninguém ama o deserto por ele mesmo, pois "o que torna belo o deserto é que ele esconde um poço em algum lugar”. Quem nunca teve um avião, não sabe o que é sentir-se, de repente, num deserto, como Saint-Exupéry. Mas isso não nos impede de fazer a experiência do deserto – experiência tão importante e renovadora que foi escolhida pelo Senhor para preparar o coração de seu povo, antes da entrada na Terra Prometida: "Guiou o seu povo no deserto: pois eterno é seu amor" (Sl 136,16).

Cada pessoa tem condições de criar um deserto em torno de si mesma e, principalmente, em seu coração. Ali, na rica solidão de seu interior, saberá dar à sua vida, às pessoas que a cercam e a ela própria o devido valor. Aliás, nunca uma pessoa poderá compreender tais realidades se não se encerrar em si mesma.

O deserto é feito de silêncio. Não de um silêncio estéril, marcado apenas pela falta de barulho, mas de um silêncio que nasce dentro da própria pessoa: um silêncio feito de reflexão e paz. Um silêncio feito de amor.

É necessário, de quando em vez, fazermos uma parada na vida. Parada semelhante à daqueles que, andando pelo deserto, ficam algum tempo no oásis que encontram. Saem dali refeitos, enriquecidos e animados. Também nós sairemos enriquecidos dos momentos de deserto que criarmos. Depois disso, teremos melhores condições de enfrentar a vida de cada dia, com seus problemas, desafios e solicitações. Sairemos de nossos desertos convictos de que nesses tempos que periodicamente nos concedemos, longe de nos isolarmos num egoísmo estéril, estaremos criando melhores condições para estabelecer um encontro leal, profundo e sincero conosco mesmos, com os outros e com Deus.

Na vida de Cristo há vários momentos que testemunham o quanto ele amava o deserto: "Logo em seguida, Jesus mandou que os discípulos entrassem no barco e fossem adiante dele para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. Depois de despedi-las, subiu à montanha, a sós, para orar. Anoiteceu, e Jesus continuava lá, sozinho” (Mt 14,22-23). Sua vida não era tranquila: as multidões o procuravam a toda a hora e em todos os lugares; pediam curas, exigiam sua presença e sua palavra. Ele atendia a todos, com uma paciência que a outros conquistava. À noite, cansado, deixava os apóstolos descansando e se retirava para longe. Suas noites de oração eram o seu "deserto".

Numa época e num mundo marcados pela agitação (ou pela dispersão?), é urgente seguirmos o exemplo de nosso Mestre, procurando criar espaços de deserto. Justamente porque as atividades nos absorvem, porque todos solicitam nossa presença e nossas responsabilidades se multiplicam, justamente por isso precisamos de "desertos" em nossa vida. O "deserto" nos dará maior unidade, nos tornará mais amigos de nós mesmos, e fará com que cumpramos melhor nosso papel no plano que o Pai tem para nós. Tempos de deserto não são de fugas, mas, sim, são multiplicadores de nossas forças, tornando-nos mais eficazes.

Só quem já fez a experiência de deserto é capaz de valorizá-lo devidamente e de lhe dedicar um tempo que a eternidade recompensará.
A12, 13-01-2014.
* Dom Murilo S.R. Krieger é arcebispo de Salvador (BA) e Primaz do Brasil.
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SANTO ONOFRE, MONGE, EREMITA, PADROEIRO DOS TECELÕES E PROTETOR DOS ALCOÓLATRAS, 12 DE JUNHO

As vezes chamado também de Santo Honofre e São Onouphrius .
A vida de Santo Onofre só é conhecida pelo que conta um de seus discípulos, São Paphuntius, (no Brasil é chamado de São Pafûncio),o qual o encontrou no deserto no Egito. Onouphrius viveu no século IV e tornou-se um monge em um monastério perto de Tebas de onde ele saiu para viver uma vida de eremita e contemplação. Por 60 a 70 anos Onofre viveu só no deserto e usava como vestimenta apenas o seu cabelo e uma espécie de calça feita de folhas. Não obstante ele foi e ainda é um assunto muito popular na arte Medieval. É muito festejado na Espanha e vários são os milagres a ele atribuídos.
Quando o então Abade Pafûncio estava decidindo o que representaria para ele uma vida de eremita, conheceu no deserto a Onofre que já era um eremita por 70 anos. Onofre contou a ele que havia sido um monge em um austero monastério em Thebas, mas teve uma visão chamando-o a imitar São João Batista e assim foi levado a viver a sua vida de eremita. Ele lutou por muitos anos contra tentações as mais terríveis, mas com perseverança conseguiu vencer a todas. São Pafûncio ficou maravilhado quando a comida milagrosamente apareceu para a refeição da noite (Diz a tradição que foi um anjo que trouxe a comida de ambos).
O Abade passou a noite com o eremita. Na manhã seguinte, Onofre disse a Pafûncio que o Senhor havia dito, que ele iria morrer em breve e que havia enviado Pafûncio para enterra-lo. E algum tempo depois, Onofre realmente faleceu e São Pafûncio o enterrou em um buraco em uma montanha e o lugar imediatamente desapareceu, como para dizer ao Abade que seus restos não eram para ficar alí.
A historia foi colocada em escritos por São Pafûncio e já era popular no sexto século. Durante a idade media ele foi muito popular no Leste e Oeste principalmente na Rússia, onde é venerado juntamente com Saint Peter of Athos.
Na liturgia da igreja católica ele é mostrado como um velho eremita vestido apenas com um longo cabelo e uma folha cobrindo sua cintura.
Algumas vezes ele é mostrado com um anjo trazendo o pão da Eucaristia com uma coroa a seus pés.
Ele é o padroeiro dos tecelões, talvez porque as vezes tecia sua própria peça de roupa com fios de plantas encontradas no deserto.
É protetor dos alcoólatras. Diz a lenda que teria no início de sua vida vencido esse terrível vicio, mas nada foi provado nesse sentido. Não obstante ele é invocado para a cura do alcoolismo.
Sua festa é celebrada no dia 12 de junho, na Igreja Católica e na Ortodoxa.
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VIDA DE SANTO ANTÃO, ABADE, PAI DO MONAQUISMO (escrita por santo Atanásio), 17 DE JANEIRO


Da Vida de Santo Antão, escrita por Santo Atanásio, bispo
(Cap.2-4: PG 26,842-846)
(Séc.IV)

A vocação de Santo Antão
Depois da morte de seus pais, tendo ficado sozinho com uma única irmã ainda pequena,
Antão, que tinha uns dezoito ou vinte anos, tomou conta da casa e da irmã.

Mal haviam passado seis meses desde o falecimento dos pais, indo um dia à igreja,
como de costume, refletia consigo mesmo sobre o motivo que levara os apóstolos a
abandonarem tudo para seguir o Salvador; e por qual razão aqueles homens de que se
fala nos Atos dos Apóstolos vendiam suas propriedades e depositavam o preço aos pés
dos apóstolos para ser distribuído entre os pobres. Ia também pensando na grande e
maravilhosa esperança que lhes estava reservada nos céus. Meditando nestas coisas,
entrou na igreja no exato momento em que se lia o evangelho, e ouviu o que o Senhor
disse ao jovem rico: Se tu queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro
aos pobres. Depois vem e segue-me, e terás um tesouro no céu (Mt 19,21).

Antão considerou que a lembrança dos santos exemplos lhe tinha vindo de Deus, e que
aquelas palavras eram dirigidas pessoalmente para ele. Logo que voltou da igreja,
repartiu com os habitantes da aldeia as propriedades que herdara da família (possuía
trezentos campos lavrados, férteis e muito aprazíveis) para que não fossem motivo de
preocupação, nem para si próprio nem para a irmã. Vendeu também todos os móveis e
distribuiu com os pobres a grande quantia que obtivera, reservando apenas uma pequena
parte por causa da irmã.

Entrando outra vez na igreja, ouviu o Senhor dizer no evangelho: Não vos preocupeis
com o dia de amanhã (Mt 6,34). Não podendo mais resistir, até aquele pouco que
restara, deu-o aos pobres. Confiou a irmã a uma comunidade de virgens consagradas
que conhecia e considerava fiéis, para que fosse educada no Mosteiro. Quanto a ele, a
partir de então, entregou-se a uma vida de ascese e rigorosa mortificação, nas
imediações de sua casa.

Trabalhava com as próprias mãos, pois ouvira a palavra da Escritura: Quem não quer
trabalhar, também não deve comer (1Ts 3,10). Com uma parte do que ganhava
comprava o pão que comia; o resto dava aos pobres.

Rezava continuamente, pois aprendera que é preciso rezar a sós sem cessar (1Ts 5,17).
Era tão atento à leitura que nada lhe escapava do que tinha lido na Escritura; retinha
tudo de tal forma que sua memória acabou por se substituir aos livros.

Todos os habitantes da aldeia e os homens honrados que tratavam com ele, vendo um
homem assim, chamavam-no amigo de Deus; uns o amavam como a filho, outros como
a irmão.vida de santo antão

Responsório Mt 19,21; Lc 14,33b

R. Se tu queres ser perfeito, vai e vende os teus bens,
doa tudo, então, aos pobres e terás no céu um tesouro;
* Vem e segue-me, depois.
V. Todo aquele, dentre vós, se não deixar tudo o que tem,
não pode ser o meu discípulo. * Vem e segue-me.

Oração
Ó Deus, que chamastes ao deserto Santo Antão, pai dos monges, para vos servir por uma vida heróica, dai-nos, por suas preces, a graça de renunciar a nós mesmos e amar-vos acima de tudo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
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SÃO SEVERINO, SÉCULO V, EREMITA, MISSIONÁRIO, APÓSTOLO DA NÓRICA, 8 DE JANEIRO

No Século V o Império Romano do Ocidente foi progressivamente submerso pelos invasores germânicos: visigodos, ostrogodos, vândalos, suevos, burgúndios, alamanos e francos. Na devastação geral nasce São Severino, o apóstolo da Nórica. Nasceu em 410. Ao que parece, descende de nobres famílias romanas, mas sempre viveu uma vida simples.Por muitos anos viveu como eremita no deserto do Egito, mas abandonou a solidão para dedicar-se à evangelização de pessoas sem nenhuma fé.

Depois de deixar o Egito fixou-se na região de Viena, que vinha sofrendo constantes invasões de bárbaros germânicos. É neste contexto histórico que surge a grandiosa figura de São Severino, o apóstolo da Nórica.
  Em 454 esteve no Oriente por pouco tempo, estabelecendo-se nesse mesmo ano sobre o Danúbio, nos confins da Nórica e da Panônia, onde erigiu mosteiros capazes de dar refúgio às populações ameaçadas e, ao mesmo tempo, servir de pontos estratégicos para a pregação do Evangelho aos povos bárbaros (pagãos). 



Sentia-se impelido à vida contemplativa e eremítica e, ao mesmo tempo, era impulsionado ao trabalho missionário. Favorecido com o carisma da profecia, São Severino foi vidente também no plano humano. Severino foi capaz de ler as entranhas dos acontecimentos, vendo nas invasões bárbaras o prenúncio de uma nova época, a surgir do decadente Império. Compreendeu, por isso, que a agitação das jovens gerações bárbaras era irrefreável, e que a decrépita sociedade romana ganharia vigor com a transfusão dessas novas forças. Por isso ele se sente impelido a levar a Boa Nova do Evangelho aos jovens povos bárbaros.

Era necessário abrir suas mentes para a verdade Evangélica e, antes disso, entrar em contato direto com as pessoas. Com um gesto corajoso que chamou a atenção dos rústicos guerreiros, chegou até Comagene, já em poder dos inimigos. A sua comprovada caridade para com os necessitados, sua integridade de vida, sua fé profunda sensibilizam o coração dos bárbaros, a começar pelos chefes. 
Gibuldo, rei dos alamanos, tinha para com ele "suma reverência e afeto", diz o seu biógrafo Eugipo. Escutava-o com respeito, dócil como um filho. Flaciteu, rei dos rúgios, consultava-o nos empreendimentos arriscados e nada fazia sem o seu conselho.
Não faltaram sinais do céu para confirmar suas palavras. Um dia, a nora de Flaciteu tinha-o convencido, contra a vontade e parecer de São Severino, a negar a liberdade a alguns prisioneiros. Severino advertiu-o, energicamente, que temesse a ira de Deus. Naquela mesma noite o filho de Flaciteu caiu prisioneiro de outros bárbaros e só conseguiu a liberdade por intermédio de Severino. 

Reverenciado e amado pela gente humilde e também por reis e guerreiros, viveu pobremente, sem tirar para si proveito algum das coisas materiais. Vestia-se com a mesma túnica no verão e no inverno, dormia escassas horas de sono, estendido sobre a terra, com o cilício apertando-lhe o corpo e, na quaresma, comia apenas uma vez por semana. Morreu no dia oito de janeiro de 482. Suas relíquias são veneradas em Nápoles.  

Oração
PRECE DA FRATERNIDADE UNIVERSAL
  Deus, nosso Pai, em São Severino nos destes um exemplo admirável de bondade e de amor cristão que é servir e exercer a solidariedade para com todos os homens, sem levar em conta raça, cor, cultura e religião … Vós sois um Deus que não fazeis acepção de pessoas. Diante de vós todos são iguais e participam da mesma dignidade de criaturas amadas e queridas por vós. Todos os povos são chamados a participar da vossa salvação e a constituir uma grande família, a família dos filhos de Deus. Nós vos pedimos, Senhor, que em Jesus, vosso amado Filho, nosso irmão, e mediante o vosso Espírito Santo, nos concedais o dom do discernimento, para percebermos os sinais de vosso amor e de vossa ação na história humana.

Padroeiro: dos pobres e prisioneiros 
São Severino, rogai por nós.



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SANTA FLORENÇA DE POITIERS - EREMITA, 1º DE DEZEMBRO

Florença nasceu na Frígia, de pais imersos nas trevas do paganismo, e que a tinham educado nos mesmos erros. Seus pais eram colonos romanos estabelecidos na Ásia Menor, ao longo da estrada que da Frigia conduzia a Selêucia. Florença é citada na “Vita Hilarii” do século VII, que narra a vida de Santo Hilário, primeiro Doutor da Igreja Latina.
     Em 359, Santo Hilário, exilado há quatro anos, e defendendo a fé nos locais entregues ao arianismo, foi para a Selêucia, cidade da Isauria onde a heresia tinha inspirado um concilio para o final de setembro (Sínodo dos Orientais de 359).
     Um domingo, passando por uma pequena cidade que, infelizmente, a história não diz o nome, ele entrou na igreja católica no momento em que as pessoas já estavam reunidas para a oração. De repente, no meio da multidão, uma menina corre e entra nas fileiras cerradas, ela clama que um grande servo de Deus está ali e, prostrada a seus pés, implora que pelo Sinal da Cruz ela ingresse no rebanho de Cristo, ela protesta que não vai se erguer senão após ter seu pedido atendido.
     Era Florença, que um movimento do Espírito Santo enviava para o grande doutor, cujo nome ilustre não era conhecido no Oriente, e Ele fazia conhecido misteriosamente. Hilário deu-lhe sua bênção, que era um símbolo do Santo Batismo que ela recebeu alguns dias depois. A piedosa criança não teve só aquela felicidade. Instruída sobre as verdades da fé, durante o curto tempo que lhe podia dar o grande bispo, o pai de Florença, sua mãe e sua família toda se deram a Deus, e foram lavados na mesma regeneração.
     Nós não sabemos o que aconteceu com esta conquista de toda uma família, onde "a salvação foi introduzido pelo ministério de um Santo e pelo exemplo tocante da inocente virgem”. Para ela, uma via milagrosa foi traçada, e ela a seguiu.
     Alguns meses mais tarde, na primavera do ano 360, como Santo Hilário era vencedor dos inimigos de Jesus Cristo e devastador da sua causa, estes reconheceram a necessidade de livrar-se dele no Oriente; ele retornou ao Ocidente após uma ordem de Constantino.
     Tomando conhecimento do fato, Florença obteve de seus pais a liberdade de segui-lo, atravessando com ele os mares que separam a Grécia da Itália; cruzou os Alpes, atravessou as várias províncias da Gália, emocionadas ainda pela rápida passagem do grande doutor, e chegou a Poitiers, quando todos comemoravam o seu retorno.
     A fervorosa viajante foi recebida de todo o coração pelo Santo, que ela chamava de pai, a mais justo título, dizia ela, do que aquele que lhe tinha dado a vida, pois ela tinha uma segunda vida mil vezes mais preciosa.
      Os ensinamentos que ela recebeu e o modelo de santidade que ela tinha diante dos olhos, levaram-na logo a uma grande piedade, a um coração dócil à graça que o tinha tão admiravelmente preparado. O conhecimento de Deus e de seu divino Filho, a meditação das verdades reveladas, produziram nela um amor profundo pelas coisas do Céu e uma rejeição proporcional as da terra. Este sentimento tendo aumentado continuamente, levou-a a solicitar a fuga do mundo numa solidão absoluta, e o santo bispo, cedendo à seus rogos, após ter provado a sua perseverança, deu-lhe em Comblé (Vienne), perto de sua terra Celle-L’Evescault, uma cela estreita e um pequeno jardim, onde ela se fixou para ali entregar-se continuamente aos piedosos exercícios da vida solitária. Na mesma ocasião, Santa Triaise abraçou em Poitiers o igual tipo de perfeição. O grande homem ficou satisfeito de ter colocado perto de todas suas casas anjos visíveis cujas virtudes o consolavam das impiedades de seus inimigos.
     O bom Pai não abandonava a si mesma na solidão esta menina criada por ele para a graça. Ele a visitava, a enchia de Deus, dirigia sua alma, e, voltando em seguida às suas viagens ao campo, deixava-a progredir sob a ação do Espírito Santo. Esses avanços foram em breve notados por este grande mestre que os tinha demarcado em sua sabedoria providencial. A oração contínua da santa virgem, suas vigílias frequentes, seus jejuns e outras austeridades apressaram o momento em que o Céu se deveria abrir para esta vida angelical. Ela viveu pouco mais de seis ou sete anos desde sua reclusão voluntária, e sua alma se uniu ao Senhor em 1º de dezembro de 366, na idade de 29 anos.
     O Santo Bispo, que ela precedeu de um ano, deu-lhe uma sepultura digna dela e dele, no mesmo lugar em que ela se havia santificado por tão admiráveis sacrifícios. Seu corpo foi homenageado por muito tempo, e graças milagrosas atraíam os fiéis. Uma igreja foi construída pouco tempo depois, e tornou-se um priorado da abadia vizinha de NouaiIIe.
     Quando os séculos trouxeram guerras sucessivas ao Poitou, com todas as calamidades que as acompanham, o pequeno edifício teve o destino de uma série de outros muito mais importantes, e durante tantos anos infelizes, as relíquias da Virgem humilde e gloriosa foram perdidas e completamente esquecidas.
     Como o domínio do Celle-L’Evescault não tinha deixado de pertencer aos bispos de Poitiers, de quem derivava seu nome, somente no século XI Isambert 1º, um de seus sucessores (1028-1047) as descobriu em Comblé e as transportou solenemente até Poitiers. Colocados na catedral, no pavimento entre o altar da Virgem Maria e de Santa Madalena, uma capela foi anexada a este último, sob o patrocínio de Santa Florença.
     No entanto, os seus despojos não permaneceram enterrados por muito tempo, eles que se tornaram tão valiosos para os habitantes do Poitou. Um bonito relicário de prata foi dado a eles. A cada ano, nas célebres procissões das Rogações, esse belo relicário era usado ao lado do que continha os restos mortais de São Pedro. Recorriam também a Santa em secas e outras calamidades públicas, “para ter”, como diz um velho historiador, “chuva ou tempo sereno desde o dia ou no dia seguinte à procissão, como eu vi fazer por várias regiões”.
     Mas, o dia 27 de maio de 1562 chegou. Naquele dia, as hordas bárbaras que protestavam contra a fé e os templos, saquearam todas as igrejas de Poitiers. Santa Florença não obteve graças para aqueles que queimaram todas as relíquias, e as suas foram envolvidas pelas chamas como as outras.
     Felizmente, em 1698, uma descoberta veio compensar a Igreja Matriz desta perda que pensavam irreparável. Uma parte do corpo santo havia sido deixada em sua segunda sepultura, atrás do coro da catedral, e a sua autenticidade pode ser reconhecida. A igreja então não tinha recursos suficientes para mandar fazer um relicário adequado. Preferiram depositar os santos ossos sob o altar-mor, onde eles ainda estão; é por isso que o capítulo faz a cada ano, no dia 1º de dezembro, a festa de Santa Florença.
Fonte: Os Pequenos Boullandistas, Vida dos Santos, Volume 12, Paris 1866.
imagem e texto: http://heroinasdacristandade.blogspot.com.br

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BEM AVENTURADO CHARLES DE FOUCAULD, PADRE, EREMITA, MISSIONÁRIO, 1 DE DEZEMBRO


"Quando acreditei que existia um Deus, compreendi que não podia fazer outra coisa senão viver somente para Ele".


                                 Pobre para mim para ser rico para ti!


Charles de Foucauld nasceu em Strasburg, na França, em 15 de setembro 1858. Era descendente de família nobre, de tradição militar. Aos doze anos, morava com o avô, pois já era órfão. Aos dezesseis anos, Charles escolheu a carreira militar e, ao final dos estudos nas melhores escolas militares, era um subtenente do exército francês. Foi uma época repleta de entusiasmos, crises e desvios, que o levaram a abandonar a fé. Entregava-se, facilmente, a prazeres e amores libertinos, escandalizando a cidade. Porém sentia necessidade de preencher sua vida tão vazia e sem rumo. 


Em 1883, Charles deixou o exército e viajou para o Marrocos, na África. Ele conhecia a Argélia e tinha fascínio pelo país que conhecera como oficial francês. Disfarçou-se de um rabino pobre, vivendo entre as comunidades judaicas, organizando mapas e esboços dos lugares por onde passava. Esse trabalho lhe conferiu uma medalha de ouro oferecida pela Sociedade Francesa de Geografia. 

Desde a saída do exército começou a mudança de vida. Com grande apoio dos parentes e de seu conselheiro espiritual, retornou à fé cristã, que o arrebatou de vez. Em 1890, Charles decidiu viver apenas para servir a Deus. Ingressou como noviço num mosteiro trapista de Nossa Senhora das Neves, onde ficou por alguns anos. Mas a mesa farta e a disciplina pouco rígida, como ele próprio concluiu, não produzia monges "tão pobres quanto o Senhor Jesus". Decidiu procurar um estilo de vida que se assemelhasse à humildade de Jesus. 

Abandonou o mosteiro e foi à Terra Santa. Lá, sentiu-se mais próximo de Jesus e adotou a vida de pobreza total. Foi aceito no Mosteiro das irmãs clarissas de Nazaré, trabalhando nos serviços gerais. Em 1900, retornou a Paris e completou os estudos no Mosteiro de Nossa Senhora das Neves; recebeu a ordenação sacerdotal e voltou à África. Mas agora com uma nova missão: levar os ensinamentos de Cristo àqueles povos que não o conheciam. 

Padre Charles desembarcou em Argel, capital da Argélia, em 1901 e rumou para o sul, bem próximo dos muçulmanos. Em pouco tempo, tornou-se um verdadeiro eremita e muito querido pela população local. Mas seu objetivo maior era ir para o Marrocos, evangelizar a terra dos muçulmanos. Contatou amigos tuaregues, espécie de nômades do deserto, para obter ajuda no seguimento da missão. Intensificou o estudo da língua nativa daqueles povos. Em 1904, já havia traduzido os quatro evangelhos na língua dos tuaregues, além de um dicionário tuaregue-francês. Estava estabelecido no povoado de Tamanrasset, era amigo do chefe dos tuaregues e tinha construído uma pequena cabana para viver, depois transformada no seu eremitério. 

Em 1912, estourou a guerra entre a Turquia e a Itália. A tensão entre as tribos tuaregues aumentava. Embora o eremitério de Charles parecesse uma fortaleza, não era suficiente para protegê-lo. No dia 1o de dezembro de 1916, ele foi brutalmente assassinado com um tiro na cabeça, por um adolescente de quinze anos, durante uma tentativa de seqüestro e roubo naquele local. 

O exemplo de Charles de Foucauld jamais foi esquecido. Em 1933, seus seguidores fundaram a união dos Irmãozinhos de Jesus, em sua homenagem. Mais tarde, em 1939, uma congregação feminina foi fundada com o mesmo nome. Ambas adotaram o estilo de vida que ele sugerira. A obra continuou a florescer e atingiu o alvorecer do terceiro milênio com mais de dez famílias de religiosos e leigos que seguem o seu carisma, espalhadas em missões em todos os continentes, especialmente no africano. A Santa Sé considerou "venerável" Charles de Foucauld, em 2001 e em 13 de novembro de 2005 o papa João Paulo II o declarou Bem-aventurado.


Dos Escritos do Beato Charles de Foucauld (1858-1916), eremita e missionário:


Meu Senhor Jesus, quão depressa será pobre aquele que, amando-Vos de todo o coração, não puder suportar ser mais rico do que o seu Bem-Amado!

Quão depressa será pobre aquele que, sabendo que tudo o que for feito a um destes pequeninos é a Vós que é feito e que tudo o que o não for também o não será a Vós (cf. Mt 25,40.45), aliviar toda a miséria ao seu alcance!

Quão depressa será pobre aquele que receber com fé as palavras que dizem: «Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá o dinheiro aos pobres. Felizes os pobres. Todo aquele que tiver deixado os seus bens por causa do Meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna» (Mt 19,21.29; 5,3; 19,29), e tantas outras como estas!

Deus meu, não me parece que seja possível a todas estas almas, ao ver-Vos pobre, permanecerem ricas por vontade e assim se reverem maiores do que o seu Mestre, o seu Bem-Amado, ou, se depender delas, não quererem ser parecidas convosco em tudo, sobretudo nas Vossas humilhações.

Seja como for, não consigo conceber o amor sem a necessidade imperiosa de tornar conformes, semelhantes e, acima de tudo, correspondidas, todas as dores, todas as penas, todas as asperezas da vida. Por mim, meu Deus, não me é possível ser rico e viver desafogadamente dos meus bens quando Vós fostes pobre e vivestes com dificuldades, tirando laboriosamente o sustento duma custosa profissão. Não sei amar assim.

Não convém que o servo seja «maior do que o seu Senhor» (Jo 13,16), nem que a esposa seja rica quando o Esposo é pobre. E é-me impossível compreender o amor sem esta procura de identificação, sem esta necessidade de partilha de todas as cruzes

Não existe, penso, palavra do Evangelho que tenha causado em mim uma impressão mais profunda e transformado ainda mais a minha vida do que esta: "todas as vezes que fizestes estas coisas a um só destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes". Se pensarmos que estas palavras são as da Verdade não criada, as da boca que disse "este é o meu Corpo... este é o meu Sangue", com que força somos levados a procurar e a amar Jesus nestes "pequeninos", estes pecadores, estes Pobres!" (1 de Agosto de 1916 a Luís Massignon).

Escrevia no seu Diário espiritual: "A ideia de partir ao encontro dos meus irmãos enchia-me o coração de alegria... A minha ternura cresce sempre... e com esta ternura amo as filhas que a Providência me confiou, amo o mundo inteiro, amo a natureza com todas as belezas" (4 de Abril de 1928).

"Quando acreditei que existia um Deus, compreendi que não podia fazer outra coisa senão viver somente para Ele".
Beato Carlos de Foucauld, rogai por nós.

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SÃO FÉLIX DE VALOIS, SACERDOTE, EREMITA, FUNDADOR, RELIGIOSO, 20 DE NOVEMBRO


1127-1212
Co-fundador da Ordem da
Santíssima Trindade
"Padres Trinitários"

Félix era príncipe da casa real de Valois, da França. Nasceu na cidade de Paris no ano de 1127. Tinha à sua disposição todas as comodidades da realeza, mas possuía alma caridosa e despojada de vaidades. Desde a infância sentiu sua vocação florescer para o sacerdócio, pela precoce preocupação e cuidado com os necessitados.

Detentor de uma grande fortuna pessoal, dava aos pobres tudo o que podia e com freqüência se privava, do próprio alimento para socorrê-los.
Ainda jovem, tomou a decisão de seguir o chamado de Jesus Cristo. Completou seus estudos e recebeu a ordenação sacerdotal renunciando a todos os direitos, aos títulos de nobreza e às riquezas terrenas. Escolheu ser um monge eremita, pois almejava uma vida solitária e humilde, dedicado somente à religião. Entretanto Deus tinha outros planos para sua vida.

Foi procurado pelo amigo João da Mata, doutor e sacerdote, que queria seguir o seu modo de viver a espiritualidade. Félix, que lhe conhecia a cultura e a inteligência, aceitou-o como companheiro e não como discípulo. Foram três anos de aprendizado em que se uniram a santidade de Félix e a inteligência e praticidade de João da Mata.

Naquele tempo aconteciam as incursões dos piratas que aterrorizavam o mar Mediterrâneo, assaltando navios e a Europa, atacando e invadindo as cidades portuárias. Eram os turcos muçulmanos, chamados mourosque se consideravam verdadeiros inimigos do cristianismo, por este motivo matavam, saqueavam e também prendiam os cristãos sobreviventes para que servissem como escravos.

Deus suscitou quase contemporâneamente duas Ordens religiosas, uma na Espanha, com o nome de Nossa Senhora das Mercês,fundada por dois grandes santos: são Pedro Nolasco e são Raimundo Nonato e, outra na França, com o título da Santíssima Trindade, ambas com a finalidade de resgatar os cristãos presos pelos mouros.

O chamado:
Um dia, Félix e João estavam caçando nos bosques de Cerfroi, em locais retirados, quando tiveram a mesma visão divina. Nela, Deus os chamava para lutar pela libertação dos cristãos que sofriam como escravos nas mãos dos muçulmanos através da formação de uma Ordem religiosa com tal finalidade. Sem se intimidar pelos riscos que a missão acarretaria, Félix e João iniciaram a Obra imediatamente. Viajaram para Roma exclusivamente para contar ao papa Inocêncio III a visão e pedir autorização para criar a Ordem.

O papa, que também tivera a mesma visão, reconheceu os dois como os sacerdotes indicados pela Providência Divina. Assim, aprovou e promoveu a criação da Ordem da Santíssima Trindade para a Libertação dos Cristãos, ou "Padres Trinitários". O primeiro convento foi edificado em Cerfroi, na diocese de  Meaux, França, no exato local da visão original. Enquanto João cuidava da organização da Ordem e de suas atividades apostólicas, Félix trabalhava na formação espiritual dos membros, cujo número crescia sempre mais, atraídos pela santidade de Félix.

A luta foi tenebrosa, mas rapidamente recuperaram a liberdade e a condição social de muitos cristãos escravizados. Os padres chegavam a entregar-se como escravos para conseguir realizar plenamente o trabalho de resgate. Assim, cumpria-se a profecia de outra visão de Félix: a de que os padres da Ordem passariam por vexames, perseguições para obter a liberdade e dignidade de cada um dos cristãos escravizados.

Ascendeu à pátria celeste em 4 de novembro de  1212, com oitenta e cinco anos, na Casa-mãe da Ordem, o primeiro convento fundado por ele, em Cerfroi, onde foi sepultado.
Beatificado em 1666, teve seu culto confirmado para toda a Igreja no final do século XVII.
A celebração da memória de são Félix de Valois ocorre no dia 20 de novembro.

A grande reputação de sua santidade e de milagres reportados em sua tumba fez com que o Papa Urbano IV o canonizasse em 1 de maio de 1262.

Mas em 1631 os trinitários tentaram receber a permissão para celebrar as festas dos santos Felix e João liturgicamente na França e na Espanha (como seus irmãos na Inglaterra haviam conseguido desde 1308), mas como o Concilio de Trento havia estabelecido controles restritivos dessas celebrações eles não receberam permissão. A Bula papal de canonização de Felix do Papa Urbano IV também havia se perdido, assim os trinitários começaram a colher novos dados.

Eles encontraram os "canons "de Meaux invocando São Felix desde 1219 , em 1291 Capelão Geral fixou o dia de sua festa e em 1318 o provincial da Inglaterra recebeu os ofícios da missa do Papa João XXII. Havia bastante documentos para convencer ao Papa Alexandre VII a confirmar o culto em 21 de outubro de 1666. Mas, 5 anos mais tarde o Sagrado Colégio dos Ritos ainda não havia adicionado Felix e João na Martirologia Romana, e apenas com a intercessão do Rei Louis XIV da França e Philip V da Espanha a favor de Felix de Valois, fez com que o Papa Inocencio XII estendesse as festas de São Feliz de Valois e São João da Mata a toda Igreja católica em 1694.

Os resto mortais de São Felix foram perdidos. Em 1705 foram feitas pesquisas em Cerfroid para se encontrar ossos e nenhuma relíquia de qualquer tipo foi encontrada.

Devido a estas inconsistências, em 1969/70 o culto a São Felix ficou restrito a um culto local.

NOVENA A SÃO FÉLIX DE VALOIS
Ó glorioso Patriarca São Félix de Valois, vós que inflamado do amor de Deus, abandonastes as riquezas passageiras e os afetos terrenos para levar uma vida de oração e penitência na solidão de Cerfroid, e ser elevado, portanto, à dignidade sacerdotal, para depois reinar com Cristo no céu: ouvi-nos, isso vos pedimos, com olhar benigno; confortai-nos em nossas penas, socorrei-nos em nossas inúmeras necessidades espirituais e temporais e com a vossa poderosa intercessão concedei-nos da Santíssima Trindade a graça de imitar-vos no desprezo dos falsos bens desta vida, para aspirar somente aos bens eternos na outra. Glória ao Pai...

V. Rogai por nós, ó glorioso São Félix. 
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.


Oremos: Ó Deus, que chamastes São Félix de Valois, presbítero, do silêncio do deserto à obra da redenção dos cativos, nós vos suplicamos: por sua intercessão, a vossa graça nos liberte da escravidão de nossos pecados e nos conduza à pátria celeste. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.



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SÃO NILO DO SINAI, SACERDOTE, MONGE, EREMITA, ESCRITOR TEOLÓGICO,12 DE NOVEMBRO

SÃO NILO , O VELHO (O SINAÍTA)
(séc. IV-V)- 12/11

A história conserva a memória de dois santos com o nome de Nilo, que exerceram notável influência na Igreja. Um deles chamado "o Jovem,  comemorado a 12 de setembro, viveu no final do primeiro milênio, no sul da Itália, e abraçando a vida monástica segundo a Regra de São Basílio, introduziu um sistema taquigráfico chamado ítalo-grego que caracterizava seus manuscritos e de seus discípulos nas bibliotecas antigas, compôs hinos sacros, inclusive em honra de São Bento e de São Nilo, o Sinaíta, fundou vários mosteiros consolidando a vida monástica no sul da Itália, com destaque para o famoso em Grottaferrata, perto de Roma, falecendo com noventa e cinco anos de idade, aos 25 de setembro de 1005.

Nossa veneração hoje se dirige a São Nilo, o Velho, também chamado "o sinaíta", que iniciou sua vida eremítica no ano 390, vindo a falecer por volta do ano 430, sendo atribuído a ele numerosos escritos de importância dogmática e exegética.
 Entre os discípulos de São João Crisóstomo havia um, de nome Nilo, que ocupava um alto cargo em Constantinopla. Era casado e tinha dois filhos. Quando estes já se encontravam crescidos, Nilo sentiu-se fortemente chamado à vida eremítica, entrando em acordo com sua esposa para que ambos deixassem a vida do mundo. Seu filho, Teódulo, partiu com ele e se estabeleceram junto aos monges de Monte Sinai.

Daí, Nilo escreveu cartas de protesto ao imperador Arcádio quando este ordenou o desterro de São João Crisóstomo de Constantinopla. Tempos mais tarde, os árabes saquearam o monastério, mataram muitos monges sinaítas, levando como prisioneiro seu filho Teódulo. Nilo então os seguiu na esperança de poder resgatar seu filho. Finalmente o encontrou em Eleusa, ao sul de Beersheba, já que o bispo desta cidade, compadecido da sorte de Teódulo, o comprara dos árabes, dando a ele trabalho na igreja. O bispo de Eleusa conferiu a ordenação sacerdotal a Nilo e ao seu filho, antes que partissem de volta ao Monte Sinai.

São Nilo tornou-se bastante conhecido por seus escritos teológicos, bíblicos e, sobretudo, pelos escritos ascéticos que são atribuídos à sua autoria. Em seu Tratado Sobre a Oração recomenda-nos que peçamos a Deus, antes de tudo, o dom da oração, e que supliquemos ao Espírito Santo que Ele faça brotar em nossos corações os desejos que lhes são irresistíveis; recomenda-nos ainda que peçamos a Deus que se faça a Sua vontade da forma mais perfeita possível. Às pessoas que vivem no mundo, Nilo prega a temperança, a meditação sobre a morte e a obrigação da caridade.

São Nilo sempre esteve pronto a comunicar aos outros os seus conhecimentos ascéticos. As suas cartas, que foram conservadas, mostram quão longe havia chegado na vida interior e no estudo da Sagrada Escritura, e quão frequentemente recorriam a ele pessoas de todas os níveis sociais, para buscar orientação espiritual. Uma dessas cartas constitui a resposta de São Nilo ao prefeito Olimpiodoro, ele que havia construído uma igreja e queria saber se podia adorná-la com mosaicos com temas profanos, cenas de caça, imagens de pássaros, animais e outras coisas assim. São Nilo reprovou a idéia e aconselhou Olimpiodoro a colocar cenas do Antigo e do Novo Testamento para «instruir aqueles que não sabem ler». Acrescentou que deve haver apenas uma cruz, situada no ponto principal da igreja.

São Nilo escreveu um tratado inteiro para demonstrar que a vida de eremita é melhor do que a dos monges que vivem em comunidade (vida cenobítica), nas cidades, mas também constata que os eremitas têm as suas dificuldades e provações próprias. O santo era experimentado nisso, já que havia enfrentado violentas tentações, perturbações e assaltos dos espíritos maus. São Nilo escreveu a certo «Etilita» que o seu retiro para o alto lhe havia sido indicado pela soberba: «Quem se exalta será humilhado».
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SANTA CÂNDIDA, VIRGEM, MÁRTIR, 20 DE SETEMBRO


A primeira referência sobre Santa Cândida foi encontrada no Calendário da Igreja de Córdoba e em alguns documentos da antiga Galícia, ambas na Espanha. Mas, foi pela tradição cristã do povo napolitano, na Itália, que se concluiu a história desta Santa.

A vida cristã de Cândida iniciou quando ela foi convertida, segundo essa tradição, pelo próprio apóstolo Pedro de passagem por Nápoles. Naquela época o Apóstolo, com destino a Roma atravessou Nápoles onde a primeira pessoa que encontrou na estrada foi a pequena Cândida. Percebeu imediatamente que a pobre criança estava doente. Parou e lhe perguntou se conhecia a palavra de Jesus Cristo. Diante da negativa e em seu ardor de levar a mensagem do Evangelho, Pedro lhe falou da Boa Nova, da fé e da religião dos cristãos; curou-a dos males que sofria e a converteu em Cristo.

Assim Cândida foi colhida pela luz de Deus e curada do físico e da alma. Chegou em sua casa falando sobre o Cristianismo e contando tudo o que o Apóstolo Pedro lhe dissera. Muito intrigado e confuso, Aspreno, um parente que a criava, saiu para procurá-lo.

Quando se encontraram, com muito zelo Pedro converteu também Aspreno, que o hospedou em sua modesta casa por alguns dias. O Apostolo acabou de catequizar os dois e, em seguida, os batizou e lhes ministrou a primeira Eucaristia durante a celebração da Santa Missa. Este local recebeu o nome de "Ara Petri", que significa Altar de Pedro. Depois, antes de partir, o Apóstolo consagrou Aspreno o primeiro Bispo de Nápoles e pediu para a pequena Cândida continuar com a evangelização, salvando as almas para Nosso Senhor Jesus Cristo.



Aquele lugar onde fora celebrado a Santa Missa por São Pedro, tornou-se de grande veneração por Cândida. Ela deixou seu lar com todos os confortos, preferindo passar seus dias numa gruta escura nas proximidades de "Ara Petri". Ali vivia em penitência e oração, catequizando e convertendo muitos pagãos. Após alguns anos, o número de cristãos havia aumentado muito. Por isto, quando o imperador romano ordenou as perseguições contra a Igreja, os convertidos foram obrigados a fugir ou se esconder. Então, o Bispo Aspreno embarcou Cândida junto com outros cristãos, com destino à Cartago, no norte da África, tentando mantê-los a salvo da implacável perseguição, mas não conseguiu. Foram alcançados, presos e torturados. Cândida foi levada a julgamento e condenada a morte porque se negou a renunciar a fé em Cristo.



No Martirológio Romano, encontramos registrado que a virgem e mártir cristã Cândida morreu no Anfiteatro dos martírios de Cartago, no dia 20 de setembro. Suas relíquias, encontradas nas Catacumbas de Priscila, agora estão guardadas na igreja Santa Maria dos Milagres, em Roma.



Muitos séculos mais tarde, pesquisas arqueológicas feitas na cidade de Nápoles, encontraram no local "Ara Petri" um antigo cemitério de cristãos. O fato colocou ainda mais devoção sobre a figura de Santa Cândida, eleita pelos fiéis como padroeira das famílias e dos doentes. Ela recebe no dia 20 de setembro as tradicionais homenagens litúrgicas confirmadas pela Igreja.

Santa Cândida... Rogai por nós!
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SÃO MARINO, DIÁCONO, 4 DE SETEMBRO

 O pouco que se sabe sobre este santo faz parte de uma vigorosa tradição cristã. Proveniente da Dalmácia, hoje Iugoslávia, emigrou com seu amigo Leão, para a Itália, fixando-se em Rimini, região onde trabalhou, evangelizou e morreu. Trabalhou na construção das muralhas da cidade no tempo do imperador Deocleciano. Era cristão fervoroso e aí encontrou dentre os colegas alguns que eram condenados a trabalhos forçados por causa da fé em Cristo. Marino ficou treze anos no trabalho da construção, depois retirou-se ao monte rochoso Titão, onde escolheu uma gruta natural e, passou a viver uma vida dedicada à oração, meditação da Palavra de Deus e apostolado da Palavra principalmente com o bom exemplo.

Após o fim da perseguição aos cristãos, Gaudêncio, o bispo de Rimini,  chamou os dois amigos e quis ordená-los Diáconos. Leão foi para um pequeno povoado e Marino voltou ao monte Titão, onde construiu uma igreja dedicada a São Pedro, levando o quanto era possível sua vida eremítica. Mas sua fama de santidade atraíra discípulos que naquele ermo agreste formaram uma comunidade monástica. Marino permaneceu ali até o fim da sua vida, pelo ano 366. Seu corpo foi depositado na igreja de São Pedro, sendo logo venerado. Marino prometeu aos poucos fiéis que ali compareciam, que aquele lugar quase inacessível, com uma paisagem esplêndida, sempre ficaria livre de qualquer dominação. O mais interessante é que da sua ação evangelizadora frutificou em um país, tornando-se são Marino, na Historia da Igreja, o único santo fundador de um país e padroeiro da República que leva o seu nome, a pequenina e bela República de São Marino. talvez a mais antiga da Europa, que há 15 séculos permanece independente.

O Papa Pio VI, em 1800, aprovou missa e ofício próprio, ratificando o culto popular de São Marino. Em 1930, o Papa Pio XI elevou a igreja de São Marino à dignidade de basílica, declarando oficialmente Marino fundador e patrono da República do mesmo nome.
Sua festa é celebrada no dia 3 de setembro, mas como é memória obrigatória de São Gregório Magno, foi  colocada sua comemoração no dia 4 de setembro.
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SANTA ROSÁLIA, EREMITA, 04 DE SETEMBRO



A vida de Santa Rosália é uma prova de que o homem, pela graça divina, consegue desapegar-se de tudo aquilo que o mundo oferece. 
Rosália nasceu no ano 1125 em Palermo, na Sicília, Itália. Era filha de Sinibaldo, rico feudatário, senhor da região dos Montes "da Quisquinia e das Rosas", e de Maria Guiscarda, sobrinha do rei normando Rogério II. Era muito rica e vivia numa corte muito importante da época, uma família nobre do sul da Itália e, era descendente distante do grande imperador Carlos Magno.
Durante a adolescência foi ser dama da corte da rainha Margarida, esposa do rei Guilherme I da Sicília, que apreciava sua companhia amável e generosa. Mas essa vida não  a atraia, sua  vocação era servir a Deus e ansiava pela vida monástica. Impulsionada por estas aspirações, afastou-se da casa paterna e escolheu para morada uma gruta inóspita, perto de Palermo, na base do monte chamado Montreal. Singularíssima na sua formação, como nenhuma outra se prestava para ser habitada. 

Rosália viveu na gruta por algum tempo, como atesta a inscrição nela encontrada. Não é conhecido o motivo que determinou a Santa a abandonar esta gruta. É provável que tenha passado para uma outra, mais retirada ainda, no monte Pelegrino. Ali, a jovem eremita viveu em oração, solidão e penitência, até sua morte, no dia 4 de setembro de 1160. 

S. Bernardo, pesquisando a vida de Santa Rosália, chega a esta conclusão: Supõe verdadeiro heroísmo renunciar a todo o auxílio humano, vendo-se rodeada de perigos e exposta às mais terríveis e perigosas ciladas do demônio.
Vários milagres foram atribuídos à intercessão de Santa Rosália, como a extinção da peste que no século XII devastava a Sicília. O seu culto se difundiu enormemente entre os fiéis que invocavam como padroeira de Palermo, embora para muitos esta celebração era apenas uma antiga tradição oral cristã, por falta de sinais reais da vida da Santa, procurados sem sucesso pelo estudioso Otávio Gaietani até sua morte, em 1620. Só três anos depois tudo seria esclarecido, parece que pela própria Santa Rosália. Consta que ela teria aparecido à uma mulher doente dizendo-lhe onde estavam escondidos os seus restos mortais. No dia 15 de junho de 1624, no local indicado, seus restos mortais foram localizados..
Quarenta dias após a descoberta dos ossos, dois pedreiros, trabalhando no convento dos dominicanos de Santo Estêvão de Quisquina, acharam numa gruta uma inscrição latina, muito antiga, que dizia: "Eu, Rosália Sinibaldi, filha das rosas do Senhor, pelo amor de meu Senhor Jesus Cristo decidi morar nesta gruta de Quisquina." Isto confirmou todos os dados pesquisados por Gaietani.
A autenticidade das relíquias e da inscrição foi comprovada por uma Comissão científica, reacendendo o culto à Santa Rosália, padroeira de Palermo. Contribuiu para isto também o Papa Ubaldo VIII que incluiu as duas datas no Martirológio Romano, em 1630. Assim, Santa Rosália é festejada em 15 de junho, data que suas relíquias foram encontradas e em 04 de setembro, data de sua morte. A urna com os restos mortais de Santa Rosália está guardada no Duomo de Palermo, na Sicília, Itália.
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