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Iraque: Patriarca caldeu visita cristãos de Mossul

Erbil, 31 jul (SIR) - No final, a vitória será da paz e não da guerra. É a mensagem que o Patriarca dos Caldeus, Dom Louis Sako, levou aos cristãos de Mossul que se refugiaram em Erbil, no Curdistão. Com o patriarca, no início da semana, na Catedral de São José, esteve uma delegação de bispos franceses - o primaz, Cardeal Philippe Barbarin, o Bispo de Evry, Michel Dubost e o Presidente da Ouvre d'Orient, Mons. Pascal Gollnisch – que foi levar a sua solidariedade.
“A visita dos senhores nos dá grande conforto”, disse o patriarca dirigindo-se aos prelados franceses durante a missa celebrada na Catedral repleta de fiéis. “A nossa fé continuará firme, apesar de todos os sacrifícios como também será sempre forte a nossa esperança. A nossa ligação com a nossa terra, sobre a qual está escrita a nossa história, longa e profunda, é o que me pediu o Papa Francisco e eu transmito a vocês junto com a sua solidariedade e o seu amor por cada um: e dizemos ao mundo inteiro, a palavra, no fim, será a de paz e não de guerra”, acrescentoou.

“A guerra jamais foi algo legítimo, mas ruim e deixa somente gente massacrada, deslocados e desolação. Matar inocentes é um crime contra a humanidade, a religião e a moral. As soluções devem ser encontradas através do diálogo, da conversa e da compreensão. No Iraque e no nosso Oriente árabe, as pessoas têm necessidade de se sentirem parte de uma unidade maior e de viver juntas sem medo, com dignidade, segurança, amor e paz. O homem foi criado livre e não deve ser escravo de ninguém".

“Os cristãos são verdadeiros cidadãos, como os nossos irmãos muçulmanos. Ninguém tem direito sobre eles. Com a sua mentalidade aberta e a sua participação nas instituições, eles deram muito ao Iraque e aos muçulmanos. Convido-os a serem fortes apesar de todos os sofrimentos, com confiança e coragem. Jonas foi engolido pela baleia, mas saiu são e salvo. Como ele Mossul sairá sã e salva desta guerra”.

"Para concluir, desta igreja e em nome de todos vocês, dirijo-me aos nossos irmãos muçulmanos da região iraquiana do Curdistão e do mundo inteiro, para felicitá-los por ocasião da festa de Eid al-Fitr e suplicá-los de fazer de tudo para proteger os direitos e a dignidade dos homens. O verdadeiro relacionamento com o outro se baseia na compreensão e reconhecimento, na aceitação, no respeito, sem querer jamais dominá-lo”.

Por sua vez, o Cardeal Barbarin falou da visita de solidariedade e proximidade para com os cristãos de Mossul, da paz de Cristo. “Não tenham medo, vivam em paz. A tempestade certamente irá passar. É preciso resistir, como disse o patriarca. Não percam a esperança. Sejam mais fortes do que o mal. Vamos fazer uma parceria maior ainda entre a minha Diocese de Lion e a de Mossul”. E como sinal dessa união o cardeal abraçou o bispo de Mossul. Na ótica da solidariedade, o anúncio do governo francês que ofereceu asilo aos cristãos obrigados a deixar Mossul.
SIR
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"Nunca mais a guerra": íntegra do discurso e da oração do Papa Francisco no encontro pela paz entre Israel e Palestina

Vaticano, 09 Jun. 14 / 10:29 am (ACI).- Na histórica ocasião em que se encontraram no Vaticano os presidentes Shimon Peres, de Israel e Mahmud Abbas, Autoridade Máxima da Palaestina, o Papa Francisco, anfitrião do evento dirigiu-lhes algumas palavras e elevou uma oração pela paz. 
Senhores Presidentes,
Com grande alegria vos saúdo e desejo oferecer, a vós e às ilustres Delegações que vos acompanham, a mesma recepção calorosa que me reservastes na minha peregrinação há pouco concluída à Terra Santa.
Agradeço-vos do fundo do coração por terdes aceitado o meu convite para vir aqui a fim de que, juntos, imploremos de Deus o dom da paz. Espero que este encontro seja o início de um caminho novo à procura de uma via que une para superar aquilo que divide.
E agradeço a Vossa Santidade, venerado Irmão Bartolomeu, por estar aqui comigo para acolher estes hóspedes ilustres. A sua participação é um grande dom, um apoio precioso, e é testemunho do caminho que estamos a fazer, como cristãos, rumo à plena unidade.
A vossa presença, Senhores Presidentes, é um grande sinal de fraternidade, que realizais como filhos de Abraão, e expressão concreta de confiança em Deus, Senhor da história, que hoje nos contempla como irmãos um do outro e deseja conduzir-nos pelos seus caminhos.
Este nosso encontro de imploração da paz para a Terra Santa, para o Médio Oriente e o mundo inteiro é acompanhado pela oração de muitíssimas pessoas, pertencentes a diferentes culturas, pátrias, línguas e religiões: pessoas que rezaram por este encontro e agora estão unidas conosco na mesma súplica. É um encontro que responde ao ardente desejo de quantos anelam pela paz e sonham um mundo onde os homens e as mulheres possam viver como irmãos e não como adversários ou como inimigos.
Senhores Presidentes, o mundo é uma herança que recebemos dos nossos antepassados, mas é também um empréstimo dos nossos filhos: filhos que estão cansados e desfalecidos pelos conflitos e desejosos de alcançar a aurora da paz; filhos que nos pedem para derrubar os muros da inimizade e percorrer a estrada do diálogo e da paz a fim de que triunfem o amor e a amizade.
Muitos, demasiados destes filhos caíram vítimas inocentes da guerra e da violência, como plantas arrancadas em pleno vigor. É nosso dever fazer com que o seu sacrifício não seja em vão. A sua memória infunda em nós a coragem da paz, a força de perseverar no diálogo a todo o custo, a paciência de tecer dia após dia a trama cada vez mais robusta de uma convivência respeitosa e pacífica, para a glória de Deus e o bem de todos.
Para fazer a paz é preciso coragem, muito mais do que para fazer a guerra. É preciso coragem para dizer sim ao encontro e não à briga; sim ao diálogo e não à violência; sim às negociações e não às hostilidades; sim ao respeito dos pactos e não às provocações; sim à sinceridade e não à duplicidade. Para tudo isto, é preciso coragem, grande força de ânimo.
A história ensina-nos que as nossas meras forças não bastam. Já mais de uma vez estivemos perto da paz, mas o maligno, com diversos meios, conseguiu impedi-la. Por isso estamos aqui, porque sabemos e acreditamos que necessitamos da ajuda de Deus. Não renunciamos às nossas responsabilidades, mas invocamos a Deus como acto de suprema responsabilidade perante as nossas consciências e diante dos nossos povos. Ouvimos uma chamada e devemos responder: a chamada a romper a espiral do ódio e da violência, a rompê-la com uma única palavra: «irmão». Mas, para dizer esta palavra, devemos todos levantar os olhos ao Céu e reconhecer-nos filhos de um único Pai.
A Ele, no Espírito de Jesus Cristo, me dirijo, pedindo a intercessão da Virgem Maria, filha da Terra Santa e Mãe nossa:
Senhor Deus de Paz, escutai a nossa súplica!
Tentamos tantas vezes e durante tantos anos resolver os nossos conflitos com as nossas forças e também com as nossas armas; tantos momentos de hostilidade e escuridão; tanto sangue derramado; tantas vidas despedaçadas; tantas esperanças sepultadas... Mas os nossos esforços foram em vão. Agora, Senhor, ajudai-nos Vós! Dai-nos Vós a paz, ensinai-nos Vós a paz, guiai-nos Vós para a paz. Abri os nossos olhos e os nossos corações e dai-nos a coragem de dizer: «nunca mais a guerra»; «com a guerra, tudo fica destruído»! Infundi em nós a coragem de realizar gestos concretos para construir a paz. Senhor, Deus de Abraão e dos Profetas, Deus Amor que nos criastes e chamais a viver como irmãos, dai-nos a força para sermos cada dia artesãos da paz; dai-nos a capacidade de olhar com benevolência todos os irmãos que encontramos no nosso caminho. Tornai-nos disponíveis para ouvir o grito dos nossos cidadãos que nos pedem para transformar as nossas armas em instrumentos de paz, os nossos medos em confiança e as nossas tensões em perdão. Mantende acesa em nós a chama da esperança para efetuar, com paciente perseverança, opções de diálogo e reconciliação, para que vença finalmente a paz. E que do coração de todo o homem sejam banidas estas palavras: divisão, ódio, guerra! Senhor, desarmai a língua e as mãos, renovai os corações e as mentes, para que a palavra que nos faz encontrar seja sempre «irmão», e o estilo da nossa vida se torne: shalom, paz, salam! Amém.
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Pentecostes: encontro de oração pela paz

A solenidade de Pentecostes deste domingo (8) será marcada pelo Encontro de Oração pela Paz que reunirá, no Vaticano, o papa Francisco e os presidentes de Israel, Shimon Peres, e da Palestina, Mahmoud Abbas. A iniciativa contará com a presença do patriarca de Constantinopla, Bartolomeu, e com as orações de fiéis de todo o mundo. Em mensagem enviada aos bispos, Francisco pede para que “este momento envolva todos os fiéis, a fim de que seja mais intensa a oração elevada a Deus e seja finalmente concedida à Terra de Jesus aquela paz que os anjos anunciaram quando Ele nasceu”.

Durante a sua peregrinação à Terra Santa, realizada entre 24 e 26 de maio, o papa Francisco convidou os presidentes de Israel, Shimon Peres, e da Palestina, Mahmoud Abbas, para um encontro de oração pela paz. “Será um encontro de oração. Não será um encontro para fazer uma mediação ou buscar soluções, não! Nos reuniremos para rezar, somente. Depois, cada um volta para sua casa. Mas eu acredito que a oração seja importante, e rezar juntos sem fazer discussões de outro tipo, isto ajuda”, disse o papa Francisco aos jornalistas ao retornar da peregrinação.

O papa explicou ainda que o encontro era para ter ocorrido na Terra Santa, mas não foi possível devido aos problemas logísticos, sobretudo com relação ao território.
CNBB
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Papa e patriarca de Constantinopla pedem unidade

Jerusalém  - O papa Francisco e o patriarca ecumênico Bartolomeu assinaram nesse domingo (25) um declaração conjunta na Cidade Antiga de Jerusalém na qual pedem a unidade dos cristãos perante os desafios futuros. O bispo de Roma e o patriarca de Constantinopla repetiram assim a histórica cena de 50 anos atrás protagonizada por seus antecessores, Paulo VI e Atenágoras I, que romperam uma hostilidade que remontava ao século XI.

"Nossa reunião - um novo encontro dos bispos das igrejas de Roma e Constantinopla, fundadas por sua vez por dois irmãos, os apóstolos Pedro e André - é fonte de profunda alegria espiritual para nós", afirmaram. "Representa uma ocasião providencial para refletir sobre a profundidade e a autenticidade de nossos vínculos, fruto de um caminho cheio de graça pelo qual o Senhor nos levou desde aquele dia bendito há 50 anos", acrescentaram.

A este respeito, ambos destacaram que "nosso encontro fraterno de hoje é um novo e necessário passo no caminho rumo àquela unidade à qual só o Espírito Santo pode conduzir-nos, a da comunhão dentro da legítima diversidade". "O abraço que se deram o papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras aqui em Jerusalém, após muitos séculos de silêncio, preparou o caminho para um gesto de enorme importância: remover da memória e da mente das igrejas as sentenças de mútua excomunhão de 1054", lembraram.

Um gesto que Francisco e Bartolomeu I admitem que não foi suficiente no longo caminho que ainda fica por percorrer para arrancar as raízes de um conflito que em algumas ocasiões incluiu atos de violência. "Mesmo sendo plenamente conscientes de não ter alcançado a meta da plena comunhão, confirmamos hoje nosso compromisso de avançar juntos para aquela unidade pela qual Cristo nosso Senhor orou ao pai, para que todos sejam um", ressaltaram.

Uma unidade que também deve ser fundamentada, insistiram, na defesa dos mais desfavorecidos, da dignidade da pessoa humana, em cada estágio de sua vida, e da santidade da família baseada no casamento, na promoção da paz e do bem comum e na resposta perante o sofrimento que segue afligindo nosso mundo".

"Reconhecemos que a fome, a pobreza, o analfabetismo, a injusta distribuição dos recursos são um desafio constante. É nosso dever tentar construir juntos uma sociedade justa e humana na qual ninguém se sinta excluído ou marginado", salientaram. "Convidamos todos os cristãos a promover um autêntico diálogo com o judaísmo, o islã e outras tradições religiosas. A indiferença e o desconhecimento mútuo conduzem unicamente à desconfiança e, às vezes, infelizmente ao conflito", concluíram.
SIR
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O Papa Francisco beijou e rezou de joelhos com Patriarca Bartolomeu ante o Santo Sepulcro

JERUSALÉM, 25 Mai. 14 / 05:31 pm (ACI).- Ao iniciar o encontro ecumênico que comemora aquele sustentado há 50 anos entre Paulo VI e o Patriarca ortodoxo Atenágoras, o Papa Francisco beijou a pedra do Santo Sepulcro onde foi ungido o corpo de Cristo, e rezou de joelhos antes o santo lugar.
Acompanhado do Patriarca Bartolomeu e dos cantos do coro do Patriarcado ortodoxo de Jerusalém, o Papa Francisco se deteve um momento para rezar de joelhos ante a pedra onde foi colocado o Senhor Jesus logo depois da crucificação, para ser ungido.
Em sinal de respeito, o Santo Padre se tirou o solidéu, o pequeno gorro branco que usa sobre a cabeça, e beijou com muita devoção a pedra do Santo Sepulcro.
Logo depois da intensa oração, ambos ficaram de pé para dirigir-se para o lugar aonde se realizou a cerimônia ecumênica.
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Declaração conjunta do Papa Francisco e do Patriarca Bartolomeu I: O Espírito Santo nos conduz à unidade

JERUSALÉM, 25 Mai. 14 / 04:15 pm (ACI).- Ao celebrar os 50 anos do histórico encontro de Paulo VI e o Patriarca ortodoxo Bartolomeu I em Jerusalém, nesta tarde (hora local) o Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu I tiveram um encontro privado no qual assinaram uma declaração conjunta. A seguir apresentamos a íntegra da mesma:
1. Como os nossos venerados predecessores Papa Paulo VI e Patriarca Ecuménico Atenágoras, que se encontraram aqui em Jerusalém há cinquenta anos, também nós – Papa Francisco e Patriarca Ecuménico Bartolomeu – decidimos encontrar-nos na Terra Santa, «onde o nosso Redentor comum, Cristo nosso Senhor, viveu, ensinou, morreu, ressuscitou e subiu aos céus, donde enviou o Espírito Santo sobre a Igreja nascente» (Comunicado comum de Papa Paulo VI e Patriarca Atenágoras, publicado depois do seu encontro de 6 de Janeiro de 1964). O nosso encontro – um novo encontro dos Bispos das Igrejas de Roma e Constantinopla fundadas respectivamente por dois Irmãos, os Apóstolos Pedro e André – é fonte de profunda alegria espiritual para nós. O mesmo proporciona uma ocasião providencial para reflectir sobre a profundidade e a autenticidade dos vínculos existentes entre nós, vínculos esses fruto de um caminho cheio de graça pelo qual o Senhor nos guiou desde aquele abençoado dia de cinquenta anos atrás.
2. O nosso encontro fraterno de hoje é um passo novo e necessário no caminho para a unidade, à qual só o Espírito Santo nos pode levar: a unidade da comunhão na legítima diversidade. Com profunda gratidão, relembramos os passos que o Senhor já nos permitiu realizar. O abraço trocado entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras aqui em Jerusalém, depois de muitos séculos de silêncio, abriu a estrada para um gesto epocal: a remoção da memória e do meio da Igreja dos actos de recíproca excomunhão de 1054. Isso foi seguido por uma troca de visitas entre as respectivas Sés de Roma e de Constantinopla, por uma correspondência regular e, mais tarde, pela decisão anunciada pelo Papa João Paulo II e o Patriarca Dimitrios, ambos de abençoada memória, de se iniciar um diálogo teológico na verdade entre católicos e ortodoxos. Ao longo destes anos, Deus, fonte de toda a paz e amor, ensinou-nos a olhar uns para os outros como membros da mesma família cristã, sob o mesmo Senhor e Salvador Jesus Cristo, e a amar-nos de tal modo uns aos outros que podemos confessar a nossa fé no mesmo Evangelho de Cristo, tal como foi recebida pelos Apóstolos e nos foi expressa e transmitida a nós pelos Concílios Ecuménicos e pelos Padres da Igreja. Embora plenamente conscientes de ainda não ter atingido a meta da plena comunhão, hoje reafirmamos o nosso compromisso de continuar a caminhar juntos rumo à unidade pela qual Cristo nosso Senhor rezou ao Pai pedindo que «todos sejam um só» (Jo 17, 21).
3. Bem cientes de que a unidade se manifesta no amor de Deus e no amor do próximo, olhamos com ansiedade para o dia em que poderemos finalmente participar juntos no banquete eucarístico. Como cristãos, somos chamados a preparar-nos para receber este dom da comunhão eucarística, segundo o ensinamento de Santo Ireneu de Lião (Contra as Heresias, IV, 18, 5: PG 7, 1028), através da confissão de uma só fé, a oração perseverante, a conversão interior, a renovação da vida e o diálogo fraterno. Ao alcançar esta meta esperada, manifestaremos ao mundo o amor de Deus, pelo qual somos reconhecidos como verdadeiros discípulos de Jesus Cristo (cf. Jo 13, 35).
4. Para tal objectivo, o diálogo teológico realizado pela Comissão Mista Internacional oferece uma contribuição fundamental na busca da plena comunhão entre católicos e ortodoxos. Ao longo dos sucessivos tempos vividos sob os Papas João Paulo II e Bento XVI e o Patriarca Dimitrios, foi substancial o progresso dos nossos encontros teológicos. Hoje exprimimos vivo apreço pelos resultados obtidos até agora, bem como pelos esforços actuais. Não se trata de mero exercício teórico, mas de uma exercitação na verdade e no amor, que exige um conhecimento ainda mais profundo das tradições de cada um para as compreender e aprender com elas. Assim, afirmamos mais uma vez que o diálogo teológico não procura o mínimo denominador comum teológico sobre o qual se possa chegar a um compromisso, mas busca aprofundar o próprio conhecimento da verdade total que Cristo deu à sua Igreja, uma verdade cuja compreensão nunca cessará de crescer se seguirmos as inspirações do Espírito Santo. Por isso, afirmamos conjuntamente que a nossa fidelidade ao Senhor exige um encontro fraterno e um verdadeiro diálogo. Tal busca comum não nos leva para longe da verdade; antes, através de um intercâmbio de dons e sob a guia do Espírito Santo, levar-nos-á para a verdade total (cf. Jo 16, 13).
5. Todavia, apesar de estarmos ainda a caminho para a plena comunhão, já temos o dever de oferecer um testemunho comum do amor de Deus por todas as pessoas, trabalhando em conjunto ao serviço da humanidade, especialmente na defesa da dignidade da pessoa humana em todas as fases da vida e da santidade da família assente no matrimónio, na promoção da paz e do bem comum e dando resposta ao sofrimento que continua a afligir o nosso mundo. Reconhecemos que a fome, a pobreza, o analfabetismo, a distribuição desigual de recursos devem ser constantemente enfrentados. É nosso dever procurar construir juntos uma sociedade justa e humana, onde ninguém se sinta excluído ou marginalizado.
6. É nossa profunda convicção que o futuro da família humana depende também do modo como protegermos – de forma simultaneamente prudente e compassiva, com justiça e equidade – o dom da criação que o nosso Criador nos confiou. Por isso, arrependidos, reconhecemos os injustos maus-tratos ao nosso planeta, o que aos olhos de Deus equivale a um pecado. Reafirmamos a nossa responsabilidade e obrigação de fomentar um sentimento de humildade e moderação, para que todos possam sentir a necessidade de respeitar a criação e protegê-la cuidadosamente. Juntos, prometemos empenhar-nos na sensibilização sobre a salvaguarda da criação; apelamos a todas as pessoas de boa vontade para tomarem em consideração formas de viver menos dispendiosas e mais frugais, manifestando menos ganância e mais generosidade na protecção do mundo de Deus e para benefício do seu povo.
7. Há também urgente necessidade de uma cooperação efectiva e empenhada dos cristãos para salvaguardar, por todo o lado, o direito de exprimir publicamente a própria fé e de ser tratados equitativamente quando promovem aquilo que o cristianismo continua a oferecer à sociedade e à cultura contemporânea. A este propósito, convidamos todos os cristãos a promoverem um diálogo autêntico com o judaísmo, o islamismo e outras tradições religiosas. A indiferença e a ignorância mútua só podem levar à desconfiança e mesmo, infelizmente, ao conflito.
8. Desta cidade santa de Jerusalém, exprimimos a nossa comum e profunda preocupação pela situação dos cristãos no Médio Oriente e o seu direito de permanecerem plenamente cidadãos dos seus países de origem. Confiadamente voltamo-nos para Deus omnipotente e misericordioso, elevando uma oração pela paz na Terra Santa e no Médio Oriente em geral. Rezamos especialmente pelas Igrejas no Egipto, Síria e Iraque, que têm sofrido mais pesadamente por causa dos eventos recentes. Encorajamos todas as Partes, independentemente das próprias convicções religiosas, a continuarem a trabalhar pela reconciliação e o justo reconhecimento dos direitos dos povos. Estamos convencidos de que não são as armas, mas o diálogo, o perdão e a reconciliação, os únicos meios possíveis para alcançar a paz.
9. Num contexto histórico marcado pela violência, a indiferença e o egoísmo, muitos homens e mulheres de hoje sentem que perderam as suas referências. É precisamente através do nosso testemunho comum à boa notícia do Evangelho que seremos capazes de ajudar as pessoas do nosso tempo a redescobrirem o caminho que conduz à verdade, à justiça e à paz. Unidos nos nossos intentos e recordando o exemplo dado há cinquenta anos aqui em Jerusalém pelo Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, apelamos a todos os cristãos, juntamente com os crentes das diferentes tradições religiosas e todas as pessoas de boa vontade, que reconheçam a urgência deste tempo que nos obriga a buscar a reconciliação e a unidade da família humana, no pleno respeito das legítimas diferenças, para bem de toda a humanidade actual e das gerações futuras.
10. Ao empreendermos esta peregrinação comum até ao lugar onde o nosso e único Senhor Jesus Cristo foi crucificado, sepultado e ressuscitou, humildemente confiamos à intercessão da Santíssima e Sempre Virgem Maria os nossos futuros passos no caminho rumo à plenitude da unidade e entregamos ao amor infinito de Deus toda a família humana.
«O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te favoreça! O Senhor volte para ti a sua face e te dê a paz!» (Nm 6, 25-26).
Jerusalém, 25 de Maio de 2014.
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Encontro histórico em Jerusalém reúne Papa e patriarca ortodoxo


Líderes assinaram declaração pedindo aproximação entre suas igrejas.
Papa Francisco visitou pela primeira vez o Santo Sepulcro.

O papa Francisco se reuniu neste domingo (25) com o patriarca ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu, na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, para um encontro ecumênico histórico pela união entre os cristãos, constataram jornalistas da AFP.
Os líderes católico e ortodoxo assinaram uma declaração comum, pedindo progresso na aproximação entre suas igrejas, quase dez séculos depois do grande cisma que as dividiu.
Francisco e Bartolomeu ficaram por algum tempo ajoelhados na entrada da basílica, onde, de acordo com a tradição cristã, Jesus foi crucificado e ressuscitou.
A multidão aplaudiu os dois líderes religiosos, e depois entoou cantos de louvor durante a celebração ecumênica.
"Nessa basílica, para a qual todo cristão olha com profunda veneração, chega a seu ápice a peregrinação que estou fazendo junto com meu amado irmão em Cristo, Sua Santidade Bartolomeu", disse o papa.
"Peregrinamos seguindo as pegadas de nossos predecessores, o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, que, com audácia e docilidade ao Espírito Santo, tornaram possível, há 50 anos, na Cidade Santa de Jerusalém, o encontro histórico entre o Bispo de Roma e o Patriarca de Constantinopla", lembrou.
À celebração "ecumênica", marcada por cantos e solenidade, assistiram representantes das diversas confissões cristãs, entre elas greco-ortodoxos, armênios ortodoxos e franciscanos, os quais oraram juntos e publicamente pela primeira vez nesse lugar sagrado para o Cristianismo.
Na declaração, de dez pontos, Francisco e Bartolomeu se comprometeram a respeitar "as legítimas diferenças, pelo bem de toda a Humanidade". Também concordaram em trabalhar para que "todas as partes, independentemente de suas convicções religiosas, favoreçam a reconciliação dos povos".
O papa argentino, que visitava pela primeira vez o Santo Sepulcro, estava bastante emocionado.
O ato, que começou com uma hora de atraso, terminou com a reza conjunta do Pai Nosso.
fonte g1

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Unidade em Jerusalém num mundo dividido

Jerusalém, 24 mai (SIR) – Neste domingo, dia 25 de maio, encontrar-se-ão em Jerusalém o Papa Francisco e o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, para recordar o histórico abraço entre Paulo VI e o Patriarca Atenágoras. O encontro de 1964 provocou uma reviravolta nas relações entre as duas Igrejas, divididas com o Cisma de 1054, consumado de fato em 1202-1204. O gesto de 1964 – recorda a Agência Missionária Asianews – ocorreu em um contexto geopolítico bi polarizado e isto permitiu a pacificação das duas Igrejas irmãs com a consequente retirada dos anátemas e excomunhões recíprocas, o que deu início ao diálogo pela tão desejada unidade e comunhão entre ortodoxos e católicos.
O gesto do próximo domingo - proposto por Bartolomeu no dia do início do Pontificado de Francisco (foi a primeira vez que um Patriarca participou do início de um pontificado) -, foi logo aceito. E assume outro importante significado: convidar todos os cristãos a dar “uma resposta comum à humanidade que vive em uma sociedade individualista e hedonista, onde a coexistência social foi rompida, porque vítima de um mundo economicamente globalizado, mas moralmente desagregado”. “Porque somente um mundo cristão e unido – sublinhou o Patriarca Bartolomeu I à Asianews – poderá dar uma resposta à crise existencial que atinge o mundo contemporâneo, que é globalizado somente do ponto de vista material”. “E não existe outro instrumento senão o diálogo – acrescentou – que nós cristãos podemos propor segundo os ensinamentos e a vontade de Nosso Senhor”.
O Metropolita de Pergamo, Ioannis Zizoulas, recordou que quando Atenágoras teve que ir a Constantinopla para assumir como Patriarca Ecumênico, teve que ser transportado pelo ‘Air Force One’, do então Presidente estadunidense Truman. No trajeto, pediu ao piloto do avião para sobrevoar o Vaticano, como sinal de amizade e saudades. O encontro de 25 de maio assume outra conotação particular, que vem do Oriente Médio, onde os cristãos são perseguidos, prescindindo de sua convicção confessional. “Isto demonstra – acrescentou Bartolomeu I – que as respostas devem ser comuns: cada guerra em nome da religião é uma guerra contra a religião”.
SIR
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Papa começa delicada visita à Jordânia

Francisco leva esperança à decrescente população cristã.
Por Suleiman Al-Khalidi
O papa Francisco chega à Jordânia neste sábado (24) para iniciar uma intensa viagem de três dias pelo Oriente Médio, levando esperança à decrescente população cristã e um apelo aos membros de todas as religiões para trabalharem juntos pela paz.
"Esta não é uma visita protocolar", disse o patriarca Louis Sako, principal autoridade da Igreja no Iraque, a repórteres em Amã na véspera da visita.
Assista ao vídeo: Tensão na Terra Santa com visita do papa
"Este papa sente a dor dos cristãos, e a sua chegada neste momento, quando povos desta região estão passando por conflitos, matanças e destruição, é uma mensagem de convívio. É um apelo para que todos da região tenham a coragem de rever suas posições, sair desta crise sufocante", disse.
A população cristã vem diminuindo de forma constante em todo o Oriente Médio há gerações. As recentes revoltas árabes, a guerra civil na Síria e o crescimento do Islã radical só estão acelerando esse processo.
Em Israel e na Cisjordânia ocupada, mais cristãos palestinos pensam em partir, culpando Israel por reduzir as suas perspectivas econômicas e limitar a sua liberdade de movimento.
"Estamos esperando impacientemente por uma palavra do papa que fortaleça a moral. As pessoas nas ruas perguntam que mensagem o papa irá trazer", disse Sako.
É a primeira visita de Francisco, líder da comunidade de 1,2 bilhão de católicos do mundo, à região.
Depois de se encontrar com o rei Abdullah e celebrar uma missa em um estádio de Amã, o pontífice irá se reunir com refugiados da Síria e do Iraque na Betânia, às margens do rio Jordão, o local onde Jesus foi batizado, de acordo com a tradição.
Na manhã de domingo, Francisco irá de helicóptero a Belém, uma visita de seis horas ao que o programa oficial do Vaticano chama de "Estado da Palestina", uma terminologia que Israel rejeita.
Em 2012, o Vaticano revoltou Israel ao apoiar uma votação na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas para dar aos palestinos um status de reconhecimento como Estado. Israel argumenta que tal mudança só pode ocorrer por meio de negociações.
Reuters
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Viagem à Terra Santa será 'estritamente religiosa'

Papa pediu aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro para rezar por esta viagem.
A viagem do Papa à Terra Santa será "estritamente religiosa", insistiu nesta quarta-feira Francisco, que diz querer "rezar pela paz", a três dias de sua partida para esta visita, de três etapas, Amã, Belém e Jerusalém.
"Será uma viagem estritamente religiosa, em primeiro lugar para um encontro com (o patriarca de Constantinopla) Bartolomeu: Pedro e André se reunirão novamente, e isso será belo!", exclamou ao final de sua audiência geral na Praça de São Pedro, em referência aos dois apóstolos de Jesus, representando a Igreja Ocidental e a Igreja Oriental.
"A segunda razão para a viagem é para rezar pela paz nesta terra que sofre tanto",disse, pedindo aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro para rezar por esta viagem.
A ausência de uma solução política entre palestinos e israelenses, a terrível guerra na Síria, seus milhões de refugiados em países vizinhos, o enfraquecimento do Líbano, a ascensão do islamismo que assusta os cristãos, as tensões e violência no Iraque e Egito, compõem o cenário da visita de Jorge Bergoglio.
Francisco escolheu o quinquagésimo aniversário do encontro histórico entre o Papa Paulo VI e o patriarca ecumênico de Constantinopla Atenágoras, em Jerusalém, para reviver este laço ecumênico, enquanto as Igrejas ortodoxas e católicas do Oriente estão divididas.
Sob o lema "que sejam um", a logo da viagem representa São Pedro, chefe da Igreja de Roma, e Santo André, chefe da Igreja de Constantinopla, em um barco a vela sob uma única cruz.
Aos mais de 50.000 fiéis reunidos na Praça de São Pedro, o Papa também lançou uma advertência: "nós entendemos que não somos proprietários da criação, por isso devemos cuidar da criação para o bem de todos (...) Se destruirmos a criação, ela nos destruirá".
"Deus perdoa sempre, as pessoas perdoam às vezes, mas a criação não perdoa nunca se você não a protege", insistiu.
A defesa do meio ambiente era um tema recorrente tratado pelo Papa Bento XVI, e retomado por Francisco.
AFP
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Obama e Francisco: encontro padrão Vaticano

Por Thomas Reese
Quando um presidente visita o Vaticano, o principal foco do pequeno país europeu centra-se nos assuntos internacionais (no caso, Ucrânia, Síria, Oriente Médio, África, refugiados, liberdade religiosa, etc.). Mas o Vaticano também sempre quer apoiar seus bispos locais quando eles estão em conflito com seus governos. Este padrão foi seguido na visita de Obama.

Ocorreu bem o encontro entre Barack Obama e o Papa Francisco, embora houvera alguns solavancos no caminho. A mídia, o que é compreensível, se focou nas colisões enquanto que o governo de Obama sublinhou as aproximações.

Quando um presidente visita o Vaticano, o principal foco do pequeno país europeu centra-se nos assuntos internacionais (no caso, Ucrânia, Síria, Oriente Médio, África, refugiados, liberdade religiosa, etc.). Mas o Vaticano também sempre quer apoiar seus bispos locais quando eles estão em conflito com seus governos.  Esse padrão foi seguido na visita de Obama.

Em seu comunicado de imprensa, o Vaticano disse que o encontro foi “cordial” e que “trocaram-se opiniões sobre temas internacionais atuais”. Era esperado que “em áreas de conflito, haveria respeito pelo direito humanitário e internacional bem como uma solução negociada entre as partes envolvidas”.

Está claro que o governo americano e o Vaticano concordariam nestas questões, embora no passado os EUA foram mais ávidos em resolver entraves internacionais via ação militar do que o Vaticano gostaria. Obama reverteu sua decisão de bombardear a Síria depois que o papa convocou um dia de jejum e oração pela paz. O Vaticano também gostaria de ver mais ajuda humanitária e de desenvolvimento do que vem desejando o Congresso.

Segundo o Vaticano, o debate igualmente expressou o “compromisso comum na erradicação do tráfico de pessoas no mundo”. Este era uma das principais preocupações do Papa Francisco enquanto arcebispo de Buenos Aires. Ele recentemente acordou uma importante iniciativa inter-religiosa contra o tráfico humano em parceria com a Universidade de Al-Azhar.

Esse compromisso, em vez de assuntos onde houve desacordo, é o que se destacou após o encontro na manchete do “L’Osservatore Romano”, o jornal do Vaticano: “Impegno comune”. Embora antes da visita a Rádio do Vaticano salientasse a controvérsia, após o encontro seu jornal destacou o propósito comum.

Mas o comunicado de imprensa do Vaticano também observou que houve um debate sobre questões como o “exercício dos direitos à liberdade religiosa, à vida e à objeção de consciência”, o que foi uma referência velada aos artigos sobre métodos contraceptivos presentes na Lei da Saúde Acessível americana. Os bispos dos EUA queriam trazer este assunto à tona, e não mencioná-lo seria ignorá-los.

Embora o comunicado de imprensa tenha dado espaço igual a assuntos internacionais e às preocupações dos bispos americanos, os debates atuais foram sobre questões internacionais em sua grande maioria.

Quando os jornalistas perguntaram se o papa levantou a questão da Lei da Saúde Acessível, Obama respondeu: “Ele não entrou em detalhes sobre esta lei”, mas foi trazida à tona pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin. Com Parolin, “discutimos rapidamente a questão de garantir que a consciência e a liberdade religiosas sejam observadas no contexto da aplicação da lei “, explicou o presidente.

“A maioria das organizações religiosas estão inteiramente isentas”, afirmou Obama. “Hospitais e universidades religiosas bem como ONGs precisam apenas atestar que possuem uma objeção religiosa, casos nos quais não lhes serão exigidos oferecer métodos contraceptivos, ainda que seus funcionários que assim escolherem tenham condições de usá-los através das empresas de planos de saúde”.

Ao mesmo tempo, prometeu “continuar o diálogo com a Conferência dos Bispos Católicos para termos certeza de que podemos encontrar o equilíbrio certo, certificando-se de que não apenas as pessoas tenham assistência à saúde, mas que as famílias – e em particular as mulheres – tenham condições de desfrutar o tipo de cuidado à saúde que Lei oferece, como também que a liberdade religiosa esteja sendo observada”.

Os pobres, o crescimento da desigualdade e a paz

Em sua reunião com o papa, Obama disse: “Na maior parte do tempo debatemos duas inquietações do papa. Uma é a questão dos pobres, marginalizados, aqueles sem oportunidades, o crescimento da desigualdade, etc. E em seguida passamos um bom tempo conversando sobre os desafios dos conflitos e o quão indescritível é a paz no mundo”.

O presidente afirmou que o papa tem um “profundo interesse na questão israelo-palestina, mas que também se interessa pelo que está acontecendo na Síria, no Líbano e quanto à potencial perseguição aos cristãos”. Eles também falaram sobre o continente de origem do papa, a América Latina.

“O tema que costurou nossa conversa”, segundo o presidente, “foi uma crença de que em política e na vida a qualidade de empatia, a capacidade de se pôr no lugar dos outros e cuidar do outro mesmo se este não se parece conosco ou se não fala a nossa linguagem, ou mesmo se não partilha de nossa filosofia, são elementos fundamentais. É a falta de empatia que nos faz entrar em guerra. É a falta de empatia que nos permite ignorar os desabrigados nas ruas”.

E continuou: “Óbvio que como questão central em minha fé cristã está tratar os outros como eu gostaria de ser tratado. E o que eu penso que criou tanto amor e emoção pela Sua Santidade foi que ele parece viver estas coisas, mostrando uma alegria contínua”.

O presidente reconheceu que a “Sua Santidade e o Vaticano têm sido claros sobre a postura tomada sobre uma série de questões; de algumas delas eu discordo, mas estou plenamente de acordo com a maioria. Acho que ele está jogando luz numa área que será de crescente preocupação, e que é a redução das oportunidades para mais e mais pessoas, em particular os jovens”.

“Precisamos construir políticas que proporcionem uma boa educação e uma boa nutrição para as crianças, bem como um abrigo decente, oportunidades e emprego. O papa Francisco não vai entrar em detalhes aqui, mas ele nos lembra de quais são as nossas obrigações morais e éticas”, disse Obama.

Obama acredita que isso também seja uma “boa economia e uma boa política nacional de segurança. Os países estão mais estáveis; eles irão crescer mais rapidamente quando todos tiverem uma chance, e não apenas quando uns poucos a tiverem”.

Segundo Obama, o papa está “criando um ambiente no qual aqueles de nós que se preocupam com estas coisas estão em condições de falar sobre isso de forma mais efetiva. E estamos, de várias formas, seguindo não apenas a sua liderança mas também os ensinamentos de Jesus Cristo e de outras religiões que se preocupam profundamente com estes marginalizados”.

É claro que Obama percebe uma afinidade entre ele e o papa. Já outros irão enfatizar o apoio que o Vaticano deu aos bispos americanos na luta contra o governo.

Para o Vaticano, é possível fazer as duas coisas. O Vaticano tem mais de mil anos de trabalho junto aos reis, presidentes e outros chefes de Estado. Diferentemente do Congresso americano, o Vaticano sabe lidar muito bem neste ramo. Ele pode discordar de alguém sobre algumas questões ao mesmo tempo em que trabalha em outras de forma cooperativa.

A visita ocorreu bem como se previa. As fotos e o vídeo da visita mostraram um papa e um presidente sorridentes e interagindo de forma cordial. O encontro durou 52 minutos, quase o dobro do que estava programado, o que é sempre um bom sinal.

Obama deu ao papa sementes de frutas e vegetais do jardim da Casa Branca, e o papa eu a ele uma cópia de sua exortação apostólica “Evangelii Gaudium” (A Alegria do Evangelho). O presidente disse: “Provavelmente eu vou ler este texto no Salão Oval quando me sentir profundamente frustrado, e tenho certeza de que ele irá me fortalecer e me acalmar”.
National Catholic Reporter, 28-03-2014.
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MEDITAÇÃO: Ele não poupou seu Filho, mas entregou-o por todos nós.

Das Homilias sobre o Gênesis, de Orígenes, presbítero

(Hom. 8,6.8.9: PG 12,206-209)           (Séc.III)

O sacrifício de Abraão
Abraão tomou a lenha do sacrifício e colocou-a sobre os ombros de seu filho Isaac. Tomou na mão o fogo e o cutelo, e foram ambos juntos. Ora, Isaac, carregando a lenha para o próprio holocausto, é uma figura de Cristo carregando sua cruz. No entanto levar a lenha para o holocausto é ofício de sacerdote. Torna-se então ele mesmo a vítima e o sacerdote. O que se segue: e foram ambos juntos refere-se a essa realidade, porque Abraão, como sacrificador, leva o fogo e o cutelo; mas Isaac não vai atrás e sim a seu lado, para que se veja que, juntamente com ele, exerce igual sacerdócio.
E depois? Disse Isaac a seu pai Abraão: Pai! Neste momento, uma palavra assim parece uma tentação. Como terá abalado o coração paterno esta palavra do filho que ia ser imolado! Mesmo endurecido pela fé, Abraão responde com voz branda: Que queres, filho? E ele: Vejo o fogo e a lenha, mas onde está a ovelha para o holocausto? Abraão respondeu: Deus providenciará uma ovelha para o holocausto, meu filho.
Impressiona-me a resposta cuidadosa e prudente de Abraão. Não sei o que via em espírito, pois responde olhando para o futuro e não para o presente: Deus mesmo providenciará uma ovelha. Assim fala do futuro ao filho que indaga pelo presente. O Senhor providenciava para si um cordeiro em Cristo.
Abraão estendeu a mão para pegar a faca e imolar o filho. O anjo do Senhor chamou-o do céu, dizendo: Abraão, Abraão. Respondeu ele: Eis-me aqui. Tornou o anjo: Não toques no menino nem lhe faças nenhum mal. Agora sei que temes a Deus.
Comparemos estas palavras com as do Apóstolo a respeito de Deus: Ele não poupou seu Filho, mas entregou-o por todos nós. Vede Deus rivalizando com os homens em magnífica generosidade. Abraão, mortal, ofereceu a Deus o filho mortal, que não morreria então. Deus entregou à morte por todos o Filho imortal.
Olhando Abraão para trás, viu um carneiro preso pelos chifres entre os espinhos. Dissemos acima, creio, que Isaac figurava Cristo e, no entanto, também o carneiro parece figurar Cristo. É muito importante ver como ambos se relacionam a Cristo: Isaac que não foi morto e o carneiro que o foi. Cristo é o Verbo de Deus, mas o Verbo se fez carne.
Padece, portanto, Cristo, mas, na carne; morre enquanto homem do qual o carneiro é figura; já dizia João: Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. O Verbo, porém, permanece incorrupto, isto é, Cristo segundo o espírito; a imagem deste é Isaac. Por isto ele é vítima e também pontífice segundo o espírito. Pois aquele que oferece a vítima ao Pai, segundo a carne, este mesmo é oferecido no altar da cruz.

Responsório             Jo 19,16-17a; Gn 22,6a

R. Eles prenderam a Jesus e o conduziram.
* E, carregando a sua cruz, Jesus saiu,
para o lugar chamado Gólgota ou Calvário.
V. Abraão pegou a lenha do holocausto
e a colocou sobre seu filho, Isaac.
* E, carregando.

Oração
Velai, ó Deus, sobre a vossa família, com incansável amor; e como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
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'Ecumenismo não é política, nasce da fé'

Istambul – “Estamos aqui com o desejo de dar um ulterior pequeno passo no necessário caminho em direção a uma plena unidade entre todos os cristãos. Esta unidade - somos bem consciente disto - não pode ser senão o fruto superabundante da graça do Ressuscitado. É Ele que toma a iniciativa”. Com estas palavras, o Arcebispo de Milão, Cardeal Angelo Scola, saudou nesta sexta-feira (31) o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, na sede do Patriarcado Ortodoxo em Istambul al Fanar. O encontro é uma retribuição à visita realizada pelo Patriarca a Milão em 14 e 15 de maio, por ocasião dos 1700 anos da assinatura do Edito de Milão pelo Imperador Constantino, que reconheceu a liberdade religiosa. 
“Queremos exprimir a nossa proximidade e o nosso apoio a fim de que se restabeleça plenamente a liberdade da Igreja em vossas terras”, prosseguiu o Cardeal Scola, referindo-se à difícil situação vivida pelos cristãos na Turquia. “Não existe, de fato, liberdade religiosa onde esta não seja reconhecida para todos e para cada um. Embora as situações no Oriente e no Ocidente sejam diferentes – e diferentes, portanto, também os problemas a serem enfrentados – a ação em favor da plena liberdade religiosa nos encontra unidos de modo decisivo. Uma importante mistura de etnias, culturas e religiões caracteriza a vida cotidiana das nossas cidades. Os povos e as nações são portanto chamados a aprender a aprofundar o bem prático de estarem juntos.

À esta tarefa comum a toda família humana, as nossas Igrejas podem oferecer uma preciosa contribuição. A este compromisso em favor da liberdade religiosa e da busca do bem comum nas nossas sociedades, estão as atividades de colaboração entre o Patriarcado Ecumênico, as Igrejas Ortodoxas e a Igreja Católica”, acrescentou. Neste ponto do discurso proferido em Istambul, o Arcebispo de Milão, expressou o compromisso voltado à iniciativas ecumênicas: “Neste contexto se deseja, humildemente, inserir a contribuição da Igreja milanesa que tem Santo Ambrósio como seu Padroeiro. Penso na boa cooperação e atenção pastoral aos fiéis ortodoxos presentes na nossa Diocese.

Refiro-me também ao apoio à formação e à difusão do pensamento teológico. Não faltará de nossa parte, Santidade, o trabalho para incrementar tal colaboração e abrir a nossa porta à novas iniciativas”. Após este primeiro encontro na Sede do Patriarcado, Bartolomeu I e o Cardeal Scola fizeram pronunciamentos durante a apresentação do livro “Papa XVI Benedikt, Aziz Pavlus”, tradução em turco de 20 Catequeses que Bento XVI dedicou a São Paulo durante o Ano Paulino (2008-2009). A iniciativa foi organizada pela Fundação Internacional Oasis e pela Conferência Episcopal turca. “A primeira preocupação do ecumenismo não é política ou de afinar um discurso comum para sermos melhor ouvidos, mas teológica: a busca da unidade entre os cristãos brota da própria fé”, salientou o Cardeal Scola no seu pronunciamento.

O caminho de unificação plena entre todos os cristãos “é uma troca de dons e não a busca de uma aliança estratégica”, ou um modo “para melhor reivindicar e com mais força alguns direitos”, observou o Cardeal, reiterando que justamente isto “tira qualquer sombra de suspeita que os não cristãos – no nosso caso os nossos amigos muçulmanos – poderiam nutrir sobre o objetivo de nossa atividade”. Referindo-se à figura de São Paulo, o Cardeal Scola sublinhou que “os cristãos de todas as confissões estão de acordo em reconhecer em Paulo uma figura central para a sua fé”, pelo que, “qualquer pessoa que queira conhecer o Cristianismo deverá conhecer os seus escritos”. Mas São Paulo não é essencial somente para os cristãos, pois ele não pode ser desprezado “se quero entender a filosofia ocidental, a história ocidental, a arte ocidental ou até mesmo a sua política”, observou.

“Todavia – continuou o Arcebispo de Milão - se por um lado a figura de São Paulo é uma fonte permanente de inspiração para todos os cristãos, católicos, ortodoxos e evangélicos, deve-se reconhecer por outro que é um motivo de divergência na relação com os muçulmanos. Muitos deles olham com suspeita a obra de Saulo, não raro acusado de uma radical deturpação do primitivo anúncio cristão”. No entanto, justamente um “debate sério sobre Paulo poderia ser muito útil no diálogo em andamento com o Islã”, observou Scola. “Paulo foi o primeiro grande teórico da distinção entre letra e espírito de um texto. E justamente um conceito análogo foi desenvolvido também pela exegese islâmica do Alcorão. Para muitos pensadores muçulmanos contemporâneos, isto é fundamental para poder conjugar em profundidade o Islã com a modernidade”.
SIR
02/02/2014  |  domtotal.com
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Cristãos unidos frente ao Sepulcro vazio

Por Andrea Tornielli
Na tarde do próximo dia 25 de maio, domingo, será realizado um encontro ecumênico na basílica do Santo Sepulcro, que tem grande chance de ocorrer diante de um túmulo vazio. "É um encontro muito importante – destaca Valeria Martano, da Comunidade de Sant´Egidio,  que se encontra com uma delegação na cidade de Jerusalém, onde foi comemorado os cinquenta anos do abraço entre Paulo VI e Atenágoras - principalmente pelo local onde ele ocorrerá que, de alguma forma, também foi o berço das divisões entre os cristãos. Sua importância também está no fato de que neste encontro participarão todas as confissões cristãs presentes na Terra Santa".

Convidados do Metropolita Ortodoxo de Jerusalém, o papa Francisco e Bartolomeu poderiam entrar juntos na basílica e ali se abraçarem, para depois seguirem ao encontro dos representantes de todos os ritos cristãos, isto é, os ortodoxos; os armênios; os coptas; os etíopes; os anglicanos… “O encontro entre Paulo VI e o patriarca de Constantinopla, explicou Valeria Martano, que escreveu uma biografia documentada sobre Atenágora (Athenagoras il patriarca (1886 - 1972). Un cristiano fra crisi della coabitazione e utopia ecumenica; Il Mulino) ao sítio Vatican Insider – instaurou, há meio século, um clima diferente. Recorrentemente, nós olhamos para o caminho que nos falta trilhar e acabamos por não nos darmos conta de tudo que já foi feito. Creio que o encontro entre Francisco e Bartolomeu I será uma epifania de comunhão e um novo começo para um abraço ainda mais abrangente...”.

Em 1964, o histórico papa Montini “tornou compreensível ao mundo ortodoxo – continuou Martano – a vontade dos católicos em concentrar-se de novo na Igreja de Jerusalém. E agora Francisco, na primeira viagem escolhida por ele – se lembrarmos que a JMJ, no Rio de Janeiro, no ano passado, era uma data já fixada por Bento XVI – mostra, mais uma vez, que Roma se concentra nas raízes do Evangelho, com o sepulcro vazio”.

As etapas da viagem do papa, como anunciou Francisco no domingo passado, serão em Amã, Belém e Jerusalém. Viagem que se dá num momento em que alguns detalhes sobre o seu programa ainda precisam ser definidos. Como se sabe, houve algumas polêmicas em seu início, pela sua rápida peregrinação – de apenas três dias, justamente como o fez Paulo VI em 1964 – todavia estas polêmicas parecem ter se diluído, também porque todos parecem ter entendido o espírito desta viagem. O Papa chegará a Amã onde, entre outras coisas, está previsto um jantar com alguns refugiados sírios. Após, no domingo pela manhã ele deixará a Jordânia em um helicóptero para aterrizar nos territórios palestinos, onde celebrará a missa em Belém. “Com a delegação da Comunidade de Sant’Egidio – segundo Valeria Martano – também tivemos contato com o Grande Rabino de Israel e pudemos perceber o reconhecimento do mundo judeu pelo fato do Papa ter decidido chegar no domingo e não durante o Shabbat”.

A hipótese que agora passa a ser considerada é a de que, após sua estadia em Belém, Francisco chegue ao aeroporto de Tel Aviv, sempre de helicóptero, e de lá vá à Jerusalém, para o esperado encontro ecumênico no domingo à tarde - o verdadeiro ponto alto desta viagem e a única visita citada pelo papa quando ele fez o anúncio da mesma. Também será organizado um encontro com as autoridades religiosas judias, na sede do antigo rabinato, que se encontra próximo ao Muro das Lamentações.
Vatican Insider, 08-01-2014.
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Damasco, 29 dez (SIR) - "Permaneçam aqui! Não emigrem! Mesmo com todas as dificuldades, as igrejas destruídas, as paróquias abandonadas, as emigrações, os cristãos do Oriente Médio devem permanecer firmes na sua terra, nos seus vilarejos ou bairros". Este é o apelo comovido feito pelo Patriarca Greco-católico de Antioquia e de todo o Oriente Médio, Gregorio III Laham, feito aos cristãos da região, na mensagem por ocasião da solenidade do Natal e do Ano Novo.

A Carta intitulada "Alegra-te Maria, porque mostraste o Cristo Senhor, que ama os homens"- refere a Agência Asianews - explica os motivos pelos quais os cristãos são necessários ao Oriente Médio, mesmo que frequentemente sejam marginalizados e sofram violências por parte do mundo islâmico fundamentalista, ao mesmo tempo que sua presença é sempre mais estimada por representantes muçulmanos.Na longa mensagem de 17 páginas, o Patriarca convida os muçulmanos a trabalhar para que seja garantida aos cristãos a plena cidadania e a igualdade nos direitos e nos deveres na Síria, Egito, Iraque, Palestina e Líbano.
SIR, 29-12-2013
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Portugal: Que Igreja para a primeira geração que gagueja quando se pergunta de onde é

O mundo mudou muito ao longo das últimas décadas e o modelo de Igreja dos anos 60, centrado na paróquia, já não se enquadra na realidade da “primeira geração que gagueja quando se pergunta de onde é”, explica D. Manuel Clemente. O Patriarca de Lisboa esteve na conferência de abertura da Conferência Nacional de Associações de Associações de Apostolado dos Leigos (CNAL), com o tema “Cultura do Encontro na Igreja e no Mundo Contemporâneo”.
O encontro juntou várias centenas de pessoas, de vários movimentos e de todo o país, em Coimbra. Recorrendo inúmeras vezes à sua experiência pessoal, de jovem católico de Torres Vedras, envolvido no movimento dos escoteiros e na Ação Católica, D. Manuel Clemente traçou o percurso de mudança social que levou a que a Igreja, atualmente, não possa depender da centralidade da paróquia na vida dos fiéis. Atualmente, explica o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, cabe aos clérigos perceber que tudo mudou: “As pessoas que ainda aparecem mais vezes na paróquia, ou que estão empenhadas em serviços paroquiais, vivem num mundo muito transversal.
Ao mesmo tempo estão em conexão com outros movimentos, com outras pessoas, com outras paróquias e, portanto, hoje é muito transparoquial, transdiocesano. Temos de ter isso muito presente, estamos ali, é um momento importante, mas é um momento entre outros que são vividos noutro lado, a começar pela família.” Nesta realidade, o papel dos leigos torna-se ainda mais importante. Numa Igreja que D. Manuel descreve como “uma cadeia de encontros”, os leigos são “quase tudo”. “O que compete aos clérigos é proporcionarem estes encontros. Mas não se pode ser leigo se não estiver integrado no povo. Seja na realidade familiar, empresarial, paroquial ou nisto tudo ao mesmo tempo.
O Cristianismo em si mesmo é um encontro. Se eu não estou articulado com outros em termos de partilha de vida, de avanço num projeto, não sou Cristão, porque Cristo é um convite constante ao encontro. Não é possível ser cristão de outra maneira.” Para D. Antonino Dias, presidente da Comissão Episcopal do Laicado e da Família, os leigos desempenham cada vez mais um papel de destaque, mas não ocupam ainda o lugar que o Concílio Vaticano II tinha sonhado para eles: “Luta-se por isso. Mas é um pouco lento. Gostaríamos que os leigos tivessem consciência de pertença à Igreja e que têm lugar próprio, que ninguém lhes tira, e têm de o exercer. A Igreja não está verdadeiramente formada e não vive plenamente se não há um laicado consciente e formado e dinâmico, que é aquilo que também aqui se nota.” “Há vontade de mais ainda, e precisamos de mais”, remata o bispo. E é precisamente com esse “mais” que sonha a organização da CNAL. Francisco Noronha de Andrade realça que uma maior intervenção na vida da Igreja mas, sobretudo, na sociedade, é um dos frutos que se espera colher deste encontro que decorreu em Coimbra. “Temos de lutar por isso.”
SIR
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Católicos e Ortodoxos: Chegou a hora de lutar pela família

O Pontifício Conselho para a Família, juntamente com o Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos e o Departamento do Exterior do Patriarcado de Moscou, promoveu, nessa quarta-feira, um encontro que teve como tema: “Ortodoxos e Católicos juntos pela Família”. Participaram, entre outros, o Presidente do Pontifício Conselho para a Família, Dom Vincenzo Paglia, o Metropolita de Volokolamsk, Hilarion, e vários especialistas católicos e ortodoxos. Juntos, quiseram relançar a aliança entre a Igreja católica e a Ortodoxa, visando o núcleo familiar como ponto central da sociedade.
Partindo desta temática, os conferencistas abordaram outros aspectos, como a relação entre as gerações no mundo globalizado, a antropologia da família na tradição ortodoxa e no Novo Testamento e a visão da família para os Padres da Igreja. Segundo Dom Vincenzo Paglia, “não se pode mais adiar o tempo em que os cristãos deveriam compartilhar e valorizar o que os une, para um aprofundamento e enriquecimento recíprocos da única verdade e missão, às quais somos chamados, sob o exemplo de Jesus”.
O encontro entre ortodoxos e católicos, nestes dias, disse ainda Dom Paglia, representa uma etapa significativa, que vê as duas Igrejas, uma ao lado da outra, comprometidas na promoção e defesa da família “motor do mundo e da história”, segundo as palavras do Papa Francisco.
Enfim, o arcebispo expressou seu desejo de que estes dias de reflexão entre ambas as Igrejas, católica e ortodoxa, possam suscitar uma responsabilidade comum, a fim de que o matrimônio e a família sejam caminhos de santidade para os cristãos e fermento de fraternidade para toda a sociedade. “Devemos – concluiu o Arcebispo Vincenzo Paglia, - extrair das nossas Igrejas o grande tesouro e as riquezas teológica, espiritual e cultural, para enfrentarmos, de maneira eficaz, o grande desafio dos tempos modernos”.
SIR
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Sínodo: Igreja disposta a ouvir

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Manuel Clemente, disse ontem em Fátima que o processo de recolha de respostas ao questionário de preparação para o próximo Sínodo dos Bispos está “aberto” aos que queiram participar. “É basicamente um ato eclesial e, portanto, as instâncias que são consultadas, por indicação de Roma, são as que fazem e formam o corpo orgânico da Igreja, mas não está excluído de forma nenhuma o pronunciamento da sociedade em geral, que, aliás, é quase constante na opinião pública”, adiantou, em conferência de imprensa.
O patriarca de Lisboa sublinhou a ideia de que se trata de uma prática “corrente”, que tem sido “mais sublinhada” desta feita. “Geralmente é assim, nós mandamos [o questionário] para as comunidades cristãs, para as paróquias”, recordou, manifestando a convicção de que, através dos vários secretariados e movimentos da Pastoral Familiar, se vai chegar a um “acervo suficientemente qualificado do sentimento em relação a essas questões”. D. Manuel Clemente falou num “processo em curso” no qual a CEP não teve de assumir qualquer “protagonismo especial”, face ao impulso dado pelo Papa. "A Igreja existe nas comunidades, nos grupos de famílias, nas associações, nas paróquias e essa é a base normal de reflexão eclesial", indicou.
O presidente da CEP sustentou, a este respeito, que as “periferias” relativas às situações familiares e matrimoniais “estão dentro da Igreja”. Para este responsável, o processo sinodal não visa pôr em causa a perspectiva “realista” da Igreja Católica no que diz respeito à sua prática sacramental e que, no matrimônio, implica a “unidade homem-mulher” e a “persistência dos compromissos que responsavelmente se assumem”. O Papa Francisco decidiu convocar uma sessão extraordinária do Sínodo dos Bispos, de 5 a 19 de outubro de 2014, centrado no tema da família.
O comunicado final da assembleia plenária da CEP, que se concluiu esta tarde em Fátima, afirma que esta “será a primeira etapa para se ter o conhecimento da realidade familiar no mundo de hoje, havendo uma segunda parte no ano seguinte, com a realização de uma sessão ordinária do Sínodo dos Bispos”. “Como em situações anteriores, trata-se de recolher dados sobre as perguntas do questionário, cuja síntese final será enviada ao Secretariado do Sínodo, como contributo para que os participantes no Sínodo possam abordar, com realismo e frontalidade, todas as questões referentes à família”, acrescenta o texto.
O documento preparatório da III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada ao tema ‘Desafios Pastorais da Família no contexto da Evangelização’, foi divulgado pela Santa Sé no último dia 5 e está disponível desde então para leitura e download no site da ECCLESIA.
SIR
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Francisco e o mundo muçulmano, o caminho certo

Por Zouhir Louassini
Será também uma questão de gostos pessoais, mas se há um livro que abalou algumas das minhas convicções é a obra "Contra o fanatismo", de Amos Oz. Sem dúvida, provavelmente existem livros mais profundos, mas a lógica usada pelo escritor israelense entusiasma pela sua clareza e simplicidade. Sobretudo para quem se aproxima da realidade médio-oriental.

Em cerca de 80 páginas, o autor conseguiu explicar um mal muito difundido: o da arte de torcer, em vez de raciocinar. Revela-se assim um mundo no qual tudo é branco ou preto, uma espécie de filme western contínuo onde o bem luta contra o mal, esquecendo que muitas vezes a realidade é mais complexa. E também se neste caso específico, o escritor israelense medita sobre o conflito israelense-palestino, as conclusões às quais chega são aplicáveis inclusive a outras situações. Segundo Oz, a solução pode resumir-se numa única palavra: compromisso. Porque "onde há vida, há compromissos", do mesmo modo como onde não há compromissos, só pode haver fanatismo. Eis a origem deste mal.

Julgo que é precisamente nessa perspectiva que se devem analisar as mensagens que o papa Francisco continua a enviar ao mundo islâmico, uma linha de abertura clara à maioria dos muçulmanos. O fanatismo é apenas a doença da religião. Não é a normalidade, nem a religião. Desde a sua chegada e com poucos gestos de grande relevância simbólica, o Pontífice conseguiu explicar melhor do que ninguém este conceito que pode parecer óbvio, mas que muitas vezes é difícil, para não dizer impossível de compreender.

O gesto mais importante é certamente aquele feito durante o Ângelus de 1 de setembro passado, em que chamou a atenção do mundo para a guerra que há dois anos e meio continua a dilacerar a Síria. Fê-lo com palavras simples, mas claras, sem tomar uma posição, a não ser aquela de defender o direito à vida de milhões de sírios.

A decisão do papa foi certa, e para a compreender era suficiente ir ver na internet a resposta da parte de grupos fanáticos: descrédito ao convite do pontífice, confundindo quais eram a intenção e a finalidade unitária com uma desconfiança total, usando de resto uma linguagem que deriva diretamente de épocas distantes, como se o mundo permanecesse parado no tempo das cruzadas. Um descrédito dirigido também à maioria dos muçulmanos que, como era previsível, se puseram imediatamente de acordo com o apelo do Papa Francisco.

Era suficiente ler a resposta do Grão-Mufti da Síria, Ahmad Badreddin Hassou, chefe espiritual do islã sunita no país, para compreender o impacto no interior da comunidade muçulmana. Hassou disse que ficou profundamente emocionado com o apelo do pontífice em prol da paz na Síria, manifestando o desejo de estar presente em São Pedro para aquela vigília de oração.

Uma resposta tão positiva da parte da maioria dos muçulmanos deve ser atribuída, provavelmente, ao fato de que eles sentem a liderança espiritual mundial do Papa Francisco. Estamos diante de um pregador que globaliza valores fundamentais que deveriam ser intrínsecos à natureza humana: paz, fraternidade e amor.

Em síntese, um pontífice que anuncia valores positivos, com os quais é difícil não estar de acordo, pois não se trata de valores com uma bandeira política ou dogma religioso, mas de uma visão que pode dar início, e desta vez seriamente, a um diálogo autêntico entre o cristianismo e o islã. Diálogo em que a palavra-chave é precisamente aquela indicada por Oz: o compromisso. E não há melhor compromisso do que aquele que se destina a defender a dignidade humana, procurando ver no outro tudo o que une, em vez de insistir sobre aquilo que separa.
L’Osservatore Romano, 13-11-2013.
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Papa convoca cúpula religiosa mundial pelo Oriente Médio

No próximo dia 21 de novembro realizar-se-á, no Vaticano, uma cúpula pela Síria, Iraque e Oriente Médio com a presença do Papa Francisco, dos patriarcas e dos arcebispos maiores das Igrejas Orientais. A confirmação foi dada pelo jornal L’Osservatore Romano, reportando as palavras do cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, na abertura do ano acadêmico 2013-2014 do Pontifício Instituto Oriental.
A cúpula, explicou o jornal da Santa Sé, será “uma ocasião para refletir sobre as reais possibilidades de paz na Síria, Terra Santa e Oriente Médio, e para elevar uma oração conjunta pelos cristãos desses países martirizados”.

 Uma reunião análoga à programada para o dia 21 de novembro, recordou o L’Osservatore Romano, foi promovida em 2009 por Bento XVI.
Religión Digital, 27-10-2013.
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São Francisco da Penitência OFS Cabo Frio | by TNB ©2010