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[Íntegra] Homilia do Papa na Vigília Pascal: Não se pode viver a Páscoa sem entrar no mistério

A HAIA, 04 Abr. 15 / 07:00 pm (ACI).- Refletindo sobre a atitude das discípulas do Senhor, que por serem as primeiras a buscá-lo após sua morte se tornam as primeiras testemunhas da Ressurreição, o Papa na Vigília Pascal convidou os cristãos a entrar sem medo no mistério do amor de Deus que se faz concreto na vitória de Jesus sobre a morte e o pecado na manhã da Ressurreição. Abaixo apresentamos na Íntegra a homilia do Santo Padre:
Esta é uma noite de vigília.
Não dorme o Senhor, vigia o Guardião do seu povo (cf. Sl 121/120, 4) para fazê-lo sair da escravidão e abrir-lhe a estrada da liberdade.
O Senhor vigia e, com a força do seu amor, faz passar o povo através do Mar Vermelho; e faz passar Jesus através do abismo da morte e da mansão dos mortos.
Foi uma noite de vigília para os discípulos e as discípulas de Jesus. Noite de desolação e de medo. Os homens permaneceram fechados no Cenáculo. As mulheres, ao contrário, ao alvorecer do dia depois do sábado foram ao sepulcro para ungir o corpo de Jesus. Tinham o coração cheio de angústia e perguntavam-se: «Como faremos para entrar? Quem nos fará rolar a pedra do sepulcro?».
Mas eis o primeiro sinal do Evento: a grande pedra já fora removida e o túmulo estava aberto! «Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado à direita, vestido com uma túnica branca»(Mc 16, 5). As mulheres foram as primeiras a ver este grande sinal: o túmulo vazio; e foram as primeiras a entrar nele. 
«Entrando no sepulcro». Faz-nos bem, nesta noite de vigília, deter-nos a reflectir sobre a experiência das discípulas de Jesus, que nos interpela a nós também. Realmente é para isto que estamos aqui: para entrar, entrar no Mistério que Deus realizou com a sua vigília de amor. Não se pode viver a Páscoa, sem entrar no mistério. Não é um facto intelectual, não é só conhecer, ler... É mais, é muito mais! 
«Entrar no mistério» significa capacidade de estupefacção, de contemplação; capacidade de escutar o silêncio e ouvir o sussurro de um fio de silêncio sonoro em que Deus nos fala (cf. 1 Re 19, 12).
Entrar no mistério requer de nós que não tenhamos medo da realidade: não nos fechemos em nós mesmos, não fujamos perante aquilo que não entendemos, não fechemos os olhos diante dos problemas, não os neguemos, não eliminemos as questões...
Entrar no mistério significa ir além da comodidade das próprias seguranças, além da preguiça e da indiferença que nos paralisam, e pôr-se à procura da verdade, da beleza e do amor, buscar um sentido não óbvio, uma resposta não banal para as questões que põem em crise a nossa fé, a nossa lealdade e nossa razão.
Para entrar no mistério, é preciso humildade, a humildade de rebaixar-se, de descer do pedestal do meu eu tão orgulhoso, da nossa presunção; a humildade de se reajustar, reconhecendo o que realmente somos: criaturas, com valores e defeitos, pecadores necessitados de perdão. Para entrar no mistério, é preciso este abaixamento que é impotência, esvaziamento das próprias idolatrias, adoração. Sem adorar, não se pode entrar no mistério.
Tudo isto nos ensinam as mulheres discípulas de Jesus. Elas estiveram de vigia naquela noite, juntamente com a Mãe. E Ela, a Virgem Mãe, ajudou-as a não perderem a fé nem a esperança. Deste modo, não ficaram prisioneiras do medo e da angústia, mas às primeiras luzes da aurora saíram, levando na mão os seus perfumes e com o coração perfumado de amor. Saíram e encontraram o sepulcro aberto. E entraram. Vigiaram, saíram e entraram no Mistério. Aprendamos com elas a vigiar com Deus e com Maria, nossa Mãe, para entrar no Mistério que nos faz passar da morte à vida.
acidigital
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Encontrando o sepulcro vazio

Por Dom Paulo Mendes Peixoto*
A Festa da Páscoa, a mais importante no cenário cristão, é consequência de uma longa história de preparação e de fatos marcantes acontecidos na vida de Jesus Cristo. A expressão maior se deu na cruz. Ao morrer, Jesus é depositado num sepulcro vazio, cedido por um homem rico da região, chamado José de Arimateia. No dia seguinte, foram ao lugar e encontraram a pedra do sepulcro removida e o corpo do Senhor não estava ali.
Aí começa um novo cenário. Os guardas disseram que o corpo tinha sido roubado. A finalidade era de desviar a atenção dos discípulos, porque eles mesmos não sabiam o que tinha acontecido, porque o sepulcro estava vazio. Mas tudo se esclarece com a comprovação das diversas aparições de Jesus, agora ressuscitado, para as primeiras comunidades que tinham convivido com Ele.
A grandeza de Jesus Cristo chega ao nível de sua identificação com o ser humano, inclusive passando pela sepultura, experimentando o maior grau de rebaixamento da criatura humana. Nisso está a força da vida, o total esvaziamento de si mesmo, possibilitando o ingresso na vida eterna, que passa pelo caminho da morte. Em Cristo está a força total de libertação.
A passagem de Jesus pelo sepulcro representou, para os discípulos, um forte momento de frustração, de promessa não realizada e de aliança não cumprida. O projeto de libertação que o povo esperava caiu em decadência. Acontece que Deus não falha e acompanha a trajetória das pessoas e das comunidades. Jesus tinha ressuscitado.
Com isto, vivenciar a Páscoa significa retomar a alegria e a esperança dificultadas pelo sepulcro vazio. Nela está o centro da fé cristã, a superação de todo individualismo que massacra o ser humano e o coloca numa atitude de impotência para agir com total liberdade.
Todos os limites e impossibilidades que a pessoa tem são como armadilhas para dificultar sua plena realização. A ressurreição é um dom de Deus para conservar o ideal de libertação e possibilitar a pessoa de amar e ser feliz numa dimensão de vida eterna.
*Dom Paulo Mendes Peixoto é arcebispo de Uberaba.
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'A vida só tem sentido se for colocada a serviço', diz Dom Odilo

“O sentido da vida não está em buscar a si mesmo, mas ter o coração para entregar a vida como dom e serviço. Este é o ensinamento de Jesus na última ceia” afirmou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, na Missa da Ceia do Senhor, celebrada na Catedral da Sé, na noite desta Quinta-feira Santa, 2.

A celebração abre o Tríduo Pascal, evento central da vida da Igreja, em que se faz memória da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Nesta missa se comemora a instituição da Eucaristia e do sacerdócio cristão.

Um dos momentos marcantes da celebração é o rito do lava-pés, que recorda o gesto de Jesus, que lavou os pés dos discípulos, mandando que o imitassem. Na Catedral, por iniciativa de Dom Odilo, inspirado pelo tema da Campanha da Fraternidade (CF) 2015, cujo tema é “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, o Cardeal lavou os pés de representantes da sociedade, entre servidores públicos e profissionais e representantes da Igreja (gari, bombeiro, defensor público, político, médico, agente de pastoral, seminarista, diácono permanente, religiosa, missionário e funcionário da Catedral).

Na homilia, Dom Odilo destacou que Jesus, na ultima ceia, mudou o significado do rito da ceia judaica e recomendou que o fizessem não mais em memória da libertação do Egito, mas de um fato novo para toda a humanidade, a libertação do pecado e da morte por meio da vida doada de Jesus. “Também nós, se queremos ter parte com Jesus, devemos nos colocar a serviço uns dos outros. A Eucaristia é para nós a recordação da suprema atitude de serviço do Filho de Deus em favor da humanidade”, recordou o Cardeal, citando a frase de Jesus usada como lema da CF 2015, “Eu vim para servir”.

“A vida só tem sentido se for colocada a serviço [...]. Não sejamos tentados pelas propostas de vida egocêntricas, baseadas apenas na vantagem pessoal, incapazes de se abrir para as necessidades do próximo. A vida se enriquece na medida em que se doa”, acrescentou o Arcebispo.

No final da celebração, o Santíssimo Sacramento foi transladado, em procissão, para a capela onde aconteceu uma vigília de oração que continuará na manhã da Sexta-Feira da Paixão, quando se recorda a morte de Jesus na Cruz.  Por isso, após a missa, o altar foi desnudado, as flores foram tiradas da Catedral e serão colocada novamente na celebração da solene Vigília Pascal, na noite do Sábado.
SIR
04/04/2015  |  domtotal.com
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O que buscar na Semana Santa?

Por Dom Messias dos Reis Silveira*
Mais uma vez, estamos na Semana Santa. O que ela tem de santa? Nada de santa se a nossa vida não se aproximar da vida do Santo Filho de Deus, que morreu e ressuscitou possibilitando a todos saírem de seus túmulos existenciais. Nada de santa se a nossa vida não melhorar. Para algumas pessoas ela será só uma semana como as outras do cotidiano, sem um significado especial, ou será uma semana com feriado prolongado. Mas, quem desejar, perceberá o significado desta semana e procurará viver a mística que dela emana. Nela celebra-se o maior ato de amor de Deus pela humanidade e por tudo o mundo que Ele criou. A humanidade e a natureza a partir do fato central celebrado nesta semana ficou profundamente mergulhada no mistério da redenção. Segue-se uma história dos redimidos pelo amor grande de Deus.
Esta semana merece ser vivida em clima de muita oração, contemplação, esforço de conversão e convivência fraterna. A oração, como disse Paulo VI nos faz respirar na graça. Através dela a leveza de Deus suaviza a vida dos peregrinos. Com esta grande Semana chega-se, para nós, o tempo de rezar contemplando a redenção. Pelo esforço de conversão, o ser humano percebe-se que não está completo. Há um longo caminho a percorrer para todas as pessoas. Como disse Sartre “o ser humano é inacabado, é incompleto do seu nascimento até sua morte”. Pelo esforço de conversão é possível corrigir as deformações pessoais e aquelas que na nossa fragilidade provocamos nos outros e na natureza. Vivendo desta forma pode se dizer que está iniciado, desde já, o processo de convivência fraterna que culminará na eternidade. A vivência entre irmãos que se amam é repleta de ternura. Como é bom os irmãos viverem juntos, numa só fé, com muita esperança e cheios de amor! (Cf Sl 133).
Nesta semana maior da Igreja celebramos o mistério central da nossa fé. Do Domingo de Ramos” até Quinta-feira santa, completamos o grande retiro quaresmal iniciado na Quarta feira de Cinzas e vivido na perspectiva do crescimento cristão. Com a Missa da Ceia do senhor na Quinta-feira à tarde, incia-se o Tríduo pascal da morte e ressurreição do Senhor. O cume de todas as celebrações, desta grande semana, é a Vigília Pascal na noite do Sábado Santo. Esta Vigília se desdobra na alegria do Domingo da Ressurreição e nos cinqüenta dias do Tempo Pascal até o Pentecostes sagrado. Este tempo pascal é considerado como que um único e grande domingo. O ritmo pascal envolve a todos na dança alegre das pessoas que tem um rosto iluminado pela fé na ressurreição.
Vamos viver cheios de esperanças esta semana especial da Igreja com o desejo de revigorar a vida cristã. Vamos entrar na Páscoa com semblantes de ressuscitados. “No Domingo de Páscoa tem-se a oportunidade para o ser humano se deixar ser tocado pelo triunfo de vida sobre a morte. Cristo venceu a morte. Este é um bom dia para se semear uma flor” (Rubem Alves). Espalhe ondas de amor entre as pessoas de seu convívio e de sua fé e tenha uma feliz semeadura das sementes das flores que exalam o perfume da paz. “Somos da paz”
Após a Semana Santa será feliz quem procurar viver em ritmo pascal, ou seja viver uma constante libertação a partir de Jesus. Vivendo assim, o dom da paz vai crescer em nosso meio e se poderá dizer com esperança que “somos da paz”. A paz é um dom do Ressuscitado. Muitas vezes ele se manifestou desejando a paz. Feliz entrada no ritmo pascal.
CNBB, 30-03-2015.
*Dom Messias dos Reis Silveira é bispo de Uruaçu (GO).
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O que se celebra na Semana Santa?

Quem crê na ressurreição chega ao ponto mais alto da espiritualidade cristã.
Por Dom Pedro Brito Guimarães*
A Igreja Católica abriu liturgicamente, com o Domingo de Ramos e da Paixão, a Semana Santa. O último domingo (29), portanto, foi a porta de abertura e de entrada da Semana Santa. De forma muito breve, podemos afirmar que as ações litúrgicas da Igreja são, ao mesmo tempo, ações rememorativas (fazem memória litúrgica de um evento salvífico), demonstrativas (atualizam seus efeitos salvifícos) e prognósticas (abrem as portas do futuro escatológico). No Domingo de Ramos e da Paixão os dois mistérios centrais da vida de Jesus e, por conseguinte, da vida cristã, são rememorados, demonstrados e prognosticados. Na celebração da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, a Igreja faz, solenemente, o anúncio pascal da paixão morte e ressurreição de Jesus. Vejamos:
Primeiro, Paulo, na Carta aos Filipenses, descreve o esvaziamento de Jesus, ao assumir a condição de escravo, fazendo-se igual ao homem, obediente até a morte de cruz (Fl 2,6-8). Marcos completa a tragicidade desta paixão, ao afirmar que Jesus entra em Jerusalém pequeno, humilde e pobre, montado num jumento (Mc 11,1-7). E em seguida, anuncia a sua paixão com todos os detalhamentos que ela comporta (Mc 15,1-39).
Segundo, por causa disto, diz também Paulo que Deus o exaltou e lhe deu o nome que está acima de qualquer nome. E diante do nome de Jesus todo joelho se dobra no céu, na terra e nos inferno e toda língua proclama: Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai (Fl 2,9-11). Marcos completa esta informação dizendo que o povo, ao ver Jesus entrar triunfalmente em Jerusalém, estendeu seus mantos, espalhou seus ramos e gritou: Hosana (que literalmente significa: “dá-nos a salvação”)! Domingos de Ramos e da Paixão é, neste sentido, didático, catequético, litúrgico, pedagógico e propedêutico.
Ao longo dos outros dias da Semana Santa, sobretudo a partir da quinta-feira santa, nas outras celebrações adicionais, tais como a bênção dos santos óleos, o lava-pés, a adoração eucarística, a via-sacra e a encenação da paixão, o mistério da morte e ressurreição de Jesus, serão rememorados, demonstrados e prognosticados. Descaremos, aqui, de forma muito breve, somente as três Páscoas:
A Páscoa da Ceia: Na quinta-feira, celebramos a ceia do Senhor, a instituição do mandamento do amor fraterno e do sacerdócio ministerial. João, o evangelista, interpreta o sentimento mais profundo de Jesus, na última ceia, com as seguintes palavras: “tendo Jesus amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Durante a ceia, Jesus cingiu-se com uma toalha e lavou os pés dos discípulos. Em seguida, comeu a páscoa com eles. Nesta celebração, comumente chamada de “Páscoa da Ceia”, Jesus se dá no pão e no vinho. Seu corpo e seu sangue já não são mais seus. Já foram dados. Portanto, Jesus sai da ceia literalmente morto.
A Páscoa da Cruz: Na sexta-feira este sentimento de doação de Jesus chega ao seu ápice. Jesus não somente anuncia, introduz e simboliza, mas também realiza e expressa, de forma total e radical, esta sua sede de doação. É na celebração da adoração da cruz que a Igreja faz memória litúrgica da Páscoa da Cruz. Os evangelistas traduzem, com palavras muito fortes, o que aconteceu na hora da morte de Jesus, ao afirmar que houve uma celebração fúnebre, da qual participou inteiramente a criação: “uma escuridão cobriu a terra, o sol escondeu-se, o véu do templo rasgou-se em dois, a terra tremeu, os mortos ressuscitaram” (Lc 23,45; Mc 15,38; Mt 27,51-52). Importante também foi a profissão de fé do centurião romano: “verdadeiramente este homem era Filho de Deus” (Mc 15,39). A morte na cruz, segundo o papa emérito Bento XVI, “é um acontecimento cósmico e litúrgico”. Depois disso, inicia-se o grande silêncio litúrgico.
A Páscoa da Ressurreição: Todos os sentimentos de luto, de vigília, vividos em profundo espírito de contrição, comoção, obediência, luto e oração, são quebrados pelos brados de alegria e de aleluia, cantados nesta da vigília pascal que, segundo Santo Agostinho, é a mãe de todas as vigílias. O clima litúrgico se transforma totalmente quando a comunidade cristã proclama, solenemente, a ressurreição de Jesus. Trata-se, pois, de uma solene celebração de vigília. Destacamos aqui a celebração da luz, da água, da renovação das promessas batismais, da Palavra, em abundância, na qual se faz memória da criação, da libertação do Egito e em crescendo, se passa por todas as fases salientes da história da salvação, até chegar à glória da ressurreição. Quem chega a crer na ressurreição, crê no mistério final e sublime da fé cristã e chega ao ponto mais alto da espiritualidade cristã.
É tudo isto que celebramos na Semana Santa. Depois desta solene noite santa, tudo passa a ser páscoa, ressurreição e vida nova, até que se complete cinquenta dias.
Então, boa Semana Santa para todos nós.
CNBB, 27-03-2015.
*Dom Pedro Brito Guimarães é arcebispo de Palmas (TO).
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Jesus Cristo nos deu o exemplo

Sair de si é ser grande, pois só nos entregamos quando somos donos de nós mesmos.
Por Luiz Carlos de Oliveira*
Ao iniciar as celebrações da Semana Santa, temos na Missa do Domingo de Ramos uma oração que dá uma razão para os acontecimentos Mistério Pascal de Cristo: “Deus, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na Cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da Paixão e ressuscitar com Ele em sua glória”.
A razão da Encarnação e da Morte é mostrar a humildade. Percebemos que se trata do fundamental da vida de Jesus. É por esta virtude que temos entrada no Mistério de Cristo.
Por que a importância da humildade na vida e na missão de Cristo Salvador? Jesus veio para nos salvar e nos colocar em comunhão com Deus. E a vida de Deus consiste no amor de mútua entrega e mútuo acolhimento.
Para isso é necessário a humildade. Vemos que este termo vai além dos conceitos que temos de humildade como a virtude que nos abaixa, que nos esconde e reduz. Sair de si é ser grande, pois só nos entregamos quando somos donos de nós mesmos e somos livres de tudo.
É o contrário do mal do orgulho que quer tudo para si e colocar tudo a seu serviço. Na Encarnação de Jesus vemos como Ele era o Tudo como Deus e se fez homem humilde e escravo servidor. Não vim para ser servido, mas para servir.
Na Santa Ceia, Ele lavou os pés dos apóstolos e disse: “Vós me chamais de Mestre e Senhor e Eu o sou. Se vos lavei os pés, também deveis lavar-vos os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo para que, como Eu vos fiz, também vós o façais (Jo 13,13-15).
Sua morte foi o máximo da humildade, pois foi um serviço. O orgulhoso não serve, serve-se dos outros. A bondade de Jesus é expressão de sua humildade. Não se tratava só de uma virtude, mas de seu Ser Divino. Para acolher Deus, é preciso ter Jesus como exemplo de humildade. Percorrendo os evangelhos podemos ver suas atitudes para com as pessoas, sobretudo para com os humildes e pobres.
Humildade e Ressurreição
Foi no momento máximo de sua humildade que Jesus foi ressuscitado pelo Pai, como lemos em Filipenses: “Humilhou-se e foi obediente até à morte e morte de Cruz. Por isso Deus O exaltou e lhe deu um nome que está acima de todo nome”(Fl 2,8-9) .
Sabemos que os humildes e os mansos herdarão a terra e o Reino dos Céus (Mt 5,1-12). Estes têm uma posteridade que dura para sempre. Ao aceitar Jesus Cristo pela fé e pelos sacramentos, o cristão assume também viver sua mentalidade.
A humildade não era só um modo de agir, mas seu Ser. O amor que pregou não era uma doutrina, era sua vida de relacionamento com o Pai. Por isso tinha um impacto tão grande sobre as pessoas. O amor é humildade. Não há humildade sem amor nem amor sem humildade.
Sua morte foi conseqüência de sua decisão pela humildade. Foi o caminho que o levou a dar a vida em resgate por todos.
Ser pequeno grande
Notamos a dificuldade que a comunidade cristã tem de entender sua vida como entrega de humildade. Por isso vemos as atitudes de orgulho, prepotência, agressividade, falta de diálogo e tantos males que invadem as comunidades e de modo particular os que exercem algum modo de poder.
Esquecemos que todos vamos morrer. Conhecemos em nossas comunidades aqueles humildes que se dedicam com carinho aos fracos, aos doentes, aos pobres.
Conhecemos padres e bispos que são abertos ao povo. Os humildes são os verdadeiramente grandes nas comunidades, pois são um retrato vivo de Jesus.
A espiritualidade cristã deve se fundar nessa atitude de Jesus, para chegar à Ressurreição.
A12, 04-05-2014.
*Luiz Carlos de Oliveira é padre.
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A Páscoa do Messias e do seu Povo

Roteiro Homilético
A proposta de reflexão da liturgia do domingo é de autoria do Pe. Johan Konings SJ, preparada pelo Pe. Jaldemir Vitório SJ, Professor e Reitor da FAJE.
Confira a íntegra do Roteiro Homilético.
Na noite do Sábado Santo para “o primeiro dia da semana”, os primeiros cristãos celebravam a ressurreição do Senhor Jesus. Por isso, o primeiro dia da semana chama-se domingo, dia do Dominus, “Senhor”. Atualmente, a liturgia prevê três momentos de celebração da Páscoa: a missa da Vigília Pascal, de noite, a missa do domingo de manhã e a missa da tarde. Aprofundamos aqui o sentido da primeira celebração.
A liturgia da vigília pascal inicia com a celebração da luz nova e do círio pascal. Depois, leem-se diversas leituras do Antigo Testamento (sete, ou no mínimo três). Uma dessas leituras (a 3ª) lembra o significado da Páscoa no Antigo Testamento: a passagem do Senhor Deus para libertar seu povo, arrancando-o das mãos dos egípcios e fazendo-o passar pelo Mar Vermelho a pé enxuto (Ex 14,15-15,1). Para os cristãos, Páscoa é a comemoração da passagem de Jesus, da morte à glória. Deus mostrou-se mais forte que os inimigos de seu plano de amor, que mataram o Messias. O amor venceu, e ressurgiu imortal. O Messias vai agora à frente de seu povo, na “Galileia”, lugar onde se encontram os discípulos. Glorioso, o ressuscitado conduz novamente os seus fiéis, como ensina o evangelho da Vigília Pascal.
Também nós temos de realizar nossa passagem. No início da Igreja, a noite pascal era a noite em que se administrava o batismo. O batismo significa a nossa “travessia do Mar Vermelho”, a nossa descida com Cristo no sepulcro, para com ele voltar à vida nova, tornando-nos criaturas novas, mortas para o pecado, mas vivendo para Deus, em Cristo (leitura do Novo Testamento, depois do Glória festivo). Na Vigília Pascal, renovamos o nosso compromisso batismal. Morremos e ressuscitamos com Cristo. Essa renovação do compromisso batismal é o “selo” que confirma a conversão empreendida na quaresma. A profissão de fé na Páscoa, em torno da água batismal benzida na mesma hora, é renovação de nosso batismo, uma “mini-ressurreição”. Mas a consolidação da nossa conversão deve mostrar-se, sobretudo, em nossa prática da caridade e justiça. A Campanha da Fraternidade não terminou; devemos consolidá-la pela prática de nossa vida renovada!
Então a alegria da Páscoa não será por causa do coelhinho e dos presentes que o comércio avidamente nos forneceu. Será a alegria de quem passou da morte para a vida, trilhando os passos de Jesus. Será também a alegria do novo povo de Deus, que segue seu Messias. E esta alegria será verdadeira, somente se este povo realiza o amor e a fraternidade pelos quais Cristo deu a sua vida. Mostrará por sua vida que o amor de Cristo foi vitorioso.
19/04/2014  |  domtotal.com
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MEDITAÇÃO: Um grande silêncio reina sobre a terra.

De uma antiga Homilia no grande Sábado Santo
(PG43,439.451.462-463)               (Séc.IV)
A descida do Senhor à mansão dos mortos
Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.
Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.
O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará.
Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: ‘Saí!’; e aos que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’
Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.
Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.
Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida.
Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso.
Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.
Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.
Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”.
Responsório 

R. Nosso pastor se retirou, ele, a fonte de água viva;
e o sol, na sua morte, escurecendo, se apagou;
e aquele que trazia prisioneiro o homem primeiro,
por Cristo aprisionado.
* Hoje o nosso Salvador arrombou as portas da morte
e quebrou os seus ferrolhos.
V. Destruiu as prisões do inferno
e derrubou o poder satânico. * Hoje.
Oração
Pai cheio de bondade, vosso Filho unigênito desceu à mansão dos mortos e dela surgiu vitorioso: concedei aos vossos fiéis, sepultados com ele no batismo, que, pela força de sua ressurreição, participem da vida eterna, com ele. Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.R. Graças a Deus.
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'Servir uns aos outros é a herança que Ele nos deixou'

Roma, 18 abr (SIR) – No final da tarde desta Quinta-feira Santa, o Papa Francisco presidiu a Missa da Ceia do Senhor no Centro “Santa Maria da Providência”, em Roma, quando repetiu o gesto de Jesus e lavou os pés de 12 deficientes assistidos pela Fundação Padre Gnocchi.

A Missa, num clima de muita intimidade e familiaridade, foi concelebrada pelo Presidente da Fundação, Mons. Angelo Bazzari e pelo Capelão do Centro, Padre Pasquale Schiavulli. O coro era formado por internos e por voluntários do Centro que animam a Missa aos domingos.

Na sua breve homilia, antes do rito do Lava-pés, o Santo Padre recordou que aquilo que Jesus fez na última Ceia foi um gesto de entrega. ”É como a herança que nos deixa”, afirmou. “Ele que é Deus se fez servo, servidor nosso. E esta é a herança: também vós deveis ser servidores uns dos outros. E Ele fez este caminho por amor: também vocês deveis amar-vos e serdes servidores no amor: “E faz este gesto de lavar os pés, que é um gesto simbólico. O faziam os escravos, os servos aos comensais, às pessoas que vinham para a refeição, porque naquele tempo as estradas eram todas de terra e quando entravam em uma casa era necessário lavar-se os pés”. “E Jesus faz este gesto - disse o Santo Padre - um trabalho, um serviço de escravo, de servo”, e acrescentou: “Nós devemos ser servidores uns dos outros. E por isto a Igreja, no dia de hoje, em que se comemora a Última Ceia, quando Jesus instituiu a Eucaristia, também faz, na cerimônia, este gesto de lavar os pés, que nos recorda que nós devemos ser servos uns dos outros. Agora eu farei este gesto, mas todos nós, no nosso coração, pensemos nos outros e pensemos no amor que Jesus nos disse que devemos ter pelos outros, e pensemos também como podemos servi-los melhor, as outras pessoas. Porque isto Jesus quis de nós”.

Após, o Papa Francisco lavou os pés de 12 pessoas assistidas pelo Instituto. O grupo, com idades entre 16 e 86 anos, era formado por italianos e estrangeiros, todos portadores de doenças ortopédicas, neurológicas e oncológicas que provocam invalidez. Entre estes, chamou a atenção o mais jovem do grupo, Oswaldinho, de 16 anos, nascido em Cabo Verde e residente em Roma. Em agosto de 2013, ao jogar-se no mar num local raso, teve um trauma vértebro-medular com tetraplegia imediata. Hoje se locomove em uma cadeira de rodas.

Os doze assistidos simbolizam as velhas e novas formas de fragilidade nas quais a comunidade cristã é chamada a reconhecer Cristo sofredor e a dedicar atenção, solidariedade e caridade.
SIR

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Papa Francisco lava pés de 12 idosos e doentes

Roma, 18 abr (ANSA) - O papa Francisco lavou os pés de 12 doentes e idosos no início da noite de ontem (17), como parte das celebrações da Quinta-Feira Santa, que antecede a Páscoa. 

O Pontífice compareceu à Fundação Dom Carlo Gnocchi, que fica na rua Casal del Marmo, em Roma, para realizar o tradicional rito de lava-pés e celebrar a missa "in Coena Domini". 

O Papa quis chegar adiantado de meia-hora para poder estar com os doentes e seus familiares. Além dos idosos, deficientes e pacientes do centro de tratamento, familiares e voluntários puderam assistir à celebração. Do grupo de 12 pacientes do instituto, havia pessoas com idade de 16 a 86 anos. Entre os pacientes que tiveram os pés lavados por Francisco havia um jovem cabo-verdiano, um líbio muçulmano de 75 anos e também quatro mulheres. Francisco se agachou para banhar com água cada uma das 12 pessoas. Após enxugar os pés dos pacientes e idosos, o Papa deu sorrisos. "A herança que Jesus deixa é para sermos servos uns dos outros", disse Francisco, em sua breve homilia.
SIR
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'Nesta Semana Santa, vamos dizer obrigado'

Cidade do Vaticano  – O papa Francisco desafiou os católicos nessa terça-feira (15) a fazerem da Semana Santa um tempo de profundo agradecimento a Cristo, que "por amor" tomou sobre si e na Cruz "o sofrimento de toda a humanidade". 
“Vamos olhar para a dor de Jesus e pensar ‘isto foi para mim, ainda que fosse a única pessoa no mundo ele fez isso por mim’, vamos beijar o crucifixo e dizer obrigado Jesus”, disse, na audiência pública semanal que realizou na Praça de São Pedro.

A catequese desta quarta (16) foi inspirada na passagem do Evangelho em que Judas entrega Jesus no Sinédrio, aos fariseus, por trinta moedas. Segundo o papa argentino, “esse triste episódio assinala o início da Paixão de Cristo”, um “percurso doloroso”, mas “que Jesus percorre de forma livre”, mostrando “a medida total do seu amor”.

Uma entrega "que não coincide com os critérios humanos; pelo contrário, inverte-os”, e que deve continuar a ser motivo de esperança, nos momentos de dificuldade e de sofrimento. “Quando tudo parece perdido, é então que Deus intervém com a força da ressurreição. A ressurreição de Jesus não é o final feliz de uma linda fábula, mas a intervenção de Deus Pai, quando já toda a esperança humana se tinha desmoronado”, frisou Francisco.

No tradicional cumprimento aos peregrinos de língua portuguesa, o papa deixou uma especial menção ao grupo vindo do Colégio de Nossa Senhora da Assunção, de Famalicão. "Tomai como amiga e modelo de vida a Virgem Maria, que permaneceu ao pé da cruz de Jesus, amando, também Ela, até ao fim. E quem ama passa da morte à vida. É o amor que faz a Páscoa. A todos vós e aos vossos entes queridos, desejo uma serena e santa Páscoa", concluiu.
SIR
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Vivendo bem a Semana Santa

Com o apóstolo Paulo, cada um de nós pode dizer: “Ele me amou e se entregou por mim”
Por Dom Pedro Brito Guimarães*
A Semana Santa, para nós cristãos, é a semana mais importante do ano. Como bem diz o nosso povo: "estamos vivendo os dias grandes". Esta Semana é grande porque nela celebramos o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nesta Semana, Deus manifestou todo o seu amor pela humanidade e por cada um de nós. Com o apóstolo Paulo, cada um de nós pode dizer: “Ele me amou e se entregou por mim” (cf. Gl 2,20).

A Semana Santa, que ora iniciamos, pode ser considerada um manual de instruções para o cristão. Jesus pediu a seus discípulos que preparassem, com todo esmero, a sua Páscoa e, com isso, nos ensina hoje a fazer o mesmo. Vamos ler e meditar juntos o relato dos preparativos da Páscoa de Jesus?

Assim descreve o evangelista Marcos: “No primeiro dia dos ázimos, quando se imolava a Páscoa, os seus discípulos lhe disseram: ‘Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?’. Enviou então dois dos seus discípulos e disse-lhes: ‘Ide à cidade. Um homem levando uma bilha d’água virá ao vosso encontro. Segui-o. Onde ele entrar, dizei ao dono da casa: ‘O Mestre pergunta: Onde está a minha sala, em que comerei a Páscoa com meus discípulos?’ E ele vos mostrará, no andar superior, uma grande sala arrumada com almofadas. Preparai-a ali para nós”! (Mc 12b-15).

O apóstolo Paulo, por sua vez, lembra aos cristãos da comunidade de Coríntios para não celebrarem a Páscoa com o fermento da malícia e da perversidade (cf. 1 Cor 5,8). Não é esta uma orientação segura também para nós hoje? É triste constatar que muitos cristãos hoje vivem a Semana Santa com certa frieza e até na indiferença. A Semana Santa para nós, discípulos de Jesus, não é uma espécie de “carpe diem” (um aproveitar o hoje). Não é tempo para passear, pescar, se divertir, curtir a vida, relaxar, espairecer - como se fosse um feriadão. Assim como os discípulos de Jesus, também nós hoje devemos nos preparar bem para passar esses dias grandes na sua companhia. O Papa Francisco se lamenta que “há cristãos que parecem ter escolhido viver uma quaresma sem Páscoa" (EG 6). Contentam-se em celebrar uma Páscoa de aparência, sem graça, sem vida e sem passagem da morte para a vida. O bom cristão deve dizer com os cristãos de Abitine: “sem Eucaristia não podemos viver”. Parafraseando, “sem Semana Santa não podemos viver”. Onde, como e com quem vamos celebrar a Semana Santa deste ano de 2014?

Vejamos, então, os ensinamentos e as instruções que a Santa Mãe Igreja nos proporciona na Semana Santa através de sua liturgia:

O Domingo de Ramos é o grande portal de entrada na Semana Santa, a Semana em que Jesus caminha até ao ponto culminante da sua existência terrena. Ele sobe a Jerusalém para dar pleno cumprimento às Escrituras e ser pregado no lenho da cruz, o trono donde reinará para sempre, atraindo a Si a humanidade de todos os tempos e oferecendo a todos o dom da salvação. A liturgia deste Domingo inicia-se com a bênção dos ramos e a procissão que comemora a entrada triunfal de Jesus na Cidade Santa de Jerusalém, na qual é acolhido como Rei. Na liturgia Eucarística, o Evangelho proclamado é a narrativa da Paixão do Senhor. Somos convidados a entrar com Jesus no mistério de sua paixão e aquecer o nosso coração com o amor que não tem fim, o amor de Deus por nós. O ensinamento deste dia é que devemos acolher Jesus em nossa vida, nos deixar atrair pela força do seu amor e trilhar o caminho alto que nos conduz a Deus.

Na Quinta-Feira Santa inicia-se o Tríduo Pascal com a solene celebração da Ceia do Senhor. O mistério Pascal é o mistério central da vida cristã. Unidos a Jesus Cristo na sua Paixão, Morte e Ressurreição, podemos também nós viver santamente nossa paixão, morte e ressurreição. Neste dia Jesus instituiu o grande dom da Eucaristia e do sacerdócio ministerial. Também neste dia Jesus lavou os pés de seus apóstolos e nos deixou o mandamento do amor, nos ensinando, deste modo, a unir em nossas vidas, Eucaristia e serviço em favor dos irmãos. Quem se senta à mesa da Eucaristia não tem o direito de desprezar os pobres e marginalizados, nos quais Jesus se faz particularmente presente (cf. (Mt 25,31-46).

A Sexta-Feira Santa é um dia inteiramente centrado na cruz e na morte de Cristo. Não se celebra a Eucaristia neste dia. A principal celebração deste dia é a celebração da Paixão que, é, fundamentalmente, uma ampla celebração da Palavra que culmina com a adoração da cruz e termina com a comunhão eucarística. Não é dia de luto pela morte de Jesus. É a morte do Ressuscitado que celebramos, motivo pelo qual falar de luto é inadequado. É também dia de jejum e abstinência. Somos convidados e contemplar o mistério da morte de Jesus como mistério de amor infinito por nós. Neste dia “o Verbo emudece, torna-se silêncio de morte, porque se disse até calar, nada retendo do que nos devia comunicar. Está sem palavra a Palavra do Pai, que fez toda criatura que fala; sem vida estão os olhos apagados d’Aquele a cuja palavra e aceno se move tudo o que tem vida” (Papa Emérito Bento XVI, Verbun Domini, 13).

O Sábado Santo é considerado o dia do silêncio litúrgico. A Igreja permanece em comunhão com o seu Senhor que repousa no sepulcro. Por isso, neste dia não se celebra nenhum sacramento. O grande símbolo deste dia é o Círio Pascal que entra solenemente no início da Vigília Pascal, simbolizando Cristo, Luz do mundo, que dissipa as trevas do pecado. Na liturgia da Palavra a Igreja proclama as maravilhas operadas por Deus na história da salvação, começando pela criação do mundo e passando pela libertação da escravidão do Egito. Maravilhas de todas as maravilhas é a Ressurreição de Cristo. Esta é a noite da nova criação, do novo mundo recriado na luz da ressurreição do Senhor. Esta Vigília se conclui com o “Aleluia”, canto, por excelência, da ressurreição, e a Solene liturgia eucarística da Páscoa do Senhor.

Domingo da Páscoa. A Páscoa é a festa da nova criação. Jesus ressuscitou e nunca mais morre. A porta que dá acesso à nova vida foi arrebentada. Na Páscoa, ao amanhecer do primeiro dia da semana, Deus disse novamente: “Faça-se a luz!” Antes tinham vindo a noite escura do Monte das Oliveiras e da traição de Judas, o eclipse solar da paixão e morte de Jesus, a noite do sepulcro e do silêncio. Mas, agora a criação recomeça inteiramente nova. Jesus ressuscita do sepulcro. A vida é mais forte que a morte. O bem é mais forte que o mal. O amor é mais forte que o ódio. A verdade é mais forte que a mentira. O salmo desta liturgia canta: “Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos”. A Ressurreição de Cristo é o mistério fundante da fé cristã. Já bem dizia Santo Agostinho: “Crer que Jesus morreu não é grande coisa. Isto até os pagãos professam. Grande coisa é crer que Jesus ressuscitou. A fé cristã é a ressurreição de Cristo”. O Ressuscitado vence toda forma de escuridão. Ele é o novo dia de Deus que dá sentido pleno à nossa vida. Celebremos, portanto, nossa Páscoa na pureza e na verdade. Feliz Páscoa da Ressurreição!
CNBB, 14-04-2014.
*Dom Pedro Brito Guimarães é arcebispo de Palmas (TO).
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MEDITAÇÃO: para atingir a perfeição, é necessário imitar a Cristo

Do Livro sobre o Espírito Santo, de São Basílio Magno, bispo
(Cap.15,35: PG32,127-130)
(Séc.IV)

Há uma só morte que resgata o mundo
e uma só ressurreição dos mortos
O desígnio de nosso Deus e Salvador em relação ao homem consiste em levantá-lo de sua queda e fazê-lo voltar, do estado de inimizade ocasionado por sua desobediência, à intimidade divina. A vinda de Cristo na carne, os exemplos de sua vida apresentados pelo Evangelho, a paixão, a cruz, o sepultamento e a ressurreição não tiveram outro fim senão salvar o homem, para que, imitando a Cristo, ele recuperasse a primitiva adoção filial.
Portanto, para atingir a perfeição, é necessário imitar a Cristo, não só nos exemplos de mansidão, humildade e paciência que ele nos deu durante a sua vida, mas também imitá-lo em sua morte, como diz São Paulo, o imitador de Cristo: Tornando-me semelhante a ele na sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos (Fl 3,10).
Mas como poderemos assemelhar-nos a Cristo em sua morte? Sepultando-nos com ele por meio do batismo.Em que consiste este sepultamento e qual é o fruto dessa imitação? Em primeiro lugar, é preciso romper coma vida passada. Mas ninguém pode conseguir isto se não nascer de novo, conforme a palavra do Senhor, porque o renascimento, como a própria palavra indica, é o começo de uma vida nova. Por isso, antes de começar esta vida nova, é preciso pôr fim à antiga. Assim como, no estádio, os que chegam ao fim da primeira parte da corrida, costumam fazer uma pequena pausa e descansar um pouco, antes de iniciar o retorno, do mesmo modo, era necessário que nesta mudança de vida interviesse a morte, pondo fim ao passado para começar um novo caminho.
E como imitar a Cristo na sua descida à mansão dos mortos? Imitando no batismo o seu sepultamento. Porque os corpos dos batizados ficam, de certo modo, sepultados nas águas. O batismo simboliza, pois, a deposição das obras da carne, segundo as palavras do Apóstolo: Vós também recebestes uma circuncisão, não feita por mão humana, mas uma circuncisão que é de Cristo, pela qual renunciais ao corpo perecível. Com Cristo fostes sepultados no batismo (Cl 2,11-12). Ora, o batismo, por assim dizer, lava a alma das manchas contraídas por causa das tendências carnais, conforme está escrito: Lavai-me e mais branco do que a neve ficarei (Sl 50,9). Por isso, reconhecemos um só batismo de salvação, já que é uma só a morte que resgata o mundo e uma só a ressurreição dos mortos, das quais o batismo é figura.

Responsório                 Rm 6,3.5.4a

R. Batizados em Cristo Jesus,
em sua morte nós fomos imersos.
* Se com ele nós somos um só,
por morte que é como a sua,
com ele seremos um só, por ressurreição como a sua.
V. No batismo nós fomos, irmãos,
sepultados com ele na morte.
* Se com ele. 

Oração
Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos celebrar de tal modo os mistérios da paixão do Senhor, que possamos alcançar vosso perdão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
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MEDITAÇÃO: Amemo-nos também nós uns aos outros, como Cristo nos amou e se entregou por nós.

Do Tratado sobre o Evangelho de São João, de Santo Agostinho, bispo
(Tract. 84,1-2:CCL36,536-538)
(Séc.V)

A plenitude do amor
Irmãos caríssimos, o Senhor definiu a plenitude do amor com que devemos amar-nos uns aos outros, quando disse: Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos (Jo 15,13). Daqui se conclui o que o mesmo evangelista João diz em sua epístola: Jesus deu a sua vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a vida pelos irmãos (1Jo 3,16), amando-nos verdadeiramente uns aos outros, como ele nos amou até dar a sua vida por nós.
É certamente a mesma coisa que se lê nos Provérbios de Salomão: Quando te sentares à mesa de um poderoso, olha com atenção o que te é oferecido; e estende a tua mão, sabendo que também deves preparar coisas semelhantes (cf. Pr 23,1-2 Vulg.).
Ora, a mesa do poderoso é a mesa em que se recebe o corpo e o sangue daquele que deu a sua vida por nós. Sentar-se à mesa significa aproximar-se com humildade. Olhar com atenção o que é oferecido, é tomar consciência da grandeza desta graça. E estender a mão sabendo que também se devem preparar coisas semelhantes, significa o que já disse antes: assim como Cristo deu a sua vida por nós, também devemos dar a nossa vida pelos irmãos. É o que diz o apóstolo Pedro: Cristo sofreu por nós, deixando-nos um exemplo, a fim de que sigamos os seus passos (cf. 1Pd 2,21). Isto significa preparar coisas semelhantes. Foi o que fizeram, com ardente amor, os santos mártires. Se não quisermos celebrar inutilmente as suas memórias e nos sentarmos sem proveito à mesa do Senhor, no banquete onde eles se saciaram, é preciso que, como eles, preparemos coisas semelhantes.
Por isso, quando nos aproximamos da mesa do Senhor, não recordamos os mártires do mesmo modo como aos outros que dormem o sono da paz, ou seja, não rezamos por eles, mas antes pedimos para que rezem por nós, a fim de seguirmos os seus passos. Pois já alcançaram a plenitude daquele amor acima do qual não pode haver outro maior, conforme disse o Senhor. Eles apresentaram a seus irmãos o mesmo que por sua vez receberam da mesa do Senhor.
Não queremos dizer com isso que possamos nos igualar a Cristo Senhor, mesmo que, por sua causa, soframos o martírio até o derramamento de sangue. Ele teve o poder de dar a sua vida e depois retomá-la; nós, pelo contrário, não vivemos quanto queremos, e morremos mesmo contra a nossa vontade. Ele, morrendo, matou em si a morte; nós, por sua morte, somos libertados da morte. A sua carne não sofreu a corrupção; a nossa, só depois de passar pela corrupção, será por ele revestida de incorruptibilidade, no fim do mundo. Ele não precisou de nós para nos salvar; entretanto, sem ele nós não podemos fazer nada. Ele se apresentou a nós como a videira para os ramos; nós não podemos ter a vida se nos separarmos dele.
Finalmente, ainda que os irmãos morram pelos irmãos, nenhum mártir derramou o seu sangue pela remissão dos pecados de seus irmãos, como ele fez por nós. Isto, porém, não para que o imitássemos, mas como um motivo para agradecermos. Portanto, na medida em que os mártires derramaram seu sangue pelos irmãos, prepararam o mesmo que tinham recebido da mesa do Senhor. Amemo-nos também a nós uns aos outros, como Cristo nos amou e se entregou por nós.

Responsório                 1Jo 4,9.11.10b

R. Foi nisto que a nós se mostrou
o amor que Deus Pai tem por nós:
enviou-nos seu Filho Unigênito
para que nós vivamos por ele.
* Se Deus nos amou deste modo,
também nós nos devemos amar.
V. Deus nos amou , por primeiro,
e enviou-nos seu Filho Unigênito,
como vítima por nossos pecados. * Se Deus.

Oração 
Ó Deus, que fizestes vosso Filho padecer o suplício da cruz para arrancar-nos à escravidão do pecado, concedei aos vossos servos e servas, a graça da ressurreição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
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'Tráfico de pessoas é crime contra a humanidade'

Consolo. Acompanhamento e inclusão. Foi o que o Papa ofereceu para quatro vítimas do tráfico de pessoas. Reuniu-se com elas por um longo tempo, antes de ir à Casina Pio IV, sede da Pontifícia Academia para as Ciências Sociais do Vaticano, onde dirigiu uma mensagem sobre o tema. Com esse gesto, Francisco repetiu o que fez dezenas de vezes na Argentina, onde salvou a muitos atingidos pelas escravidões modernas.

A reportagem é de Andrés Beltramo Álvarez.

“O encontro foi privado, somente eles e ninguém mais. Ao sair elas estavam muito agradecidas pelo dom de recuperar suas vidas”, revelou o cardeal Vincent Nichols, arcebispo de Westminster e um dos organizadores da conferência internacional “Combatendo o tráfico humano: Igreja e forças da ordem em aliança”.

Antes de receber em audiência os participantes nesse simpósio, o pontífice cumprimentou as vítimas: uma procedente de um país da América Latina e as demais originárias de nações do leste europeu. A Santa Sé não quis dar mais detalhes sobre a reunião, para respeitar a privacidade das mulheres.

Em seus tempos como arcebispo de Buenos Aires, Bergoglio reservou um tratamento especial para os que padeciam desse sofrimento. Em silêncio, longe do clamor midiático, ajudou prostitutas ameaçadas por seus exploradores. Um testemunho desses atos de generosidade é o de seu compatriota Gustavo Vera, atualmente deputado pela capital argentina e um dos líderes da organização “La Alameda”.

“Quando alguma vítima do tráfico estava muito desesperada e precisava de auxílio ou de ser escutada, nós lhe pedíamos uma audiência e ele era capaz de colocar a gente no centro de sua agenda, fazendo reuniões muito importantes com políticos ou funcionários para receber as vítimas e lhes dar todo o tempo que fosse necessário”, contou Vera em entrevista ao Vatican Insider.

“Chorou junto com elas, lutou e protegeu a muitas também. Com aquelas que denunciaram e que haviam sido ameaçadas de morte, tirava alguma foto, mesmo sendo muito ermitão, fazia isso para dirigir uma mensagem de proteção. Conseguiu lugares em casas de congregações religiosas para alojar vítimas porque não havia muita confiança em que o Estado dispusesse de lugares ou porque neles havia o perigo à sua integridade física”, acrescentou.

Na Argentina, o então cardeal de Buenos Aires apreciava o trabalho das freiras que trabalhavam para salvar as mulheres. Entre outras as Escravas do Santíssimo Sacramento e da Caridade, conhecidas como “adoradoras”. Fundada em 1856, na Espanha, as 1.100 consagradas dessa obra trabalham atualmente em 23 países do mundo, 10 deles na América Latina e o Caribe.

“Era muito sensível a esta realidade e conhecia pessoalmente as irmãs, teve gestos muito bonitos, que tem sido trabalhado ali. Às vezes, pessoas lhe ofereciam uma doação e ele a passava para elas e hoje quando o cumprimentei, disse-me ‘para continuar trabalhando’”, revelou Aurelia Agredano, vice-superiora geral das “adoradoras”.

Como Papa, Bergoglio manteve sua preocupação. Por isso, pediu para Academia das Ciências dedicar especial esforços no combate ao tráfico de pessoas. “O tráfico de seres humanos é uma praga, uma praga na carne de Cristo. É um crime contra a humanidade”, sustentou, nesta quinta-feira, em uma mensagem dirigida aos participantes da conferência.

Considerou, além disso, necessário o trabalho coordenado das forças de polícia em nível internacional com as instituições, em especial da Igreja, dedicadas à acolhida e ao resgate das vítimas. “O fato de nos encontrarmos aqui, para unir nossos esforços, significa que queremos que as estratégias e as competências sejam acompanhadas e reforçadas pela compaixão evangélica, pela proximidade dos homens e as mulheres que são vítimas deste crime”, acrescentou.
Vatican Insider

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Mesmo no martírio, nada pode deter Jesus

Por José Antonio Pagola*
A execução de João Batista não foi algo casual. Segundo uma ideia muito difundida pelo povo judeu, o destino que espera o profeta é a incompreensão, a rejeição e, em muitos casos, a morte. Provavelmente, Jesus contou desde muito cedo com a possibilidade de um final violento.

Jesus não foi um suicida, nem procurava o martírio. Nunca quis o sofrimento nem para Ele nem para ninguém. Dedicou a sua vida a combatê-lo na doença, nas injustiças, na marginalização ou no desespero. Viveu entregue a "procurar o reino de Deus e a sua justiça": esse mundo mais digno e ditoso para todos, que procura o seu Pai.

Se aceita a perseguição e o martírio, é por fidelidade a esse projeto de Deus, que não quer ver sofrer os seus filhos e filhas. Por isso, não corre para a morte, mas tampouco recua. Não foge ante as ameaças, tampouco modifica nem suaviza a sua mensagem.

Teria sido fácil evitar a execução. Teria bastado com calar-se e não insistir no que podia irritar no templo ou no palácio do prefeito romano. Não o fez. Seguiu o seu caminho. Preferiu ser executado antes de atraiçoar a sua consciência e ser infiel ao projeto de Deus, seu Pai.

Aprendeu a viver num clima de insegurança, conflitos e acusações. Dia a dia foi-se reafirmando na sua missão e continuou anunciando com claridade a Sua mensagem. Atreveu-se a difundi-la não só nas aldeias retiradas da Galileia, mas também no entorno perigoso do templo. Nada o deteve.

Morrerá fiel ao Deus em que confiou sempre. Seguirá acolhendo a todos, inclusive a pecadores e indesejáveis. Se acabarem por rejeitá-lo, morrerá como um “excluído”, e com a sua morte confirmará o que foi toda a sua vida: confiança total num Deus que não rejeita nem exclui ninguém do Seu perdão.

Continuará a procurar o reino de Deus e a Sua justiça, identificando-se com os mais pobres e desprezados. Se um dia o executam no suplício da cruz, reservado para escravos, morrerá como o mais pobre e desprezado, mas com a sua morte selará para sempre a sua fé num Deus que quer a salvação do ser humano de tudo o que o escraviza.
Instituto Humanitas Unisinos
*José Antonio Pagola é teólogo. Texto baseado na leitura do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 26,14-27,66 que corresponde ao Domingo de Ramos, Ciclo A do Ano Litúrgico.
13/04/2014  |  domtotal.com
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O PODER DO SANGUE DE JESUS


Das Catequeses de São João Crisóstomo, bispo

(Cat. 3,13-19: SCh 50,174-177)                   (Séc.IV)

O poder do sangue de Cristo
 Queres conhecer o poder do sangue de Cristo? Voltemos às figuras que o profetizaram e
recordemos a narrativa do Antigo Testamento: Imolai, disse Moisés, um cordeiro de um ano e marcai as portas com o seu sangue (cf. Ex 12,6-7). Que dizes, Moisés? O sangue de um cordeiro tem poder para libertar o homem dotado de razão? É claro que não, responde ele, não porque é sangue, mas por ser figura do sangue do Senhor. Se agora o inimigo, ao invés do sangue simbólico aspergido nas portas, vir brilhar nos lábios dos fiéis, portas do templo dedicado a Cristo, o sangue verdadeiro, fugirá ainda mais para longe.

Queres compreender mais profundamente o poder deste sangue? Repara de onde começou a correr e de que fonte brotou. Começou a brotar da própria cruz, e a sua origem foi o lado do Senhor. Estando Jesus já morto e ainda pregado na cruz, diz o evangelista, um soldado aproximou-se, feriu-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu água e sangue: a água, como símbolo do batismo; o sangue, como símbolo da eucaristia. O soldado, traspassando-lhe o lado, abriu uma brecha na parede do templo santo, e eu, encontrando um enorme tesouro, alegro-me por ter achado riquezas extraordinárias. Assim aconteceu com este cordeiro. Os judeus mataram um cordeiro e eu recebi o fruto do sacrifício.

De seu lado saiu sangue e água (Jo 19,34). Não quero, querido ouvinte, que trates com
superficialidade o segredo de tão grande mistério. Falta-me ainda explicar-te outro significado místico e profundo. Disse que esta água e este sangue são símbolos do batismo e da eucaristia.
Foi destes sacramentos que nasceu a santa Igreja, pelo banho da regeneração e pela renovação no Espírito Santo, isto é, pelo batismo e pela eucaristia que brotaram do lado de Cristo. Pois Cristo formou a Igreja de seu lado traspassado, assim como do lado de Adão foi formada Eva, sua esposa.

Por esta razão, a Sagrada Escritura, falando do primeiro homem, usa a expressão osso dos meus ossos e carne da minha carne (Gn 2,23), que São Paulo refere, aludindo ao lado de Cristo. Pois assim como Deus formou a mulher do lado do homem, também Cristo, de seu lado, nos deu a água e o sangue para que surgisse a Igreja. E assim como Deus abriu o lado de Adão enquanto ele dormia, também Cristo nos deu a água e o sangue durante o sono de sua morte.

Vede como Cristo se uniu à sua esposa, vede com que alimento nos sacia. Do mesmo alimento nos faz nascer e nos nutre. Assim como a mulher, impulsionada pelo amor natural, alimenta com o próprio leite e o próprio sangue o filho que deu à luz, também Cristo alimenta sempre com o seu sangue aqueles a quem deu o novo nascimento.

Responsório Cf. 1Pd 1,18-19; Ef 2,18; 1Jo 1,7
 R. Não foi nem com ouro nem prata
que fostes remidos, irmãos;
mas sim pelo sangue precioso
de Cristo, o Cordeiro sem mancha.
* Por ele nós temos acesso num único Espírito ao Pai.
V. O sangue do Filho de Deus nos lava de todo pecado.
* Por ele.

Oração
 Olhai com amor, ó Pai, esta vossa família, pela qual nosso Senhor Jesus Cristo livremente se entregou às mãos dos inimigos e sofreu o suplício da cruz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora
 V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
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São Francisco da Penitência OFS Cabo Frio | by TNB ©2010