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Experiência de fé

             
A fé consegue fermentar a esperança, e faz com que a pessoa realize a prática da caridade.
Dentro da pedagogia litúrgica da Igreja, no terceiro domingo de agosto, celebra-se a vocação à vida religiosa. Pertencer a uma congregação religiosa não deixa de ser uma experiência de fé, tendo como ícone, a Mãe de Deus, Maria, a primeira a experimentar a fé, servindo a Jesus Cristo. A assunção de Maria reflete as consequências de quem coloca a vida como serviço desinteressado pelo irmão.
“Feliz aquele que teme o Senhor!” (Eclo 34,17). Não só Maria, a Mãe de Jesus, mas muitos vivenciaram a fé em Deus de forma incondicional. Essa prática continua hoje, mesmo que seja com formas das mais diversas possíveis. O importante é a consciência da entrega, da responsabilidade e da doação. Chegamos até a existência dos mártires da época moderna, os que não abrem mão da verdade.
A fé consegue fermentar a esperança, e faz com que a vida da pessoa realize a prática da caridade. O bem feito ao outro sai do nível da filantropia e entra na dimensão sobrenatural. É a caridade feita com fé e com esperança. São três virtudes fundamentais, porque elas elevam o ser humano a uma dignidade capaz de ultrapassar os níveis do tempo e dos condicionamentos finitos.
A grandeza e a objetividade da fé só são realmente perceptivas na generosidade do coração humano. Em outros termos, a fé é dom amoroso de Deus. Ela está presente na sensibilidade da vida, que vem da própria natureza das coisas, ou da possibilidade de divinização da criação humana e da capacidade que a pessoa tem de fazer um encontro pessoal com Jesus Cristo.
As grandes obras de Deus, que manifestam a essência da fé, se realizam na vida das pessoas mais simples. O orgulho e a vaidade sufocam sua simplicidade, porque Deus é simples a ponto de nem ter visibilidade. Aí está o mistério da fé, fazendo com que muitas pessoas não admitam a existência de Deus. Na verdade, não conseguem vê-Lo presente na beleza da criação.
Triunfo e humildade não combinam, a não ser quando nos esvaziamos de toda glória pessoal e colocamos tudo nas mãos de Deus. Fazer isso significa deixar Deus ser grande em nossa vida e experimentar a fé na prática. Realidade impossível de acontecer na arrogância injusta do poder, onde o deus-dinheiro é adorado e tomado como único caminho de felicidade humana.

CNBB 15-08-2016
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A ligação do atual pontificado com a espiritualidade franciscana

Cidade do Vaticano, 14 ago (sirnoticias@hotmail.com) –  Quer a recente visita do Papa Francisco à Porciúncula, como a sua oração silenciosa na cela de São Maximiliano Kolbe em Auschwitz - durante a visita à Polônia por ocasião da JMJ - confirmam ulteriormente a ligação do atual pontificado com a espiritualidade franciscana.
Esta é a impressão manifestada ao L’Osservatore Romano pelo Ministro Geral dos Frades Menores Conventuais, Padre Marco Tasca, que acompanhou Francisco em ambos os eventos.
“Exatamente. Na primeira “Regra” – explicou - o Pobre de Assis escreveu, no Capítulo 16, como os frades devem ir em missão. E introduziu um conceito simples: devem testemunhar que vocês se querem bem. In suma, também aqui, no centro, há a vida. Agora, oito séculos depois, também Francisco insiste nisto: o testemunho da beleza do viver como irmãos, a beleza da comunhão”.
“Eu vejo uma grande conexão entre a espiritualidade franciscana e o método missionário da Evangeliigaudium que o Papa Francisco está levando em frente”, acrescenta o frei Tasca.
“Um segundo aspecto, por outro lado, evoca o Ano Santo da Misericórdia. O Pobre de Assis pediu a Indulgência da Porciúncula, porque tinha um programa: “Quero mandar todos para o Paraíso”. “Parece-me que este seja o mesmo sonho do Papa: que todos possam encontrar o Evangelho de Deus bom e misericordioso, do Deus acolhedor e que vem ao encontro dos homens”.
Em relação à visita à Basílica Santa Maria dos Anjos, em 4 de agosto, “o Papa se fez peregrino entre os peregrinos para rezar na Porciúncula  – explicou o Ministro Geral dos Frades Menores. Esta realidade que há 800 anos concede graças, misericórdia e paz. Um gesto, o seu, de grande significado. Por meio do qual o Papa diz que rezar na Porciúncula é um caminho a ser percorrido para chegar à paz, à reconciliação, à misericórdia”.

SIR
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São João Batista


Por Dom Fernando Arêas Rifan*


Amanhã (24), celebraremos a festa de São João Batista, um dos santos “juninos”, ao lado de Santo Antônio (dia 13) e São Pedro (dia 29). Serve para nossa edificação, ainda mais hoje, o exemplo daquele de quem Jesus disse: “Entre todos os nascidos de mulher não surgiu quem fosse maior que João Batista” (Mt 11,11).

João Batista, assim cognominado pelo batismo que administrava, foi o precursor de Jesus, aquele que o apresentou ao povo de Israel. Filho de Zacarias e Isabel, foi santificado ainda no seio materno quando da visita de Nossa Senhora, já grávida do Menino Jesus. Por isso a Igreja festeja, no dia 24, o seu nascimento, ao contrário de todos os outros santos, dos quais ela só comemora a morte, ou seja, seu nascimento para o Céu.

Desde criança, retirou-se para o deserto para fazer penitência e se preparar para sua futura missão. Alguns acham que ele teria vivido entre os Essênios, comunidade monacal do deserto vizinho ao Mar Morto. Ministrava ao povo o batismo de penitência, ao qual Jesus também acorreu, por humildade. Sua pregação era: “Convertei-vos, pois o reino dos Céus está próximo... Produzi fruto que mostre vossa conversão... Eu vos batizo com água, para a conversão. Mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu não sou digno nem de levar suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3, 2, 8, 11).

Jesus, no começo do seu ministério público, quis também, por humildade, misturando-se aos pecadores, ser batizado por João. João quis recusar, dizendo: “Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?... Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água e o céu se abriu. E ele viu o Espírito de Deus descer, como uma pomba e vir sobre ele. E do céu veio uma voz que dizia: ‘Este é o meu filho amado; nele está o meu agrado’” (Mt 3, 14, 16-17).

São João Batista era o homem da verdade, sem acepção de pessoas. Por isso admoestava o Rei Herodes contra o seu pecado de infidelidade conjugal e incesto, o que atraiu a ira da amante do rei, Herodíades, que instigou o rei a metê-lo no cárcere. No dia do aniversário de Herodes, a filha de Herodíades, Salomé, dançou na frente dos convivas, o que levou o rei, meio embriagado, a prometer-lhe como prêmio qualquer coisa que pedisse. A filha perguntou à mãe, que não perdeu a oportunidade de vingar-se daquele que invectivava seu pecado. Fez a filha pedir ao rei a cabeça de João Batista. João foi decapitado na prisão, merecendo o elogio de Jesus, por ser um homem firme e não uma cana agitada pelo vento.

Assim, a virtude que mais sobressai em João Batista, além da sua humildade e penitência, é a firmeza de caráter, tão rara hoje em dia, quando muitos pensam ser virtude o saber “dançar conforme a música”, ser uma cana que pende de acordo com o vento das opiniões, o pautar a vida pelo que dizem ou acham e não pela consciência reta, voz de Deus em nosso coração. João Batista foi fiel imitador de Jesus Cristo, caminho, verdade e vida, que, como disse o poeta João de Deus, “morreu para mostrar que a gente pela verdade se deve deixar matar”.

CNBB 22-06-2016.

*Dom Fernando Arêas Rifan: Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.
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TEXTO COMPLETO: Mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais

VATICANO, 22 Jan. 16 / 09:31 am (ACI).- Nesta manhã foi apresentada, no Vaticano, a mensagem do Papa Francisco para o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais, sob o tema “Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo”.
A seguir, o texto na íntegra:
Queridos irmãos e irmãs!
O Ano Santo da Misericórdia convida-nos a refletir sobre a relação entre a comunicação e a misericórdia. Com efeito a Igreja unida a Cristo, encarnação viva de Deus Misericordioso, é chamada a viver a misericórdia como traço característico de todo o seu ser e agir. Aquilo que dizemos e o modo como o dizemos, cada palavra e cada gesto deveria poder expressar a compaixão, a ternura e o perdão de Deus para todos. O amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se, não se isolando. E, se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pela caridade, pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de Deus.
Como filhos de Deus, somos chamados a comunicar com todos, sem exclusão. Particularmente próprio da linguagem e das ações da Igreja é transmitir misericórdia, para tocar o coração das pessoas e sustentá-las no caminho rumo à plenitude daquela vida que Jesus Cristo, enviado pelo Pai, veio trazer a todos. Trata-se de acolher em nós mesmos e irradiar ao nosso redor o calor materno da Igreja, para que Jesus seja conhecido e amado; aquele calor que dá substância às palavras da fé e acende, na pregação e no testemunho, a «centelha» que os vivifica.
A comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a sociedade. Como é bom ver pessoas esforçando-se por escolher cuidadosamente palavras e gestos para superar as incompreensões, curar a memória ferida e construir paz e harmonia. As palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, os povos. E isto acontece tanto no ambiente físico como no digital. Assim, palavras e ações hão-de ser tais que nos ajudem a sair dos círculos viciosos de condenações e vinganças que mantêm prisioneiros os indivíduos e as nações, expressando-se através de mensagens de ódio. Ao contrário, a palavra do cristão visa fazer crescer a comunhão e, mesmo quando deve com firmeza condenar o mal, procura não romper jamais o relacionamento e a comunicação.
Por isso, queria convidar todas as pessoas de boa vontade a redescobrirem o poder que a misericórdia tem de curar as relações dilaceradas e restaurar a paz e a harmonia entre as famílias e nas comunidades. Todos nós sabemos como velhas feridas e prolongados ressentimentos podem aprisionar as pessoas, impedindo-as de comunicar e reconciliar-se. E isto aplica-se também às relações entre os povos. Em todos estes casos, a misericórdia é capaz de implementar um novo modo de falar e dialogar, como se exprimiu muito eloquentemente Shakespeare: «A misericórdia não é uma obrigação. Desce do céu como o refrigério da chuva sobre a terra. É uma dupla bênção: abençoa quem a dá e quem a recebe» (O mercador de Veneza, Ato IV, Cena I).
É desejável que também a linguagem da política e da diplomacia se deixe inspirar pela misericórdia, que nunca dá nada por perdido. Faço apelo sobretudo àqueles que têm responsabilidades institucionais, políticas e de formação da opinião pública, para que estejam sempre vigilantes sobre o modo como se exprimem a respeito de quem pensa ou age de forma diferente e ainda de quem possa ter errado. É fácil ceder à tentação de explorar tais situações e, assim, alimentar as chamas da desconfiança, do medo, do ódio. Pelo contrário, é preciso coragem para orientar as pessoas em direção a processos de reconciliação, mas é precisamente tal audácia positiva e criativa que oferece verdadeiras soluções para conflitos antigos e a oportunidade de realizar uma paz duradoura. «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. (...) Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 7.9).
Como gostaria que o nosso modo de comunicar e também o nosso serviço de pastores na Igreja nunca expressassem o orgulho soberbo do triunfo sobre um inimigo, nem humilhassem aqueles que a mentalidade do mundo considera perdedores e descartáveis! A misericórdia pode ajudar a mitigar as adversidades da vida e dar calor a quantos têm conhecido apenas a frieza do julgamento. Seja o estilo da nossa comunicação capaz de superar a lógica que separa nitidamente os pecadores dos justos. Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. –, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas. É nosso dever admoestar quem erra, denunciando a maldade e a injustiça de certos comportamentos, a fim de libertar as vítimas e levantar quem caiu. O Evangelho de João lembra-nos que «a verdade [nos] tornará livres» (Jo 8, 32). Em última análise, esta verdade é o próprio Cristo, cuja misericórdia repassada de mansidão constitui a medida do nosso modo de anunciar a verdade e condenar a injustiça. É nosso dever principal afirmar a verdade com amor (cf. Ef 4, 15). Só palavras pronunciadas com amor e acompanhadas por mansidão e misericórdia tocam os nossos corações de pecadores. Palavras e gestos duros ou moralistas correm o risco de alienar ainda mais aqueles que queríamos levar à conversão e à liberdade, reforçando o seu sentido de negação e defesa.
Alguns pensam que uma visão da sociedade enraizada na misericórdia seja injustificadamente idealista ou excessivamente indulgente. Mas tentemos voltar com o pensamento às nossas primeiras experiências de relação no seio da família. Os pais amavam-nos e apreciavam-nos mais pelo que somos do que pelas nossas capacidades e os nossos sucessos. Naturalmente os pais querem o melhor para os seus filhos, mas o seu amor nunca esteve condicionado à obtenção dos objetivos. A casa paterna é o lugar onde sempre és bem-vindo (cf. Lc 15, 11-32). Gostaria de encorajar a todos a pensar a sociedade humana não como um espaço onde estranhos competem e procuram prevalecer, mas antes como uma casa ou uma família onde a porta está sempre aberta e se procura aceitar uns aos outros.
Para isso é fundamental escutar. Comunicar significa partilhar, e a partilha exige a escuta, o acolhimento. Escutar é muito mais do que ouvir. Ouvir diz respeito ao âmbito da informação; escutar, ao invés, refere-se ao âmbito da comunicação e requer a proximidade. A escuta permite-nos assumir a atitude justa, saindo da tranquila condição de espectadores, usuários, consumidores. Escutar significa também ser capaz de compartilhar questões e dúvidas, caminhar lado a lado, libertar-se de qualquer presunção de omnipotência e colocar, humildemente, as próprias capacidades e dons ao serviço do bem comum.
Escutar nunca é fácil. Às vezes é mais cómodo fingir-se de surdo. Escutar significa prestar atenção, ter desejo de compreender, dar valor, respeitar, guardar a palavra alheia. Na escuta, consuma-se uma espécie de martírio, um sacrifício de nós mesmos em que se renova o gesto sacro realizado por Moisés diante da sarça-ardente: descalçar as sandálias na «terra santa» do encontro com o outro que me fala (cf. Ex 3, 5). Saber escutar é uma graça imensa, é um dom que é preciso implorar e depois exercitar-se a praticá-lo.
Também e-mails, sms, redes sociais, chat podem ser formas de comunicação plenamente humanas. Não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor. As redes sociais são capazes de favorecer as relações e promover o bem da sociedade, mas podem também levar a uma maior polarização e divisão entre as pessoas e os grupos. O ambiente digital é uma praça, um lugar de encontro, onde é possível acariciar ou ferir, realizar uma discussão proveitosa ou um linchamento moral. Rezo para que o Ano Jubilar, vivido na misericórdia, «nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação» (Misericordiae Vultus, 23). Em rede, também se constrói uma verdadeira cidadania. O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade pelo outro, que não vemos mas é real, tem a sua dignidade que deve ser respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade sadia e aberta à partilha.
A comunicação, os seus lugares e os seus instrumentos permitiram um alargamento de horizontes para muitas pessoas. Isto é um dom de Deus, e também uma grande responsabilidade. Gosto de definir este poder da comunicação como «proximidade». O encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa. Num mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade.
Vaticano, 24 de Janeiro de 2016.
Franciscus
acidigital
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Ano do Jubileu será 'de ternura e perdão'


"Senti que havia um desejo do Senhor de mostrar aos homens a sua misericórdia", disse o Papa.

O Papa Francisco prometeu nesta quarta-feira que o Jubileu extraordinário da misericórdia, que começa na terça-feira em Roma, será um ano dedicado à "ternura" e ao "perdão".
Leia também: O que é um jubileu?
"É o ano do perdão, o ano da reconciliação", declarou o papa em uma entrevista ao Credere, o semanário oficial do Jubileu.
"Senti que havia um desejo do Senhor de mostrar aos homens a sua misericórdia", acrescentou.
Diante de numerosas más notícias, "o mundo precisa descobrir que Deus é pai, que há misericórdia, que a crueldade não leva a nada, que a condenação não leva a lugar nenhum, porque a própria Igreja (...) às vezes cai na tentação de seguir uma linha dura, na tentação de enfatizar apenas as normas morais", estimou o papa argentino.
"Por um lado, vemos o tráfico de armas, a produção de armas que matam, o assassinato de inocentes das mais cruéis formas possíveis, a exploração das pessoas, de menores, crianças (...) um sacrilégio contra a humanidade ( ...) E o Pai diz: "Parem e vinde a mim'", disse o Papa.
"Há muita gente ferida e destruída. E precisamos atender os feridos, devemos ajudá-los a curar e não submetê-los a testes de colesterol", insistiu, referindo-se às regras morais rígidas da Igreja.
"Acredito que agora é a hora de misericórdia. Somos todos pecadores, todos nós carregamos pesos", afirmou, explicando que precisa se confessar a cada duas ou três semanas "para sentir que a misericórdia de Deus ainda está em mim".
A revolução que o mundo precisa "é a ternura, porque daí vem a justiça e todo o resto", disse ele.
AFP - 02/12/2015  |  domtotal.com
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Papa adverte sacerdotes e consagrados sobre o pecado do qual Deus tem nojo

NAIROBI, 26 Nov. 15 / 03:25 pm (ACI).- O Papa Francisco improvisou hoje um discurso em espanhol durante seu encontro com o clero, religiosos, religiosas e seminaristas para falar-lhes “do fundo do coração a casa um de vocês”. Na mensagem, o Santo Padre lhes advertiu sobre um pecado do qual Deus tem nojo”.
O Santo Padre recordou que “São Paulo dizia aos seus discípulos ‘lembre-te de Jesus Cristo, lembre-te de Jesus Cristo crucificado’”, e assinalou que “quando um consagrado, uma consagrada, um sacerdote se esquece de Cristo crucificado, pobrezinho, caiu em um pecado muito feio, um pecado que dá nojo a Deus, que O faz vomitar, o pecado da tibieza”.
“Queridos sacerdotes, irmãs, irmãos, cuidem para não cair no pecado da tibieza”, exortou o Papa.
Francisco pediu aos sacerdotes e consagrados que “nunca se afastem de Jesus, ou seja, nunca deixem de orar. ‘Padre, mas às vezes é tão chato rezar, alguém se cansa, dorme’. Dormir diante do Senhor é uma maneira de rezar, mas fique aí diante do Senhor, rezem, não deixe a oração”.
O Papa advertiu: “Se um consagrado deixa a oração de lado, a alma seca e fica com uma aparência feia. A alma de um sacerdote que não reza é feia. Desculpa, mas é assim”.
O Santo Padre questionou: “Eu deixo de dormir, de escutar rádio, de assistir televisão ou ler revistas para rezar? Ou prefiro dedicar o meu tempo diante daquele que começou a obra e que a está terminando em cada um?”.
“Jesus começou sua obra no dia em que nos olhou no batismo, no dia em que nos olhou depois, quando nos disse ‘se tiverem vontade, sigam-me, e deste modo, nós começamos o caminho’, mas o caminho o começou Ele, não nós”.
Além disso, Francisco precisou que “no seguimento de Jesus Cristo seja no sacerdócio, seja na vida consagrada, entra-se pela porta, a porta é Cristo, Ele chama, Ele começa e vai fazendo o trabalho”.
“Alguns querem entrar pela janela. Isso é impossível”, indicou e pediu: “Se veem algum companheiro ou uma companheira que entrou pela janela, abrace-o e lhe explique que melhor é ir embora e servir a Deus em outro lugar, porque nunca vai chegar a um bom término uma obra que não foi começada por Jesus, pela porta”.
Isto, destacou, “nos deve levar a uma consciência de que fomos escolhidos. Me olharam, me escolheram”.
“Alguns não sabem por que Deus os chamou, mas sentem que Deus os chamou. Vão tranquilos, Ele lhes fará compreender o porquê”.
“Existem outros que querem seguir o Senhor, mas com interesse, por interesse”, advertiu o Santo Padre e recordou o caso “da mãe de Tiago e João, que disse: ‘Senhor quero te pedir que quando parta a torta dê a parte maior aos meus dois filhos, um a tua direita e outro a tua esquerda’”.
“Está a tentação de seguir Jesus por ambição, ambição de dinheiro, ambição de poder”, indicou e sublinhou: “No seguimento de Jesus não há espaço para aqueles com ambições de poder e riqueza, e que querem ser uma pessoa importante no mundo”.
“Para segui-Lo é preciso ir até o último passo, que é a cruz, e então Ele mesmo se encarrega da ressurreição”, assinalou.
O Papa recordou que a “Igreja não é uma empresa, não é uma ONG. A Igreja é um mistério, mistério do olhar de Jesus sobre cada um que Ele diz: segue-me”.
Em seguida, destacou: “É evidente que Jesus quando nos elege não nos canoniza, seguimos sendo os mesmos pecadores. Todos somos pecadores, eu por primeiro, porém, temos diante de nós o amor e a ternura de Jesus”, disse.
“Vocês lembram do Evangelho no qual o apóstolo Tiago chorou? E quando o apóstolo João chorou? E quando algum outro apóstolo chorou? Somente aparece no Evangelho um apóstolo que chorou, vendo que era pecador. Tão pecador era que tinha traído o seu Senhor. E quando percebeu isso, chorou”, disse Francisco e assinalou: “Depois Jesus o chamou a ser Papa. Quem compreende Jesus? É um mistério”.
“Nunca deixem de chorar”
“Quando em um sacerdote, em um religioso ou religiosa as lágrimas secam, algo não funciona. Chorar pela própria infidelidade, pela dor do mundo, chorar pelas pessoas descartadas, pelos idosos abandonados, pelas crianças assassinadas, pelas coisas que não entendemos”, disse ainda Francisco.
“Nenhum de nós tem todas as respostas aos ‘porquês’. Jesus é a única resposta para certas situações da vida”, frisou o Papa. “Cada vez que eu saúdo uma criança com uma doença rara, me pergunto: por que aquela criança? Não tenho resposta, somente olho para Jesus na cruz”.
“Existem algumas situações na vida que somente nos levam a chorar olhando Jesus na cruz e essa é a única resposta para certas injustiças, para certas dores e situações na vida”, assinalou.
Servir e não servir-se da Igreja
O Papa recordou aos sacerdotes e consagrados que eles foram escolhidos por Jesus para servir. “Servir ao povo de Deus, aos pobres, aos descartados, servir às crianças e aos idosos, e servir também às pessoas que não são conscientes da soberba e do pecado que está dentro delas”.
“Deixar-se escolher por Jesus é deixar-se escolher para servir. Não para ser servido”, assinalou.
Francisco recordou ainda que “há mais ou menos um ano, houve um encontro de sacerdotes” para uns exercícios espirituais. Nessa ocasião, “cada dia havia um turno de sacerdotes que eram encarregados de servir a comida”.
“Alguns deles reclamaram: ‘nós devemos ser servidos, nós pagamos, podemos pagar para que nos sirvam’. Por favor, que isto nunca aconteça na Igreja”, pediu o Papa.
Antes de finalizar o seu discurso improvisado em espanhol, o Pontífice assegurou que se emociona quando depois de uma Missa saúda sacerdotes e religiosas que durante décadas servem em hospitais ou em missões afastadas.
“Fico profundamente emocionado, pois esta mulher ou este homem entendeu que seguir Jesus é servir aos outros e não servir-se dos outros”, disse.
O Papa agradeceu aos consagrados do Quênia por seguirem Jesus, por todas as vezes que se sentem pecadores, por toda carícia de ternura que eles dão e pelas vezes que ajudaram alguém a morrer em paz. “Obrigado por darem esperança na vida. Obrigado por ajudar, corrigir e perdoar a cada dia. E lhes peço também que não se esqueçam de rezar por mim, porque eu preciso de orações”, concluiu.
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Hoje é celebrada a Solenidade de Cristo Rei do Universo

 - “Eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo” (Jo 18,37). Com a Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, a Igreja Católica conclui o Ano Litúrgico recordando os fiéis e ao mundo que ninguém e nenhuma lei está acima de Deus.

A Solenidade de Cristo Rei foi instituída pelo Papa Pio XI em 1925 e celebra Cristo como o Rei bondoso e singelo que, como pastor, guia sua Igreja peregrina para o Reino Celestial e lhe outorga a comunhão com este Reino para que possa transformar o mundo no qual peregrina.
Por ocasião desta solenidade, em 2012, ao presidir a Santa Missa, o Papa Bento XVI explicou que “neste último domingo do Ano Litúrgico, a Igreja convida-nos a celebrar Jesus Cristo como Rei do universo; chama-nos a dirigir o olhar em direção ao futuro, ou melhor em profundidade, para a meta última da história, que será o reino definitivo e eterno de Cristo”.
A possibilidade de alcançar o Reino de Deus foi estabelecida por Jesus Cristo, ao nos deixar o Espírito Santo que nos concede as graças necessárias para obter a Santidade e transformar o mundo no amor. Essa é a missão que Jesus deixou à Igreja ao estabelecer seu Reino.
Em um mundo onde prima a cultura de morte e o crescimento de uma sociedade hedonista, a festividade anual de Cristo Rei anima uma doce esperança nos corações humanos, já que impulsiona à sociedade a voltar-se para Salvador.
Conforme declarou Bento XVI, “com o seu sacrifício, Jesus abriu-nos a estrada para uma relação profunda com Deus: nele nos tornamos verdadeiros filhos adotivos, participando assim da sua realeza sobre o mundo. Portanto, ser discípulos de Jesus significa não se deixar fascinar pela lógica mundana do poder, mas levar ao mundo a luz da verdade e do amor de Deus”.
E, recordando a oração do Pai Nosso, o agora Papa emérito sublinhou que “as palavras ‘Venha a nós o vosso reino’, que equivale a dizer a Jesus: Senhor, fazei que sejamos vossos, vivei em nós, reuni a humanidade dispersa e atribulada, para que em Vós tudo se submeta ao Pai da misericórdia e do amor”.

22 Nov. 15 / 09:10 am (ACI).

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Hoje é celebrada a Solenidade de Todos os Santos

REDAÇÃO CENTRAL, 01 Nov. 15 / 08:15 am (ACI).- Neste dia 1° de novembro, a Igreja Católica se enche de alegria ao celebrar a Solenidade de Todos os Santos, os que foram e os que não foram canonizados, mas que, com sua vida, são exemplo de que a santidade é possível.
Diz o Catecismo da Igreja Católica: “Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Todos são chamados à santidade: ‘Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito’ (Mt 5,48)”.
Cada cristão carrega dentro de si o dom da santidade dado por Deus, como diz a Carta de São Paulo aos Efésios: “Deus nos escolheu em Cristo, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos” (Ef 1,4).
O culto aos santos por parte dos cristãos remonta aos primeiros séculos, começando pelos mártires. Ao viver essa tradição, a Igreja convida cada um a contemplar essas pessoas, exemplos de fé, esperança e caridade, e lançar o olhar ao Alto.
Hoje estamos imersos com o nosso espírito entre esta grande multidão de santos, de salvos, os quais, a partir do ‘justo Abel’, até a quem neste momento talvez esteja a morrer em qualquer parte do mundo, nos fazem coroa, nos dão coragem, e cantam todos juntos um poderoso coro de glória Aquele a quem os Salmistas chamam justamente ‘o Deus meu Salvador’ e ‘o Deus que é a minha alegria e o meu júbilo’, afirmou São João Paulo II em uma data como esta de 1980.
A Solenidade de Todos os Santos foi instaurada como consequência da Grande Perseguição do Imperador Diocleciano, nos princípios do século IV, pela grande quantidade de mártires causados pelo poder romano.
O Papa Gregório III a fixou para 1º de novembro no século VIII, como resposta à celebração pagã do “Samhain” ou ano novo celta, que se celebra na noite de 31 de outubro. Mais adiante Gregório IV estenderia esta festividade a toda a Igreja.
A Solenidade de Todos os Santos antecede o Dia de Finados, 2 de novembro, data que recorda aqueles que já estão salvos, mas que ainda precisam ser purificados.
No ano passado, ao celebrar esta data, o Papa Francisco indicou como devem ser vividos esses dois dias: com esperança, com seguindo os exemplos dos santos.
“Esta é a esperança que não cria desilusão. Hoje e amanhã são dias de esperança. A esperança é como o fermento que faz ampliar a alma. Mas também existem momentos difíceis na vida, mas com a esperança, a alma vai adiante. Olha o que te espera”, disse.
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Maria: Mater Misericordiae

Através da mediação materna de Maria, Igreja se torna lugar do encontro com a misericórdia divina.
Por Dom Leomar Brustolim*
Salve, Rainha, Mãe de Misericórdia! A saudação que frequentemente a Igreja dirige à Mãe de Deus foi composta pelo bispo Ademar de Puy, no fim do século XI. A relação estreita entre rainha e misericórdia estabelece a identidade e a singularidade dessa proclamação. Maria é rainha, porque é Mãe de Jesus Cristo Rei. Ele é Senhor de um reinado que não terá fim (cf. Lc 1,33) e, em suas palavras e gestos, o Reino está presente. (cf. Mc 1,15). Nele, os sinais do Reino concretizam a misericórdia do Pai. (cf. Mt 5, 1-12). A mãe de Jesus percebe o advento deste tempo novo que seu filho traz e guarda tudo em seu coração (Cf. Lc 2,51).
Em Maria resplandece o amor misericordioso de Deus. Ele é transcendente e eterno, mas se comove totalmente com as misérias humanas. A Virgem de Nazaré experimentou de forma única o amor de Deus pela humanidade. O fruto desse amor tornou-a Mãe do Messias: o “Consolador”. “Ninguém, como Maria, conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem. Na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feita carne. A Mãe do Crucificado Ressuscitado entrou no santuário da misericórdia divina, porque participou intimamente no mistério do seu amor.” [1] Ela continua envolvida na ação misericordiosa de Deus através da Igreja e de sua missão.
Inspirada em Maria, a Igreja deve construir a civilização da misericórdia. A história, apesar de seus revezes, não é o cemitério da civilização, nem o cenário apocalíptico da morte. Através da mediação materna de Maria, a Igreja se torna o lugar do encontro com a misericórdia divina. Na Virgem Maria se realiza totalmente o versículo evangélico que convoca os cristãos a serem misericordiosos como o Pai do Céu é misericordioso. (cf. Lc 3, 36).
Máximo, o “Confessor”, escreveu a obra: A vida de Maria e, sobre os últimos anos da Mãe de Jesus, ele afirmou: “A sua misericórdia não era somente para os parentes e os conhecidos, mas também para os estranhos e inimigos, porque era verdadeiramente a Mãe da Misericórdia, a Mãe do Misericordioso, […] a Mãe daquele que por nós se encarnou e foi crucificado, para infundir sobre nós, inimigos e rebeldes, a sua misericórdia”.[2]
Nesse mesmo sentido, o Papa Francisco ensina: “Ao pé da cruz, Maria, juntamente com João, o discípulo do amor, é testemunha das palavras de perdão que saem dos lábios de Jesus. O perdão supremo oferecido a quem O crucificou mostra-nos até onde pode chegar a misericórdia de Deus. Maria atesta que a misericórdia do Filho de Deus não conhece limites e alcança a todos, sem excluir ninguém.”[3]
Maria é a mulher que fez a experiência única da consolação de Deus para estabelecer a Nova Aliança, ela “é quem de maneira singular e excepcional experimentou, como ninguém, a misericórdia e, também de maneira excepcional, tornou possível com o sacrifício de seu coração a própria participação na revelação da misericórdia divina”.[4]
Peçamos à Mãe de Misericórdia que nos ensine a acolher o infinito amor do Pai das misericórdias, para não limitarmos nossa capacidade de perdoar, acolher e amar. E que possamos praticar o que São João Damasceno ensina, ao dizer que a melhor forma de devoção à Maria é cumprir as obras de misericórdia.
Rogai por nós, Ó misericordiosa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo!
CNBB
Dom Leomar Brustolim é bispo Auxiliar de Porto Alegre (RS). [1] Papa Francisco. Misericordiae Vultus, nº. 24. [2] Textos Marianos do Primeiro Milênio 2, 480. [3] Papa Francisco. Misericordiae Vultus, nº. 24. [4] João Paulo II, Dives in misericordia, nº. 9.
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Lições do caminho

"Onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e toda espécie de obras más."
Por Dom Alberto Taveira Corrêa*
A escola com a qual Jesus formou seus discípulos acontece ao longo do caminho, aproveitando os encontros com as pessoas e as eventuais falhas e perguntas de seus escolhidos (Mc 9, 30-37). O ambiente é da Galileia, vizinhança do paganismo, lugar provocante e desafiador para todos. Os discípulos tinham sido chamados, em sua maior parte, dentre a população das pequenas aldeias da região, vários deles pescadores curtidos pelo vento, o sol e o trabalho, portadores de muitas esperanças, cultivadas por séculos por todo o povo de Deus. Eram alunos de uma escola, destinados a amadurecerem como discípulos e apóstolos.
O Mestre não quer propaganda, mas convivência respeitosa dos processos vividos pelo seu grupo de aprendizes de apostolado. Era tempo de cuidado especial com aqueles que escolhera. A eles, mais uma vez anuncia Jesus a dura realidade da paixão, morte e ressurreição. Era grande a dificuldade que para entender esta etapa da formação, pois o projeto que traziam na mente era diferente, pela situação de opressão e sofrimento vivida por todo o povo da época. Era, como dizemos hoje, um grande "sufoco" que aguardava uma saída, e eles eram homens do povo, embebidos da mentalidade corrente, que os levava a aguardar um libertador poderoso.
Sinal de que as pretensões incluíam um projeto de poder foi a discussão a respeito de quem era maior. Sabemos que os detalhes incluem um pedido de Tiago e João, acompanhados de uma mãe solícita, mas trazem consigo também o ciúme e a inveja do resto do grupo. Jesus lhes revela os critérios de seu Reino, com palavras diretas: "Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos, aquele que serve a todos" (Mc 9, 35). Era a inversão de tudo o que humanamente desejavam. De lá para cá, os discípulos de Jesus encontrarão sempre a oportunidade para mudar a mentalidade, o que se chama conversão!
"Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles e, abraçando-a, disse: 'Quem acolhe em meu nome uma destas crianças, a mim acolhe. E quem me acolhe, acolhe, não a mim, mas Àquele que me enviou'" (Mc 9, 36-37). O Senhor aponta um novo e revolucionário critério, que inclui crianças, pobres, cegos, coxos e aleijados, surdos e mudos, pecadores, marginalizados em geral, como encontramos em outras etapas da formação dos discípulos.
Não é difícil encontrar as muitas lições a serem colhidas para a escola da vida a ser percorrida em nossos dias. Quando não se vive a Palavra de Deus, quando os critérios são pautados pelo egoísmo, ou a sociedade constrói casas e estradas baseadas na exploração dos mais pobres, com a vergonhosa situação de desigualdade existente em nosso tempo, o resultado não poderia ser outro além do que estamos assistindo. Se muitos dizem que o dinheiro sumiu, é hora de perguntar sobre o seu destino! Se todos mergulharam no engano do consumo proposto nos anos recentes, agora alguém (nós!) deve pagar a conta. Infelizmente não se veem sinais de humildade e reconhecimento das falhas da parte dos responsáveis pela situação de nosso país.
A Liturgia da Igreja nos ofereceu, no último final de semana, palavras muito fortes, vindas da boca e da experiência de um dos apóstolos do Senhor, São Tiago (3, 16-4,3) que parecem escritas para nossos dias: "Onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e toda espécie de obras más. A sabedoria, porém, que vem do alto é, antes de tudo, pura, depois pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento. O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz. De onde vêm as guerras? De onde vêm as brigas entre vós? Não vêm, precisamente, das paixões que estão em conflito dentro de vós? Cobiçais, mas não conseguis ter. Matais, fomentais inveja, mas não conseguis êxito. Brigais e fazeis guerra, mas não conseguis possuir. E a razão por que não possuís está em que não pedis. Pedis, sim, mas não recebeis, porque pedis mal. Pois o que pedis, só quereis esbanjá-lo nos vossos prazeres".
As crises de toda ordem pelas quais passa nosso mundo foram plantadas pela liberdade humana, com as escolhas feitas no correr do tempo. Quando se planta egoísmo, os frutos não podem ser diferentes dos que estamos colhendo. Quando a sociedade se divide e apenas busca os culpados pelos problemas sempre do outro lado da rua, e não dentro da própria casa, as consequências vão sempre aparecer. Se nos assustam as cenas de centenas de milhares de refugiados que se movimentam hoje pela Europa, com países que precisam urgentemente acolher os mais sofredores, sabemos que os meios de comunicação mostram a cada momento um bem estar que atrai gente de toda parte. Não dá para expor ao mundo inteiro e continuar dizendo que só uns poucos continuam privilegiados. Vai continuar a invasão de povos chegados de outras regiões do mundo, trazendo seus hábitos, sua cultura, suas práticas religiosas! Os resultados vão aparecer nos próximos anos.
Pode soar ingênuo, da parte de nós cristãos, pensar ou dizer que a acirrada competição, em todos os níveis, tem gerado o quadro social de desigualdade terrível em nosso país, mas basta olhar ao redor, para identificar que as lições do caminho, oferecidas por Jesus, foram desprezadas ou esquecidas, em nome de um progresso, cujo nome é consumo, correria, prazer desenfreado, vícios de todos os tipos, liberação das drogas, corrupção deslavada, governantes irresponsáveis, que não assumem os erros cometidos. Pelo visto, a escola foi outra! E não haverá mudanças, senão naquele que é caminho, verdade e vida!
Os cristãos são chamados a acreditar na força de uma minoria feita fermento, sal e luz, e começar de novo, a cada dia! É necessário voltar à Escola de Jesus, aprender o beabá do Evangelho, começar a amar o próximo, escolher o serviço humilde, partilhar os bens, abrir-se à vida da Igreja, voltar à Comunidade Paroquial, retomar a oração diária. Receitas simples? São as lições do caminho, cheias de surpresas positivas!
CNBB 18-09-2015.
*Dom Alberto Taveira Corrêa é arcebispo da Arquidiocese de Belém – PA.
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Papa Francisco em Cuba: Servir os demais e não servir-se dos demais

HAVANA, 20 Set. 15 / 05:50 pm (ACI).- O Papa Francisco presidiu sua primeira Missa em Cuba ante centenas de milhares de pessoas reunidas na Praça da Revolução (Plaza de la Revolución) de Havana. Em sua homilia refletiu sobre o sentido do serviço cristão e recordou que não ninguém serve uma ideia e sim pessoas e só aquele que serve pode chegar a “ser grande”.
Na presença de diversos chefes de estado e acompanhado de uma grande quantidade de bispos cubanos, Estados Unidos e de outros países, o Santo Padre meditou sobre a passagem do Evangelho no qual os discípulos discutem sobre quem é o mais importante.
“Não podemos escapar desta pergunta, está gravada no coração. Recordo mais de uma vez em reuniões familiares pais que perguntam aos filhos: De quem você gosta mais, do papai ou da mamãe? É como perguntar: Quem é mais importante para você (...). A história da humanidade esteve marcada pelo modo de como se responde a esta pergunta”, disse o Papa.
O Pontífice chegou à Praça da Revolução meia hora antes do início da Missa para saudar e compartilhar alguns momentos com os assistentes. Durante a Eucaristia, deu a Primeira Comunhão a cinco meninos cubanos.
Para que o dia a dia “tenha certo sabor a eternidade”, prosseguiu o Papa, é importante ter em conta o que diz o Senhor: “«Quem quer ser o primeiro, o mais importante, que seja o último de todos e o servidor de todos». Quem quer ser grande, que sirva outros, não se sirva dos outros”.
“Longe de qualquer tipo de elitismo, Jesus não propõe um horizonte para poucos privilegiados, capazes de chegar ao «conhecimento desejado» ou a altos níveis de espiritualidade. O horizonte de Jesus é sempre uma proposta para a vida diária, mesmo aqui na «nossa ilha»; uma proposta que faz com que o dia a dia tenha sempre o sabor da eternidade”.
“Quem é o mais importante? Jesus é simples na sua resposta: «Se alguém quiser ser o primeiro, há de ser o último de todos e o servo de todos» (Mc 9, 35). Quem quiser ser grande, sirva os outros e não se sirva dos outros”, ensinou o Papa.
“Aqui temos o grande paradoxo de Jesus. Os discípulos discutiam sobre quem deveria ocupar o lugar mais importante, quem seria selecionado como o privilegiado, quem seria isento da lei comum, da norma geral, para se pôr em evidência com um desejo de superioridade sobre os demais. Quem subiria mais rapidamente, ocupando os cargos que dariam certas vantagens. Jesus transtorna a sua lógica, dizendo-lhes simplesmente que a vida autêntica se vive no compromisso concreto com o próximo”, afirmou o Pontífice aos milhares de presentes na capital cubana.
O Papa Francisco explicou que servir significa “cuidar dos frágeis das nossas famílias, da nossa sociedade, do nosso povo. São os rostos sofredores, indefesos e angustiados que Jesus nos propõe olhar e convida concretamente a amar. Amor que se concretiza em ações e decisões. Amor que se manifesta nas diferentes tarefas que somos chamados, como cidadãos, a realizar. As pessoas de carne e osso, com a sua vida, a sua história e especialmente com a sua fragilidade, são aquelas que Jesus nos convida a defender, assistir, servir. Porque ser cristão comporta servir a dignidade dos irmãos, lutar pela dignidade dos irmãos e viver para a dignificação dos irmãos. Por isso, à vista concreta dos mais frágeis, o cristão é sempre convidado a pôr de lado as suas exigências, expectativas, desejos de onipotência”.
Não servir-se “de outros”
Francisco advertiu logo sobre um tipo de serviço que não é o do Jesus: “Há um «serviço» que serve; mas devemos guardar-nos do outro serviço, da tentação do «serviço» que «se» serve. Há uma forma de exercer o serviço cujo interesse é beneficiar os «meus», em nome do «nosso». Este serviço deixa sempre os «teus» de fora, gerando uma dinâmica de exclusão”.
Seguindo o Santo Padreo, “todos estamos chamados, por vocação cristã, ao serviço que serve e a ajudar-nos mutuamente a não cair nas tentações do «serviço que que se serve». Todos somos convidados, encorajados por Jesus a cuidar uns dos outros por amor. E isto sem olhar em redor, para ver o que o vizinho faz ou deixou de fazer. Jesus diz: «Se alguém quiser ser o primeiro, há-de ser o último de todos e o servo de todos» (Mc 9, 35). Não diz: Se o teu vizinho quiser ser o primeiro, que sirva. Devemos evitar os juízos temerários e animar-nos a crer no olhar transformador a que Jesus nos convida”.
“Este cuidar por amor não se reduz a uma atitude de servilismo; simplesmente põe, no centro do caso, o irmão: o serviço fixa sempre o rosto do irmão, toca a sua carne, sente a sua proximidade e, em alguns casos, até «padece» com ela e procura a sua promoção. Por isso, o serviço nunca é ideológico, dado que não servimos a ideias, mas a pessoas”, pontuou.
Falando sobre os cubanos, Francisco destacou: “é um povo que ama a festa, a amizade, as coisas belas. É um povo que caminha, que canta e louva. É um povo que, apesar das feridas que tem como qualquer povo, sabe abrir os braços, caminhar com esperança, porque se sente chamado para a grandeza. Hoje convido-vos a cuidar desta vocação, a cuidar destes dons que Deus vos deu, mas sobretudo quero convidar-vos a cuidar e servir, de modo especial, a fragilidade dos vossos irmãos.
“Não os transcureis por causa de projetos que podem parecer sedutores, mas desinteressam-se do rosto de quem está ao teu lado. Nós conhecemos, somos testemunhas da «força imparável» da ressurreição, que «produz por toda a parte, gerando rebentos de um mundo novo» (EG, 276.278)”.
“Não nos esqueçamos da Boa Notícia de hoje: a importância dum povo, duma nação, a importância duma pessoa sempre se baseia no modo como serve a fragilidade dos seus irmãos. Nisto, encontramos um dos frutos da verdadeira humanidade”.
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Tome a sua cruz e me siga!

Por Dom Orani João Tempesta*
Jesus está a caminho de Jerusalém. É o que nós ouviremos no Evangelho deste XXIV Domingo do Tempo Comum.  Enquanto caminhava, perguntou, em tom familiar, aos discípulos que O acompanhavam: “Quem dizem os homens que eu sou?” (Mc 8,27-35). E eles, com simplicidade, contaram-lhe o que lhes chegava aos ouvidos: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros que és Elias…” Então Ele voltou a interrogá-los: “E vós, quem dizeis que eu sou”? Eis a grande pergunta que ainda hoje ressoa não só em nossos ouvidos, mas pelo mundo! As discussões nas revistas, jornais e mídias sociais continuam repercutindo essa mesma pergunta com o desejo de encontrar o caminho da resposta. Mas hoje queremos nos deter em um outro aspecto.
Jesus, porém, explicava aos discípulos que a sua Missão messiânica passa pela Cruz. Pedro reage e tenta afastar Jesus do Plano do Pai. Jesus lhe responde: “Vai para longe de mim, satanás”! Porém, antes Pedro dissera: “Tu és o Messias”.
Os Apóstolos, a Igreja, pela boca de Pedro, deram a Jesus a resposta certa depois de dois anos de convivência e trato. Nós, como eles, “temos de percorrer um caminho de escuta atenta, diligente. Temos de ir à escola dos primeiros discípulos, que são as suas testemunhas e os nossos mestres, e, ao mesmo tempo, temos de receber a experiência e o testemunho de nada menos que vinte séculos de história sulcados pela pergunta do Mestre e enriquecidos pelo imenso coro das respostas dos fiéis de todos os tempos e lugares” (São João Paulo II).
Também nós que estamos seguindo o Mestre devemos examinar hoje, na intimidade do nosso coração, o que Cristo significa para nós. Digamos como São Paulo: “As coisas que eram lucro para mim, considerei-as prejuízo por causa de Cristo. Mais que isso, julgo que tudo é prejuízo diante deste bem supremo que é o conhecimento do Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele, perdi tudo e considero tudo como lixo, a fim de ganhar Cristo e ser encontrado unido a Ele”. (Fl 3,7-9).
A primeira preocupação do cristão deve, pois, consistir em viver a vida de Cristo, em incorporar-se a Ele, como os ramos à videira. É esse, aliás, o lema do Mês da Bíblia: “Permanecei no Meu amor para produzir muitos frutos”. (Cf. Jo, 15, 0-16). O ramo depende da união com a videira, que lhe envia a seiva vivificante; separado dela, seca e é lançado ao fogo. Diz Jesus: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”.
Quando Jesus disse “se alguém quer vir após Mim…”, tinha presente que o cumprimento da Sua missão O levaria à morte de cruz; por isso fala claramente da Sua Paixão. Mas também a vida cristã, vivida como se deve viver, com todas as suas exigências, é uma cruz que se deve levar em seguimento de Cristo.
A exigência do Senhor inclui renunciar à própria vontade para identificá-la com a de Deus, não aconteça que, como comenta São João da Cruz, tenhamos a sorte de muitos “que queriam que Deus quisesse o que eles querem, e entristecem-se de querer o que Deus quer, e têm repugnância em acomodar a sua vontade à de Deus. Disto vem que muitas vezes, no que não acham a sua vontade e gosto, pensam não ser da vontade de Deus e, pelo contrário, quando se satisfazem, creem que Deus Se satisfaz, medindo também a Deus por si, e não a si mesmos por Deus”. (Noite Escura, liv. I, Cap. 7, nº. 3).
O fim do homem não é ganhar os bens temporais deste mundo, que são apenas meios ou instrumentos; o fim último do homem é o próprio Deus, que é possuído como antecipação aqui na Terra pela Graça, e plenamente e para sempre na Glória. Jesus indica qual é o caminho para conseguir esse fim: negar-se a si mesmo (isto é, tudo o que é comodidade, egoísmo, apego aos bens temporais) e levar a cruz. Porque nenhum bem terreno, que é caduco, é comparável à salvação eterna da alma. Diz São Tomás: “O menor bem da Graça é superior a todo o bem do universo”. (Suma Teológica, I-II, q.113, a. 9).
“Cristo repete-o a cada um de nós, ao ouvido, intimamente: a Cruz de cada dia. Não só, escreve São Jerônimo (estamos no mês de sua festa!), em tempo de perseguição ou quando se apresente a possibilidade do martírio, mas em todas as situações, em todas as atividades, em todos os pensamentos, em todas as palavras, neguemos aquilo que antes éramos e confessemos o que agora somos, visto que renascemos em Cristo. Vedes? A cruz de cada dia. Nenhum dia sem Cruz: nenhum dia que não carreguemos com a Cruz do Senhor, em que não aceitemos o Seu jugo. É muito certo que aquele que ama os prazeres, que busca as suas comodidades, que foge das ocasiões de sofrer, que se inquieta, que murmura, que repreende e se impacienta porque a coisa mais insignificante não corre segundo a sua vontade e o seu desejo, tal pessoa, de cristão só tem o nome; somente serve para desonrar a sua religião, pois Jesus Cristo disse: aquele que queira vir após Mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias da vida, e siga-Me”.
Jesus quer ser levantado ao alto, aí: no ruído das fábricas e das oficinas, no silêncio das bibliotecas, no fragor das ruas, na quietude dos campos, na intimidade das famílias, nas assembleias, nos estádios… Onde quer que um cristão gaste a sua vida honradamente, aí deve colocar, com o seu amor, a Cruz de Cristo, que atrai a Si todas as coisas”. (Via Sacra, XI).
A Cruz é o sinal do cristão! Está presente em toda parte, com muitos nomes. Que o Senhor nos conceda a graça de também segui-Lo na Cruz; de perder a vida por causa de Cristo para salvá-la.
CNBB 17-09-2015.
*Dom Orani João Tempesta é arcebispo de São Sebastião (RJ).
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Duas atitudes muito de Jesus

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus segundo Marcos 9,30-37.
Por José Antonio Pagola*
O grupo de Jesus atravessa a Galileia a caminho de Jerusalém. Fazem-no de forma reservada, sem que ninguém se inteire. Jesus quer dedicar-se inteiramente a instruir os seus discípulos. É muito importante o que quer gravar nos seus corações: o seu caminho não é um caminho de glória, êxito e poder. É o contrário: conduz à crucifixão e à rejeição, apesar de que terminará em ressurreição.
Aos discípulos não lhes entra na cabeça o que lhes diz Jesus. Dá-lhes medo até perguntar-Lhe. Não querem pensar na crucifixão. Não entra nos seus planos nem expectativas. Enquanto Jesus lhes fala de entrega e da cruz, eles falam das suas ambições: Quem será o mais importante do grupo? Quem ocupará o posto mais elevado? Quem receberá mais honras?
Jesus "senta-se". Quer ensinar-lhes algo que nunca hão de se esquecer. Chama os Doze, os que estão mais estreitamente associados à sua missão e convida-os a que se aproximem, pois os vê muito distanciados Dele. Para seguir seus passos e parecer-se a Ele têm de aprender duas atitudes fundamentais.
Primeira atitude: "Quem queira ser o primeiro, que seja o último de todos e servidor de todos". O discípulo de Jesus tem de renunciar às ambições, cargos, honras e vaidades. No seu grupo ninguém está acima dos outros. Pelo contrário, há de ocupar o último lugar, colocar-se ao nível de quem não tem poder nem ostenta categoria alguma. E, desde aí, ser como Jesus: "servidor de todos".
A segunda atitude é tão importante que Jesus a ilustra com um gesto simbólico profundo. Coloca uma criança no meio dos Doze, no centro do grupo, para que aqueles homens ambiciosos se esqueçam de honras e grandezas, e ponham os seus olhos nos pequenos, os débeis, os mais necessitados de defesa e cuidado. Logo, os abraça e lhes diz: "O que acolhe a uma criança como esta em Meu nome, acolhe-me a Mim". Quem acolhe um "pequeno" está acolhendo o "maior", a Jesus. E quem acolhe a Jesus está acolhendo o Pai que O enviou.
Uma Igreja que acolhe os pequenos e indefesos está ensinando a acolher a Deus. Uma Igreja que olha para os grandes e se associa com os poderosos da terra está pervertendo a Boa Nova de Deus anunciada por Jesus.
Instituto Humanitas Unisinos
*José Antonio Pagola, teólogo espanhol.
19/09/2015  |  domtotal.com
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Hoje, é celebrado São João Crisóstomo, o “boca de ouro”

REDAÇÃO CENTRAL, 13 Set. 15 / 08:00 am (ACI).- Hoje a Igreja Católica celebra a memória litúrgica de São João Crisóstomo, que significa “boca de ouro”. Foi chamado assim pelas pessoas por ser um dos mais famosos oradores que a Igreja teve.
São João, que também é Doutor da Igreja, nasceu na Antioquia (Síria), no ano 347. Estando na escola já causava admiração com suas declamações e intervenções nas academias literárias.
Depois de ter vivido como monge em sua casa e no deserto, foi ordenado sacerdote e começou a deslumbrar com seus maravilhosos sermões. O santo considerava como sua primeira obrigação o cuidado e a instrução dos pobres, e jamais deixou de falar deles em seus sermões e de incitar ao povo à esmola.
São João foi consagrado Arcebispo de Constantinopla no ano 398 e empreendeu a reforma do clero. Mandou tirar todos os luxos do palácio e com as cortinas elegantes se fabricaram vestidos para os pobres. Exigiu que seus sacerdotes e monges fossem pobres no vestir, comer e em seu mobiliário, para dar bom exemplo.
A eloquência e o zelo do santo levaram à penitência muitos pecadores e converteram muitos idólatras e hereges.
Outra das atividades às quais o São João consagrou suas energias foi a fundação de comunidades de mulheres piedosas, sendo a mais ilustre a nobre Santa Olímpia. O santo Bispo se distinguiu também por seu extraordinário espírito de oração, virtude esta que pregou incansavelmente, e exortou os fiéis à comunhão frequente.
Foi banido duas vezes por conspiração da rainha Eudóxia e do Bispo da Alexandria, Téofilo. No último desterro perante as penosas condições da viagem e a crueldade dos soldados imperiais, São Crisóstomo faleceu em 14 de setembro de 407, dizendo: “Seja dada glória a Deus por tudo”. Em 1909, São Pio X declarou o santo “Patrono dos Pregadores”.
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Hoje a Igreja celebra a Natividade de Nossa Senhora - 8 de setembro

REDAÇÃO CENTRAL, 08 Set. 15 / 06:47 am (ACI).- A Igreja celebra nesta terça-feira, 8 de setembro, a Natividade da Santíssima Virgem Maria. “Esta Festividade Mariana é toda ela um convite à alegria, mais precisamente porque, com o nascimento de Maria Santíssima, Deus dava ao mundo como garantia concreta de que a salvação era já iminente”, disse São João Paulo II em 1980.
A celebração da festa da Natividade da Santíssima Virgem Maria é conhecida no Oriente desde o século VI. Foi fixada em 8 de setembro, dia com o que se abre o ano litúrgico bizantino, que é encerrado a Assunção, em agosto. No Ocidente foi introduzida no século VII e era celebrada com uma procissão-ladainha, que terminava na Basílica de Santa Maria Maior.
O Evangelho não apresenta dados do nascimento de Maria, mas há várias tradições. Algumas consideram Maria descendente de Davi, assinalam seu nascimento em Belém. Outra corrente grega e armênia assinala Nazaré como berço de Maria.
Entretanto, já no século V existia em Jerusalém o Santuário Mariano situado junto aos restos da piscina Probática, ou seja, das ovelhas. Debaixo da formosa Igreja românica, levantada pelos cruzados, que ainda existe – a Basílica de Santa Ana – acham-se os restos de uma basílica bizantina e umas criptas escavadas na rocha que parecem ter formado parte de uma moradia que se considerou como a casa natal da Virgem.
Esta tradição, fundada em apócrifos muito antigos como o chamado Proto evangelho de São Tiago (século II), vincula-se com a convicção expressa por muitos autores a respeito de que Joaquim, o pai de Maria, fora proprietário de rebanhos de ovelhas. Estes animais eram lavados em dita piscina antes de serem oferecidos no templo.
A festa tem a alegria de um anúncio pré-messiânico. É famosa a homilia que pronunciou São João Damasceno (675-749) um 8 de setembro na Basílica da Santa Ana, durante a qual exclamou:
"Eia!, povos todos, homens de qualquer raça e lugar, de qualquer época e condição, celebremos com alegria a festa natalícia do gozo de todo o Universo. Temos razões muito válidas para honrar o nascimento da Mãe de Deus, por meio da qual todo o gênero humano foi restaurado e a tristeza da primeira mãe, Eva, transformou-se em gozo. Esta escutou a sentença divina: parirá com dor. Maria, pelo contrário, lhe disse: alegra-te, cheia de graça!”.
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Às vezes precisamos voltar às fontes e recomeçar a partir de Cristo

Erexim, RS 27 ago (sirnotivias@hotmail.com) - "Catequizar é evangelizar" é o título do artigo semanal de Dom José Gislon, Bispo da Diocese de Erexim, no Estado do Rio Grande do Sul. Ele inicia o texto afirmando que neste último domingo do mês vocacional celebramos o Dia Nacional do Catequista. Conforme nós, além das orações, da nossa estima e carinho, manifestamos a gratidão da Igreja Diocesana aos catequistas, que, por amor a Cristo, acompanham as crianças, adolescentes, jovens e adultos no processo da iniciação cristã.
O Prelado destaca que nas comunidades da região são centenas de mulheres, homens e jovens que abraçaram a vocação de catequista por amor à causa do Reino de Deus. Ele acredita que para a Igreja, os pais são os primeiros e principais responsáveis pela vida e pela educação de seus filhos; são os educadores da fé, mas também não podemos fechar os olhos diante da realidade de uma sociedade na qual as famílias vivem muitas vezes as fragilidades de uma mudança de época.
"Mesmo que a família e toda comunidade cristã sejam responsáveis pela catequese, por palavras e pelo testemunho de vida, é indispensável a figura do/a catequista como educador da fé na vida da Igreja, tendo sempre presente que muitos foram iniciados na vida cristã pelo batismo, mas não suficientemente evangelizados ou educados para abraçar a fé que nasce e se alimenta do encontro com Jesus Cristo, através da Palavra de Deus e da Eucaristia", avalia.
Além disso, o Bispo salienta que o catequista na sua missão evangelizadora não é mero instrutor da doutrina, mas também pessoa que fez a experiência do encontro com Jesus Cristo na sua vida de fé. Por isso, explica Dom José, vive o discipulado, ajudando na iniciação cristã, em comunhão, servindo na missão como catequista os irmãos na comunidade.
Por fim, o Prelado afirma que às vezes precisamos ter a ousadia de voltar às fontes e recomeçar a partir de Jesus Cristo, para superar a tentação do desânimo e do cansaço, imitando o Bom Mestre que soube se colocar em comunhão com o Pai através da oração, para superar os desafios da missão.
Ele ainda cita o Papa Francisco, que nos recorda: "Em meio a uma cultura da indiferença e do secularismo que avança a passos largos, é preciso rezar para que a alma não definhe, o coração não perca seu calor e a ação não se deixe invadir pela covardia. Não devemos ceder à tentação minimalista de se contentar apenas em conservar a fé e ficar satisfeitos porque alguns continuam frequentando a catequese. Precisamos saber ir ao encontro daqueles que não vêm. Os cansaços do caminho não podem deter nossos passos, pois isso equivaleria a paralisar a vida. O paradoxo cristão exige que o discípulo, em seu itinerário do coração, precise sair para poder permanecer, mudar para poder ser fiel".
SIR - 27/08/2015  |  domtotal.com
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Hoje a Igreja celebra Santo Agostinho, Doutor da Igreja e “patrono dos que procuram Deus” - ORAÇÃO

REDAÇÃO CENTRAL, 28 Ago. 15 / 08:00 am (ACI).- A Igreja celebra nesta sexta-feira, 28 de agosto, Santo Agostinho, Doutor da Igreja e “patrono dos que procuram Deus”, que em suas “Confissões” disse a Deus sua famosa frase: “Tarde te amei, ó Beleza sempre antiga, sempre nova. Tarde te amei”.
Santo Agostinho nasceu em 13 de novembro do 354, em Tagaste, ao norte da África. Foi filho de Patrício e Santa Mônica, que ofereceu orações pela conversão de seu marido e de seu filho.
Em sua juventude, entregou-se a uma vida dissoluta. Conviveu com uma mulher por aproximadamente 14 anos e tiveram um filho chamado Adeodato, que morreu ainda jovem.
Agostinho pertenceu a seita do maniqueísmo até que conheceu Santo Ambrósio, de quem ficou impactado e começou a ler a Bíblia.
No ano 387, foi batizado junto a seu filho. Sua mãe faleceu esse mesmo ano. Mais adiante, em Hipona, foi ordenado sacerdote e logo Bispo, ficando a cargo dessa Diocese por 34 anos. Combateu as heresias de seu tempo e escreveu muitos livros, sendo o mais famoso sua autobiografia titulada “Confissões”.
Em 28 de agosto do 430, adoeceu e faleceu. Seu corpo foi enterrado em Hipona, mas logo transladado a Pavia, Itália. Ele é um dos 33 Doutores da Igreja, recordado como o Doctor Gratiae (Doutor da Graça).
Para o Bento XVI, Santo Agostinho foi um “bom companheiro de viagem” em sua vida e ministério. Em janeiro de 2008, referiu-se a ele como “homem de paixão e de fé, de muito alta inteligência e de incansável solicitude pastoral… deixou um rastro profundo na vida cultural do Ocidente e de todo o mundo”.
Em agosto do 2013, o Papa Francisco, durante a Missa de abertura do Capítulo Geral da Ordem de Santo Agostinho, referiu-se ao santo como um homem que “comete enganos, toma também caminhos equivocados, é um pecador; mas não perde a inquietação da busca espiritual. E deste modo descobre que Deus lhe esperava; mais ainda, que jamais tinha deixado de lhe buscar primeiro”.
Quem também fez grande difusão da vida e obra deste Doutor da Igreja foi São João Paulo II, que redigiu a Carta Apostólica “Augustinum Hipponensem”, em 1986, por ocasião do XVI Centenário da conversão de Santo Agostinho.

Para o dia de hoje, compartilhamos uma oração a Santo Agostinho:

Ó excelso doutor da graça, Santo Agostinho. Tu que contaste as maravilhas do amor misericordioso operado em tua alma, ajuda-nos a confiar sempre e unicamente na ajuda divina. Ajuda-nos, ó grande Santo Agostinho, a encontrar a Deus, “eterna verdade. Verdadeira caridade, desejada eternidade”. Ensina-nos a crer e viver na graça, superando nossos erros e angústias. Acompanha-nos à vida eterna, para amar e louvar incessantemente ao Senhor. Amém!
acidigital
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