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Papa Francisco convida a crer em Deus para sair do desespero e da morte

                       Papa abençoa uma menina ao início da Audiência Geral. Foto: Lucía Ballester / ACI Prensa
VATICANO, 29 Mar. 17 / 09:30 am (ACI).-Por Álvaro de Juana- Na catequese desta quarta-feira na Audiência Geral, o Papa Francisco recordou a figura de Abraão, “Pai da fé”, que acreditou contra toda esperança, confiou e descobriu que Deus faz sair do desespero.
Abraão também “é pai na esperança e isso porque em sua vida já podemos acolher o anúncio da ressurreição, da vida nova que vence o mal e a própria morte”.
“O Deus que se revela a Abraão é o Deus que salva, o Deus que faz sair do desespero e da morte, o Deus que chama à vida. Na história de Abraão, tudo se torna um hino ao Deus que liberta e regenera, tudo se torna profecia”.
O Papa comentou a carta de São Paulo aos Romanos, que diz que Abraão, “acreditou, sólido na esperança, contra toda esperança”, dado que Deus lhe tinha prometido descendência embora fosse idoso e sua mulher estéril. “Neste ponto, Paulo nos ajuda a compreender a relação muito estreita entre a fé e a esperança”, acrescentou.
“Nossa esperança não se apoia sobre raciocínios, previsões e garantias humanas, se manifesta lá onde não há mais esperança, onde não há nada mais a esperar, precisamente como ocorreu com Abraão, diante da sua morte iminente e da esterilidade da sua mulher Sara”.
Francisco assegurou que “a grande esperança está enraizada na fé e precisamente por isso é capaz de ir além de qualquer esperança. Sim, porque não se baseia em nossa palavra, mas na Palavra de Deus”,
“Neste sentido somos chamados a seguir o exemplo de Abraão, o qual mesmo diante da evidência de uma realidade que parece voltada à morte, confia em Deus”.
“Este é o paradoxo e, ao mesmo tempo, o elemento mais forte, mais elevado, da nossa esperança! Uma esperança baseada em uma promessa que do ponto de vista humano parece incerta e imprevisível, mas que se manifesta até mesmo diante da morte, quando quem a promete é o Deus da Ressurreição e da vida”.
O Santo Padre concluiu pedindo a Deus “a graça de permanecer firmes não tanto em nossas seguranças, em nossas capacidades, mas na esperança que brota da promessa de Deus, como verdadeiros filhos de Abraão”. Assim, “nossa vida terá uma nova luz, na certeza de que Aquele que ressuscitou o seu Filho ressuscitará a nós também, tornando-nos uma só coisa com Ele, junto de todos os nossos irmãos na fé”.
ACIdigital
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Papa Francisco convida a experimentar o estupor que o encontro com Jesus gera

VATICANO, 31 Jan. 17 / 09:00 am (ACI).Por Miguel Pérez Pichel- O Papa Francisco convidou os cristãos a se surpreender pelo encontro com Jesus, a experimentar o estupor que produz em cada um ao ver Jesus com o olhar fixo nos problemas que as pessoas sofrem.
Durante a homilia da Missa celebrada hoje na Casa Santa Marta, o Santo Padre comentou o Evangelho de São Marcos, no qual conta dois milagres de Jesus. Por um lado, a ressurreição da filha de Jairo, um dos chefes da sinagoga. Por outro lado, a cura uma mulher idosa que tem hemorragias há doze anos e foi curada ao tocar manto de Jesus.
Estes dois exemplos, explicou o Pontífice, ilustram a importância que o Senhor dá aos nossos problemas: grandes e pequenos. “O olhar de Jesus passa do grande ao pequeno. Assim olha Jesus: olha para nós, todos, mas vê cada um de nós”.
“Olha os nossos grandes problemas, percebe as nossas grandes alegrias e vê também as nossas pequenas coisas, porque está perto de nós. Jesus não se assusta com as grandes coisas e leva em conta também as pequenas. Assim olha Jesus”.
Em seguida, Francisco recordou que Jesus “estava sempre no meio da multidão. Não está com os guardas que fazem escolta, para que ninguém o toque. Não! Ele fica ali, comprimido entre as pessoas. E toda vez que Jesus saia, tinha mais gente. Ele não buscava a popularidade”.
“Procurava outra coisa: procurava as pessoas. E as pessoas o procuravam. O povo tinha os olhos presos Nele e Ele tinha os olhos presos nas pessoas. Esta é a peculiaridade do olhar de Jesus. Jesus não massifica as pessoas; Ele olha para cada um”.
O Santo Padre encorajou a não ter medo de cruzar o nosso olhar com o de Jesus: "Vou, vejo Jesus, caminho avante, fixo o olhar em Jesus e o que vejo? Que Ele tem o olhar sobre mim! E isto me faz sentir um grande estupor: é a surpresa do encontro com Jesus. Mas não tenhamos medo!”.
“Não tenhamos medo, assim como não o teve aquela senhora que foi tocar o manto de Jesus. Não tenhamos medo! Corramos neste caminho, com o olhar sempre fixo em Jesus. E teremos esta bela surpresa, que nos encherá de estupor. O próprio Jesus com os olhos fixos em mim”.
Evangelho comentado pelo Papa Francisco:
Marcos 5, 21-43
Naquele tempo, 21Jesus atravessou de novo, numa barca, para outra margem. Uma numerosa multidão se reuniu junto dele, e Jesus ficou na praia. 22Aproximou-se, então, um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Quando viu Jesus, caiu a seus pés, 23e pediu com insistência: “Minha filhinha está nas últimas. Vem e põe as mãos sobre ela, para que ela sare e viva!”
24Jesus então o acompanhou. Numerosa multidão o seguia e comprimia. 25Ora, achava-se ali uma mulher que, há doze anos, estava com hemorragia; 26tinha sofrido nas mãos de muitos médicos, gastou tudo o que possuía, e, em vez de melhorar, piorava cada vez mais.
27Tendo ouvido falar de Jesus, aproximou-se dele por detrás, no meio da multidão, e tocou na sua roupa. 28Ela pensava: “Se eu ao menos tocar na roupa dele, ficarei curada”. 29A hemorragia parou imediatamente, e a mulher sentiu dentro de si que estava curada da doença. 30Jesus logo percebeu que uma força tinha saído dele. E, voltando-se no meio da multidão, perguntou: “Quem tocou na minha roupa?” 31Os discípulos disseram: “Estás vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: ‘Quem me tocou’?”
32Ele, porém, olhava ao redor para ver quem havia feito aquilo. 33A mulher, cheia de medo e tremendo, percebendo o que lhe havia acontecido, veio e caiu aos pés de Jesus, e contou-lhe toda a verdade. 34Ele lhe disse: “Filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença”.
35Ele estava ainda falando, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, e disseram a Jairo: “Tua filha morreu. Por que ainda incomodar o mestre?” 36Jesus ouviu a notícia e disse ao chefe da sinagoga: “Não tenhas medo. Basta ter fé!” 37E não deixou que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e seu irmão João. 38Quando chegaram à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu a confusão e como estavam chorando e gritando.
39Então, ele entrou e disse: “Por que essa confusão e esse choro? A criança não morreu, mas está dormindo”. 40Começaram então a caçoar dele. Mas, ele mandou que todos saíssem, menos o pai e a mãe da menina, e os três discípulos que o acompanhavam. Depois entraram no quarto onde estava a criança. 41Jesus pegou na mão da menina e disse: “Talitá cum” — que quer dizer: “Menina, levanta-te!” 42Ela levantou-se imediatamente e começou a andar, pois tinha doze anos. E todos ficaram admirados. 43Ele recomendou com insistência que ninguém ficasse sabendo daquilo. E mandou dar de comer à menina.
fonte acidigital
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Quem poderá conhecer os desígnios de Deus?

Esta é a grande questão que se põem homens e mulheres que creem
Por Marcel Domergue*
No evangelho deste domingo, Jesus se volta para os que o seguem, buscando desiludi-los.
Referências bíblicas
1ª leitura: “Quem pode imaginar o desígnio do Senhor?” (Sabedoria 9,13-18)
Salmo: 89(90) - R/ Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós.
2ª leitura: “Recebe-o, não mais como um escravo, mas como um irmão querido” (Filêmon 9-10.12-17)
Evangelho: “Qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo” (Lucas 14,25-33)

Grandes multidões
O que estariam buscando todas estas pessoas que seguiam o Cristo, no caminho para Jerusalém? Muitos imaginavam que, sendo capaz de realizar tantas curas e prodígios, iria tomar o poder. O episódio dos Ramos vai exatamente neste sentido. Assim como a reflexão dos dois discípulos com quem Jesus foi se encontrar, no caminho de Emaús: «Nós esperávamos que fosse ele quem redimiria Israel».
No evangelho de hoje, Jesus se volta para os que o seguem, buscando desiludi-los. Revela-lhes não estarem indo para «restaurar a Realeza em Israel» (Atos 1,6), mas para perderem tudo o que constitui as nossas vidas neste mundo, tendo em vista uma passagem, uma travessia ainda inimaginável. Um Reino, sim, mas que não é deste mundo!
Podemos nos perguntar o que esperam as multidões de cristãos que constituem a Igreja hoje, sendo que os seus responsáveis, aliás, nem sequer renunciaram ainda ao exercício de um «poder temporal». Isto explica, sem dúvida, porque as «grandes multidões» da atualidade, desiludidas pela evolução da história e constatando que Deus deixa a sua gestão totalmente aos nossos cuidados, renunciam a seguir o Cristo. E ele, no entanto, nos traça um caminho, um caminho único, que nossas histórias individuais e nossa história coletiva reproduzem.
Trata-se de nossa travessia para a Vida invulnerável de Deus. Neste caminho, devemos abandonar, uma a uma, todas as nossas bagagens. Até mesmo o que nos parece mais necessário, nos é tirado. Jesus sabe que está indo para este despojamento sem reservas, para deixar lugar livre e disponível para a vida nova. Segui-lo nos mete medo? É normal: Até mesmo Jesus, no Getsêmani, conheceu este pavor e teve de superá-lo.
O caminho da cruz
A tradução litúrgica nos diz que devemos «preferir» Jesus a tudo mais, inclusive os seres que nos são mais próximos. O texto grego fala em «odiar», o que se explica pelo fato de que as línguas semíticas, subjacentes, não conhecem o comparativo. «Preferir» é um destes, convindo melhor ao sentido das palavras de Cristo.
Com efeito, em Marcos 7,9-13, ouvimos Jesus colocar o amor ao pai e à mãe acima do caráter sagrado de uma oferenda, com a qual poderíamos vir a ajudá-los. Em Marcos 10,3-12 e Mateus 19,3-12, Jesus sublinha o caráter absoluto da união do homem e da mulher, para além das tradições e dos costumes, acima da própria Lei. Mas, então, o que significa esta «preferência» de que fala o nosso texto? Não esqueçamos que Jesus está a caminho para Jerusalém, onde deverá perder tudo, inclusive a sua própria vida.
Quer saibamos ou não, quer aceitemos ou não, estamos todos aí. As pessoas com mais idade me compreenderão bem: ao longo do tempo, vamos perdendo, uma a uma, todas as realidades que fundam a nossa vida: as nossas forças, a nossa saúde, a perfeição das nossas faculdades, o cônjuge, as nossas crianças que vão embora, viver a sua vida. Totalmente desnudados é que chegaremos ao termo que nos privará da nossa «própria vida».
Assim sendo, esta é a questão: vamos pôr toda a nossa confiança em Cristo, para além da relação um tanto idolátrica que mantemos com o que povoa a nossa existência? Superando toda a metáfora, temos de segui-lo até Jerusalém, em sua passagem pela Cruz, para nos encontrarmos com ele em sua Ressurreição. Não fechemos os olhos: é para aí que, de qualquer modo, estamos indo. Busquemos segui-lo com esta alegria que só pode vir da fé.
O que verdadeiramente desejamos?
O evangelho continua, citando o exemplo do homem que quer construir uma torre ou partir para a guerra. Trata-se da qualidade do nosso desejo. Mais exatamente, da qualidade do que desejamos de modo espontâneo. Construir uma nova torre de Babel? Medirmo-nos com quem é mais forte do que nós? Aqui, é a nossa vontade de poder que é posta em questão.
Encontramos assim a lógica das linhas precedentes: o que desejamos de fato? Escolher seguir o Cristo em seu caminho não é fácil. Já compreendemos que não foi por si mesmo que ele escolheu passar por isso. O sofrimento não vem de Deus; Deus não o quer. O que Ele quer é encontrar conosco em tudo o que a vida nos dá a suportar. São os homens que erguem as cruzes. Por pior que seja a situação que tenhamos de sofrer, Deus vem nos habitar, para nos fazer sair daí.
A obra de Deus é a ressurreição desta vida que Ele nos deu e que perdemos. Para a vida é que estamos indo. Eis aí o que temos de escolher, mesmo se no caminho devamos perder todo o resto. O nosso problema é que queremos tudo. E, nestas condições, seguir o Cristo, ser seu discípulo, é impossível, tal como sublinha a última frase do nosso evangelho. No entanto, se temos muita dificuldade em nos reunir ao Cristo em sua travessia do sofrimento dos homens, se não ousamos nem mesmo vislumbrá-la, não nos desesperemos.
Voltemos aos discípulos de Emaús: temos aí estes homens que fogem de Jerusalém, onde tudo se passa. Muitas vezes, somos semelhantes a eles, cheios de ilusões a respeito do que o Cristo veio cumprir. O próprio Cristo, no entanto, veio encontrá-los em seu mau caminho, trazendo-lhes a alegria da verdade.

Sítio Croire
*Marcel Domergue (+1922-2015), sacerdote jesuíta francês.
04/09/2016 | domtotal.com
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Fogo sobre a terra

Por Dom Caetano Ferrari*
Jesus diz no Evangelho da Missa de hoje - Lc 12,49-53 - “Eu vim para lançar fogo sobre a terra e como gostaria que já estivesse aceso!”. É simbólico esse fogo. Mas não significa o fogo do inferno, do castigo. Simboliza o fogo do Espírito Santo, o fogo do amor a Deus e da misericórdia divina pelos feridos do mundo. Mas esse não é tampouco o fogo de uma paixão prazerosa, agradável, idílica. Significa o fogo do sofrimento resultante de uma prova dolorosa. Por esse sofrimento Jesus ficou conhecido como o Homem das dores. O contexto que explica essa fala de Jesus é o da sua viagem rumo à cidade santa, palco da sua paixão e morte. Lá, diz Ele: “Devo receber um batismo e como estou ansioso até que isso se cumpra!”. A ansiedade é um misto de angústia e de pressa para que tudo isso se realize logo, a fim de que seja cumprida a vontade do Pai e realizada a libertação e salvação da humanidade pecadora.
Jesus alerta, porém, que o tempo da salvação não será tempo de paz e tranquilidade. Ele pergunta: “Vós pensais que Eu vim trazer a paz sobre a terra?” E responde: “Pelo contrário, Eu vos digo, vim trazer a divisão”. Ele explicita que a divisão começará na própria família: Os pais contra os filhos, os filhos contra o pai ou a mãe, os filhos entre si, a sogra contra a nora e o genro contra o sogro. Depois perpassará as comunidades e as sociedades, tudo por causa do seu nome e de seu Evangelho. Assim sendo, Jesus se afirma como sinal de contradição no mundo. Aliás, para recordar que desde criança Ele foi visto como sinal de contradição lembremos que o velho Simeão, quando da apresentação de Jesus ao Templo por Maria e José, profetizou, dizendo: “Eis que este menino foi colocado para a queda e para o soerguimento de muitos em Israel, e como um sinal de contradição” (Lc 2,34). Inclusive os discípulos estão postos nesse nosso mundo como sinais de contradição.  Conforme Jesus disse que os discípulos não estão acima do Mestre, que eles também se preparem porque serão incompreendidos por muitos e deverão enfrentar os conflitos da vida cristã. Porquanto, seguir Jesus e seu Evangelho é pôr-se na contramão dos valores do mundo. Assim como diante de Jesus as pessoas e as sociedades se dividem em pró ou contra, elas se dividirão igualmente diante dos cristãos. Não obstante a rejeição e a cruz, importa que os cristãos perseverem até o fim, seguindo firmemente o Senhor. E seguindo-O bem de perto para que as chamas do fogo do Espírito Santo que saem de seu coração incendeiem os seus corações e os sustentem no bom combate pelo reino. 
Hoje é dia dos pais para ser celebrado com festa e com sentimentos de gratidão e carinho para com todos os pais, sem que nos esqueçamos das mães que tiveram o seu dia em maio. O foco de hoje é a paternidade, mas a festa leva-nos a ter presente a maternidade e, por consequência, a família. Na família há o pai e a mãe, as crianças, os jovens, os avós. A vida humana nasce de um homem e uma mulher que se amam e se unem gerando os filhos, criando-os, educando-os e encaminhando-os para que constituam depois a sua própria família. Sobre a base da família humana, conforme o plano do Criador, assim caminha a humanidade, construindo o reino rumo à vida eterna, plena e feliz. Por isso, nós cristãos, defendemos e promovemos a família. Ela é antes de tudo um projeto de Deus, não uma construção humana. Lembremo-nos como Deus criou do nada Adão e Eva e os fez de tal forma estruturados biológica, psicológica e espiritualmente e ordenados vocacionalmente para se tornarem os progenitores da humanidade; deles, portanto, descendem todos os povos. Numa outra oportunidade, Jesus recordou aos fariseus, que para pô-Lo à prova lhe perguntaram se é lícito repudiar a própria mulher, que desde o princípio, segundo o desígnio do Criador, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne: “De modo que já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu o homem não deve separar” (Mt 19, 4-6). Com base no ensinamento divino sobre a família, a Igreja elaborou uma sólida doutrina sobre o matrimônio cristão e revestiu a união conjugal com a dignidade de sacramento nupcial, mediante o qual os cônjuges recebem a graça especial que os abençoa e fortalece e os acompanha por toda a vida. É um dos dez mandamentos “Honrar o pai e a mãe”. São João Paulo II, refletindo sobre o sonho da civilização do amor e o dever de construí-la, afirmou que “O futuro da humanidade passa pela família”. Ora, não há nem haverá civilização do amor sem a família humana.    
Nesta data tem início a Semana Nacional da Família, uma promoção da Igreja no Brasil impulsionada pela CNBB. Na nossa Diocese, começa também a Semana Diocesana da Família. O Setor Família da Diocese, movimentando especialmente a Pastoral Familiar, a Pastoral Vocacional, o Setor Juventude, o ECC, as Equipes de Nossa Senhora e demais movimentos em prol da família, engaja-se com nossas Paróquias e Comunidades para apoiar e promover ações, sobretudo de oração, reflexão e serviço de caridade às famílias em geral e em particular às famílias “feridas” carentes de misericórdia. O lema desta Semana Diocesana da Família é: “A misericórdia na família é dom e missão”. A oração de base é: “Restaura nossa casa, Senhor!”. No próximo domingo, haverá pelas ruas da cidade a grande Caminhada da Família, um evento tradicional em Bauru que comemora também o segundo ano do Dia Municipal da Família. Venha com a sua família participar.
Ó Deus, nosso Pai, abençoai os que são pais e as nossas famílias. Concedei a todos nós um coração de filhos para que possamos viver e rezar com fé a oração que Jesus nos ensinou: “Pai nosso...” 

CNBB 11-08-2016
*Dom Caetano Ferrari: Diocese de Bauru.

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Jesus abriu a inteligência dos discípulos

O Evangelho de Lucas nos ajuda a perceber a importância do gesto de abrir o Livro
Por Felipe Magalhães Francisco*
Para as tradições judaica e cristã, o gesto de abrir o Livro das Sagradas Escrituras é carregado de simbolismo. Remete-nos à própria Revelação de Deus. Tanto as liturgias judaicas quanto as cristãs insistem nesse gesto. Para a compreensão cristã, essa Revelação é percebida de uma maneira mais profunda, pois relaciona a Palavra de Deus ao próprio Filho, encarnado em meio à humanidade. Se Deus se revela, é porque quer que nos apropriemos, existencialmente, dessa Revelação, a fim de que estreitemos nossa relação com ele. Afinal, a sabedoria popular insiste na ideia de que só amamos aquilo que conhecemos.
O Evangelho de Lucas nos ajuda a perceber a importância do gesto de abrir o Livro. Na narrativa lucana, o início da missão de Jesus se dá numa sinagoga de Nazaré, na Galileia. Entregam-lhe o Livro; ele abre e proclama o texto de Isaías; depois, fecha o Livro e faz a hermenêutica (cf. Lc 4,14-21). Jesus assume o conteúdo do texto de Isaías como programa de seu ministério: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me ungiu, para anunciar a Boa-Nova aos pobres: enviou-me para proclamar a libertação aos presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos e proclamar um ano aceito da parte do Senhor” (vv. 18-19). Esses sinais do Reino são possíveis porque, em Jesus, o hoje do cumprimento se realiza (cf. v. 21).
Os discípulos e discípulas de Jesus precisaram estar sempre muito atentos a essa dinâmica do hoje salvífico. E foi só depois da Ressurreição que a compreensão desses discípulos e discípulas se deu de maneira profunda. A maturidade da fé se alcança com a experiência da Ressurreição de Jesus que diz respeito a todos os seus seguidores e seguidoras. É justamente por isso que, depois de ressuscitado, Jesus precisa explicar as Escrituras a seus discípulos e discípulas (cf. Lc 24,27.45),abrindo-lhes a inteligência. Nós, dois mil anos depois, continuamos não estando prontos: é preciso continuar na escola do discipulado, aprendendo com o Mestre Jesus, a nos sensibilizarmos com sua mensagem e com o Reino do Pai.
O que acontece, no entanto, é que estamos perdendo a capacidade de nos abrirmos a um processo de educação, com o qual aprendemos com o próprio Jesus. Vivemos em um tempo de absolutos e isso nos impede de perceber que a maturação da fé se dá num processo de aprofundamento da experiência com o Deus de Jesus e com os irmãos e irmãs. Nesse tempo de absolutos, percebemos a volta de uma atitude apologética, com nova roupagem, por parte dos cristãos e cristãs: a defesa da fé, a todo custo, como imposição de uma verdade sequer elaborada pelos defensores. Na era da internet, então, o diálogo não encontra lugar. Toma-se partido, defende-se sua verdade, apenas a partir dos títulos das publicações: não se leem os textos, para saber o que o outro tem a dizer. A condenação ao inferno é sumária.
É preciso, urgentemente, romper com essa dinâmica. Se não voltarmos às práticas de Jesus, na consciência de que a fé precisa ser educada, num processo contínuo e de constante volta ao Evangelho, as religiões cristãs tendem a ficar sempre no lugar da defesa, fechadas em si mesmas. A postura rígida da permanente defesa da fé, por parte tanto dos clérigos quanto dos fiéis, é sintomática, pois revela uma fé infantilizada, pautada no medo de qualquer possibilidade de levantar questões que abalem as estruturas dogmáticas. É próprio da fé o questionar-se. Uma fé que não encontra crises, não encontra sentido para o concreto da vida, em atenção aos sinais dos tempos e a atuação de Deus na história. Jesus bem sabia disso e, na liberdade, fazia constante opção de fé em seu Pai. Crescendo na fé, pois crescia em estatura, sabedoria e graça (cf. Lc 2,52), Jesus pôde sempre ajudar aos seus discípulos e discípulas, a amadurecerem na inteligência da fé. Nós, hoje, devemos sempre nos lembrar disso, voltando a Jesus, para que nossa inteligência se abra e nossa verdadeira missão, de anunciar um Reino de vida, liberdade e justiça, aconteça.
*Felipe Magalhães Francisco é mestre em Teologia, pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia. Coordena a Comissão Arquidiocesana de Publicações, da Arquidiocese de Belo Horizonte. Coordena, ainda, a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). Escreve às segundas-feiras.
18/07/2016 | domtotal.com
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Necessário e urgente

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho segundo Lucas 10,38-42
Por José Antonio Pagola*
Enquanto o grupo de discípulos segue o seu caminho, Jesus entra sozinho numa aldeia e dirige-se a uma casa onde encontra duas irmãs a quem aprecia muito. A presença de Jesus, seu amigo, provoca nas mulheres duas reações muito diferentes.
Maria, seguramente a irmã mais jovem, deixa tudo e fica "sentada aos pés do Senhor". A sua única preocupação é escutá-lo. O evangelista descreve-a com os traços que caracterizam o verdadeiro discípulo: aos pés do Mestre, atenta à sua voz, acolhendo a sua Palavra e alimentando-se dos seus ensinamentos.
A reação de Marta é diferente. Desde que chegou Jesus, não faz mais do que esforçar-se em acolhê-lo e atendê-lo devidamente. Lucas descreve-a preocupada por múltiplas ocupações. Sobrecarregada pela situação e magoada com a sua irmã, expõe as suas queixas a Jesus: “Senhor, não te importa que a minha irmã me tenha deixado sozinha com o serviço? Diz-lhe que me ajude”.
Jesus não perde a paz. Responde à Marta com um grande carinho, repetindo pausadamente seu nome; logo, faz-lhe ver que também a Ele o preocupa a sua aflição, mas que deve saber que escutá-lo é tão essencial e necessário que nenhum discípulo pode ficar sem a sua Palavra. “Marta, Marta, andas inquieta e nervosa com tantas coisas; só uma é necessária”. “Maria escolheu a parte melhor e não lhe será tirada”.
Jesus não critica o serviço de Marta. Como o poderia fazer se Ele mesmo está a ensinar a todos com o Seu exemplo de viver acolhendo, servindo e ajudando os demais? O que critica é o seu modo de trabalhar de forma nervosa, debaixo da pressão de demasiadas ocupações.
Jesus não contrapõe a vida ativa e a contemplativa, nem a escuta fiel da sua Palavra e o compromisso de viver na prática o Seu estilo de entrega aos demais. Alerta sim, para o perigo de viver absorvidos por um excesso de atividade, em agitação interior permanente, apagando em nós o Espírito, contagiando o nervosismo e a aflição mais do que a paz e o amor.
Pressionados pela diminuição das forças, estamos a habituar-nos a pedir aos cristãos mais generosos todo o tipo de compromissos dentro e fora da Igreja. Se, ao mesmo tempo, não lhes oferecemos espaços e momentos para conhecer Jesus, escutar sua Palavra e alimentar-se do seu Evangelho, corremos o risco de fazer crescer na Igreja a agitação e o nervosismo, mas não o seu Espírito e a Sua paz. Poderemos vir a encontrar-nos com comunidades animadas por funcionários afligidos, mas não por testemunhas que irradiam o alento e a vida do seu Mestre.

Instituto Humanitas Unisinos
*José Antonio Pagola: teólogo espanhol.
16/07/2016 | domtotal.com
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Eles o reconheceram no partir do pão

           
A fração do pão, expressa seu amor incondicional, seu serviço, seu viver para os outros
Por Dom Alberto Taveira Côrrea*
O Senhor antecipou sacramentalmente sua entrega na última Ceia. Após a Ressurreição, ele se manifestou a seus discípulos. Como somos peregrinos na história, queremos pedir ajuda aos discípulos de Emaús, para aprender a reconhecê-lo no partir do Pão. Nosso desejo sincero é que todos os participantes do XVII Congresso Eucarístico Nacional reconheçam sua presença e se tornem missionários e missionárias, levando consigo a riqueza do que viveremos juntos, ajudados pela reflexão oferecida pelo Padre Giovanni Martoccia SX, cujos pontos principais oferecemos a todos (Cf. Texto-base do XVII Congresso Eucarístico Nacional, Edição da Arquidiocese de Belém).
O dia estava cinzento como o coração de todos os discípulos, cheios de medo, dúvida e tristeza. As esperanças messiânicas alimentadas por Jesus dissiparam-se no vento da repressão romana; e, junto com elas, também o sonhos de um Reino de Deus, por tanto tempo acalentado, se espatifou no iníquo patíbulo que recebeu a condenação do Justo. O testemunho das mulheres de que o corpo de Jesus não estava no túmulo não foi suficiente para convencer os apóstolos de que algo extraordinário havia acontecido. Ninguém do grupo quis acreditar. Mas quantas vezes lhes confirmara que iria ressuscitar! Entesourar a memória de sua palavra era pré-requisito indispensável para não naufragar no meio da tragédia. Sua palavra, meditada no coração, é âncora segura da fé, fonte de esperança e força propulsora do anúncio da Boa Nova.
Dois discípulos, tendo deixado a cidade de Jerusalém, teatro dos tristes acontecimentos da prisão e execução do Mestre, dirigiram-se a Emaús, aldeia a duas horas de boa caminhada. Parecem querer voltar a seu passado e esquecer tudo o que havia acontecido, enterrando a última lembrança de suas esperanças frustradas. Mas era justamente esse pavio fumegante que os impelia a conversar sobre aqueles mesmos eventos inesquecíveis. O caminho pedregoso e acidentado ritmava os inconstantes e ríspidos pensamentos de seus corações. Os olhos de sua memória parecem fechados, completamente vedados, a ponto de não reconhecer nem mesmo o próprio Jesus que, aproximando-se, pôs-se a caminhar com eles.
Estavam tão concentrados que não deram nenhuma atenção ao desconhecido, que toma a iniciativa e puxa conversa, perguntando sobre o assunto que os preocupava e que parecia tão sério: “Que é que vocês vão discutindo pelo caminho?” Estavam tristes e abatidos pela morte de seu Mestre, decepcionados porque pensavam que ele fosse o Messias, e agora acham que se enganaram. Finalmente, eles param. Uma parada, nessa caminhada, símbolo da nossa caminhada de vida, é o primeiro passo para compreender como nos afastamos dele, a ponto de nem o reconhecermos mais, e quanta tristeza sua falta trouxe em nossa vida. Ele nos visita, mas muitas vezes não percebemos sua presença porque ficamos amarrados ao nosso velho modo de pensar, à nossa imaginação que quer determinar o agir de Deus. O mesmo Jesus que eles conheciam tão bem estava diante deles, conversando com eles e, mesmo assim, não o reconheceram. Como é possível? 
Na verdade, Jesus é o mesmo. São os discípulos que mudaram; fechando-se em sua esperança frustrada não conseguem mais reconhecê-lo. Antes, eles olhavam para Jesus com confiança, acreditavam nele. Agora estão decepcionados e seu olhar é diferente. As falsas expectativas lhes vendaram os olhos. No entanto, Jesus cumpriu todas as suas palavras, mas não como eles imaginavam. É preciso receber algo novo, nova luz para que os olhos se abram e, finalmente, o reconheçam. 
A Jesus, que pergunta esclarecimentos sobre esses acontecimentos tão graves, responde Cléopas com outra pergunta que parece expressar espanto e irritação: “Serás tu o único forasteiro em Jerusalém que desconhece o que se passou aí nestes últimos dias?”. Jesus se mostra muito interessado e pronto a ouvir tudo o que ocorreu. Cléopas informa o curioso forasteiro dos fatos que tanto marcaram a vida deles. Conta tudo a partir do ministério de Jesus, conhecido como o Nazareno. Mas os dois discípulos não souberam acolher os acontecimentos e interpretá-los. Estão decepcionados! 
A decepção dos discípulos é justificada pelo fato que “já faz três dias que todas essas coisas aconteceram!” e ele não apareceu. Depois de Jesus ter escutado com atenção toda a história que eles tinham para contar, de repente os repreende com severidade. Jesus, com uma pergunta sobre a necessidade do sofrimento do Messias dá início à catequese pascal. É preciso que a vida de Jesus seja interpretada à luz das Sagradas Escrituras.
Quando chegaram perto do povoado para onde iam, ele fez de conta que ia mais adiante. “Fica conosco, porque é tarde e o dia já declina”. Entrou então para ficar com eles. Realmente, a vida sem ele fica muito escura, sem luz nem sentido, como peregrino em noite de lua nova. Se compartilharmos nossa jornada com ele, ouvindo suas palavras, Uma vez à mesa com eles, tomou o pão, pronunciou a bênção, o partiu e distribuiu entre eles. Então, seus olhos se abriram e o reconheceram. É Jesus que toma a iniciativa, que se aproximou deles e lhes explicava tudo. Na fração do pão, fez com que seus olhos se abrissem. Eles agora o reconhecem. Será ainda Jesus que abrirá a mente aos Onze para entenderem as Escrituras, pois tudo o que estava escrito tinha que se cumprir. 
Jesus desaparece no momento em que os dois discípulos o reconhecem. É para nos advertir que não se trata de uma visão extraordinária, mas do normal caminho da fé que nos conduz ao encontro com o Cristo vivo na Eucaristia, na convivência fraterna, na escuta da Palavra, no testemunho generoso e no compromisso evangelizador. Não são as feições físicas que permitem reconhecer Jesus ressuscitado como o mesmo que foi crucificado, mas o gesto distintivo de sua existência: a fração do pão, gesto que expressa e traz presente seu dom de amor total e incondicional, seu serviço, seu viver para os outros. No testemunho recíproco a fé manifesta sua dimensão comunitária, revela sua força transformadora, revigora o coração e ilumina os caminhos da Igreja. E disseram um ao outro: “Não ardia o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, quando nos explicava as Escrituras?” Sob esse impulso jubiloso, dois voltaram para Jerusalém. Voltou a esperança, o entusiasmo, a fé e a força para retomar o caminho, ainda que seja longo e difícil, e a noite adiantada. Mas a escuridão da noite já não assusta mais. A luz que agora brilha no coração é mais que suficiente para vencer a treva ameaçadora. Ao chegar a Jerusalém, mais uma surpresa agradável os aguarda. Acharam aí reunidos os Onze e seus companheiros, que disseram: “É verdade! O Senhor ressurgiu e apareceu a Simão!” Então, por sua vez, também contaram os acontecimentos do caminho e como Jesus fora por eles reconhecido na fração do pão.
À comunidade que se perguntava sobre como reencontrar o Senhor Jesus hoje, Lucas narra o episódio dos discípulos de Emaús. O relato visa a transmitir à comunidade a alegria do encontro com o Senhor, o Vivente, e incentivá-la a buscar na comunhão e na vivência de Igreja uma experiência pessoal de sua presença. Todos aqueles que buscam o Senhor de coração sincero e apaixonado abrindo-se ao alimento de sua Palavra e da Ceia eucarística, perceberão sua voz e sua presença. Jesus se faz presente, como desconhecido, nos caminhos da vida, nos encontros inesperados, nos acontecimentos cotidianos, que precisam ser compreendidos à luz de sua Palavra. Trata-se de identificar a ação de Deus em nossa história, adquirindo uma inteligência espiritual dos acontecimentos e fazendo “memória”, como Maria, no coração.

CNBB 01-07-2016.
*Dom Alberto Taveira Côrrea: Arcebispo de Belém (PA).
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Quem é o meu próximo?

Seguir o Salvador é ver no outro o meu próximo, o meu irmão em Jesus Cristo.
Por Marcel Domergue*
Referências bíblicas
1ª leitura: "Esta palavra está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir." (Deuteronômio 30,10-14)
Salmo: Sl. 68(69) - R/ Humildes, buscai a Deus e alegrai-vos: o vosso coração reviverá!
2ª leitura: "Tudo foi criado por meio dele e para ele." (Colossenses 1,15-20)
Evangelho: "Quem é o meu próximo?" (Lucas 10,25-37)
O deslocamento
Com o "Bom Samaritano", uma porta imensa se abre: o nosso próximo pode ser qualquer um não importa quem, sem distinção alguma de proximidade geográfica, de parentesco, de raça, religião, etc. “Quem é o meu próximo?”, pergunta o mestre da lei. A resposta virá somente no final: o teu próximo é quem se move para te ajudar.
O Samaritano, de quem não se dá o nome e que é definido apenas por sua qualidade de ser um estrangeiro, tinha a Palavra "ao seu alcance, em sua boca e em seu coração" (ver a primeira leitura).
Mesmo que ignore sem dúvida a sua forma bíblica, que se resume no "mandamento" do amor, este bem-querer que deseja que o outro viva, assim mesmo do jeitinho que ele é, e que seja feliz.
O homem ferido é um desconhecido: seu único título, para ser ajudado, é simplesmente ter necessidade de ajuda. OSamaritano então se faz próximo.
Cristo aproveita para convidar o Doutor da Lei: "Vai e faze a mesma coisa". Ensinar a Lei é bom, mas vivê-la é muito melhor. E isto não é um luxo: como diz o versículo 28, "Faze isso e viverás".
Fazer com que os outros vivam é o que nos mantém vivos. Todo homem, qualquer que seja ele, mesmo estando muito longe de nós, por sua cultura e seus valores morais, torna-se próximo nosso quando nos aproximamos dele.
O próximo não é, com efeito, uma noção estática, um dado "já aí", mas é o fruto de um deslocamento da nossa parte. E sem qualquer preocupação com a reciprocidade, pois este amor caracteriza-se por sua gratuidade. O Samaritano da Parábola busca a vida do homem ferido, não o seu agradecimento.
Quem é o "Bom Samaritano"?
Sabemos que Cristo ocupa os dois postos chaves deste nosso texto. Pois, antes de qualquer coisa, não se faz ele o próximo deste Doutor da Lei, mesmo que esteja tão longe dele? Este homem interroga Jesus, mas não para criar com ele laços de amizade e, sim, para pô-lo em dificuldade.
Jesus, no entanto, se presta ao diálogo e gratifica-o com uma explicação e uma longa parábola. Interroga-o, faz com que fale, mas não para colocá-lo em situação difícil; sim para instruí-lo, para "cuidar" dele.
Jesus, deste modo, se põe já na situação do "Bom Samaritano". Mas há muito mais: ele não é para todos nós o estrangeiro por excelência? Aquele que vem dum outro lugar, do próprio Deus? O Justo veio para junto dos injustos, para assumir a injustiça destes! Ele precisamente é quem opera este imenso deslocamento, para se tornar nosso próximo.
Ele é a Palavra que vem habitar "a boca e o coração" da humanidade (primeira leitura). Ao longo dos sinais que dá, revela-se - e revela Deus - como nosso terapeuta, derramando sobre as nossas chagas o óleo e o vinho.
O albergue para onde conduz o ferido nos faz pensar no de Emaús; o anúncio da sua volta nos fala de sua vinda “em sua glória”, quando liquidará todas as nossas dívidas. E aqui estamos todos convidados, da mesma forma que oDoutor da Lei, a "fazer a mesma coisa": "Tende em vós (e entre vós) o mesmo sentimento de Cristo Jesus..." (Filipenses 2,5). O Espírito que nos foi dado pode fazer-nos ser o próximo de toda mulher ou homem ferido.
Jesus, o homem ferido
Mateus 25,35-36: "Tive fome e me destes de comer (...), era forasteiro e me acolhestes (...)". Tenho vontade de acrescentar: ferido, estava na fossa e viestes cuidar de mim. E mais ainda: crucificado, trespassado e voltastes os olhos para mim.
Cristo identificou-se com todas as nossas vítimas, com todas as vítimas da má sorte, da doença, dos cataclismos... Ao nos fazermos "próximos" destas, nos tornamos próximos d’Ele. O amor que Ele nos trouxe pode agora nos levar até Ele: amor este que tem o nome de Espírito.
Vamos até Ele sim, mas somente passando através dos outros. Desta forma, finalmente, o amor a Deus "de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força" confunde-se com o amor a Cristo e com o amor a todos com quem nos encontramos de verdade e que têm necessidade de nós. Um passa pelo outro.
Ainda há aí uma coisa que falta: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo", diz Levítico 19,18. Significa que não se pode amar os outros sem se amar a si mesmo. Sobretudo, não nos desprezemos, nem o nosso corpo, nem o nosso espírito. Imitemos a Deus que nos quer e nos ama da forma como somos.
Amar a Deus, amar o Cristo, amar os outros, amar-nos a nós mesmos, são termos todos eles intercambiáveis, ao menos quando se trata de amor verdadeiro. Só nos amamos de fato quando fazemos dos outros os nossos próximos.

Instituto Humanitas Unisinos
*Marcel Domergue (+1922-2015), sacerdote jesuíta francês.
10/07/2016 | domtotal.com
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Papa convida a rezar o Pai Nosso e perdoar de coração os que fazem mal

VATICANO, 16 Jun. 16 / 11:30 am (ACI).- O Papa Francisco falou na manhã de hoje durante a Missa na Casa Santa Marta a respeito da importância de rezar a oração do Pai-Nosso, tendo sempre presente que somos filhos de Deus e perdoando aqueles que nos ofenderam.
Na homilia durante a Missa, comentou o Evangelho do dia no qual Jesus ensina a oração do Pai Nosso aos seus discípulos. “Jesus se dirige sempre ao Pai nos momentos fortes de sua vida”, porque conhece que é um Pai que “sabe do que precisamos antes que lhe peçamos”. É um Pai que “nos escuta às escondidas, no segredo, como Ele, Jesus, nos aconselha a rezar: no segredo”, disse o Papa.
Em seguida, o Pontífice explicou que “este Pai nos dá a identidade de filhos. Eu digo ‘Pai’, mas chego às raízes da minha identidade: a minha identidade cristã é ser filho e esta é uma graça do Espírito”.
“Ninguém pode dizer ‘Pai’ sem a graça do Espírito. ‘Pai’ é a palavra que Jesus usava quando era cheio de alegria, de emoção: ‘Pai, te louvo porque revelas estas coisas as crianças’; ou chorando, diante do túmulo de seu amigo Lázaro. ‘Pai, te agradeço porque me ouvistes’; ou ainda, nos momentos finais de sua vida, no fim”.
Portanto, “Jesus fala com o Pai. É o caminho da oração e, por isso me permito dizer, é o espaço de oração”. “Sem sentir que somos filhos, sem dizer Pai, a nossa oração é pagã, é uma oração de palavras”.
O Papa disse ainda que podemos rezar a Nossa Senhora, aos anjos e santos, mas “a pedra angular da oração é o Pai”.
“É sentir o olhar do Pai sobre mim, sentir que aquela palavra ‘Pai' não é um desperdício como as palavras das orações dos pagãos: é um chamado para Aquele que me deu a identidade de filho”.
“E depois – prosseguiu – a todos os santos, os anjos, fazemos também as procissões, as peregrinações... Tudo bonito, mas sempre começando com ‘Pai’ e com a consciência de que somos filhos e que temos um Pai que nos ama e que conhece todas as nossas necessidades”.
Mas nesta oração também se encontra a palavra “nosso” porque “somos irmãos, somos uma família”. É tão importante a capacidade de perdoar, de esquecer, de esquecer as ofensas, o hábito saudável, mas, deixemos para lá... que o Senhor faça, e não carregar o rancor, o ressentimento, o desejo de vingança”.
Deste modo, o Santo Padre convidou a “rezar ao Pai perdoando todos, esquecendo os insultos” porque “é a melhor oração que você pode fazer”.
“É bom que às vezes façamos um exame de consciência sobre isso. Para mim, Deus é Pai e eu o sinto Pai? E se não o sinto assim, peço ao Espírito Santo que me ensine a senti-lo assim. E eu sou capaz de esquecer as ofensas, de perdoar, de deixar para lá e se não, pedir ao Pai, ‘mas também estes são seus filhos, eles me fizeram uma coisa ruim... ajude-me a perdoar’? Façamos esse exame de consciência sobre nós e nos fará bem, muito bem. ‘Pai’ e ‘nosso’": nos dão a identidade de filhos e nos dão uma família para ‘caminhar’ juntos na vida”.
fonte acidigital
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Só em Cristo é possível encontra a verdadeira paz

              Ângelus: Papa Francisco explica que significa "carregar a cruz" e seguir a Cristo

VATICANO, 19 Jun. 16 / 12:00 pm (ACI/EWTN Noticias).- "Quem é Jesus para cada um de nós?" foi o convite do Papa Francisco para refletir antes da Oração do Ângelus dominical, onde explicou aos fiéis o que significa carregar a cruz pessoal para seguir o Senhor e levá-lo a um mundo que " mais do que nunca precisa de Cristo."
O Santo Padre refletiu sobre o Evangelho do dia para explicar aos fiéis as palavras de Jesus quando diz: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz de todos os dias e siga-Me”. 
“Não se trata de uma cruz ornamental, ou ideológica, mas é a cruz da vida, do próprio dever, do sacrificar-se pelos outros com amor, pelos pais, pelos filhos, pela família, pelos amigos e também pelos inimigos, é a cruz da disponibilidade a ser solidários com os pobres, a empenhar-se pela justiça e a paz.”
O Pontífice assinalou que "ao assumir esta atitude, estas cruzes, sempre perdemos algo. Nunca devemos esquecer que ‘quem perde a sua vida - por Cristo – a salvará’. Perde a sua vida para ganhá-la. E recordemos todos os nossos irmãos que ainda colocam em prática estas palavras de Jesus, oferecendo seu tempo, seu trabalho, suas fadigas e inclusive a própria vida para não negar a sua fé em Cristo”.
O Papa recordou aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro, que "Jesus, mediante o seu Santo Espírito, nos dá a força de andar em frente no caminho da fé e do testemunho. E neste caminho sempre está próxima de nós Nossa Senhora”.
Em sua reflexão, o Papa Francisco disse que o Evangelho deste domingo também "nos chama mais uma vez para nos confrontar ‘cara a cara’ com Jesus."
O Santo Padre explicou que naquela época as pessoas "consideravam Jesus um grande profeta, mas ainda não eram conscientes da sua verdadeira identidade, ou seja, que Ele era o Messias, o Filho de Deus, enviado pelo Pai para a salvação de todos".
Jesus dirigiu-se, então, diretamente aos discípulos perguntando: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” A esta interrogação, os discípulos apressaram-se a responder que “alguns dizem que Jesus é João Batista, outros que é Elias, outros que é um antigo profeta que ressuscitou”.
No entanto, Jesus pergunta aos apóstolos: "E vós, quem dizeis que Eu sou?". “Em seguida, em nome de todos, Pedro responde: “Tu és o Messias de Deus”, ou seja,” Tu és o Messias, o Ungido de Deus, enviado por Deus para salvar seu povo conforme a Aliança e a promessa”.
"Então Jesus percebe que os Doze, e em particular Pedro, receberam do Pai o dom da fé; e por isto começa a falar abertamente daquilo que o espera em Jerusalém, ou seja, que o Filho do Homem deve sofrer muito, ser recusado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos escribas, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia”.
Francisco disse que "estas perguntas de Jesus são hoje também feitas a cada um de nós: Quem é Jesus para os homens do nosso tempo? Mas o outro é mais importante: Quem é Jesus para cada um de nós?".
O Papa disse que "somos chamados a fazer da resposta de Pedro a nossa resposta, professando com a alegria que Jesus é o Filho de Deus, o Verbo eterno do Pai, que se fez homem para redimir a humanidade, derramando sobre ela a abundância da misericórdia divina. Mais do que nunca o mundo precisa de Cristo, da sua salvação, do seu amor misericordioso”.
"Muitas pessoas experimentam um vazio ao seu redor e dentro de si mesmo - talvez às vezes nós também - ; outros vivem em ansiedade e insegurança por causa da insegurança e conflito. Todos temos necessidade de respostas adequadas às nossas profundas interrogações existenciais. “Em Cristo, só n’Ele, é possível encontrar a paz verdadeira e o cumprimento de cada humana aspiração. Jesus conhece o coração do homem como nenhum outro. Por isto pode-o sarar, dando-lhe vida e consolação”, concluiu o Santo Padre.
fonte acidigital
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Quem é Jesus?

Por Cardeal OraniTempesta*
A Palavra que permeia o 12º Domingo do Tempo Comum coloca-nos diante da questão fundamental de nossa fé: quem é Jesus de Nazaré? (cf. Lc 9,18-24) Vejamos um detalhe importantíssimo: Jesus distingue a pergunta sobre a opinião do mundo daquela outra, sobre a fé dos discípulos. “Quem diz o povo que eu sou”? E as opiniões são humanas e, portanto, incompletas, parciais, superficiais: “Uns dizem que és João Batista; outros que és Elias; mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou”. Ainda hoje é assim: o mundo não poderá jamais compreender Jesus em sua profundidade e verdade última. Uns acham-No um sábio; outros, um iluminado, ou um filósofo, ou um humanista, ou um revolucionário romântico; outros O acham um alienado ou um falso profeta... Em geral, o mundo atual O vê quase como um mito, bonzinho, romântico, mas sem muitas consequências práticas. Hoje, ainda mais, as críticas e perseguição ao cristianismo aumentam.
Porém, Jesus pergunta também aos discípulos e, consequentemente, pergunta a nós: “E vós, quem dizeis que eu sou”? A resposta de Pedro é completa: “Tu és o Cristo, o Ungido, o Messias de Deus”. Esta resposta não veio da lógica humana, da inteligência ou da esperteza de Pedro. Em Mateus, Jesus afirma-o claramente: “Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne ou sangue que te revelaram isso, e sim o meu Pai que está no céu” (Mt 16,17). A afirmação do Senhor é clara, direta e gravíssima: carne e sangue, isto é, só a inteligência humana não pode alcançar quem é Jesus! Somente na revelação do Pai, ou seja, somente na experiência da fé da Igreja, nós podemos ter acesso ao mistério de Cristo, à Sua realidade profunda. As pessoas, os sociólogos, os historiadores, os filósofos alcançam a figura histórica e a interpretam! Os cristãos, os que têm o dom do Espírito Santo, veem mais profundamente e mais longe: conseguem enxergar o Filho de Deus, o Verbo que se fez carne e veio habitar entre nós e nos salvou com a morte na Cruz, e hoje está Ressuscitado, vivo entre nós.
Portanto, não nos deve surpreender se o mundo tem dificuldade de crer realmente, de aceitar seriamente o Cristo e as exigências do Seu Evangelho! As revistas, jornais, programas de rádio e televisão, intervenções nas redes sociais, as discussões históricas, sociológicas, antropológicas continuarão a ver Jesus segundo seus óculos ou pontos de vista humanos. Elas não conseguem penetrar no núcleo do seu mistério; ficam sempre no limiar, na soleira. Então, é na escuta fiel e devota da Palavra, na oração pessoal, na vida da comunidade eclesial, no empenho sincero e sacrificado de viver o Evangelho com suas exigências e, sobretudo, na celebração dos santos mistérios, que podemos fazer uma experiência autêntica de quem é Jesus. Não cremos simplesmente no Jesus que a ciência ou a história podem apreender; cremos no Cristo crido, adorado, experimentado e anunciado pela Igreja, a partir do testemunho dos apóstolos!
Porém, ao crer em Jesus, o Verbo de Deus, a nossa vida deve se transformar e mudar de tal forma que, mesmo os que não creem na revelação cristã e enxergam apenas o lado humano devem ser impactados para perguntar-se sobre o porquê do tipo de vida dos cristãos e seus testemunhos.
O núcleo do mistério de Cristo é o mistério de sua cruz! Observe-se bem: assim que Pedro afirma que Jesus é o Messias, ele precisa, esclarece que tipo de Messias ele é: "O Filho do homem deve sofrer muito, ser rejeitado... deve ser morto e ressuscitar ao terceiro dia”. Somente na cruz o discípulo pode reconhecer em profundidade o seu Senhor. Mas, a cruz não é uma teoria; é uma realidade em nossa vida e na vida do mundo: a cruz da solidão, do fracasso, da doença, das lágrimas, da pobreza, da morte... Somente quando abraçamos na nossa cruz a cruz de Cristo, podemos, então, compreendê-Lo: “Se alguém me quer seguir, quer ser meu discípulo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me”! Fora da cruz, fora do seguimento de Cristo até o fim, não há verdadeiro conhecimento do Senhor, não há a mínima possibilidade de uma verdadeira comunhão com Ele. São Paulo nos emociona, quando afirmou: “O que era para mim lucro eu o tive como perda, por amor de Cristo”. Mais ainda: “tudo eu considero perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor”. O Papa Francisco, no domingo passado, ao falar no jubileu das pessoas com deficiência, deixou-nos uma página extraordinária de reflexão sobre esse tema.
O cristianismo é radical na sua essência, é incompreensível ao mundo “A linguagem da cruz é loucura para aqueles que se perdem”! (1Cor 1,18) – Será que não andamos meio esquecidos disso? E, no entanto, “para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus”. (1Cor 1,19). Na fé, contemplamos a cruz do Senhor, tão dura para Ele e para nós, e vemos nela a fonte de purificação e de vida de que fala a Primeira Leitura da missa de hoje (Cf. Zc 12,10-11;13,1). Do coração amoroso e ferido do Cristo brota a vida do mundo e o sentido último da nossa existência. As palavras são impressionantes: “Derramarei um Espírito de graça e de oração... Eles olharão para mim. Quanto aos que traspassaram, haverão de chorá-lo, como se chora a perda de um filho único, e hão de sentir por ele o que se sente pela morte de um primogênito. Naquele dia, haverá uma fonte acessível para a ablução e a purificação”.
O seguimento de Cristo leva os cristãos a experimentarem em suas vidas a mesma sorte do Cristo de Deus: tornados filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus, todos foram batizados em Cristo e se revestiram de Cristo (Gl3, 26-28). Este processo de ser batizado em Cristo e revestir-se Dele continua através da vida. É tomar a cruz todos os dias e segui-Lo. É perder a vida por causa de Cristo para salvá-la. O Beato Paulo VI em seu documento sobre a Evangelização (EN) resume bem tudo isso: “os homens de hoje escutam muito mais as testemunhas que os mestres, e, se escutam os mestres, é porque são testemunhas”.

SIR 19/06/2016 | domtotal.com
Dom Orani João, Cardeal Tempesta é arcebispo metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro.
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E vós, quem dizeis que eu sou?

                            Não dediquemos nosso tempo a nos examinar, para saber se de fato existe amor em nossas vidas.
Confessar que Jesus é o Messias de Deus implica em perder a própria vida, para salvá-la.
Por Marcel Domergue*
Referências bíblicas
1ª leitura: «Olharão para mim a respeito daquele que trespassaram» (Zacarias 12,10-11; 13,1)
Salmo: Sl 62(63) - R/ A minha alma tem sede de vós, como a terra sedenta, ó meu Deus!
2ª leitura: A fé em Jesus Cristo supera todas as barreiras: “nem judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher” (Gálatas 3,26-29) 
Evangelho: A confissão de fé por parte de Pedro e o anúncio da Paixão (Lucas 9,18-24)
O silêncio a propósito do Messias
A passagem do evangelho que lemos neste domingo situa-se entre a multiplicação dos pães, que prefigura a última Ceia, e a Transfiguração, em que Jesus discute com Moisés e Elias a respeito «de seu êxodo que se consumaria em Jerusalém».
De fato, no versículo 51 do mesmo capítulo, veremos Jesus «tomar resolutamente o caminho de Jerusalém», onde será crucificado. Significa dizer que nossa leitura, que inclui o primeiro anúncio da Paixão, situa-se numa guinada do Evangelho de Lucas.
Antes da sua última viagem, Jesus informa aos discípulos sobre o que o espera e sobre o que os espera. Mais uma vez, surge a questão: «Quem eu sou?». A resposta de Pedro é ambígua: de fato, o Messias é considerado «filho de Davi», herdeiro da sua realeza e da sua glória. Davi é célebre por seus feitos de guerra e por ter estabelecido o povo eleito em Jerusalém.
Para a maioria dos discípulos, o Messias libertaria Jerusalém da dominação romana. Tanto que, após a Ressurreição, irão perguntar a Jesus: «Senhor, é agora o tempo em que irás restaurar a Realeza em Israel?» (Atos 1,6). Um mal-entendido a respeito do Reino e do Messias.
Cometemos erro parecido quando esperamos que Deus nos livre dos terremotos, das epidemias e das guerras. Pois tudo isso foi posto em nossas mãos: cabe a nós prevenir e remediar. O Cristo vem nos encontrar e ficar conosco, no que de pior nos possa acontecer. E nos fará sair daí, para entrarmos numa vida e num universo que sequer somos capazes de imaginar.
Jesus não quis que os discípulos ficassem repetindo ser ele o Messias, por causa deste mal-entendido quase geral, a respeito do sentido desta palavra e da missão deste «Messias». E, também, a respeito da sua identidade profunda: este filho de Davi deverá ser reconhecido como o Filho de Deus.
Deus conosco, até o fim
Filho de Davi, Filho de Deus, neste evangelho, Jesus fala de si mesmo usando a expressão «Filho do homem». OCristo se inseriu numa linhagem humana. Assim sendo, Deus e a humanidade se tornaram apenas um. Fruto da humanidade, homem por excelência, Ele é ao mesmo tempo a expressão perfeita de Deus, «o ícone do Deus invisível», como diz Paulo (Colossenses 1,15).
Digamos que, por Cristo e em Cristo, Deus desposa o destino do homem até o fim. «Fim» que é a rejeição, o ser jogado fora da humanidade, de que tantos homens padecem. Alguns, como se diz, é porque ‘aprontaram’, ou, ao menos, deram pretexto para esta exclusão. Mas Cristo foi mais longe: sem razão alguma é que foi «suprimido».
No seu caso, o totalmente justo, o justo pela justiça de Deus foi quem sofreu a sorte do injusto. E assim cumpriu-se a soberana injustiça, o excesso insuperável do que chamamos de «pecado» e que equivale a destruir, em nós e nos outros, a imagem -«o ícone»- de Deus. Esta culminância do pecado veio chocar-se com a culminância do amor.
Odiado sem haver qualquer razão, será sem razão que o Cristo irá amar até ao ponto de entregar o que querem lhe tirar: a própria vida. O gesto, portanto, de tirar-lhe a vida será de toda forma desarmado: pois não há necessidade de se apoderar daquilo que é dado.
Em Gênesis 3, o ser humano tenta apoderar-se do «ser como Deus» enquanto isto mesmo lhe fora dado, quando Deus o criara «à sua imagem e semelhança» (Gênesis 1). Jesus anuncia, portanto, aos seus discípulos, que irá encontrar-se com o homem em sua pior aflição. Aonde quer que possamos ir, até mesmo na pior decadência, Cristo permanecerá sendo Emanuel, o Deus conosco.
Viver é dar a vida
Já deveríamos ter entendido que não há necessidade alguma de metáforas sacrificiais nem vitimistas, para entrarmos na compreensão da Páscoa do Cristo. «Entrar» simplesmente, já que não chegaremos nunca ao final deste mistério. Oamor absoluto nos ultrapassa, porque nossos diversos amores não chegam nunca até aí. Jesus, no entanto, nos convida a nos unirmos a ele no dom da vida: «Se alguém me quer seguir, tome sua cruz cada dia e siga-me».
«Cada dia», diz Jesus. Esta precisão nos faz compreender que não se trata forçosamente de oferecer-nos a uma morte violenta: ninguém pode ser morto «cada dia». Mas podemos cada dia viver para os outros, consagrar a nossa inteligência e as nossas forças para fazê-los existir e até mesmo, simplesmente, facilitar-lhes a existência. Temos certa repugnância em admitir isto, que consideramos serem apenas palavras piedosas e bem-pensantes.
No entanto, quando esquecemos nós mesmos para fazer com que os outros vivam, é que começamos a existir. O Paitorna-se pai, torna-se ele mesmo, tão somente pela geração do outro que é o seu Filho. Jesus nos diz que guardar a própria vida para si, que viver em torno de si mesmo equivale a um suicídio. Sair de si mesmo para ir até aos outros é uma libertação. Temos repetido que só existimos através das relações.
Tudo depende da qualidade de nosso modo de nos religar. O cume da relação, a relação por excelência, é o amor. Não dediquemos nosso tempo a nos examinar, para saber se de fato existe amor em nossas vidas. Isto equivaleria mais uma vez a nos fecharmos em nós mesmos. Pensemos antes nos outros. Isto que é «perder a sua vida peloCristo». Temos aí, pois, desde já, a Ressurreição.

Sítio Croire, 17-06-2016.
*Marcel Domergue (+1922-2015), sacerdote jesuíta francês.
19/06/2016 | domtotal.com
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