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A contribuição de Santa Teresa de Ávila

                 Papa Francisco abre as celebrações do 500º aniversario de s.Teresa D'Ávila
            Para Santa Teresa, é na oração de recolhimento que a alma deve aprender a amar.
Por Dom Eurico dos Santos Veloso*
Teresa Sanchez Cepeda Davila y Ahumada nasceu em Ávila, Castela, em 28 de março de 1515. Era a terceira do casal Alonso Sanchez Cepeda e Beatriz Davila y Ahumada. Ela faleceu a 4 de outubro de 1542, mas por causa das reformas no calendário litúrgico, considera-se a data de sua morte 15 de outubro. Foi beatificada em 1614 pelo papa Paulo V e canonizada em 1622 por Gregório XV, com comemoração em 15 de outubro. Em 27 de setembro de 1970, foi proclamada Doutora da Igreja pelo papa Paulo VI.
Bem, o grande legado à Igreja dessa Santa mística foi a reforma do Carmelo e sua contribuição para a experiência metódica da oração pessoal na busca de uma intimidade maior com Deus.
Santa Teresa parte da oração vocal, que havia praticado com as irmãs agostinianas, mas tece-lhe críticas, pois no seu entendimento deve-se pensar no que se diz e não recitar muitas fórmulas e mexer com os lábios.
Segundo ela, o espírito deve esvaziar-se, a imaginação e o entendimento calar-se. É a oração de recolhimento, na qual a alma deve aprender a amar.
Ela se fixa nos mistérios da humanidade de Cristo, no seu sofrimento e pouco a pouco abandona o ser e o espírito, desinteressando-se de si mesmo. A alma vive e vê, numa palavra, contempla. É uma oração ativa, laboriosa, voluntária e perseverante.
Falando as irmãs do Carmelo diz: “Não sabeis o que é oração mental. Nem como se faz a vocal. Nem o que é contemplação... Comecemos por nos perguntar a quem vamos falar, e quem somos. Não podemos dirigir a um príncipe de modo tão informal quanto a um trabalhador ou a pobres criaturas como nós, a que se pode falar de qualquer jeito, e sempre está muito bem!” “Dirige a Deus cada um dos teus atos, oferece-os e pede-lhe que seja com grande fervor e desejo de Deus. Em todas as coisas, observa a providência de Deus e sua sabedoria. Em tudo, envia-lhe o teu louvor. Em tempo de tristeza e de inquietação, não abandones nem as boas obras de oração, nem a penitencia a que estás habituada. Antes as intensifica. E verás com que “prontidão o Senhor te sustenta.” “Que teu desejo seja ver Deus. Teu temor, perdê-lo. Tua dor, não te comprazeres na sua presença. Tua satisfação, o que pode conduzir-te a ele. E viverás numa grande paz.” “Quem verdadeiramente ama a Deus, ama tudo o que é bom, quer tudo o que é bom, favorece tudo o que é bom; louva todo o bem, com os bons se junta sempre, para apoiá-los e defendê-los. Em uma palavra, só ama a verdade e o que é digno de ser amado.” “Quando recito o pai-nosso, será um sinal de amor lembrar quem é esse Pai e também quem é o Mestre que nos ensinou essa oração. “Ò meu Senhor, como vos mostrais Pai de tal Filho, e como vosso Filho revela que veio de tal Pai. Bendito seja para sempre. Pai nosso, que estais no céu... Com quanta razão a alma estaria em si; poderia então elevar-se acima de si mesma e escutar o que lhe ensinaria o Filho bendito sobre o lugar em que – afirma ela – está o Pai. “Deixemos a terra, minhas filhas; não é justo que apreciemos tão mal um favor como esse, e que, depois de ter compreendido sua grandeza, continuemos sobre a terra.” (cf. Orações e recomendações de Santa Teresa, extraídas do livro: “Orar com Santa Teresa de Ávila – Edições Loyola – 1987.)
Assim, orar com os métodos de Santa Teresa de Ávila, nos leva ao encontro pessoal com nosso Deus e Pai, uma vez que a oração segundo nos ensina essa grande mística é um trato de amizade entre a alma e Deus. A oração vem as ser, assim, um caminho que nos leva à fonte de todo bem, Deus, e com a oração aprendemos a relação de dependência que nos faz viver as entranhas maternais desse Deus que vela por todos nós. Termino com a consagrada prece de entrega a Deus de nossas preocupações e inquietudes, pois, para quem encontra Deus nada lhe falta.
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*Dom Eurico dos Santos Veloso é arcebispo emérito de Juiz de Fora (MG).
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Teresa de Ávila e do Mundo atual

500 anos do nascimento de Teresa de Jesus, a mulher de Ávila que contribuiu para a emancipação da mulher e inovou a Vida Consagrada.
Por Paulo Umberto Stumpf SJ*
Neste ano do 500º aniversário de nascimento de Santa Teresa de Jesus, tive o privilégio de visitar o convento de Ávila, Espanha, onde viveu Teresa. Sua cela de monja carmelita é a expressão da pobreza e da austeridade dos mosteiros e reflete bem as características das edificações religiosas medievais da Espanha. Ao lado, um pequeno chão de quatro metros quadrados, onde Teresa cultivava uma horta. Era o seu espaço externo, à luz do sol.
Hoje, a simples e tão humilde moradia de Teresa tornou-se referência religiosa universal atraindo peregrinos de todo mudo.
Fiquei meditando como que, instalação tão pobre e tão desprovida de meios técnicos, sequer iluminação razoável havia, tenha sido suficiente para uma mulher, em pleno século XVI, provocar tamanha inovação com benefícios que permanecem extremamente atuais.
Santa Teresa de Jesus (28 de março de 1515 – 4 de outubro de 1582, Espanha), foi monja carmelita, mística, santa e doutora católica.
Se o espaço público da mulher na época não passava muito além da oração, Teresa D´Ávila empreendeu uma inovação através da própria oração. E o que poderia parecer um detalhe da vida de Teresa, na verdade, a história reconheceu como algo revolucionário. Santa Teresa soube valorizar a meditação religiosa, potencializando à razão um instrumento para a pessoa humana, a partir das condições objetivas do conhecimento, elevar-se ao patamar transcendental em que o conhecimento, por subjetivo que seja, torna-se conhecimento espiritual de si, da vida, do mundo e do próprio Deus.
Este elemento pode ser considerado como o fator razão da modernidade e, o mais importante, ao findar a Idade Média, representa a emancipação da pessoa humana como sujeito, portador de uma identidade própria, com dignidade pessoal inalienável, com a capacidade de agir mediante direitos e deveres publicamente reconhecidos. Filósofos dedicaram a este fenômeno o conceito de emergência do sujeito e da subjetividade moderna.
Assim, Teresa contribuiu não somente para a valorização da mulher na Igreja, como também, no contexto da modernidade, para o aprimoramento da espiritualidade que nos possibilita ultrapassar os limites do local (particular) e do histórico (atual) para atingir o universal e transcendental. Não é por nada que uma de suas discípulas, outra Teresa, porém a "do Menino Jesus", foi consagrada, ao lado do jesuíta São Francisco Xavier (amigo e discípulo de Inácio de Loyola), Padroeira das Missões, como se diz, "sem nunca ter saído do mosteiro".
Há um paralelo quase que espontâneo de Teresa D´Ávila com Inácio de Loyola (1491–1556), também espanhol, contemporâneos. Fundador da Companhia de Jesus (Jesuítas), Santo Inácio propôs uma metodologia de Exercícios Espirituais em que a meditação, o uso da razão e do conhecimento se fazem instrumentos de oração e o exame diário da própria consciência é imprescindível para o desenvolvimento espiritual.
Ao mesmo tempo em que Teresa mantinha uma prática de monja extremamente austera, de constante penitência e oração, com uma intensa produção intelectual, sua vida nos brinda com um dos mais belos registros históricos da amizade entre um homem e uma mulher, dela com São João da Cruz (monge carmelita que, com Teresa, é fundador dos Carmelitas Descalços). Acredito que a beleza da amizade entre João e Teresa foi transposta pela Santa no definitivo conceito de oração:
Oração contemplativa, na minha opinião, é nada mais que um compartilhamento íntimo entre amigos; significa dedicar tempo com frequência para estar sozinho com aquele que sabemos que nos ama."
Em minha vida, conselhos de Teresa D´Ávila, belos poemas, tornaram-se mantras nos quais busco constante esperança para perseverar.
Dentre eles, lembro um, com especial carinho:
Teresa D´Ávila – Poema: “Nada te perturbe!”
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*Paulo Umberto Stumpf SJ, Jesuíta, Advogado, Doutor em Direito, Reitor da Escola Superior Dom Helder Câmara e Diretor Geral do Domtotal.
27/03/2015  |  domtotal.com
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Teresa, um caso de amor

Por Frei Betto*

A 28 de março comemoram-se 500 anos do nascimento da espanhola Teresa de Ahumada, mais conhecida como Teresa de Jesus ou Teresa de Ávila, mística e doutora da Igreja Católica.
Teresa salvou minha vocação religiosa. Eu não completaria neste ano cinco décadas de pertença à Ordem Dominicana – que em 2016 celebrará 800 anos de fundação – se não fossem os livros de Teresa: "Vida" (autobiografia), "Caminho da perfeição", "Castelo interior", "Conceitos de amor", "Exclamações", e suas cartas e poemas.
Em 1965, deixei a militância estudantil (no ano anterior havia sofrido minha primeira prisão sob a ditadura, no Rio), a faculdade de jornalismo, e ingressei no noviciado dominicano, em Minas.
Três meses depois, sofri profunda crise de fé. Decidi deixar o convento. Frei Martinho Penido Burnier, meu diretor espiritual, sugeriu-me paciência. Introduziu-me na leitura de Teresa. Foi uma paixão à primeira vista.
Em sete meses de "noite escura", ela operou em mim o que caracteriza sua mística: deslocou Deus das abóbadas celestiais, dos conceitos catequéticos, para o íntimo do coração. Na boca da alma, provei o sabor do Transcendente.
Bernini a esculpiu, flechada pelo anjo, em expressão de indescritível orgasmo, na imagem exposta na igreja de Santa Maria della Vittoria, em Roma. Isto é Teresa: Deus como caso de amor. Não o deus dos castigos eternos, das culpas irremediáveis, do moralismo farisaico. Deus como paixão incontida. Tanto ansiava por ele, que ousava repetir: "Morro por não morrer."
Teresa foi uma feminista avant la lettre, numa época em que, na Europa, mulheres eram relegadas ao analfabetismo e, as místicas, atiradas à fogueira da Inquisição como bruxas. Leitora compulsiva, reformou a Ordem das carmelitas, indignada com os conventos transformados em depósitos de mulheres cujos maridos vinham explorar as riquezas do Novo Mundo.
Teresa rompe com o Carmelo convencional, e também com a mediação do clero entre a pessoa e Deus. Peregrina incansável, funda comunidades de mulheres vocacionadas à exclusividade do amor divino.
O representante do papa na Espanha, indignado, a acusa de "mulher irrequieta e andarilha, desobediente contumaz, que a título de devoção inventa má doutrina, andando fora da clausura, contra a ordem do Concílio de Trento e dos bispos, ensinando como mestra, à revelia do preceito de São Paulo de que as mulheres não devem ensinar."
Salvou-a da condenação como herética e maluca a intervenção de seus confessores e teólogos, que se tornaram seus discípulos. Em 1970, o papa Paulo VI concedeu-lhe o título de Doutora da Igreja.
Seu principal discípulo e cooperador não foi uma mulher, e sim um homem, João da Cruz, patrono dos poetas espanhóis. A dupla reformou a vida carmelita e introduziu entre os católicos o saudável exercício da meditação – embora esta palavra não apareça em seus escritos e a Igreja Católica, ainda hoje, nutra injustificável preconceito em relação à sua prática, o que arrefece, entre os fiéis, a contemplação.
Com exceção de Francisco de Assis, nenhum outro santo atrai tanto a atenção de artistas, intelectuais e psicoterapeutas quanto Teresa. Nela se realizou, em plenitude, a promessa de Jesus:"Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e viremos a ele e nele faremos a nossa morada" (João 14, 23).
Teresa transvivenciou aos 67 anos, em 1582. Suas obras completas, encontráveis em qualquer livraria católica, nos ensinam a beber do próprio poço.
*Frei Betto é escritor e religioso dominicano. Recebeu vários prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares. Foi assessor especial da Presidência da República entre 2003 e 2004. É autor de "Batismo de Sangue", e "A Mosca Azul", entre outros.27/03/2015  |  domtotal.com
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Teresa D'Ávila - Poema: "Nada te Perturbe"

"Nada te perturbe, Nada te espante.
Tudo passa. Só Deus permanece.
A paciência tudo alcança.
Quem a Deus tem, nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento. Ao céu sobe.
Por nada te angusties. Nada te perturbe.
A Jesus Cristo segue, Com grande entrega,
E, venha o que vier, Nada te espante.
Vês a glória do mundo? É glória vã;
Nada tem de estável, Tudo passa.

Deseje as coisas celestes, Que sempre duram;
Fiel e rico em promessas, Deus não muda.
Ama-o como merece, Bondade Imensa;
Quem a Deus tem, Mesmo que passe por momentos difíceis;
Sendo Deus o seu tesouro, Nada lhe falta.
SÓ DEUS BASTA!"

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MEDITAÇÃO: SANTA TERESA DE JESUS, VIRGEM E DOUTORA DA IGREJA Memória - 15 de outubro

Das Obras de Santa Teresa de Jesus, virgem
(Opusc. De libro vitae, cap.22,6-7.14)            (Séc.XVI)

Lembremo-nos sempre do amor de Cristo
Com tão bom amigo presente, com tão esforçado chefe, tudo se pode sofrer. Serve de ajuda e dá reforço; a ninguém falta. É amigo verdadeiro. Sempre tenho visto claramente que, para contentarmos a Deus e para que nos faça ele mercês, quer que seja por intermédio desta humanidade sacratíssima, na qual declarou Sua Majestade ter posto suas complacências. 
É o que muitíssimas vezes e muito bem tenho visto por experiência, e também mo disse o Senhor. Tenho compreendido claramente que por esta porta havemos de entrar, se quisermos que nos mostre grandes segredos a soberana Majestade. De modo que não se queira outro caminho, ainda que se esteja no cume da contemplação. Por aqui se vai seguro. É por meio deste Senhor nosso que nos vêm todos os bens. Ele ensinará o caminho: contemplemos sua vida, porque não há modelo melhor. 
O que mais queremos, do que ter a nosso lado tão bom amigo, que não nos deixará nos trabalhos e nas tribulações, como fazem os amigos deste mundo? Bem-aventurado quem o amar de verdade e sempre o trouxer junto de si. Olhemos o glorioso São Paulo de cujos lábios, por assim dizer, não saía senão o nome de Jesus, tão bem gravado o tinha no coração. Desde que entendi isto, tenho considerado atentamente alguns santos, grandes contemplativos, tais como São Francisco, Santo Antônio de Pádua, São Bernardo, Santa Catarina de Sena. Com liberdade havemos de andar neste caminho, entregues às mãos de Deus. Se Sua Majestade quiser elevar-nos à categoria de seus íntimos e confidentes dos seus segredos, vamos de boa vontade. 
Quando pensarmos em Cristo, sempre nos lembremos do amor com que nos concedeu tantas graças e da grande ternura que nos testemunhou em nos dar tal penhor do muito que nos ama, pois amor pede amor. Procuremos sempre ir considerando estas verdades e estimulando-nos a amar. Porque, uma vez que nos conceda o Senhor a graça de que este amor nos seja impresso no coração, tudo nos será mais fácil: faremos grandes coisas muito depressa e com pouco trabalho.

Responsório Sl 72(73),27a.28a; 1Cor 6,17

R. Eis que haverão de perecer os que vos deixam;
* Mas para mim só há um bem: É estar com Deus,
é colocar o meu refúgio no Senhor.
V. Aquele que se une ao Senhor,
com ele constitui um só espírito. * Mas para mim.

Oração

Ó Deus, que pelo Espírito Santo fizestes surgir Santa Teresa para recordar à Igreja o caminho da perfeição, dai-nos encontrar sempre alimento em sua doutrina celeste e sentir em nós o desejo da verdadeira santidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
SANTA TERESA DE JESUS, VIRGEM
E DOUTORA DA IGREJA

Memória

Nasceu em Ávila (Espanha) no ano 1515. Tendo entrado na Ordem das Carmelitas, fez grandes progressos no caminho da perfeição e teve revelações místicas. Ao empreender a reforma da Ordem teve de sofrer muitas tribulações, mas tudo suportou com coragem invencível. A doutrina profunda que escreveu nos seus livros é fruto das suas experiências místicas. Morreu em Alba de Tormes (Salamanca) no ano 1582.
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Santa Teresa D’Ávila fala à Ásia

Bangalore, Índia, 07 dez (SIR) – O Carmelo do futuro é chamado a oferecer instrumentos que correspondam à sede de Deus que existe hoje na Ásia. A espiritualidade carmelita tem enormes possibilidades para atender a esta sede de Deus e para conduzir as pessoas de modo mais profundo à sua relação com Deus: foi o que emergiu nas conclusões do Congresso asiático intitulado “Santa Teresa fala à Ásia”, organizado pelos Carmelitas descalços da Índia, em preparação ao quinto centenário do nascimento de Santa Teresa d’Ávila, reformadora da Ordem Carmelita.
Como apurado por Fides, durante o Congresso, realizado em Bangalore de 28 de novembro a 1° de dezembro passado, participaram Dom Albert D´Souza, Arcebispo de Agra e Secretário-Geral da Conferência Episcopal, Dom Bernard Moras, Arcebispo de Bangalore, junto a outros bispos de Karnataka e os Superiores Gerais de várias congregações presentes na Índia, que fazem parte da grande família Carmelita. Estavam presentes mais de 500 delegados carmelitas provenientes de toda a Índia e do exterior.
O Congresso repropôs o caráter, a espiritualidade e a doutrina da Santa, sem deixar de lado programas culturais sobre santa Teresa, como um filme realizado sobre a sua história. Todas as comunidades de vida apostólica e contemplativa, os religiosos e os leigos carmelitas – afirmou-se na conclusão dos trabalhos – deveriam se empenhar na tarefa de “viver uma experiência espiritual evangélica e profunda”. A partir dessa experiência, seja na compartilha, seja no acolhimento, seja na criação de Centros e institutos de espiritualidade, “o Carmelo do futuro poderá prestar um serviço qualificado à Igreja na Ásia”.
No vasto continente asiático, os religiosos carmelitas são chamados “a se empenharem num diálogo aberto com as grandes religiões não-cristãs, sobretudo no campo da espiritualidade”. Para alcançar esta finalidade – concluem os carmelitas indianos – será necessário buscar novas formas de oração, de vida interior e de comunidades mais consonante à mentalidade oriental.
SIR
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SANTA TERESA D'AVILA, VIRGEM, DOUTORA DA IGREJA, REFORMADORA, FUNDADORA, MÍSTICA, 15 DE OUTUBRO

"Como a corça suspira pelas águas da torrente, assim  minha alma suspira por vós, Senhor. Minha alma tem sede do Deus vivo."(Sl 41, 2-3).


Teresa de Cepeda y de Ahumada (santa Teresa de Jesus) nasceu em Ávila, Espanha, em 1515, no século das grandes conquistas. Morreu na noite de 4 de outubro de 1582, exatamente no ano em que a correção do calendário, feita pelo Papa Gregório XIII, fez seguir imediatamente o dia 15 de outubro. Recebeu em família uma educação a mais sólida possível. Acostumada desde pequena à leitura de bons livros, seu maior encanto era a vida dos santos mártires. Tão impressionada ficou, que combinou com o irmão fugir de casa para alcançar a terra dos mouros, responsáveis pelo martírio de tantos cristãos.

Aos vinte anos ingressou no Carmelo de Ávila mas  não foram nada edificantes os seus primeiros anos de consagrada. Jovem cheia de vida, inteligente, bela, procurava conciliar sua vida religiosa no claustro com o apego às criaturas, aos parentes, com as longas conversas no parlatório, desnecessárias  e até com certa frivolidade, como ela mesma confessa no Livro da Vida. 

O relaxamento no fervor religioso podia colocar em risco sua perseverança, até que um dia, foi tocada profundamente pelo olhar da imagem de um Cristo sofredor. 
"Senhor, não me levanto do lugar onde estou,  enquanto não me concederdes a graça e fortaleza  bastantes, para não cair mais em pecado e servir-vos de todo coração, com zelo e constância”.
 Resolveu mudar de atitude e, de uma vez para sempre, extinguiu no seu coração o apego ao mundo, às criaturas e às vaidades mundanas.

Em 1562, depois de vinte e cinco anos de vida religiosa, Teresa mergulhou numa obra gigantesca dando início à reforma dos Carmelos, tão numerosos na Espanha. Nas suas peregrinações de reformadora era vista indo e vindo pelas estradas da Espanha sem cessar. Com destemida coragem enfrentou todas as dificuldades e contradições que a reforma implicava  e, conseguiu, que algumas dezenas de conventos aceitassem voltar ao   fervor primitivo da vocação carmelita. Além dos mosteiros reformados conseguiu fundar outros trinta e dois (dezessete femininos e quinze masculinos).

Possuidora de grande inteligência e profundos conhecimentos teológicos, revela uma alma totalmente possuída por Deus, que a purificava através dos sofrimentos físicos e morais, inclusive acusações caluniosas junto às autoridades eclesiásticas, que quase fizeram fracassar sua obra.


Ao mesmo tempo que levava uma vida tão agitada, acrisolava cada vez mais sua vocação contemplativa, escrevendo suas experiências místicas.
Em sua biografia há capítulos ( 11 e os seguintes), que dão testemunho da intensidade da  sua vida interior.  O que diz sobre os quatro degraus da oração, isto é, sobre o recolhimento, a  quietação, a união e o arrebatamento, é realmente aquilo que a oração da sua festa chama “pábulo da celeste doutrina”. Graças extraordinárias a acompanhavam constantemente como fossem: comunicações diretas divinas, visões, presença visível de Cristo.
                                      Um anjo traspassou seu coração com uma seta de fogo, fato este que a Ordem carmelitana comemora na festa da transverberação do coração de Santa Teresa, em 27 de agosto.

 Deixou obras imortais como  o Caminho da Perfeição,  As moradas,  A autobiografia, etc. que lhe conferiram o título de doutora mística, fazendo-a junto com são João da Cruz a criadora da espiritualidade carmelita, um dos máximos expoentes da teologia mística de todos os tempos.
A finalidade da via carmelita é a união absoluta com Deus até se formar uma espécie de matrimônio espiritual entre a alma e Deus. O seu segredo é o amor unitivo.
Oito anos antes de deixar este mundo, foi-lhe revelada a hora da morte. Sentindo esta se aproximar, dirigiu uma fervorosa ordem  a todos os conventos de sua fundação ou reforma. Com muita devoção recebeu os santos Sacramentos, e constantemente rezava jaculatórias sobre esta:

" Meu Senhor, chegou afinal a hora desejada, que traz a felicidade de ver-vos eternamente." – Sou uma filha de Vossa Igreja. Como filha da Igreja Católica, quero morrer".   - Senhor, não me rejeiteis a Vossa face. Um coração contrito e humilhado não haveis de desprezar".
Santa Teresa morreu em 1582, em Alba de Tormes (Salamanca), na idade de 67 anos. Logo após sua morte, o corpo da Santa exalava um perfume deliciosíssimo. Até o presente dia se conserva intacto.
                                      Seu coração, apresentando larga e profunda ferida, acha-se guardado num precioso relicário na Igreja das Carmelitas em Alba.


 Nela o amor pela Igreja tornou-se de fato uma paixão. Ficou conhecida como Teresa, a grande, mas sua profunda doutrina espiritual, que muito tem de Agostinho e Gregório Magno, lhe mereceu ser declarada por Paulo VI, " Doutora da Igreja", ou seja,  mestra de espiritualidade.
Santa Teresa de Jesus, rogai por nós.


"Senhor, quero cantar eternamente a vossa misericórdia e vossa felicidade de geração em geração" (Sl 88, 2).


Com a Liturgia das Horas, rezemos:
Hino (Vésperas)


Este é o dia em que Teresa,
qual pomba de branca alvura,
à terra tão pouco presa,
o templo do céu procura.


As falas do Espírito escuta:
Amada, vem do Carmelo!
Esquece, irmã, tua gruta,
que o meu amor é mais belo.


Cantemos o Esposo amado,
que vem desposar Teresa
com seu anel de noivado
e a lâmpada sempre acesa.


Oração


Ó Deus, que pelo Espírito Santo fizestes surgir Santa Teresa para recordar à Igreja o caminho da perfeição, dai-nos encontrar sempre alimento em sua doutrina celeste e sentir em nós o desejo da verdadeira santidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
(Publicado em 15.10.2010, atualizado em 15.10.2012)
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São Francisco da Penitência OFS Cabo Frio | by TNB ©2010