ANUNCIAÇÃO DO SENHOR

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Ao entrar no mundo, Cristo disse: "Eis-me aqui, ó Pai, para fazer a tua vontade".

Na Igreja antiga celebrava-se, pouco antes do Natal, o mistério da Encarnação; a isso se referem ainda hoje os textos litúrgicos do terceiro domingo do Advento. 
Celebrar o mistério da Anunciação do anjo à Virgem Maria, é celebrar o início oficial da nossa Redenção.
 Esta festa parece ser mariana, pois é Maria que recebe o anúncio, mas o tema central é Cristo: "O Verbo de Deus se fez carne no seio puríssimo da Virgem Maria". O protagonista deste mistério é o Verbo. Deus escolhe a mãe de seu Filho Unigênito; Maria, a jovem israelita é o instrumento, a serva que aceita a proposta divina, se torna disponível, como escada pela qual Cristo desce até nós.
 O Fiat de Maria, isto é, o seu "Seja feito conforme a sua Palavra", marcou o momento em que a história da humanidade se dividiu em duas partes, antes e depois; a eternidade entrou no tempo e Deus se fez história; marcou o início da história de toda a humanidade remida em Cristo. Todas as gerações passadas e futuras dependeram do Fiat de Maria, e hoje,  através dela, podem adorar o mistério do Verbo presente no seu ventre. 

 Deus não entrou no mundo pela força; quis "propor-se". O "sim" de Maria realiza definitivamente a aliança. Nela está todo o povo da promessa: o antigo (hebreus) e o novo (a Igreja); "o Senhor está com ela", isto é, Deus é nosso Deus e nós somos para sempre seu povo. As leituras da liturgia de hoje - que é uma solenidade do Senhor - nos orientam para o mistério da Páscoa. O primeiro, o único "sim" do Filho, que, entrando neste mundo, disse: "Eis que venho para fazer a Tua vontade" (Sl 39; Hb10,4-10), recebe a resposta do Pai, o qual, depois da oferta dolorosa da paixão, selará com a ressurreição, no Espírito, a salvação apresentada a todos através da Igreja. A Encarnação é também o mistério da colaboração responsável de Maria na salvação recebida como dom. Revela-nos que Deus, para salvar-nos, escolheu essa pedagogia, a de passar através do homem: "...e o Verbo se fez carne e veio habitar no meio de nós...e nós vimos a sua glória" (Jo 1,14).
Repetindo em cada missa: "Fazei isto em memória de mim!", o Senhor nos ensina a "darmos" também o nosso corpo e o nosso sangue aos irmãos. Tornamos assim digna de fé a salvação de Deus, encarnando-a também nos pequenos "sim" que todos os dias repetimos, a exemplo de Maria.(Missal Cotidiano)


ORAÇÃO
Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da Virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso Redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Para ler e meditar, leitura extraída do Ofício das Leituras:

Das Cartas de São Leão Magno, papa
(Epist. 28, ad Flavianum,3-4: PL 54,763-767)     (Séc.V)
O sacramento da nossa reconciliação

A humildade foi assumida pela majestade, a fraqueza, pela força, a mortalidade, pela
eternidade. Para saldar a dívida de nossa condição humana, a natureza impassível uniu-se à
natureza passível. Deste modo, como convinha à nossa recuperação, o único mediador entre
Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, podia submeter-se à morte através de sua natureza humana e permanecer imune em sua natureza divina.

Por conseguinte, numa natureza perfeita e integral de verdadeiro homem, nasceu o verdadeiro Deus, perfeito na sua divindade, perfeito na nossa humanidade. Por “nossa humanidade” queremos significar a natureza que o Criador desde o início formou em nós, e que assumiu para renová-la.

Mas daquelas coisas que o Sedutor trouxe, e o homem enganado aceitou, não há nenhum
vestígio no Salvador; nem pelo fato de se ter irmanado na comunhão da fragilidade humana,
tornou-se participante dos nossos delitos. 
Assumiu a condição de escravo, sem mancha de pecado, engrandecendo o humano, sem
diminuir o divino. Porque o aniquilamento, pelo qual o invisível se tornou visível, e o Criador
de tudo quis ser um dos mortais, foi uma condescendência da sua misericórdia, não uma falha do seu poder. Por conseguinte, aquele que, na sua condição divina se fez homem, assumindo a condição de escravo, se fez homem.

Entrou, portanto, o Filho de Deus neste mundo tão pequeno, descendo do trono celeste, mas
sem deixar a glória do Pai; é gerado e nasce de modo totalmente novo. De modo novo porque, sendo invisível em si mesmo, torna-se visível como nós; incompreensível, quis ser
compreendido;existindo antes dos tempos, começou a existir no tempo. O Senhor do universo assume a condição de escravo, envolvendo em sombra a imensidão de sua majestade; o Deus impassível não recusou ser homem passível, o imortal submeteu-se às leis da morte.

 Aquele que é verdadeiro Deus, é também verdadeiro homem; e nesta unidade nada há de falso, porque nele é perfeita respectivamente tanto a humanidade do homem como a grandeza de Deus.

Nem Deus sofre mudança com esta condescendência da sua misericórdia nem o homem é
destruído com sua elevação a tão alta dignidade. Cada natureza realiza, em comunhão com a
outra, aquilo que lhe é próprio: o Verbo realiza o que é próprio do Verbo, e a carne realiza o que é próprio da carne.

A natureza divina resplandece nos milagres, a humana, sucumbe aos sofrimentos. E como o
Verbo não renuncia à igualdade da glória do Pai, também a carne não deixa a natureza de nossa raça.

É um só e o mesmo – não nos cansaremos de repetir – verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro Filho do homem. É Deus, porque no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus: e o Verbo era Deus. É homem, porque o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,1.14).

Responsório Cf. Lc 1,31.42
R. Ó Virgem Maria, acolhei a Palavra
que Deus vos envia por meio do anjo:
sereis Mãe do Deus-Homem,
 * E sereis aclamada bendita
entre todas as mulheres da terra.  
V. Dareis, na verdade, à luz um Menino
e sereis sempre virgem, sereis Virgem-Mãe.
* E sereis aclamada.

Oração
Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da Virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso Redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.R. Graças a Deus.
publicado em 25.3.11 às 23:44, atualizado em 08.04.13

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