Chegamos hoje ao fim dos 40 dias misteriosos
nos quais Jesus, a uma só vez presente e inaccessível, preparou os discípulos
para o tempo em que vai ser necessário crer sem ver. A Ressurreição foi, de
fato, um salto na vida de Deus e a Ascensão só fez revelar uma realidade que
estava já aí.
Quando os discípulos puderam ter como evidente
que Jesus havia atravessado a morte, não necessariamente podiam compreender que
esta vida nova que O animava já não era mais a mesma de antes da Paixão. Vão
ter agora que aceitar esperar a volta do Cristo. Quantas parábolas nos falam do
mestre que se ausenta, confiando a casa aos seus empregados! Mas, mesmo se para
os nossos sentidos corporais Jesus não esteja mais aqui, não é por isso que
estamos sós. Fomos habitados por seu Espírito e assumidos na unidade de um só
corpo com múltiplos membros: “É bom para vós que eu parta” dizia Jesus, em João
16,7. E em 17,11: “Já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, enquanto eu
vou para ti. Pai santo (...) para que sejam Um assim como nós somos Um.” Por
isso Lucas termina o seu relato dizendo que os discípulos “voltaram para
Jerusalém com grande alegria”. Esta é a nossa situação atual. Não temos contato
com Jesus, nem visual nem auditivo, exceto através das Escrituras, e, no
entanto, Ele está aqui, mais perto e mais íntimo a nós do que no tempo de sua
vida “terrestre”.
O nome acima de todo nome
Uma vez que o Cristo soube amar a ponto de se submeter à nossa morte, “Deus o exaltou e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. Para que ao nome de Jesus todo joelho se dobre de quantos há no céu, na terra e debaixo da terra. E que toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor...” (Filipenses 2,9-11). A Ascensão não é somente um desaparecimento combinado com um novo modo de presença; é também uma elevação. Até mesmo na linguagem corrente, a altitude geográfica é um símbolo de excelência.
O nome acima de todo nome
Uma vez que o Cristo soube amar a ponto de se submeter à nossa morte, “Deus o exaltou e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. Para que ao nome de Jesus todo joelho se dobre de quantos há no céu, na terra e debaixo da terra. E que toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor...” (Filipenses 2,9-11). A Ascensão não é somente um desaparecimento combinado com um novo modo de presença; é também uma elevação. Até mesmo na linguagem corrente, a altitude geográfica é um símbolo de excelência.
A imagem de Jesus que sobe aos céus e
desaparece na nuvem é para ser tomada neste sentido. Tem um Nome que está acima
de todo nome e que, portanto, não é mais um nome: é o Nome impronunciável, o
Nome divino a que se refere o relato da sarça que arde sem se consumir, em
Êxodo 3,14. Daqui por diante, conforme segue o texto de Paulo, o nome divino,
outrora impronunciável, torna-se Jesus. Jesus foi elevado acima do quê? Na
segunda leitura, Paulo diz que Deus “o fez sentar-se (...) bem acima de toda
autoridade” e de todos os seres que nos dominam. Colocou-O mais alto que tudo,
segue dizendo, e “pôs tudo sob os seus pés”, submetendo tudo a Ele. Todos nós
temos parte neste poder, porque o Cristo tornou-se “a cabeça da Igreja, que é o
seu corpo”, a plenitude total do Cristo, “a plenitude daquele que possui a
plenitude universal.” No fundo, os céus para onde o Cristo foi subindo somos
nós, a Igreja.
A Ascensão e a vitória da cruz
As palavras usadas por Paulo para falar de tudo o que foi superado pelo Cristo, tudo aquilo que é contra nós, permanecem para nós um pouco abstratas. Vamos tentar precisar mais. Quando Jesus aceitou ir para a morte de cruz, superou o medo e a dúvida, confiando nas Escrituras. A cruz é já uma vitória da fé: vitória bem trabalhosa, para quem acredita no relato do Getsêmani. É uma vitória também sobre tudo o que faz nascer a violência dentro de nós: o desejo de retribuir o mal com o mal, o desejo de opor a força contra a força: as legiões de anjos que não serão convocadas (Mateus 26,53); a necessidade de defender sua honra, sua dignidade.
A Ascensão e a vitória da cruz
As palavras usadas por Paulo para falar de tudo o que foi superado pelo Cristo, tudo aquilo que é contra nós, permanecem para nós um pouco abstratas. Vamos tentar precisar mais. Quando Jesus aceitou ir para a morte de cruz, superou o medo e a dúvida, confiando nas Escrituras. A cruz é já uma vitória da fé: vitória bem trabalhosa, para quem acredita no relato do Getsêmani. É uma vitória também sobre tudo o que faz nascer a violência dentro de nós: o desejo de retribuir o mal com o mal, o desejo de opor a força contra a força: as legiões de anjos que não serão convocadas (Mateus 26,53); a necessidade de defender sua honra, sua dignidade.
João tem razão ao dizer que, pela cruz, Jesus
foi elevado da terra: ele se elevou acima de todas as tentações de poder que
nos dominam e nos levantam uns contra os outros. Pois é neste consentimento à
fraqueza que se afirma o poder de Deus. Este poder não é um poder “contra”, mas
um poder “a favor de”, como no primeiro dia da criação. A cruz é uma vitória da
vida sobre as forças da morte, e a Ressurreição só fará explicitar este triunfo
de Jesus sobre tudo o que pretendia persuadi-lo a recusar o dom de sua vida, a
recusar o amor, portanto. Jesus ressuscitou porque o amor é que O faz viver. Ao
extravasar a plenitude do amor, Jesus havia entrado já na vida de Deus, de que
a Ascensão será para nós o sinal e a revelação. Logo se vê que o mistério do
Cristo se compõe de um conjunto perfeitamente inseparável.
Croire


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