CRISTÃO, O SAL QUE DÁ SABOR À TERRA

terça-feira, 28 de maio de 2013

O cristão, segundo a metáfora evangélica de Mateus (5, 13-14), é chamado a ser sal da terra. Mas se não transmitir o sabor que o Senhor lhe doou, transforma-se num "sal insípido" e torna-se "um cristão de museu". Foi este o tema abordado pelo papa Francisco na missa celebrada na manhã de quinta-feira (23) de Maio, na capela da Domus Sanctae Marthae.

O Evangelho do dia (Marcos 9, 41-50) inspirou ao Santo Padre uma reflexão sobre a peculiaridade que caracteriza os cristãos: ou seja, ser para o mundo o que o sal é para a dona de casa e para quem tem bom gosto e aprecia o sabor das coisas. "O sal é bom" iniciou o Pontífice. Uma coisa boa "que o Senhor criou, mas, se o sal se tornar insípido – perguntou-se – com que dareis sabor?".

Fala-se sobre o sal da fé, da esperança e da caridade. "O Senhor dá-nos este sal", esclareceu o Santo Padre que, depois, levantou o problema de como fazer para que «não se torne insípido».  «Como se deve fazer, para que o sal não perca a sua força?".
Entretanto, o sabor do sal cristão - explicou – nasce da certeza da fé, da esperança e da caridade que surge da consciência de que «Jesus ressuscitou para nós» e nos salvou. Mas esta certeza não nos foi dada simplesmente para a conservar.  Se assim fosse, ela acabaria como o sal conservado num pequeno recipiente: "não importa, não serve". Ao contrário, o sal – explicou o papa – tem sentido quando é usado para dar sabor. Penso que o sal conservado no recipiente, com a humildade perde força. E não serve. O sal que nós recebemos é para doar; serve para dar sabor, para ser oferecido"; caso contrário "torna-se insípido e não serve".

Mas o sal tem também outra peculiaridade. Quando "se usa bem – especificou o papa Francisco – não se sente o gosto de sal». Assim «o sabor do sal» não altera o sabor dos alimentos; aliás, "sente-se o sabor de cada refeição, que se torna mais boa e mais saborosa. Esta é a originalidade cristã: quando nós anunciamos a fé com este sal, quem o recebe recebe-o na sua  peculiaridade, como as refeições".

Todavia, afirmou o bispo de Roma, "a originalidade cristã não é uma uniformidade. Aceita cada pessoa como é, com a sua personalidade, com as suas características e a sua cultura, sem pretender mudá-la porque é uma riqueza; mas dá-lhe algo mais,  dá-lhe sabor. Se, ao contrário, se tendesse à uniformidade, seria como se todos fossem salgados da mesma maneira. Aconteceria a mesma coisa se nos comportássemos como a mulher quando coloca demasiado sal: sentir-se-ia só o gosto do sal e não o gosto da comida temperada com sal".

A originalidade cristã é precisamente isso: cada um permanece o que é, com os dons que o Senhor lhe ofereceu. "Cada um é diferente dos outros; por conseguinte, o sal cristão é o que faz ver precisamente as qualidades de cada um. Este é o sal que devemos oferecer e não conservar. Ou pelo menos não o conservar até que ele se estrague".

"Para que o sal não se deteriore, existem dois métodos a ser seguidos, que devem caminhar juntos". O papa explicou-os deste modo: "Em primeiro lugar, oferecê-lo em função das refeições, ao serviço do próximo, das pessoas. Trata-se do sal da fé, da esperança e da caridade: oferecê-lo, oferecê-lo, oferecê-lo!".

Outro método implica a transcendência, ou seja, a propensão "para o autor do sal, o criador, aquele que criou o sal. O sal não se conserva só oferecendo-o na pregação. Necessita também da outra transcendência, da oração e da adoração. E assim o sal conserva-se, não perde o seu sabor. Com a adoração ao Senhor, eu transcendo de mim mesmo para o Senhor; e com o anúncio evangélico saio fora de mim mesmo para anunciar a mensagem".

Sem seguir este caminho, "para oferecer o sal – concluiu o Pontífice – ele permanecerá no pequeno recipiente, e nós tornar-nos-emos cristãos de museu» que só podem mostrar o sal. Mas, tratar-se-á de um «sal sem sabor, um sal que não serve".
L’Osservatore Romano, 24-05-2013.
fonte: 24/05/2013  |  domtotal.com

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