PAPA FRANCISCO E A LUTA CONTRA O CARREIRISMO E OS PRIVILÉGIOS

domingo, 19 de maio de 2013


"O papa pede que se abandone toda autorreferencialidade. Quem vive referindo tudo a si mesmo não ama e, portanto, vive pela carreira, pelos privilégios. Essa Igreja não é a Igreja de Jesus Cristo". ..."Se as prioridades são outras, a Igreja não é fiel à sua vocação e missão".

19/05/2013  |  domtotal.com
Entrevista com Bruno Forte, teólogo de prestígio, arcebispo de Chieti-Vasto, foi membro da Comissão Teológica Internacional

Paolo Rodari
Eis a entrevista.

Quem são cristãos de salão?

O papa o disse. São aqueles que não têm a coragem de incomodar. Que vivem pela comodidade e pelos confortos, achatando-se sobre as lógicas do poder e da conveniência, as lógicas próprias do mundo. São aqueles que rejeitam o escândalo da vida cristã: a cruz de Cristo, Deus que se faz servo do ser humano.

Uma advertência sobretudo para Roma e para a sua Cúria?

Uma advertência para toda a Igreja. Para que se volte à radicalidade do Evangelho. Este não é o tempo de uma Igreja que busque na comodidade dos salões a sua própria vantagem, uma Igreja que renuncie ao Espírito em nome do poder ou da conveniência política.

A Igreja vive muito de carreirismo e de privilégios?

O papa pede que se abandone toda autorreferencialidade. Quem vive referindo tudo a si mesmo não ama e, portanto, vive pela carreira, pelos privilégios. Essa Igreja não é a Igreja de Jesus Cristo. O papa pede que cada fiel e todo o povo de Deus saiam de si mesmos e abracem cada periferia do mundo e também do coração, geográfica e espiritual.

Em suma, ele não quer uma Igreja tranquila?

Exato. Eu gostaria de citar aqui São Bernardo, que diz que "é amarga a vida da Igreja quando é perseguida pelos tiranos; ainda mais o é quando é dividida por causa dos hereges; mas atinge o seu clímax quando está tranquila e em paz". Se a Igreja está tranquila significa que algo está errado...

A chegada de Francisco mudou e está mudando muitas coisas.

A sua chegada pede uma renovação certamente também interna. É o tempo da Igreja dos pobres, da Igreja que saiba servir a todas as pessoas, começando pelos últimos. Se as prioridades são outras, a Igreja não é fiel à sua vocação e missão.

O papa pediu ao seu lado oito cardeais de diversos continentes. Uma reviravolta também aqui, para que se conduza a Igreja mais colegialmente e ouvindo a todos?

A convocação do conselho dos cardeais responde à lógica da Igreja unida na fé, capazes de manter presente e valorizar toda diversidade na comunhão colegial dos bispos ao redor do bispo de Roma e com a sua orientação. Verdadeiramente una e católica.
La Repubblica
fonte:19/05/2013  |  domtotal.com
Ver também: 

Quando os pastores se tornam lobos

 16/05/2013  |  domtotal.com Artigo publicado no jornal L’Osservatore Romano, em 16 de maio

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