Seu lugar de nascimento foi Flávia Neápolis (atual Nablus), na Síria Palestina ou Samaria. A educação infantil de Justino incluiu retórica, poesia e história. Como jovem adulto mostrou interesse por filosofia e estudou primeiro estoicismo e platonismo.
Justino foi introduzido na fé
diretamente por um velho homem que o envolveu numa discussão sobre problemas
filosóficos e então lhe falou sobre Jesus. Ele falou a Justino sobre os
profetas que vieram antes dos filósofos, ele disse, e que falou "como
confiável testemunha da verdade". Eles profetizaram a vinda de Cristo e
suas profecias se cumpriram em Jesus. Justino disse depois: "meu espírito
foi imediatamente posto no fogo e uma afeição pelos profetas, e para aqueles
que são amigos de Cristo, tomaram conta de mim; enquanto ponderava nestas
palavras, descobri que a sua era a única filosofia segura e útil". Justino
então "se consagrou totalmente a expansão e defesa da religião
cristã".
São Justino continuou usando a capa
que o identificava como filósofo e ensinou estudantes em Éfeso e depois em
Roma. Os trabalhos que escreveu incluem duas apologias em defesa dos cristãos e
sua terceira obra foi Diálogo
com Trifão.
A convicção de Justino da verdade do
Cristo era tão completa, que ele teve morte de mártir sendo decapitado no ano
165 d.C..
Primeira Apologia, 67.66 – Texto de São Justino
«O verdadeiro pão descido do céu»: no
século II, uma das primeiras descrições da Eucaristia para além do Novo
Testamento
No dia a que chamamos dia do sol [domingo], nas cidades e nas aldeias todos os habitantes se reúnem num dado lugar. Leem-se as memórias dos apóstolos e os escritos dos profetas segundo o tempo de que se dispõe. Quando a leitura termina, aquele que preside toma a palavra para chamar a atenção sobre os ensinamentos recebidos e para exortar ao seu seguimento. Depois levantamo-nos, e em conjunto apresentamos as intenções de oração. Seguidamente traz-se o pão, o vinho e a água. O presidente dirige ardentemente ao céu súplicas e ações de graças, e o povo responde com a aclamação «Amém!», uma palavra hebraica que quer dizer: «Assim seja».
Chamamos este alimento Eucaristia,
e ninguém o pode tomar se não acredita na verdade da nossa doutrina e se não
recebeu o banho do batismo para a remissão dos pecados e regeneração. Porque
nós não tomamos este alimento como se toma um pão ou uma bebida vulgar. Do
mesmo modo que, pela Palavra de Deus, Jesus
Cristo nosso Salvador incarnou, tomando carne e sangue para nossa salvação,
também o alimento consagrado pelas próprias palavras rezadas e destinado a
alimentar a nossa carne e o nosso sangue para nos transformar, este alimento é
a carne e o sangue de Jesus incarnado: esta é a nossa doutrina. Os
Apóstolos, nas memórias que nos deixaram, a que chamamos os Evangelhos,
transmitiram-nos a recomendação que Jesus lhes fez: Tomou o pão, abençoou e
disse: «Fazei isto em minha memória; isto é o meu corpo». De igual modo tomou o
cálice, abençoou-o e disse: «Isto é o meu sangue». E só os deu a eles (Mt
26,26s; 1Co 11,23s)… É no dia do sol que nos reunimos todos, porque este é o
primeiro dia, aquele em que Deus para fazer o mundo separou a matéria das
trevas, e ainda o dia em que Jesus Cristo nosso Salvador ressuscitou dos
mortos.
Em seu novo livro sobre a
infância de Jesus Cristo, Joseph Ratzinger, que o redigiu como escritor e não
como Papa, comenta que o boi e o jumento não são mencionados nos Evangelhos.
Realmente, não são! E isto gerou uma onda de comentários os mais desabonadores
à tradição milenar de confecção de Presépios.
Mas, o fato concreto e histórico é que
os humildes animais passaram a fazer parte das representações (pinturas,
esculturas, etc.) do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo a partir do século II,
quando São Justino, Mártir e primeiro filósofo cristão (vide abaixo),
analisando o Capítulo I do Profeta Isaias interpretou que com Jesus Israel
conheceu o Criador, e como o boi e o jumento são ali mencionados como os únicos
que O tinham reconhecido, o santo sugeriu inclui-los como símbolo dos que
acolhem o Salvador.
É bom lembrar, inclusive, a
representação organizada por São Francisco de Assis em Greccio, no século XIII,
que se espalhou por toda a Cristandade, onde os animais também eram figuras da
cena.
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