A FÉ DO PAGÃO - ROTEIRO HOMILÉTICO

sábado, 1 de junho de 2013

A proposta do Roteiro Homilético é elaborada pela FAJE, sob a responsabilidade de seu Reitor, Pe. Jaldemir Vitório SJ, com base nos textos de autoria do Pe. Johan Konings SJ.
Confira a íntegra do Roteiro Homilético.
Falamos hoje muito em ecumenismo, diálogo inter-religioso. Mesmo seguros em nossa fé, sentimos que a nossa religião não deve monopolizar tudo o que é valioso.

Na 1ª leitura de hoje, o rei Salomão pede a Deus que ele atenda também as preces dos não-judeus que forem rezar no templo de Jerusalém. No evangelho, Jesus louva a fé de um pagão, militar estrangeiro, que lhe pede a cura de seu filho com tamanha fé como Jesus “nem mesmo em Israel” tinha encontrado.

Os que moram mais perto da Igreja não são necessariamente os que têm mais fé. Muitos cristãos tratam a religião cristã como tradição de família ou forma de aparecer; mas no fundo do seu coração não acreditam, não dão crédito a Deus. Dirigem-se por seu próprio nariz, sem deixar Deus se intrometer nos seus negócios... Decidem por conta própria o que lhes convém, Deus e religião à parte.
E mesmo quando estão em apuros, só rezam por interesse próprio. Diferente é a fé do centurião pagão, que usa a magnífica imagem tirada da vida militar para reconhecer o poder de Jesus e lhe pedir pela vida de seu filho. Este pagão reconheceu em Jesus a presença do “Deus da vida”.

Será que também hoje se encontra tamanha fé entre os que não pertencem oficialmente à Igreja, mas talvez, no coração, estão mais próximos de Jesus do que nós? Não apenas os pagãos que ainda não ouviram o evangelho – uns poucos índios no coração da selva –, mas os pagãos de nossas selvas de pedra, desta nossa sociedade, que abafou o evangelho a tal ponto que, apesar dos muitos templos, ele já não chega ao ouvido das pessoas. Tal que se diz ateu, talvez porque nunca encontrou verdadeiro cristianismo; ou tal que vive dissoluto, por ter sido educado assim; ou então, tal que busca Deus com o coração irrequieto de santo Agostinho... todos esses não receberão maior elogio de Deus do que os cristãos acomodados?

Tomar consciência disso terá um duplo efeito salvífico para os próprios cristãos: descobrirão a riqueza dos outros, o modo como Deus se manifesta em todo o universo humano; e darão mais valor ao modo único no qual ele se dá a conhecer em Jesus Cristo.
fonte 31/05/2013  |  domtotal.com

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