JESUS É ENVIADO A TODOS - UMA REFLEXÃO DAS LEITURAS DO 9º dtc ano c (2.6.13)

terça-feira, 4 de junho de 2013

'A razão de nossa autentica realização está em Cristo'

Dom Antônio Carlos Rossi Keller, bispo da diocese de Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul, abordou em um artigo o tema "Jesus Cristo, nosso Salvador", onde ele afirma que o desenvolvimento de nossa vida de cristãos, que tem como objetivo final a santidade, acontece progressivamente e é, antes de tudo, ação da Graça, obra do Espírito Santo.
Este crescimento, segundo o prelado, acontece sempre na Comunidade da Igreja, que tem como finalidade ser um instrumento que nos conduza com segurança por este caminho. Para ele, hoje temos consciência clara a respeito disto, mas no início da Igreja aconteceu uma discussão a respeito de quem poderia ou não fazer parte da comunidade dos seguidores de Jesus.
Muitos cristãos de tradição judaica queriam obrigar os não judeus que desejavam ingressar na Igreja, a passar pelas cerimônias do judaísmo, especialmente a circuncisão, como um sinal de consagração a Deus, na observância da Lei de Moisés.
Dom Antônio explica que a palavra de Deus do último domingo, especialmente a segunda leitura (Carta aos Gálatas 1,1-2.6-10) e o Evangelho (Lucas 7,1-10), nos ensinaram esta lição fundamental: Jesus Cristo é o único e definitivo mediador da salvação para toda a humanidade. Conforme o bispo, a atitude de Jesus, descrita no Evangelho, que louva a fé daquele oficial romano, expressa esta realidade: Jesus é enviado a todos, e encontra, mesmo entre os pagãos, pessoas capazes de acolher sua Pessoa e seu Evangelho.
Ainda de acordo com o prelado, São Paulo percebe que, a opinião dos cristãos judaizantes, tentando impor aos demais a adesão à Lei e aos costumes judaicos, significa a perda do verdadeiro espírito de liberdade do Evangelho, o risco de que entre os cristãos se aceite a forma de vida farisaica... Dentro da visão daqueles cristãos, tentando impor seus costumes a todos, Jesus Cristo e seu Evangelho tornam-se inúteis: o que conta, é a Lei.
"As consequências deste princípio são funestas: a justificação e a salvação são conquistas humanas. Os judeus, com sua mentalidade legalista, não se sentiam pecadores, necessitados da Graça e da Salvação. Portanto, Jesus Cristo e seu Evangelho tornam-se desnecessários. Aí está a morte do cristianismo", avalia.
Para dom Antônio, São Paulo contesta fortemente esta visão, ensinando que a salvação é obra de Deus: é Graça, dom imerecido. Segundo ele, do ser humano o que se exige é a colaboração, mas a iniciativa da salvação é de Deus, por meio de Jesus Cristo. Além disso, afirma o bispo, todos tem a necessidade da salvação: não só os pagãos, mas também os judeus, submetidos à Lei de Moisés.
"O que São Paulo ensina é que o cumprimento da Lei não modifica o ser humano. Quem de verdade muda e transforma o homem é Cristo e Sua Graça. Todos somos pecadores, judeus ou pagãos, escravos ou livres, e portanto, todos necessitamos da Graça salvadora obtida para nós por Cristo."
Por fim, o prelado acredita que também hoje, o risco da diminuição da certeza da centralidade de Cristo e da necessidade da Graça para a salvação é grande: o ser humano pode enganar-se, colocando sua segurança na técnica, na ciência, na violência, na sexualidade, nas drogas e tantas outras propostas de "mediações" para se obter a felicidade, a paz e a alegria.
"É preciso ter sempre viva a sabedoria de jamais se deixar iludir. As realidades humanas justas, servem para ajudar, para colaborar na edificação de uma realidade humana melhor. Mas o sentido de nossa vida, a razão de nossa autentica realização como seres humanos está em Cristo e em sua Graça salvadora", conclui o bispo.
SIR
fonte: 04/06/2013  |  domtotal.com

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