(Lib. 1,1.1-2.2; 5,5: CCL
27,1-3) (Séc.V)
Inquieto está o nosso
coração,
enquanto não repousa em ti
Grande és tu, Senhor, e sumamente louvável: grande é a tua força, e a tua
sabedoria não tem limites! Ora, o homem, esta
parcela da criação, quer te louvar, este mesmo homem carregado com sua condição
mortal, carregado com o testemunho de seu pecado e como testemunho de que
resistes aos soberbos. Ainda assim, quer louvar-te o homem, esta parcela de tua
criação! Tu próprio o incitas para que sinta prazer em louvar-te. Fizeste-nos
para ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em ti.
Dá-me, Senhor, saber e compreender o que vem primeiro: o invocar-te ou o
louvar-te? Começar por conhecer-te ou por invocar-te? Mas quem te invocará sem
te conhecer? Por ignorância, poderá invocar alguém em lugar de outro. Será que
é melhor seres invocado, para seres conhecido? Como,
porém, invocarão aquele em quem não creem? ou como terão fé,
sem anunciante?
Louvarão o Senhor aqueles que o procuram. Quem o procura encontra-o e tendo-o
encontrado, louva-o. Buscar-te-ei, Senhor, invocando-te; e invocar-te-ei,
crendo em ti. Tu nos foste anunciado; invoca-te, Senhor, a minha fé, aquela que
me deste, que me inspiraste pela humanidade de teu Filho, pelo ministério de
teu pregador. Invocarei o meu Deus, o meu Deus e Senhor: mas como? Porque ao
invocá-lo eu o chamarei para dentro de mim. Que lugar haverá em mim, aonde o
meu Deus possa vir? Aonde virá Deus em mim, o Deus que fez o céu e a terra? Há,
então, Senhor, meu Deus, algo em mim que te possa conter? O céu e a terra, que
fizeste e nos quais me fizeste, são eles capazes de te conter? Ou, se sem ti
nada existiria de quanto existe, é porque tudo quanto existe te contém?
Portanto eu, que também existo, que tenho de pedir tua vinda em mim, em mim que
não existiria se não estivesses em mim? Ainda não estou nas profundezas da
terra e, no entanto, ali também estás. Pois, mesmo que desça às profundezas da terra, ali estás.
Não existiria, pois, meu Deus, de forma alguma existiria, se não estivesses em
mim. Ou melhor, não existiria eu se não existisse em ti, de
quem tudo, por quem tudo, em quem todas as coisas existem? É assim, Senhor, é assim mesmo. Para
onde te chamo, se já estou em ti? Ou donde virás para mim? Para onde me
afastarei, fora do céu e da terra, para que lá venha a mim o meu Deus, que
disse: Eu encho o céu e a terra?
Quem me dera descansar em ti! Quem me dera vires a meu coração, inebriá-lo a
ponto de esquecer os meus males, e abraçar-te a ti, meu único bem! Que és para
mim? Perdoa-me, se falo. Que sou eu a teus olhos, para que me ordenes amar-te
e, se não o fizer, te indignares e ameaçares com imensas desventuras? É acaso
pequena desventura não te amar?
Ai de mim! Dize-me, por compaixão, Senhor meu Deus, o que és tu para mim. Dize
à minha alma: Sou tua salvação. Dize de forma a que ela
te escute. Os ouvidos de meu coração estão diante de ti, Senhor. Abre-os e dize
à minha alma: Sou tua salvação. Correrei atrás destas
palavras e segurar-te-ei. Não escondas de mim tua face. Morra eu, para que não
morra, e assim possa contemplá-la!
Responsório Sl 72(73),25-26; 34(35),3b
R. Para mim, o que há no
céu fora de vós?
Mesmo que o corpo e o coração vão se gastando,
* Deus é o apoio e o
fundamento da minh’alma,
é minha parte e minha herança para sempre.
V. Senhor, dizei-me: Sou a
tua salvação! * Deus é.
Oração
Ó Deus, cuja providência jamais falha, nós vos
suplicamos humildemente: afastai de nós o que é nocivo, e concedei-nos tudo o
que for útil. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do
Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.


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