São Martinho de Tours
Memória
Nasceu na Panônia cerca do ano 316, de
pais pagãos. Depois de receber o batismo e de renunciar à carreira militar,
fundou um mosteiro em Ligugé (França), onde levou vida monástica sob a direção
de Santo Hilário. Foi depois ordenado sacerdote e, mais tarde, eleito bispo de
Tours. Foi modelo insigne de bom pastor. Fundou outros mosteiros, dedicou-se à formação do
clero e à evangelização dos pobres. Morreu no ano 397.
Das
Cartas de Sulpício Severo
(Epist.3,6.9-10.11.14-17.21:
SCh
133,336-344)
(Séc.V)
Martinho, pobre e
humilde
Martinho soube
com muita antecedência o dia da sua morte e comunicou aos irmãos estar iminente
a dissolução de seu corpo. Entretanto, surgiu a necessidade de ir à diocese de
Candax, pois os eclesiásticos desta Igreja estavam em discórdia. Desejando
restabelecer a paz, embora não ignorasse o fim de seus dias, não recusou
partir, julgando que seria um excelente fecho de suas obras deixar a Igreja em
paz.
Demorou-se por
algum tempo na aldeia e na Igreja aonde fora, e a paz voltou para os clérigos.
Quando já pensava em regressar ao mosteiro, começaram de repente a faltar-lhe
as forças e, chamando os irmãos, disse-lhes que ia morrer. Diante disto todos
se entristeceram grandemente, chorando e dizendo, a uma só voz: “Por que, pai,
nos abandonas? A quem nos entregas, desolados? Lobos vorazes invadem teu
rebanho; quem, ferido o pastor, nos livrará de seus dentes? Sabemos que desejas
a Cristo, mas teus prêmios já estão seguros e não diminuirão com o adiamento!
Tem compaixão de nós, a quem desamparas!”
Comovido com
estas lágrimas, ele que sempre possuíra entranhas de misericórdia, também
chorou, segundo contam. Voltando-se então para o Senhor, respondeu aos
queixosos somente com estas palavras: “Senhor, se ainda sou necessário a teu
povo, não recuso o trabalho. Que se faça tua vontade”.
Que homem
incomparável! O trabalho não o vence, a morte não o vencerá! Ele, que não se
inclinava para nenhum dos lados, não temeria morrer e nem recusaria viver! No
entanto, olhos e mãos sempre erguidos para o céu, não abandonava a oração o
espírito invicto; e quando os presbíteros, que se haviam reunido junto dele,
lhe pediram aliviar o frágil corpo, virando-o para o lado, disse: “Deixai-me,
deixai-me, irmãos, olhar para o céu de preferência à terra, para que o espírito
já se dirija ao caminho que o levará ao Senhor”. Dito isto, viu o demônio ali
perto. “Por que estás aqui, fera nefasta? Nada em mim, ó cruel, encontrarás! O
seio de Abraão me acolhe”.
Com estas
palavras entregou o espírito ao céu. Martinho, feliz, é recebido no seio de
Abraão; Martinho, pobre e humilde, entra rico no céu.
Responsório
R. Ó bispo São Martinho, realmente homem feliz!
Jamais foi encontrada, em seus lábios, a
mentira;
a ninguém ele julgava e nunca condenava.
* Não havia em sua
boca outra coisa a não ser
Jesus Cristo, a paz, o amor.
V. Homem digno de louvor!
Nem trabalho o derrotou, nem a morte o
venceria,
nem morrer o apavorou e a viver não
recusou.
* Não havia.
Oração
Ó Deus, que fostes glorificado pela vida
e a morte do bispo São Martinho, renovai em nossos corações as maravilhas da
vossa graça, de modo que nem a morte nem a vida nos possam separar do vosso
amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.

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