19 de novembro
Memória
Roque González de Santa Cruz nasceu em
1576 na cidade de Assunção (Paraguai). Era já sacerdote quando entrou na
Companhia de Jesus em 1609, e durante quase vinte anos procurou civilizar os
índios que habitavam nas florestas daquelas regiões, agrupando-os nas
“Reduções” e instruindo-os na fé e nos costumes cristãos. Foi morto
traiçoeiramente pela fé, a 15 de novembro de 1628, juntamente com Afonso
Rodríguez, espanhol. Dois dias mais tarde, em outra “Redução”, sofreu cruel
martírio João del Castillo, também espanhol, que tinha sido ardente defensor
dos índios contra os seus opressores. Estes três sacerdotes jesuítas,
martirizados na região que hoje é diocese de Santo Ângelo, foram canonizados
pelo Papa João Paulo II em 1988.
MEDITAÇÃO
Das Cartas de São Roque González,
presbítero
(Lit. Annuae P. Rochi González pro anno 1615 [s. d.] datae ad P.
Provincialem Petrum Oñate. Ed. [in lingua hispanica] in: Documentos para la
Historia Argentina, vol.20, Buenos Aires 1920, pp.
24-25) (Séc.XVII)
Espero que esta
cruz seja o princípio
para se levantarem
muitas outras
Voltando pouco
depois para lá encontrei um local onde podia ficar: uma pequena choupana perto
do rio; e, passado algum tempo, ofereceram-me uma palhoça maior. Dois meses mais
tarde, o Padre Reitor enviou o Padre Diogo de Boroa. Este chegou finalmente na
segunda-feira de Pentecostes. Com muita consolação considerávamos como o amor
de Deus nos juntava naquelas terras tão longínquas. Dividimos entre nós o
limitado espaço da nossa morada, com um tabique feito de canas. Ao lado
tínhamos uma capela, pouco maior que o próprio altar em que celebrávamos a
Missa. Por eficácia deste supremo e divino sacrifício, em que Cristo se
ofereceu ao Pai na Cruz, começou ele a triunfar ali, pois os demônios que antes
costumavam aparecer a estes índios não se atreveram a aparecer mais, como
testemunhou algum deles. Resolvemos continuar na mesma palhoça, embora tudo nos
faltasse. O frio era tanto que nos custava adormecer. O alimento também não era
melhor: milho ou farinha de mandioca, que é a comida dos índios; e porque
começamos a buscar pelos bosques umas ervas de que se alimentam os papagaios,
com este apelido nos chamavam.
Prosseguindo as
coisas deste modo, e temendo os demônios que, se a Companhia de Jesus entrasse
nestas regiões, eles perderiam em breve o que por tanto tempo tinham possuído,
começaram a espalhar por todo o Paraná que nós éramos espiões e falsos
sacerdotes, e que trazíamos a morte em nossos livros e imagens. Divulgou-se
isto a tal ponto que, estando o Padre Boroa a explicar aos índios os mistérios
da nossa fé, eles temiam aproximar-se das sagradas imagens, com receio de algum
contágio mortífero. Mas estas ideias foram-se desfazendo pouco a pouco,
sobretudo quando viram com os próprios olhos que os nossos eram para eles como
verdadeiros pais, dando-lhes de bom grado quanto tinham em casa e assistindo-os
nos seus trabalhos e enfermidades,de dia e de noite, auxiliando-os não só em
proveito das suas almas, o que é certamente mais importante, mas também dos
seus corpos.
E assim, quando
vimos consolidar-se o amor dos índios para conosco, pensamos em construir uma
igreja, que, embora pequena e modesta e coberta com palha, apareceu a esta
gente miserável como um palácio real, e ficam atônitos quando levantam os olhos
para o teto. Ambos tivemos de trabalhar com barro para fazer o reboco e para
ensinar os indígenas a fazer tijolos. Deste modo conseguimos ter a igreja
pronta para o dia de Santo Inácio do ano passado de 1615. Neste dia celebramos
lá a primeira missa e renovamos os nossos votos. Houve ainda outros ritos
festivos, quanto era possível segundo a pobreza do lugar. Também quisemos
organizar umas danças, mas estes rapazes são tão rudes que não conseguiram
aprendê-las. Levantamos depois uma torre de madeira e pusemos nela um sino que
a todos encheu de admiração, pois nunca tinham visto nem ouvido semelhante
coisa. Também foi ocasião de grande devoção uma cruz que os próprios indígenas
levantaram: tendo-lhes nós explicado por que razão os cristãos adoram a cruz,
eles se ajoelharam conosco para adorá-la. Desconhecida até agora nestas terras,
espero em nosso Senhor que esta cruz seja o princípio para se levantarem muitas
outras.
Responsório Jo 10,15.18; Jr 12,7
R. Do meu pai eu recebi uma missão para salvar.
* Eu dou minha
vida por minhas ovelhas.
V. Deixei a minha casa, rejeitei a minha herança;
minha vida muito amada coloquei-a
livremente
na mão dos inimigos. * Eu dou.
Oração
Senhor, que a vossa palavra cresça nas
terras onde os vossos mártires a semearam e seja multiplicada em frutos de
justiça e de paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do
Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao
Senhor.
R. Graças a Deus.
R. Graças a Deus.


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