No jardim dos paradoxos

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

"O santo é antes de tudo um apelo e uma pergunta. Para quantos não se limitam a ver o homem ou o herói, o santo torna-se palavra de Deus. É um sucesso de Deus. Com a terra de que somos feitos, Deus conseguiu plasmar um ser em quem a graça elevou a força da natureza", escrevia o jesuíta Xavier Léon-Dufour no seu livro Un biblista cerca Dio(Bologna, Centro Editoriale Dehoniano, 2004).
Meditando este texto os amigos do exegeta francês, docente de Sagrada Escritura, recordaram-no no sexto aniversário da morte, ocorrida em Pau a 13 de Novembro de 2007.

"O que caracteriza o santo é, na minha opinião, o contrário da velhice", afirma Léon-Dufour, conhecido pelo seu célebre Dicionário de Teologia Bíblica (1967) e um dos máximos especialistas do Evangelho de João.

"Deus é o eternamente Novo. Ele gera o Filho de modo ininterrupto. Pois bem, o santo que se adaptou perfeitamente a uma determinada situação, a um mundo que era o que era, convida-nos não a realizar trabalhos de historiadores e arqueólogos, a recuperar relíquias, nem a cair na armadilha de uma contemplação abstrata, mas a renovar-nos sempre, a adaptar-nos continuamente ao mundo em que vivemos. A experiência autêntica do santo, à qual estamos convidados, para a qual cada um de nós é chamado, consiste em entrar no segredo de Deus e, imbuídos de Espírito Santo, poder dizer ao mundo a palavra de que este mundo precisa, no meu lugar, à minha pequena medida, mas com a condição de que seja a minha medida, e que seja eu mesmo, então transformado pela água do Espírito".
L’Osservatore Romano, 1 de dezembro de 2013

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